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Guia | Especial Transtornos
do humor
Orlando  |
O que são: doenças psiquiátricas
resultantes de alterações químicas no cérebro e que
levam a distúrbios do humor, sendo a ansiedade e a depressão as
mais freqüentes Quantas pessoas atingem no Brasil: 12 milhões
(ansiedade) e 9 milhões (depressão)
O PACIENTE OUVE DO MÉDICO
QUE ELE SOFRE DE DEPRESSÃO Mesmo
com todas as credenciais acadêmicas, o médico diz que o tratamento
da depressão é um jogo de tentativa e erro. O que pensar?
É verdade. Encontrar o antidepressivo adequado para cada caso é
um processo que pode levar tempo. Muitas vezes uma droga que funciona produz efeitos
colaterais intoleráveis e precisa ser retirada.
Não são incomuns as dores físicas
resultantes da depressão. O médico se recusa a prescrever analgésicos.
Por quê? Não é motivo para indispor-se com o médico
quando ele se recusa a prescrever um remédio para dores tão comuns
nesse caso, como por exemplo a de estômago. A razão é que
nenhum medicamento resolverá o incômodo, já que tais dores
não têm como origem problemas objetivos de saúde mas
são resultantes do quadro de depressão, contra o qual o único
remédio indicado é o antidepressivo. A
depressão foi diagnosticada como leve. Mesmo assim, o médico insiste
em tratá-la com remédios. Isso é errado? No caso
de depressões muito leves, o médico pode indicar a psicoterapia
antes de recorrer a um antidepressivo. Se ele prescrever o remédio, insista
em saber a razão. Há, de fato, situações em que o
quadro da doença não é grave, mas ainda assim o antidepressivo
é a melhor indicação. Não
existem testes laboratoriais para depressão. Como o médico pode
ter certeza do diagnóstico? A experiência e a literatura
permitem hoje aos bons psiquiatras distinguir com exatidão um quadro de
tristeza transitória de uma depressão química. Mas a subjetividade
existe, e não se deve dispensar uma segunda opinião em caso de dúvida.
O psiquiatra insiste muito em
saber detalhes da vida íntima e, em especial, das manias. Por quê?
Diante de um quadro de psicose maníaco-depressiva, metade dos remédios
contra depressão não pode ser receitada. Paciência. O médico
precisa saber tudo. OS
PAIS SÃO INFORMADOS DE QUE UM FILHO ADOLESCENTE ESTÁ SOFRENDO
DE DEPRESSÃO O médico
insiste que as estatísticas de suicídio de adolescentes tratados
com antidepressivos não invalidam os tratamentos. Deve-se acreditar nele?
Sim. Mas um bom médico vai recomendar aos pais vigilância redobrada
em relação aos filhos, sobretudo nas primeiras semanas do tratamento.
O uso de antidepressivos aumentou o número de suicídios entre adolescentes
americanos nas primeiras semanas do tratamento. As razões são ainda
desconhecidas. Duas hipóteses são as mais aceitas. Primeira, o paciente
se anima com as doses iniciais, sai do estado de prostração e ganha
iniciativa para fazer o que vinha planejando há tempos. Segunda, o remédio
não teve tempo de fazer efeito e o paciente se matou por estar realmente
deprimido. Ou seja, ele tentaria o suicídio mesmo sem o remédio.
De toda forma, a vigilância é essencial nessa fase. O
médico "receitou" apenas ioga e meditação. O que devo pensar?
Questione o tratamento, especialmente se os filhos
já tiverem tentado esses expedientes antes. Se não tiverem, é
uma satisfação, porque a "receita" equivale ao diagnóstico
de que os filhos não sofrem de disfunções químicas
no cérebro. O
PACIENTE TEM O DIAGNÓSTICO DE TRANSTORNO DE ANSIEDADE
O médico mantém os remédios
mesmo quando os sintomas acabaram. Isso é correto? Sim. O abandono
precoce do tratamento tende a levar à ocorrência de novas crises.
Discuta com seu médico a questão da dependência ao remédio,
de seu uso combinado com outros remédios e com a ingestão de bebidas
alcoólicas. Essas questões, quando não respondidas direito,
podem causar mais ansiedade ainda.
Questione o médico se ele decidir seguir com o calmante por um período
de tempo superior a quatro meses. |