O prédio que gira
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Curitiba é a primeira cidade do mundo
a ter um edifício com todos os andares móveis
Janaina Degraf
Liz Wood
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| Suíte Vollard:
apartamentos com 270 metros quadrados que custam 400
000 reais |
Cinco pessoas já concordaram em dar 400.000
reais à construtora Moro, do Paraná, que está
erguendo o edifício mais estranho do Brasil. O prédio
fica em Curitiba, possui onze andares (há seis unidades
à venda, para quem se interessar) e todos eles giram
independentemente uns dos outros. Cada andar dispõe
de controle individual e o proprietário decide quando
seu imóvel vai rodar, e para que lado. A velocidade
é constante e o tempo necessário para dar
uma volta completa é de uma hora. A obra, que deve
ser inaugurada em janeiro, tem o nome de Suíte Vollard
e se tornou um ponto de visitação na cidade.
Todos querem espiar aquele que é o primeiro edifício
do mundo que rodopia de alto a baixo e por fatias.
Para funcionar, o sistema tem seus truques. O imóvel,
de 270 metros quadrados, é redondo e há apenas
um apartamento por andar. Na parte central do edifício,
fica o que se pode chamar de espinha dorsal da construção,
que não gira. Nessa área, onde estão
a cozinha e o banheiro, passam as tubulações
de água, gás e esgoto. Numa das laterais do
prédio ficam os elevadores, o hall de entrada e a
área de serviço, que também não
rodam. Entre as duas fatias, há um piso móvel,
de metal, com 14 metros de diâmetro (veja ilustração).
A estrutura metálica está ligada a um motor.
Essa grande chapa gira sobre a base de concreto do andar,
como se fosse um disco de música. Nesse pedaço
da casa, ficam os quartos e as salas. O imóvel obedece
ao estilo loft, sem divisórias. Todos os cômodos
têm acesso aos janelões de vidro, que proporcionam
uma vista panorâmica, exceto o banheiro e a cozinha.
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Um dos desafios dos projetistas foi fazer a fiação
elétrica, já que não poderia estar
concentrada apenas na fatia fixa. Os arquitetos desenvolveram
um esquema especial. A fiação do imóvel
é levada da rua para os apartamentos através
da espinha dorsal. Com as técnicas normais de construção,
os fios seriam espalhados pelo imóvel e acabariam
enrolados. Empregou-se uma tecnologia diferente. Os pontos
de luz são energizados por meio de um trilho de cobre
que gira com a plataforma. As tomadas ficam no chão.
Infelizmente, não foi possível fazer o mesmo
com o fio da antena da TV. Ou seja, para quem tem TV a cabo,
o aparelho só funciona se ficar na parte fixa da
casa. O problema, nesse caso, é o morador querer
assistir à TV a cabo sentado na poltrona enquanto
o apartamento gira.
Outro problema foi a segurança do sistema. Os arquitetos
quebraram a cabeça para evitar que alguém
se ferisse por causa dos vãos localizados entre a
parte fixa e a móvel. Primeiro, estabeleceram que
a distância entre elas seria de menos de 1 centímetro.
Depois, elaboraram uma caixinha, uma espécie de rodapé
de proteção, que cobre toda a extensão
dos vãos. Ninguém consegue explicar para que
serve um apartamento que gira nem a construtora,
nem os futuros moradores. Expor os cômodos ao sol?
Sim, pode ser. Mudar a vista da sala? Sim, também
pode ser isso. Enfim, cada um faz o que quer com o dinheiro
que tem.
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