Edição 1952 . 19 de abril de 2006

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Guia | Especial
Distúrbios cardiovasculares

Orlando


O que são:
conjunto de doenças que provocam o entupimento das artérias ou que prejudicam o funcionamento do coração
Quantas pessoas atingem no Brasil: 300 000 morrem por ano


UM PACIENTE DE MEIA-IDADE SADIO PROCURA AJUDA PARA PREVENIR-SE DA INCIDÊNCIA DE DOENÇAS CARDÍACAS

Ele diz ao médico que seus amigos da mesma idade tomam uma aspirina infantil por dia para evitar o primeiro infarto. O médico não se anima com a automedicação. Ele está certo?
Eis uma situação que deve ser resolvida caso a caso. As estatísticas mostram que de 80 a 160 miligramas de aspirina por dia ajudam a prevenir ataque cardíaco em pacientes que já sofreram o primeiro infarto. Por associação, muitos médicos receitam aspirina para pacientes sadios mas que estão acima do peso ou fumam. Discuta com seu médico se é esse o seu caso, se seu estômago tolera bem a ação corrosiva da aspirina. Discuta com ele a hipótese mesmo remota de você sofrer um derrame hemorrágico e, nesse caso, a aspirina, que atrasa a coagulação, piorar o caso.

O médico prescreve antiinflamatórios para prevenir o infarto. Ele está certo?
O infarto é o lance final de um processo inflamatório. Mesmo assim, o uso de medicamentos antiinflamatórios é contra-indicado tanto para prevenir quanto para tratar distúrbios cardiovasculares. Discuta com o seu médico caso precise usá-los no tratamento de outras doenças.

O paciente reclama de impotência. O médico manda fazer um chek-up completo. Um Viagra não basta?
Não. Pedir um check-up é o procedimento esperado dos médicos diante de um quadro de impotência que, claramente, não esteja associado apenas a doenças do aparelho urinário. A impotência pode indicar um problema circulatório mais amplo e ser um sinal avançado de risco cardíaco.


O PACIENTE RECEBE O DIAGNÓSTICO
DE DOENÇA CARDIOVASCULAR

O médico informa que a pressão sanguínea está dentro dos valores normais, mas opta por continuar com a medicação para controlá-la melhor. Isso significa que ele acha que o estado do paciente é ruim?
Não. Ele mostra que está atento aos estudos epidemiológicos mais recentes, que indicam que a interrupção do uso do remédio provavelmente fará a pressão voltar a subir. Discuta com o médico os efeitos colaterais de tomar diuréticos ou bloqueadores do sistema renina-angiotensina para manter a pressão nos padrões mais aceitos como normais.

O paciente não tem dor no peito, não está sofrendo infarto, mas a recomendação do médico é cirurgia imediata. O que pensar?
A primeira reação do paciente é obter uma segunda opinião. Os bons médicos não se incomodam com esse pedido. Para tornar a conversa com o médico mais produtiva, saiba que a combinação dos dois fatores a seguir sinaliza a necessidade de cirurgia:

1) uma coronária importante apresenta obstrução de pelo menos 70%;

2) o fluxo sanguíneo total no coração apresenta déficit.

Uma vez estabelecida a necessidade de cirurgia, o paciente deve começar a discutir a qual procedimento ele será submetido. Mais e mais as obstruções, mesmo múltiplas, são tratadas de modo menos invasivo por meio de cateteres que viajam dentro das artérias até o local entupido. São cada vez mais raras as cirurgias com abertura do tórax. Se seu médico insistir nessa segunda cirurgia, exija uma explicação detalhada de seu caso.

O paciente tem medo de morrer durante o teste de eletro de esforço, aquele da esteira em que o coração é monitorado. O médico minimiza o risco. O que fazer?
O risco existe. Afinal, o coração será testado em seu limite máximo. Em havendo um distúrbio não detectado pela auscultação e pelo eletro em repouso, existe o risco, ainda que pequeno, de sofrer uma parada cardíaca. Só aceite fazer o teste de esforço em locais com pessoal preparado e equipamentos de ressuscitação.


O PACIENTE JÁ SOFREU INFARTO,
TRATOU-SE E VOLTA AO MÉDICO

O médico receita remédios para trazer as taxas de colesterol para níveis abaixo dos normais. Ele está sendo exagerado?
Não. Os níveis de colesterol nesse caso devem estar sempre abaixo da média considerada ideal. Segundo estudo publicado no Journal of the American Medical Association, essa providência não apenas impede a formação de novas placas nas artérias como diminui as obstruções já existentes. Obter taxas muito baixas de colesterol apenas com o uso das estatinas (as drogas mais receitadas nesse caso) exige a prescrição das mais altas doses. Se esse for seu caso, pergunte a seu médico o que ele pretende fazer para evitar os efeitos colaterais raros, mas graves, associados ao uso das estatinas. São efeitos sobre o fígado e os músculos. Discuta com ele o uso combinado de outra classe de drogas anticolesterol, aquelas que agem apenas sobre a absorção de gorduras nos intestinos sem afetar o fígado.

O médico insiste no tratamento psicológico além do clínico. Isso é dispensável?
Os médicos que aconselham acompanhamento psicológico estão amparados pela boa literatura médica recente: 40% das pessoas que têm o coração operado desenvolvem quadros de depressão e ansiedade – o que pode atrapalhar o tratamento.

 
NESTA REPORTAGEM
Doenças virais sexualmente transmissíveis
Diabetes
Transtornos do humor
Obesidade
Distúrbios cardiovasculares
Câncer
Doenças cerebrais degenerativas
Doenças pulmonares
Dor de cabeça crônica
Alergias

 
 
 
 
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