Edição 1952 . 19 de abril de 2006

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Câncer

Orlando


O que é:
multiplicação desordenada das células que leva à formação de tumores malignos
Quantas pessoas atinge no Brasil:
500 000 por ano


O PACIENTE PROCURA AJUDA PARA
PREVENIR-SE DA DOENÇA

O médico proíbe o fumo e corta os dois cigarrinhos por dia que o paciente se dava ao luxo de fumar. Melhor mudar de médico?
Não. Basta um cigarro por dia (mesmo do tipo light) para tornar uma pessoa mais vulnerável ao aparecimento de tumores.  

O médico proíbe aquela dose diária de uísque ou as duas taças de vinho que "são boas para o coração". Melhor mudar de médico?
Não. Mesmo em doses pequenas, o consumo habitual de álcool predispõe ao aparecimento de câncer na boca, no esôfago e no estômago.


O PACIENTE RECEBE O DIAGNÓSTICO DE CÂNCER

A paciente insiste com o médico que ainda assim deseja engravidar. O médico aconselha a focar na doença.
Discuta com ele a possibilidade de congelar óvulos para futura inseminação.  

O médico manda parar o uso de qualquer medicamento que contenha hormônios. A paciente insiste em manter as pílulas anticoncepcionais...
Se o médico for conclusivo e mantiver a proibição, não adianta mudar de médico. O controle dos hormônios é vital para o acompanhamento da eficiência do ataque aos tumores.  

O médico não recomenda exames de imagem capazes de localizar metástases invisíveis a outros métodos. Isso é estranho?
Discuta com ele, pois essa atitude pode ser a mais correta. Dado o diagnóstico inicial, o importante é que o tratamento seja feito o mais rapidamente possível e com toda a disciplina. Quanto antes se iniciar a terapia, menor é o risco de a doença se espalhar para outros órgãos.
 


METÁSTASE

Os anticorpos monoclonais são parte dos modernos tratamentos do câncer metastático. O que fazer se seu médico não os receitar?
O médico pode não os prescrever. Até hoje esses remédios foram desenvolvidos para apenas alguns casos de metástase de câncer de mama, colo, o de pulmão e leucemias.


CÂNCER DE MAMA

O médico recomenda de cara a retirada do seio atingido. O que fazer?
Ouvir a opinião de outro médico ajuda a tomar a decisão sem a sensação de que se fez a coisa errada. Todas as cirurgias de câncer retiram uma parte da mama. Discuta com o médico a possibilidade da cirurgia dupla: a retirada do seio e sua reconstrução imediata com prótese de silicone ou com o uso de músculos do abdômen.  

O médico sugere a retirada preventiva dos ovários para evitar o reaparecimento da doença. O que se deve considerar nesses casos?
Pergunte a seu médico se o câncer diagnosticado em você é do tipo que tem receptores para o estrogênio ou do tipo que não tem esses receptores. Essa diferença é crucial na definição do tratamento. Se o seu caso for positivo, a retirada dos ovários pode ser recomendada, uma vez que eles produzem hormônios que estimulam o crescimento do tumor.

O uso da radioterapia já durante as operações de extirpação de tumores de mama tem ganho adeptos. Seu médico a descarta como uma inutilidade. O que pensar?
Essa técnica é um avanço em relação à radioterapia convencional pois minimiza os efeitos colaterais. Ela, no entanto, não tem aplicação em todos os tipos de câncer. Discuta com o médico as razões pelas quais ele descarta esse procedimento.


CÂNCER DE PRÓSTATA

Depois da biópsia, o médico não tem dúvida e recomenda uma cirurgia. Vale a pena argumentar?
Sim, e muito. O câncer de próstata é um dos grandes desafios da medicina atual. Os exames não dão resultado apenas negativo ou positivo. Existem dezenas de variáveis que tornam a abordagem desse câncer muito complexa. Discuta com seu médico qual a gradação do seu câncer na escala Gleason. Pergunte sobre o teste de Kattan, questionário pelo qual é possível calcular com objetividade as chances de cura por meio de uma intervenção cirúrgica.  

Os remédios funcionam para combater a impotência causada pelo tratamento?
Os médicos precisam informar ao paciente que nem sempre tais remédios dão certo. Ao lado das antigas injeções, eles têm surtido efeito positivo em 70% dos casos. Se não funcionarem, questione o médico sobre a possibilidade de fazer uma prótese peniana.

 

Reposição hormonal: um dilema
sem resposta simples

Reposição: não há garantia de que a terapia seja segura para o coração

A reposição hormonal, técnica utilizada desde meados da década de 60 para atenuar os sintomas da menopausa, é um dos tratamentos mais procurados por mulheres brasileiras em torno dos 50 anos. É um procedimento que até hoje não obteve unanimidade. São óbvios os benefícios do uso de hormônios, como o estrógeno e a progesterona. As mulheres que fazem reposição hormonal na menopausa livram-se dos incômodos típicos dessa fase da vida, como as ondas de calor e a instabilidade de humor. Há melhora expressiva na vida sexual e até na aparência física.

As dúvidas começam quando se estudam os riscos resultantes do tratamento com hormônios. A mais crucial das divergências diz respeito aos riscos cardíacos causados pela reposição hormonal. O dado mais assustador foi produzido por um estudo de 2002 conduzido nos Estados Unidos pelo National Institutes of Health. Mulheres que fizeram reposição hormonal viram a probabilidade de sofrer um infarto crescer 29%. Os riscos de derrame aumentaram 41%. São números fortes o suficiente para desaconselhar o tratamento. O problema é que os resultados não são conclusivos.

Meses depois, uma equipe de pesquisadores da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, tornou público um trabalho de igual magnitude que chegou a conclusões diametralmente opostas: os hormônios adicionais protegeriam o coração das mulheres na menopausa. Desde então os estudos se revezam, sempre com conclusões que trazem mais confusão à cabeça das mulheres. A última palavra que a ciência tem sobre a reposição hormonal, portanto, é um ponto de interrogação. É frustrante. Mas é isso.

A dúvida tornou os médicos mais conservadores em relação à prescrição da terapia, que passou a ser empregada com todas as ressalvas: o procedimento-padrão, agora, é receitar a reposição apenas quando os sintomas da menopausa forem excessivamente incômodos à paciente. Outro efeito da polêmica científica foi a redução das doses de hormônio aplicadas no tratamento e a sua duração – o tempo médio da terapia caiu de dez para cinco anos. Por fim, os médicos deixaram de indicar o início do tratamento em mulheres com mais de 60 anos, idade a partir da qual os riscos de um problema cardíaco são naturalmente maiores. Conclui o ginecologista César Fernandes, vice-presidente da Sobrac, a sociedade brasileira que reúne médicos especializados em menopausa: "Antes de receitar a terapia, é preciso pesar se os benefícios que ela proporciona podem ultrapassar seus riscos aparentes. Cada caso vai ter uma resposta diferente".

 

NESTA REPORTAGEM
Doenças virais sexualmente transmissíveis
Diabetes
Transtornos do humor
Obesidade
Distúrbios cardiovasculares
Câncer
Doenças cerebrais degenerativas
Doenças pulmonares
Dor de cabeça crônica
Alergias
 
 
 
 
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