Edição 1952 . 19 de abril de 2006

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Transtornos do humor

Orlando


O que são:
doenças psiquiátricas resultantes de alterações químicas no cérebro e que levam a distúrbios do humor, sendo a ansiedade e a depressão as mais freqüentes
Quantas pessoas atingem no Brasil: 12 milhões (ansiedade) e 9 milhões (depressão)


O PACIENTE OUVE DO MÉDICO
QUE ELE SOFRE DE DEPRESSÃO

Mesmo com todas as credenciais acadêmicas, o médico diz que o tratamento da depressão é um jogo de tentativa e erro. O que pensar?
É verdade. Encontrar o antidepressivo adequado para cada caso é um processo que pode levar tempo. Muitas vezes uma droga que funciona produz efeitos colaterais intoleráveis e precisa ser retirada.

Não são incomuns as dores físicas resultantes da depressão. O médico se recusa a prescrever analgésicos. Por quê?
Não é motivo para indispor-se com o médico quando ele se recusa a prescrever um remédio para dores tão comuns nesse caso, como por exemplo a de estômago. A razão é que nenhum medicamento resolverá o incômodo, já que tais dores não têm como origem problemas objetivos de saúde – mas são resultantes do quadro de depressão, contra o qual o único remédio indicado é o antidepressivo.

A depressão foi diagnosticada como leve. Mesmo assim, o médico insiste em tratá-la com remédios. Isso é errado?
No caso de depressões muito leves, o médico pode indicar a psicoterapia antes de recorrer a um antidepressivo. Se ele prescrever o remédio, insista em saber a razão. Há, de fato, situações em que o quadro da doença não é grave, mas ainda assim o antidepressivo é a melhor indicação.

Não existem testes laboratoriais para depressão. Como o médico pode ter certeza do diagnóstico?
A experiência e a literatura permitem hoje aos bons psiquiatras distinguir com exatidão um quadro de tristeza transitória de uma depressão química. Mas a subjetividade existe, e não se deve dispensar uma segunda opinião em caso de dúvida.

O psiquiatra insiste muito em saber detalhes da vida íntima e, em especial, das manias. Por quê?
Diante de um quadro de psicose maníaco-depressiva, metade dos remédios contra depressão não pode ser receitada. Paciência. O médico precisa saber tudo.


OS PAIS SÃO INFORMADOS DE QUE UM FILHO
ADOLESCENTE ESTÁ SOFRENDO DE DEPRESSÃO

O médico insiste que as estatísticas de suicídio de adolescentes tratados com antidepressivos não invalidam os tratamentos. Deve-se acreditar nele?
Sim. Mas um bom médico vai recomendar aos pais vigilância redobrada em relação aos filhos, sobretudo nas primeiras semanas do tratamento. O uso de antidepressivos aumentou o número de suicídios entre adolescentes americanos nas primeiras semanas do tratamento. As razões são ainda desconhecidas. Duas hipóteses são as mais aceitas. Primeira, o paciente se anima com as doses iniciais, sai do estado de prostração e ganha iniciativa para fazer o que vinha planejando há tempos. Segunda, o remédio não teve tempo de fazer efeito e o paciente se matou por estar realmente deprimido. Ou seja, ele tentaria o suicídio mesmo sem o remédio. De toda forma, a vigilância é essencial nessa fase.

O médico "receitou" apenas ioga e meditação. O que devo pensar?
Questione o tratamento, especialmente se os filhos já tiverem tentado esses expedientes antes. Se não tiverem, é uma satisfação, porque a "receita" equivale ao diagnóstico de que os filhos não sofrem de disfunções químicas no cérebro.


O PACIENTE TEM O DIAGNÓSTICO
DE TRANSTORNO DE ANSIEDADE

O médico mantém os remédios mesmo quando os sintomas acabaram. Isso é correto?
Sim. O abandono precoce do tratamento tende a levar à ocorrência de novas crises. Discuta com seu médico a questão da dependência ao remédio, de seu uso combinado com outros remédios e com a ingestão de bebidas alcoólicas. Essas questões, quando não respondidas direito, podem causar mais ansiedade ainda.

Questione o médico se ele decidir seguir com o calmante por um período de tempo superior a quatro meses.

 
NESTA REPORTAGEM
Doenças virais sexualmente transmissíveis
Diabetes
Transtornos do humor
Obesidade
Distúrbios cardiovasculares
Câncer
Doenças cerebrais degenerativas
Doenças pulmonares
Dor de cabeça crônica
Alergias

 
 
 
 
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