Edição 1952 . 19 de abril de 2006

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Obesidade

Orlando


O que é:
excesso de peso que leva o índice de massa corporal a ultrapassar 30 (veja teste)
Quantas pessoas atinge no Brasil: 20 milhões


O PACIENTE OUVE DO MÉDICO
O DIAGNÓSTICO DE OBESIDADE

O médico diz que tem uma receita capaz de fazer o paciente emagrecer rapidamente. O que pensar?
Ele pode ter mesmo. Emagrecer não é difícil. Quase impossível é se manter magro para sempre. Discuta com seu médico qual a abordagem dele para evitar o "efeito sanfona", o emagrece-engorda-emagrece-engorda que tanto mal faz à saúde.

O médico diz que a privação quase absoluta de carboidratos (massas, pão, açúcar...) é a única maneira de emagrecer rapidamente. Essa dieta não está desacreditada?
Não como tratamento de choque para emagrecer. Ela funciona. Mas há uma unanimidade entre os médicos de que ela não pode ser mantida por muito tempo. O excesso de proteínas e gorduras dessa dieta sobrecarrega os rins e as artérias, e, portanto, ela não deve ser mantida por mais de um mês.

O médico receita remédios para emagrecer, mas a idéia de que eles viciam é ainda muito forte. Como falar sobre isso com o médico?
Com toda a clareza. Os remédios para emagrecer que prejudicam o funcionamento do coração foram banidos da prática médica. Mas ainda são considerados seguros os remédios que reduzem a absorção de gorduras no intestino, os que aumentam a sensação de saciedade (ajudam a pessoa a se satisfazer à mesa com metade da quantidade de comida) ou os que inibem o apetite. Alguns tornam o metabolismo mais acelerado. Pergunte a seu médico se eles agem sobre a tireóide. Em caso positivo, aprofunde a conversa sobre a necessidade do remédio em contrapartida com os efeitos colaterais.

A dieta até funcionou, mas o médico quer manter a medicação. Isso é um erro?
Não. Quando o paciente perde mais de 10% de seu peso corporal, o ritmo de emagrecimento diminui e até se paralisa. É uma reação natural do organismo. O remédio ajuda a driblar esse mecanismo natural.

O médico prefere prescrever fórmulas para emagrecer a receitar remédios de laboratórios. O que isso significa?
Significa muitas coisas. A mais benigna é que o médico está adaptando a formulação especialmente para determinado paciente. Mas é sempre bom discutir as razões que o levaram a desprezar os remédios aprovados pelas autoridades de saúde.

O clínico diz que não tem mais como melhorar a vida do paciente e sugere uma cirurgia de redução do estômago. O que isso indica?
Indica que o médico chegou à conclusão de que o paciente sofre de obesidade mórbida, cujos riscos são ainda maiores do que os da cirurgia. O paciente deve questionar como o médico chegou a tal conclusão. Que dados ele utilizou para fazer a indicação da cirurgia? Não aceite a idéia de que a cirurgia resolve tudo. Pacientes que tiveram o estômago reduzido continuam sofrendo de apetite excessivo (um problema cerebral) e das ansiedades que infernizam a vida dos gordos, com o agravante de que estão fisicamente condenados a uma dieta de líquidos e de porções minúsculas.

O médico diz que a gordura abdominal, o famoso "pneuzinho", pode matar. É um exagero?
Não. O excesso de gordura abdominal triplica os riscos de infarto e derrame e aumenta em cinco vezes a probabilidade de diabetes. Converse com seu médico sobre essas conclusões recentes da ciência médica. Neste ano deve ser aprovado um remédio que ajuda muito a reduzir os "pneuzinhos". É o rimonabant. Discuta com seu médico se você é um candidato a esse remédio.

O médico aconselha o paciente a moderar nos exercícios físicos. Isso mostra a maior confiança dele nos remédios, não?
Não necessariamente. Embora se exercitar seja uma das estratégias mais eficientes no combate à obesidade, o médico tem razão ao contra-indicar certos esportes caso avalie que eles estão causando prejuízos às juntas. O perigo é o surgimento de artrose, doença que diminui a mobilidade das pessoas e leva ao aumento da obesidade.

Ao se queixar de apnéia do sono, a interrupção freqüente dos dutos que levam ar aos pulmões durante a noite, o médico diz ao paciente que basta ele emagrecer para o problema acabar. Deve-se acreditar nisso?
Teoricamente, o médico está certo. Mas as pessoas demoram a emagrecer com os tratamentos. Enquanto isso, a apnéia continua atrapalhando a vida delas e dificultando o próprio tratamento da obesidade. O sono reparador emagrece, portanto discuta com o médico as medidas imediatas para diminuir a apnéia. As mais comuns são: dormir de lado, moderar no consumo de bebidas alcoólicas e evitar remédios para induzir ou manter o sono.


UMA CRIANÇA RECEBE O DIAGNÓSTICO DE OBESIDADE

Os pais e a própria criança não se sentem desconfortáveis com a situação. O médico deve concordar?
Não. Uma criança obesa pode parecer absolutamente sadia, mas estará comprometendo a saúde futura. O médico deve aconselhar os pais a ajudar a criança obesa a perder peso com a adoção de dieta e exercícios físicos. É bom que comece logo. Se uma criança chega obesa aos 2 anos, ela tem 50% de probabilidade de se tornar um adulto gordo.

 
Calcula-se o IMC dividindo- se o
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NESTA REPORTAGEM
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Obesidade
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Doenças cerebrais degenerativas
Doenças pulmonares
Dor de cabeça crônica
Alergias

 
 
 
 
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