Arquivo VEJA
Craques na capa
 
 
15 de junho de 1983
A torcida diz adeus ao craque maior

Uma fantástica proposta leva
para a Itália o ídolo Zico

Mais de 1.000 anos depois que as primeiras casas começaram a abraçar o castelo que ainda hoje domina a cidade, os 100.000 habitantes de Udine, no noroeste da Itália, amanheceram na sexta-feira passada com um novo rei. Na mesma manhã, milhões de torcedores flamenguistas espalhados pelo Brasil acordaram com uma vaga sensação de orfandade - eles haviam perdido para a modesta Udinese (time em que já atua o brasileiro Edinho), sexta colocada no último campeonato Italiano, o maior ídolo da história recente do Flamengo. Ainda na sexta-feira, o meia-esquerda Zico, nascido Artur Antunes Coimbra no subúrbio carioca de Quintino Bocaiúva, há trinta anos, despertou com a certeza de que, depois de dez anos de carreira - sempre no Flamengo - e de 630 gols, estava bilionário.

A Udinese pagou ao titular absoluto da camisa 10 da seleção brasileira uma soma fantástica. Zico recebeu 1 milhão de dólares (500 milhões de cruzeiros, no câmbio oficial) já na assinatura de um contrato válido por três anos, ao longo dos quais ganhará outro milhão de dólares, além de salários que totalizarão 540.000 dólares (270 milhões de cruzeiros), mais 300 milhões de cruzeiros referentes a 15% sobre o valor de seu passe. Assim, quando completar 33 anos de idade, Zico terá embolsado 1,57 bilhão de cruzeiros, sem contar o aluguel de uma casa e dois automóveis cuja manutenção ficará por conta da Udinese. Ao Flamengo, o time italiano pagou 4 milhões de dólares. É a metade do que o Barcelona, da Espanha, pagou em 1982 ao Boca Juniors, da Argentina, pelo passe do atacante Diego Maradona. Descontado o caso de Pelé, que em 1975 foi para o Cosmos recebendo 5,5 milhões de dólares, nunca um jogador brasileiro protagonizou uma transação de tal calibre.

CALMA APARENTE - Também atarantado diante de tantos zeros, o presidente do Flamengo, Antônio Augusto Dunshee de Abranches, primeiro simulou chorar frente às câmaras de televisão pela perda do craque. Depois, esboçou uma contraproposta que, embora grandiosa para os padrões brasileiros, tornava-se raquítica se confrontada com a montanha de dólares de cima da qual os italianos acenavam para Zico. Se concordasse em ficar no Flamengo, o craque receberia, ao longo de dois anos, um total de 1,13 bilhão de cruzeiros. A cada mês, ganharia salários de 30 milhões de cruzeiros, 29 a mais do que o ordenado do presidente João Figueiredo e superior à soma dos soldos de todos os membros dos Altos Comandos das três Armas reunidos.

À exceção do cantor Roberto Carlos, nenhum outro brasileiro ganha algo parecido às custas da exibição do seu talento, nem ficaria tão ressabiado ao enfrentar as cédulas C e D do Imposto de Renda, onde se declaram os ganhos provenientes do trabalho individual. Mas a proposta da Udinese era incomparavelmente melhor, sobretudo porque os números nela contidos já estão expurgados do que será cobrado pelo fisco, e que ficará por conta do clube italiano. Se aceitasse a proposta do Flamengo, Zico teria que ceder ao leão entre 10% e 20% do que recebesse, por mais artifícios que usasse ao declarar seu Imposto de Renda. No íntimo, tanto Zico quanto Dunshee de Abranches sempre souberam que o convite da Udinese era irrecusável - e trataram de atribuir um ao outro a responsabilidade pela decisão final.

Reservado, quase frio fora dos gramados onde inferniza zagueiros, vibra com o time e emociona multidões, Zico manteve uma calma aparente e, sobretudo, tratou de não magoar uma torcida que o venerou por anos a fio. "Prefiro ficar no Flamengo", ressalvou no começo da semana. "Depende do que o clube me oferecer. Nem estou conseguindo dormir por causa dessa dúvida." Dunshee de Abranches devolveu a bola: "O Zico é quem decide se quer ficar no Flamengo", insistia, enquanto simulava uma desesperada caça a dólares, como se desconhecesse o tamanho do fosso a separar as duas propostas.

Na segunda-feira, durante o programa Canal Livre, apresentado ao vivo pela TV Bandeirantes, uma telespectadora protestou, com uma pergunta, contra as cifras mirabolantes da proposta italiana. "Você não acha um absurdo receber tudo isso quando tanto operário ganha salário mínimo?" Zico respondeu com segurança: "Não, não acho". E explicou por quê: "Sou considerado o jogador mais expressivo do país. Alguém duvida de que o médico mais expressivo do Brasil ganhe na verdade até mais que isso? E alguém duvida de que existam milhares de jogadores ganhando o mesmo salário mínimo que esses operários?"

REAÇÃO NATURAL - Zico poderia ter acrescentado que este será provavelmente seu último grande contrato - daqui a três anos, afinal, terá a idade em que os jogadores de ataque estão prestes a aposentar-se. Como profissional dos gramados, nade mais justo que aceite enriquecer com a exibição do seu talento individual. Zico, o Flamengo e a Udinese raciocinaram profissionalmente. Mas não se pode exigir - ao contrário - que torcedores ajam como profissionais das arquibancadas e gerais. Assim, da mesma forma que o triângulo envolvido na transação se comportou de forma lógica, a reação da torcida do Flamengo foi perfeitamente natural.

Natural e explosiva. Na sede do clube, localizada na Gávea, centenas de torcedores exaltados passaram alguns dias entre insultos aos dirigentes e promessas de vingança. Eles custavam a crer que estava de malas prontas para a Itália o herói de seis títulos estaduais e outras tantas taças Guanabara, de uma Taça Libertadores da América e de um Mundial Interclubes. Alguns, entre lágrimas, lembravam que a história de Zico se confunde com a do Flamengo. É verdade. Há dezesseis anos, Zico pousou no clube levado pelo radialista Celso Garcia. Cabia, então, num corpo com 1,55 m de altura e espantosos 37 quilos, peso e medida que um minucioso tratamento combinado ampliaria para 1,73 m e 69 quilos. Ainda longe, apesar dos lucros, do corpo ideal para enfrentar a rispidez do futebol moderno, Zico soube compensar com seu talento raro qualquer desvantagem em relação aos zagueiros.

É compreensível que deixe muita saudade entre a torcida e os próprios companheiros de clube. "Pessoal, o homem vai mesmo", anunciou na quarta-feira, para os jogadores que preservavam a esperança de ver a camisa 10 continuar com o velho dono, o técnico Carlos Alberto Torres. Também o treinador parecia triste. "Os jogadores estão abalados com a saída de Zico", informou Carlos Alberto. "Era o Zico que trazia o bicho para a gente, e eles sabem disso." Como não saber? O ponta-esquerda Júlio César, por exemplo, recém-promovido ao time principal, ganha 150.000 cruzeiros por mês. Mas só com os bichos que ganhou no último campeonato nacional juntou o suficiente para depositar 9 milhões numa caderneta de poupança.

GESTOS DISPARATADOS - Carlos Alberto tratou de tranqüilizar seus jogadores. "Lembrei a eles que passei pela mesma experiência no Santos, 1974, quando o Pelé saiu", conta. "O Zico tinha que ir mesmo, a proposta era irrecusável. Mas nós vamos dar a volta por cima." Poucos flamenguistas mantiveram na semana passada o espírito esportivo exibido pelo técnico do time. Em vez disso, floresceram pressões e gestos disparatados. Um deputado ameaçou ir ao presidente João Figueiredo para impedir a saída do craque. Uma advogada ingressou na Justiça com uma medida cautelar destinada a manter a escalação do Flamengo. E um personagem da novela Louco Amor, da TV Globo, viu incluída às pressas numa fala que já decorara a frase: "O Galinho é nosso e daqui não sai". "Galinho de Quintino" é o apelido que Zico tornou famoso antes de transformar-se, na semana passada, em Rei de Udine.

Nesse campeonato de exageros, o presidente Dunshee de Abranches concorreu com declarações francamente excêntricas. A certa altura, implorou ajuda oficial com o argumento de que a permanência de Zico no país era uma questão de Estado. "Não entendo como a Petrobrás e a Caixa Econômica Federal podem ficar omissas num momento como este", estranhou. "O que é 1 milhão de dólares para essas empresas?" Esse festival de hipocrisias, emoldurado pela inevitável lamentação da torcida, conduziu Zico a um de seus raros desabafos. "A profissão de jogador de futebol", observou, "é a única do mundo em que não se pode sair de um emprego para outro pela própria vontade."

Um cantor também celebrado por multidões, por exemplo, pode trocar de gravadora ou romper contrato com uma emissora de televisão sem que isso sequer arranhe sua relação com o público. Um ator ganhar muitos milhões e não terá seu desempenho avaliado em função do salário. Um político pode trocar de partido e ainda assim reeleger-se sem maiores sobressaltos. Mas o jogador de futebol é diferente, sobretudo no Brasil. Ele está diretamente envolvido com o único pedaço do mundo do futebol que jamais será profissionalizado - a torcida. E, ao longo dos tempos, os torcedores sempre cobrarão dos craques a mesma paixão pela camisa que arrasta multidões aos estádios.

APLAUSOS E VAIAS - "A torcida é uma coisa muito bonita, mas cadê a grana?", resume José Antunes Coimbra, 82 anos, pai de Zico. "A proposta da Udinese era fantástica", emenda Matilde da Silva Coimbra, 63 anos, que promete viajar para ver o filho craque brilhando nos campos da Itália. Profundamente familiarizados com o futebol - dos seus cinco filhos, quatro jogaram profissionalmente - os Antunes conhecem a volubilidade das torcidas. Sabem que, daqui a três anos, pouquíssimos flamenguistas recomendarão uma eventual compra do passe de Zico - ele será, então, considerado "velho". Sabem, também, que tão logo o futebol do filho famoso começasse a perder qualidade os aplausos se transformariam em vaias e outro ídolo teria seu nome gritado pela massa rubro-negra.

Essas ponderações contribuíram para que os familiares de Zico aprovassem sua decisão de partir. Houve outras. "Meus filhos poderão ter uma educação mais apurada", lembra Sandra, enquanto vigia as correrias dos filhos Júnior, de 5 anos, e Bruno, 4, e segura no colo o caçula Thiago, de 5 meses. "Sentirei saudade das praias brasileiras", concede Sandra, "mas as italianas são sedutoras." E um dos irmãos de Zico, o ex-jogador e hoje técnico do América Edu, parece feliz por constatar que o mais célebre dos Antunes não repetirá a trajetória que abreviou sua promissora carreira.

"No auge da carreira do Edu", lembra Zico, "o Corinthians fez ao América uma proposta milionária. Mas o América não liberou meu irmão, que acabou a carreira rodando por Campo Grande, por Brasília." Hoje, já não é exatamente assim. "Já foi pior, reconheço", diz Zico, cujo mandato como presidente do Sindicato de Jogadores Profissionais no Rio de Janeiro termina no final deste mês. "Antes, quando um contrato acabava e não se chegava a um acordo para a renovação, o clube podia ficar com o jogador preso para sempre." De qualquer forma, os líderes da categoria ainda têm muitas reivindicações a fazer.

CHANCES PERDIDAS - "A relação entre o clube e o profissional é escravocrata", afirma Wilson Piazza, quarto zagueiro campeão do mundo em 1970 e hoje vereador pelo PMDB em Belo Horizonte. Em sucessivas viagens a Brasília, Piazza tenta atrair homens do governo para a luta pela revogação da Lei do Passe, que só liberta o jogador profissional do seu vínculo depois de dez anos no clube - se permanecesse no Flamengo, Zico, por exemplo, seria alforriado em 1984. "A atividade de jogador de futebol ainda não pode ser considerada uma profissão de fato", ataca Piazza. O próprio Zico não morre de amores pelos cartolas. "Os dirigentes mudaram pouco", sustenta.

Segundo Zico, a maioria dos dirigentes "ainda vive prendendo os jogadores em concentrações estúpidas, dando bichos como o domador dá açúcar a um elefante, tratando-nos como se fôssemos um bando de órfãos carentes". Ele acha, contudo, que pelo menos os jogadores evoluíram muito. Metido numa profissão que pode render dinheiro grosso num período muito curto, ele pertence a uma geração de jogadores formada, em sua elite, por jovens de classe média bem mais informados sobre os próprios direitos que seus avós dos gramados. Hoje, por exemplo, parece inimaginável um caso como o do centro-médio Fausto, o lendário "Maravilha Negra", talvez o primeiro mártir do profissionalismo no futebol.

Em 1937, ao desentender-se com o técnico Dori Kruschner, ele foi afastado do time pela diretoria do Flamengo e impedido de transferir-se para outro clube. Morreu alguns anos depois, num sanatório em Minas Gerais, tuberculoso, pobre e esquecido. Naqueles tempos, um profissionalismo implantado às cegas em 1933 determinava que o clube era o dono do passe e tinha todos os direitos sobre os jogadores. Na semana passada, entre lembranças de casos assim melancólicos, heróis de outros campeonatos lamentavam ter brilhado em tempos bicudos. É o caso de Edwaldo Alves de Santa Rosa, o "Dida", dono por muitos anos da camisa 10 do Flamengo.

BONDE PERDIDO - Hoje Dida ganha 100.000 cruzeiros mensais como auxiliar técnico da equipe infantil do clube. "Dá para viver rasteirinho", diz o craque aposentado, que lamenta ter permitido que a sorte passasse selada sem que resolvesse montá-la. "Eu também tive uma oportunidade de me transferir para a Itália", conta. "Mas era Flamengo de coração, os diretores diziam que meu passe era inegociável e eu ficava orgulhoso. Perdi boas chances." Seu contemporâneo João José Altafini, o "Mazzola", revelado pelo Palmeiras, não perdeu. Transferiu-se em 1958 para o Milan, fez gols em penca, chegou a jogar na seleção italiana e hoje, rico, continua por lá.

Outro a perder o bonde nos anos 50 foi Luiz Truchillo, o "Luizinho" do Corinthians - um similar não-vitaminado de Zico, com 1,65 m, dribles rápidos e infernais, manha infinita e raça de campeão. "Fui convidado a ir para a Itália em 1959, mas a torcida fez um movimento e não deixou", recorda. Hoje ele vive sem luxos numa casa modesta do bairro do Tatuapé, em São Paulo, não muito longe do apartamento de dois quartos onde mora o antigo ponta-direita Paulo Borges. Contratado pelo Corinthians ao Bangu em 1968 por fabulosos 1 milhão de cruzeiros de então, Paulo Borges também pertence à época em que os jogadores jamais ficavam milionários, mas se deliciavam com o paternalismo dos dirigentes.

"Em 1966, depois de um jogo contra o Flamengo em que meti três gols, o 'seu' Castor de Andrade me deu um apartamento", lembra Paulo Borges. Sempre exposta aos caprichos dos cartolas, a estrela do ponta-direita subiu e, rapidamente, despencou. "Quando eu tinha 19 anos, me pagavam pouco, dizendo eu era jovem e o dinheiro iria virar minha cabeça", conta. "Quando fiz 28 anos me disseram que já estava acabado para o futebol e só me salvei porque fui contratado pelo Corinthians." Salvo da aposentadoria, mas não de um destino que passaria ao largo da fortuna.

TOQUE DE BRILHANTISMO - Desse destino Zico está livre para sempre. "Se ele perdesse essa chance de ir para a Itália, certamente se arrependeria no futuro", aprova Wilson Piazza. "Gosto do Flamengo, consegui tudo aqui, mas amanhã a torcida esquece tudo, os dirigentes mais ainda e quem alimenta meus filhos sou eu." São declarações sensatas, típicas de uma elite de craques que soube adaptar-se à era do futebol-empresa administrando seu talento com métodos modernos e entregando a negociação de seus contratos a espertos procuradores.

O futebol brasileiro, naturalmente, sai perdendo. "É uma grave perda para a seleção", anota o técnico Carlos Alberto Parreira. Segundo Parreira, não se monta um selecionado com um ou dois grandes talentos. "São necessários cinco ou seis", contabiliza Parreira. "Jogadores como Zico, Sócrates e Falcão dão o toque de brilhantismo a um time, e levam muito tempo para ser formados. " Falcão já está na Itália há 3 anos e, apesar do tumulto que tem cercado a renovação de seu contrato com o Roma, é improvável que volte ao Brasil - ele também parece seduzido pelos atrativos financeiros oferecidos pela sólida estrutura do futebol italiano. Zico no momento afivela as malas. Na semana passada, enfim, enquanto excursionava com a seleção brasileira pela Europa, Sócrates soube que há clubes italianos interessados no seu passe.

"Gosto do Corinthians, mas quero ver o que me oferecem", avisa Sócrates. Ele talvez não tenha muito tempo para pensar: na quinta-feira passada, a Federação Italiana decidiu fechar o mercado a jogadores estrangeiros, deixando algumas poucas portas entreabertas. A federação permite, por exemplo, que sejam consumadas transações cujo início tenha sido formalizado antes de anunciada a decisão restritiva - e é possível que algum clube italiano tenha adotado tal cautela em relação ao craque do Corinthians. Nesse caso, Sócrates enfrentará pressões semelhantes às que desabaram sobre Zico, mas o provável é que o bolso pese mais, e é justo que seja assim.

HERESIA ARQUIVADA - Sócrates sabe, afinal, que as torcidas não costumam comparecer em bloco a consultórios onde craques aposentados exercem a profissão de médico. Em seus tempos de ídolo no Cruzeiro, o atacante Tostão circulava com dificuldade pelas ruas de Belo Horizonte - todos queriam abraçá-lo. Hoje, o médico Eduardo Gonçalves Andrade tem uma clientela até numerosa, mas de qualquer modo precisa trabalhar. E certamente viveria com mais conforto se passasse alguns anos jogando na Itália.

Assim, vulneráveis ao assédio dos italianos, os clubes brasileiros talvez passem a examinar com mais entusiasmo a modernização da estrutura do futebol brasileiro. Há algum tempo, os cartolas julgavam herética a presença de algum tipo de propaganda nos uniformes. Hoje, caçam empresas interessadas em anunciar nas jaquetas dos jogadores. Por enquanto, clubes tradicionais descartam a hipótese de associar-se mais estreitamente a empresas. Mas é possível que ainda nesta década, a exemplo do que ocorreu no mundo do vôlei, também essa falsa heresia seja arquivada e empresas montem seus times de futebol.

Até aperfeiçoarem seu arsenal defensivo, os clubes brasileiros vão resistindo como podem à ofensiva de compradores estrangeiros e, quando a proposta por algum craque é irrecusável, vasculham, com o dinheiro da venda nas mãos, o mercado doméstico. Não é fácil preencher certas lacunas. Na quinta-feira em que o Flamengo perdeu Zico, o técnico Carlos Alberto correu à diretoria com uma lista de nomes: Luvanor, Renato, Careca, Cláudio Adão, João Paulo e Reinaldo. "Quero pelo menos dois desses jogadores", anunciou Carlos Alberto, "pois o Zico vale por dois". Na opinião dos flamenguistas, vale por todos.

 
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