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| ANTECEDENTES A origem da polêmica na política Quase uma década depois do lançamento de seu projeto, a Alca continua dividindo opiniões - poucos assuntos provocaram tanta controvérsia na política brasileira nos últimos anos. Mais que uma discussão objetiva em torno de uma negociação comercial, o assunto sofre uma fortíssima influência ideológica. E a reta final do diálogo com os outros países será comandada justamente por um partido que jamais fechou consenso no tema. Controlando a Presidência da República e a bancada majoritária no Congresso, o PT ainda reúne alguns dos maiores inimigos da Alca em Brasília. Na década passada, quando o Brasil iniciou seu processo de abertura econômica, o PT comandava a oposição fazendo previsões catastróficas para o futuro. Segundo seus integrantes, as empresas brasileiras seriam esmagadas pelos competidores estrangeiros, destruindo o progresso industrial conquistado a duras penas desde o início do século. Os palpites falavam em desnacionalização do setor produtivo e regresso à economia rural - ou seja, acreditava-se que o país sucumbiria aos produtos importados e voltaria a vender apenas café. As previsões acabaram se revelando um fiasco total - desde então, a indústria se reforçou, os investimentos cresceram e o país se desenvolveu. Alguns setores do PT e das legendas aliadas a ele retomaram o mesmo discurso na atual discussão da Alca. A equipe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no entanto, parece ter aprendido a lição do tempo: afastando-se dos protestos dos radicais, assumiu as negociações prometendo pragmatismo. Logo que foi indicado para o cargo, o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, deixou clara a intenção do novo governo: "Não vamos pensar na Alca ideologicamente. Vamos colocar o debate do ponto de vista do interesse brasileiro." O próprio Lula criticou a teimosia da ala que condena a Alca: "O que precisa ficar muito claro é que não queremos política de confrontação pela confrontação para satisfazer discurso ideológico de quem quer que seja", disse o presidente. A questão parecia encerrada, mas logo se notou que o componente ideológico não deixará o debate da Alca até que a negociação termine. Primeiro, o Itamaraty promoveu a secretário-geral o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, assumidamente contrário à formação do bloco. Depois, a equipe de diplomatas que negocia com americanos e outros vizinhos elevou o tom das críticas aos futuros colegas de Alca, acirrando a disputa com os americanos e atrasando o acordo. Às vésperas das rodadas decisivas de negociação, o Brasil ainda está às voltas com os termos sobre "imperialismo" e "anexação" - o que pode acabar isolando o país e bloqueando sua marcha para deixar de ser uma das economias mais fechadas do planeta. |
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