Edição 1892 . 16 de fevereiro de 2005

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Divertimento
Festa dos meninos

O velho ritual masculino do pôquer renasce
entre jovens – e garotas continuam de fora


Sandra Brasil

 
Fabiano Accorsi
Carteado na casa de Cunha (de frente, de camiseta branca): toda semana

A cena: cinco homens em volta de uma mesa, jogando pôquer. A imagem que vem à mente é a de senhores de idade compatível com a barriga, charutos à mão, uísque, apostas altas. Muito diferente do que vem acontecendo nas noites de sábado em que jovens, de 18, 20 anos, se reúnem em torno de uma mesa e apostam quase nada, mas revivem com prazer o velho ritual masculino da sessão de carteado. As noitadas de pôquer, que há mais de três anos tomaram conta dos Estados Unidos, onde existem cerca de 80 milhões de jogadores contumazes, ressuscitaram por aqui no ano passado. "Virou moda. Tem muita gente aprendendo, e há também a migração para o pôquer de quem jogava tranca, buraco e truco", confirma Robson Tatimoto, diretor da Copag, a líder do mercado de baralhos no Brasil, que no fim do ano passado lançou aqui um modelo mais largo que o tradicional especialmente para o jogo, o 139 Poker Size. "Antes da onda do pôquer, só vendíamos esse baralho para exportação", diz Tatimoto.

Pizza, cerveja e refrigerantes são o combustível do carteado na casa do universitário Fábio Cunha, 25 anos, que cursa economia na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Uma vez por semana, ele se reúne com oito amigos, todos com menos de 30 anos, para umas seis horas de pôquer. "É raro alguém perder mais que 100 reais por noite. A gente não joga para tirar dinheiro do outro", diz Cunha. "Jogamos no sábado, para ficar longe das casas noturnas e bares lotados", conta o publicitário Guilherme Cury, 23 anos. "Às vezes, alguém cai na roubada de levar a namorada. Elas vão uma vez e não voltam. Mas ficam tranqüilas de ver que estamos mesmo com os amigos", diz. A atual popularidade do pôquer é alimentada pela televisão: de novembro a janeiro, o canal por assinatura Sony transmitiu a segunda temporada do Celebrity Poker Showdown, campeonato disputado por semicelebridades como os atores Matthey Perry (o Chandler de Friends), Ben Affleck – este, jogador quase profissional – e Angela Bassett, em que o vencedor doa o dinheiro ganho a instituições de caridade. A modalidade mais cotada no momento é a Texas Hold'Em (o jogador recebe duas cartas e faz combinações com as cinco que estão na mesa), popularizada no World Series of Poker, campeonato (isso mesmo, campeonato) transmitido pelo canal de esportes ESPN. Ou seja: o velho pôquer, pano de fundo de tiroteios e pancadaria nos filmes de mafiosos, agora faz caridade e virou esporte.

 
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