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Guia | Especial Distúrbios
cardiovasculares
Orlando  |
O que são: conjunto
de doenças que provocam o entupimento das artérias ou que prejudicam
o funcionamento do coração Quantas pessoas atingem no Brasil:
300 000 morrem por ano
UM
PACIENTE DE MEIA-IDADE SADIO PROCURA AJUDA PARA PREVENIR-SE DA INCIDÊNCIA
DE DOENÇAS CARDÍACAS
Ele diz ao médico que seus amigos da mesma idade tomam uma aspirina
infantil por dia para evitar o primeiro infarto. O médico não se
anima com a automedicação. Ele está certo? Eis uma
situação que deve ser resolvida caso a caso. As estatísticas
mostram que de 80 a 160 miligramas de aspirina por dia ajudam a prevenir ataque
cardíaco em pacientes que já sofreram o primeiro infarto. Por associação,
muitos médicos receitam aspirina para pacientes sadios mas que estão
acima do peso ou fumam. Discuta com seu médico se é esse o seu caso,
se seu estômago tolera bem a ação corrosiva da aspirina. Discuta
com ele a hipótese mesmo remota de você sofrer um derrame hemorrágico
e, nesse caso, a aspirina, que atrasa a coagulação, piorar o caso.
O médico prescreve antiinflamatórios
para prevenir o infarto. Ele está certo? O infarto é o
lance final de um processo inflamatório. Mesmo assim, o uso de medicamentos
antiinflamatórios é contra-indicado tanto para prevenir quanto para
tratar distúrbios cardiovasculares. Discuta com o seu médico caso
precise usá-los no tratamento de outras doenças. O
paciente reclama de impotência. O médico manda fazer um chek-up completo.
Um Viagra não basta? Não. Pedir um check-up é o
procedimento esperado dos médicos diante de um quadro de impotência
que, claramente, não esteja associado apenas a doenças do aparelho
urinário. A impotência pode indicar um problema circulatório
mais amplo e ser um sinal avançado de risco cardíaco.
O PACIENTE RECEBE O DIAGNÓSTICO DE DOENÇA
CARDIOVASCULAR
O médico
informa que a pressão sanguínea está dentro dos valores normais,
mas opta por continuar com a medicação para controlá-la melhor.
Isso significa que ele acha que o estado do paciente é ruim? Não.
Ele mostra que está atento aos estudos epidemiológicos mais recentes,
que indicam que a interrupção do uso do remédio provavelmente
fará a pressão voltar a subir. Discuta com o médico os efeitos
colaterais de tomar diuréticos ou bloqueadores do sistema renina-angiotensina
para manter a pressão nos padrões mais aceitos como normais.
O paciente não tem dor no peito,
não está sofrendo infarto, mas a recomendação do médico
é cirurgia imediata. O que pensar? A primeira reação
do paciente é obter uma segunda opinião. Os bons médicos
não se incomodam com esse pedido. Para tornar a conversa com o médico
mais produtiva, saiba que a combinação dos dois fatores a seguir
sinaliza a necessidade de cirurgia: 1)
uma coronária importante apresenta obstrução de pelo menos
70%; 2) o fluxo sanguíneo
total no coração apresenta déficit.
Uma vez estabelecida a necessidade de cirurgia, o paciente deve começar
a discutir a qual procedimento ele será submetido. Mais e mais as obstruções,
mesmo múltiplas, são tratadas de modo menos invasivo por meio de
cateteres que viajam dentro das artérias até o local entupido. São
cada vez mais raras as cirurgias com abertura do tórax. Se seu médico
insistir nessa segunda cirurgia, exija uma explicação detalhada
de seu caso. O paciente tem medo
de morrer durante o teste de eletro de esforço, aquele da esteira em que
o coração é monitorado. O médico minimiza o risco.
O que fazer? O risco existe. Afinal, o coração será
testado em seu limite máximo. Em havendo um distúrbio não
detectado pela auscultação e pelo eletro em repouso, existe o risco,
ainda que pequeno, de sofrer uma parada cardíaca. Só aceite fazer
o teste de esforço em locais com pessoal preparado e equipamentos de ressuscitação.
O
PACIENTE JÁ SOFREU INFARTO, TRATOU-SE E VOLTA AO MÉDICO
O médico receita remédios
para trazer as taxas de colesterol para níveis abaixo dos normais. Ele
está sendo exagerado? Não. Os níveis de colesterol
nesse caso devem estar sempre abaixo da média considerada ideal. Segundo
estudo publicado no Journal of the American Medical Association, essa providência
não apenas impede a formação de novas placas nas artérias
como diminui as obstruções já existentes. Obter taxas muito
baixas de colesterol apenas com o uso das estatinas (as drogas mais receitadas
nesse caso) exige a prescrição das mais altas doses. Se esse for
seu caso, pergunte a seu médico o que ele pretende fazer para evitar os
efeitos colaterais raros, mas graves, associados ao uso das estatinas. São
efeitos sobre o fígado e os músculos. Discuta com ele o uso combinado
de outra classe de drogas anticolesterol, aquelas que agem apenas sobre a absorção
de gorduras nos intestinos sem afetar o fígado. O
médico insiste no tratamento psicológico além do clínico.
Isso é dispensável? Os médicos que aconselham acompanhamento
psicológico estão amparados pela boa literatura médica recente:
40% das pessoas que têm o coração operado desenvolvem quadros
de depressão e ansiedade o que pode atrapalhar o tratamento. |