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Entrevista
com Sergey Brin
Sergey
Brin, de 28 anos, é um dos criadores do Google, o maior site
de busca da internet atualmente. Formado em ciência da computação
pela Universidade de Maryland, Brin criou o Google quando fazia
um trabalho para a pós-graduação. O sucesso
do programa rendeu-lhe o título de uma das dez pessoas mais
inovadoras da internet. Nascido na Rússia, Brin mudou-se
para os Estados Unidos com seus pais quando tinha seis anos de idade.
Filho de um professor de matemática da Universidade de Maryland
e de uma cientista que atualmente trabalha na Nasa, acredita que
manter a alma de cientista é uma das razões para seu
sucesso. A maioria das empresas de internet fecharam porque
pensavam apenas no sucesso financeiro. Se não houver preocupação
em continuar as inovações tecnológicas, não
há como progredir nessa área, diz ele. Na semana
passada, Brin falou à VEJA de seu escritório, em Mountain
Views, Califórnia.
VEJA
- Como o Google tornou-se um sucesso?
Sergey Brin - Talvez um dos segredos do sucesso seja o fato
de o Google ter começado como uma pesquisa, não como
um site comercial. Larry e eu não estávamos nem um
pouco animados com a idéia de ter uma empresa de internet.
Estávamos felizes cursando o doutorado em Stanford, gostávamos
da vida que levávamos como estudantes e pesquisadores. Quando
fomos convidados a criar um companhia, queríamos estar certos
de que manteríamos nossa orientação acadêmica
de fazer sempre o melhor. Contratamos os mais talentosos profissionais,
que pensavam do mesmo jeito. Os resultados estão aí.
Desde que transformamos nossa pesquisa em negócio, em 1998,
o tráfego do nosso site cresce cerca de 20% ao mês.
VEJA
Qual a principal diferença entre o Google e os outros
buscadores?
Brin - Há várias. As mais importantes
são as seguintes. Somos o primeiro site de buscas a oferecer
pesquisas em 3 bilhões de documentos. Isso acontece porque
só oferecemos pesquisa. Não gastamos energia com horóscopos
ou conselhos financeiros. Outro ponto: o Google funciona em 74 versões,
cada uma delas com uma língua diferente. A última,
e fundamental, é que, por trabalharmos com mais de duas dezenas
de milhares de computadores, temos velocidade.
VEJA
- Qual a importância do Google hoje na internet?
Brin - As pessoas que acessam o Google dependem de nós
para encontrar as informações que precisam no emaranhado
de páginas que virou a World Wide Web. Fazemos mais de 150
milhões de pesquisas por dia, em todo o mundo. É uma
tremenda responsabilidade. Essas pessoas precisam de nós
para muita coisa. Muitas delas utilizam o Google para seus trabalhos,
para estudar. Também podemos mensurar o nosso valor pelo
alcance que o Google tem no mundo. Mais da metade dos nossos usuários
moram fora dos Estados Unidos.
VEJA
- O Google processa pesquisas em 3 bilhões de páginas
e as estimativas é de que haja 5 bilhões de páginas
em toda a rede. É possível vocês processarem
todo esse material?
Brin - É muito difícil de responder até
onde podemos avançar. Há realmente bilhões
de páginas na internet hoje, mas esse número muda
todos os dias. A vida e morte de páginas na internet é
muito grande. Um bom buscador deve realmente ter a nossa capacidade,
ou até mais. Mas também é importante para um
buscador saber quais, entre toda essa montanha de páginas,
valem estar na pesquisa.
VEJA
- É muito difícil manter uma estrutura como a do Google?
Brin - Trata-se de um site grande e muito complexo. Por isso
mais da metade dos nossos funcionários são técnicos.
Os chamamos de Googlers. São as pessoas que ficam trabalhando
contra o relógio quase todos os dias do ano.
VEJA
- Mas o Google é conhecido como uma empresa que permite maior
flexiblidade aos funcionários.
Brin - Isso depende de qual grupo de funcionários falamos.
Em geral, somos muito flexíveis e adotamos uma postura casual,
sem formalidades. Nossos funcionários podem ir e vir sem
se preocupar com horários, desde que cumpram suas obrigações.
Alguns, como os técnicos, chegam na hora do almoço,
mas só saem quando o sol está nascendo na próxima
manhã. O que chama a atenção no Google é
que temos uma série de jogos e coisas divertidas ao redor
do nosso escritório, como video games, piscina, quadra de
hockey. Tudo isso ajuda na criatividade e na interação
entre os funcionários. Tem um impacto positivo e nossos funcionários
sabem que não é distração.
VEJA
- Quais são os maiores problemas do Google hoje?
Brin - Nosso maior desafio está justamente naquilo que
torna o Google o que é hoje: o crescimento acelerado. Para
não transformar esse sucesso num problema é preciso
captar rápido os talentos para trabalhar conosco. Há
uma série de informações que não conseguimos
captar e conectar ao Google. Estamos trabalhando em versões
do Google para diferentes línguas e diferentes plataformas
de acesso, como dispositivos de rádio.
VEJA
- O que o senhor pensa a respeito do buscador Teoma? Alguns especialistas
dizem que o site pode minar o Google.
Brin - Nós estamos sempre de olho em quem compete diretamente
com a gente. Mas ainda não sentimos nenhuma pressão
de nenhum dos sites de buscas lançados no ano passado. Tanto
o Teoma quanto outros são novos e não tiveram tempo
suficiente para se expandirem e desenvolver os serviços que
oferecemos hoje aos nossos usuários. Larry e eu pensamos
que a barreira para criar um novo buscador é muito alta hoje.
Teria de ser um programa muito competitivo. Nossa companhia está
sempre desenvolvendo tecnologias e melhorando o que já temos.
Quem quer desenvolver um novo site de busca que se equipare ao Google
hoje tem de investir o mesmo de tempo que investimos, com a estrutura
que temos. Acho muito difícil.
VEJA
- Na sua opinião, por que tantas empresas estão perdendo
dinheiro hoje na internet e quais são as áreas promissoras
do e-business?
Brin - A maioria das empresas está interessada só
no sucesso financeiro. Não se preocupam em tecnologias inovadoras
e produtos. A única coisa que pode manter um negócio
na internet por muito tempo é a superação,
já que tudo é muito rápido. Uma área
promissora, na minha opinião, é a fusão entre
computadores e medicina. Também estou interessado em nanotecnologia.
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