|
Emprego
A
professora brasileira do MIT
Quem
é a paulista Daniela Pucci,
28 anos, que conquistou uma
vaga das mais disputadas na
universidade americana

Monica Weinberg
 |
PERFECCIONISMO
E AMBIÇÃO
"Quanto mais você convive com bons cérebros, melhor fica o seu
próprio" |
Em
setembro, a paulistana Daniela Pucci tornou-se uma das mais jovens
professoras do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, centro
de excelência do ensino superior nos Estados Unidos. Depois
de se formar em engenharia da computação pela Universidade
Estadual de Campinas e concluir um doutorado na Universidade Stanford,
outra renomada instituição americana, Daniela planejava
buscar uma oportunidade na iniciativa privada. Seus planos se alteraram
quando a tese que defendeu em Stanford foi escolhida como a melhor
realizada nos Estados Unidos em sua área de estudos. Daniela
desenvolveu modelos matemáticos que podem ser usados para
prevenir riscos em operações financeiras. Decidiu
então permanecer no mundo acadêmico. Depois de doze
entrevistas em universidades, recebeu quatro ofertas formais e acabou
escolhendo o MIT. Daniela falou a Monica Weinberg, de VEJA.
Veja
- Você sempre foi boa aluna?
Daniela - Sempre. A vida inteira fui perfeccionista. Quando
tirava uma nota diferente de 10, tomava aquilo como um fracasso.
Ao chegar da escola, me enfiava nos livros a tarde toda. Estudava
mais que meus colegas. Adoro estudar. Adoro línguas estrangeiras.
Falo inglês, francês e alemão.
Veja
- Os estudos não a impediam de se divertir,
de namorar?
Daniela - Não sou bitolada. Sempre levei uma vida
normal. Jogo tênis de mesa, danço tango, toco piano
e leio. Adoro a Clarice Lispector, autora que me acalma quando não
consigo resolver uma equação matemática. Mais
tarde fui saber que meus interesses paralelos e hobbies ajudaram
na carreira. O mercado valoriza a diversidade.
Veja - Qual foi sua maior dificuldade no exterior?
Daniela - Na área profissional, sabia que minha base
era sólida. Sempre estudei em bons colégios particulares
e vim de uma universidade excelente no Brasil. Quanto mais você
convive com bons cérebros, melhor fica o seu próprio.
Mas, do ponto de vista pessoal, vivia com pouco dinheiro, sentia
muito frio no inverno e passava por momentos de profunda solidão
longe da família. Apesar dos sacrifícios, banquei
a escolha.
 |
|
Daniela em sua formatura na Universidade Stanford, em junho
de 2002 |
Veja
- Você disputou a vaga do MIT com outros candidatos
bem preparados. O que fez a diferença?
Daniela - Consegui controlar os nervos e fui muito segura
para a entrevista. Pensei assim: "As luzes estão na
minha direção. Vou aproveitar a chance de dizer o
que penso para um monte de gente interessante". Até
me diverti. Tratei as pessoas que me entrevistavam como futuros
colegas de trabalho. Vendi a idéia, eles compraram. E aqui
estou no MIT.
Veja
- Seu plano era seguir a carreira acadêmica?
Daniela - Fiz engenharia da computação para
trabalhar numa grande empresa. Apesar de gostar de matemática,
não queria ser professora. Só que acabei me apaixonando
pelo mundo acadêmico e não tenho intenção
de mudar.
Veja
- Você pensa em voltar a viver no Brasil?
Daniela - No frio fico pensando no calor humano dos brasileiros.
Morro de saudade, até hoje sofro, mas vou ficar por uma decisão
profissional. Estou entre os melhores pesquisadores do mundo e isso
me estimula muito. Num lugar como o MIT você tem espaço
para lidar com temas ambiciosos e mais arriscados. E só consegue
brilhar quem corre riscos.
Veja
- Que conselho você daria aos mais jovens?
Daniela - Estude muito, leia bastante, tenha um hobby, trace
objetivos ambiciosos e olhe alguns anos a sua frente.
|