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Guia | Especial
Câncer
Orlando  |
O que é:
multiplicação desordenada das células que leva à formação
de tumores malignos Quantas pessoas atinge no Brasil: 500 000 por
ano
O PACIENTE PROCURA AJUDA PARA
PREVENIR-SE DA DOENÇA
O médico
proíbe o fumo e corta os dois cigarrinhos por dia que o paciente se dava
ao luxo de fumar. Melhor mudar de médico? Não. Basta um
cigarro por dia (mesmo do tipo light) para tornar uma pessoa mais vulnerável
ao aparecimento de tumores. O médico
proíbe aquela dose diária de uísque ou as duas taças
de vinho que "são boas para o coração". Melhor mudar de médico?
Não. Mesmo em doses pequenas, o consumo habitual de álcool predispõe
ao aparecimento de câncer na boca, no esôfago e no estômago.
O PACIENTE RECEBE O DIAGNÓSTICO
DE CÂNCER A paciente insiste com o médico
que ainda assim deseja engravidar. O médico aconselha a focar na doença.
Discuta com ele a possibilidade de congelar óvulos para futura inseminação.
O médico manda parar o uso de
qualquer medicamento que contenha hormônios. A paciente insiste em manter
as pílulas anticoncepcionais... Se o médico for conclusivo
e mantiver a proibição, não adianta mudar de médico.
O controle dos hormônios é vital para o acompanhamento da eficiência
do ataque aos tumores. O médico
não recomenda exames de imagem capazes de localizar metástases invisíveis
a outros métodos. Isso é estranho? Discuta com ele, pois
essa atitude pode ser a mais correta. Dado o diagnóstico inicial, o importante
é que o tratamento seja feito o mais rapidamente possível e com
toda a disciplina. Quanto antes se iniciar a terapia, menor é o risco de
a doença se espalhar para outros órgãos.
METÁSTASE Os
anticorpos monoclonais são parte dos modernos tratamentos do câncer
metastático. O que fazer se seu médico não os receitar?
O médico pode não os prescrever. Até hoje esses remédios
foram desenvolvidos para apenas alguns casos de metástase de câncer
de mama, colo, o de pulmão e leucemias. CÂNCER
DE MAMA
O médico recomenda de cara a
retirada do seio atingido. O que fazer? Ouvir a opinião de outro
médico ajuda a tomar a decisão sem a sensação de que
se fez a coisa errada. Todas as cirurgias de câncer retiram uma parte da
mama. Discuta com o médico a possibilidade da cirurgia dupla: a retirada
do seio e sua reconstrução imediata com prótese de silicone
ou com o uso de músculos do abdômen. O
médico sugere a retirada preventiva dos ovários para evitar o reaparecimento
da doença. O que se deve considerar nesses casos? Pergunte a seu
médico se o câncer diagnosticado em você é do tipo que
tem receptores para o estrogênio ou do tipo que não tem esses receptores.
Essa diferença é crucial na definição do tratamento.
Se o seu caso for positivo, a retirada dos ovários pode ser recomendada,
uma vez que eles produzem hormônios que estimulam o crescimento do tumor.
O uso da radioterapia já durante as
operações de extirpação de tumores de mama tem ganho
adeptos. Seu médico a descarta como uma inutilidade. O que pensar?
Essa técnica é um avanço em relação à
radioterapia convencional pois minimiza os efeitos colaterais. Ela, no entanto,
não tem aplicação em todos os tipos de câncer. Discuta
com o médico as razões pelas quais ele descarta esse procedimento.
CÂNCER DE PRÓSTATA
Depois da biópsia, o médico não
tem dúvida e recomenda uma cirurgia. Vale a pena argumentar? Sim,
e muito. O câncer de próstata é um dos grandes desafios da
medicina atual. Os exames não dão resultado apenas negativo ou positivo.
Existem dezenas de variáveis que tornam a abordagem desse câncer
muito complexa. Discuta com seu médico qual a gradação do
seu câncer na escala Gleason. Pergunte sobre o teste de Kattan, questionário
pelo qual é possível calcular com objetividade as chances de cura
por meio de uma intervenção cirúrgica.
Os remédios funcionam para combater a impotência
causada pelo tratamento? Os médicos precisam informar ao paciente
que nem sempre tais remédios dão certo. Ao lado das antigas injeções,
eles têm surtido efeito positivo em 70% dos casos. Se não funcionarem,
questione o médico sobre a possibilidade de fazer uma prótese peniana.
| Reposição hormonal: um dilema
sem resposta simples
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| Reposição: não há garantia
de que a terapia seja segura para o coração |
A reposição hormonal, técnica utilizada desde meados da década
de 60 para atenuar os sintomas da menopausa, é um dos tratamentos mais
procurados por mulheres brasileiras em torno dos 50 anos. É um procedimento
que até hoje não obteve unanimidade. São óbvios os
benefícios do uso de hormônios, como o estrógeno e a progesterona.
As mulheres que fazem reposição hormonal na menopausa livram-se
dos incômodos típicos dessa fase da vida, como as ondas de calor
e a instabilidade de humor. Há melhora expressiva na vida sexual e até
na aparência física. As dúvidas começam
quando se estudam os riscos resultantes do tratamento com hormônios. A mais
crucial das divergências diz respeito aos riscos cardíacos causados
pela reposição hormonal. O dado mais assustador foi produzido por
um estudo de 2002 conduzido nos Estados Unidos pelo National Institutes of Health.
Mulheres que fizeram reposição hormonal viram a probabilidade de
sofrer um infarto crescer 29%. Os riscos de derrame aumentaram 41%. São
números fortes o suficiente para desaconselhar o tratamento. O problema
é que os resultados não são conclusivos.
Meses depois, uma equipe de pesquisadores da Universidade Harvard, nos Estados
Unidos, tornou público um trabalho de igual magnitude que chegou a conclusões
diametralmente opostas: os hormônios adicionais protegeriam o coração
das mulheres na menopausa. Desde então os estudos se revezam, sempre com
conclusões que trazem mais confusão à cabeça das mulheres.
A última palavra que a ciência tem sobre a reposição
hormonal, portanto, é um ponto de interrogação. É
frustrante. Mas é isso. A dúvida tornou os médicos
mais conservadores em relação à prescrição
da terapia, que passou a ser empregada com todas as ressalvas: o procedimento-padrão,
agora, é receitar a reposição apenas quando os sintomas da
menopausa forem excessivamente incômodos à paciente. Outro efeito
da polêmica científica foi a redução das doses de hormônio
aplicadas no tratamento e a sua duração o tempo médio
da terapia caiu de dez para cinco anos. Por fim, os médicos deixaram de
indicar o início do tratamento em mulheres com mais de 60 anos, idade a
partir da qual os riscos de um problema cardíaco são naturalmente
maiores. Conclui o ginecologista César Fernandes, vice-presidente da Sobrac,
a sociedade brasileira que reúne médicos especializados em menopausa:
"Antes de receitar a terapia, é preciso pesar se os benefícios que
ela proporciona podem ultrapassar seus riscos aparentes. Cada caso vai ter uma
resposta diferente". | | |