"O Brasil é um lugar sem lei. A Itália, pelo
menos nesse ponto, é melhorzinha. A magistratura continua a escarafunchar
os negócios da Telecom Italia no Brasil e a prender os membros do seu bando"
Para tratar com um bandido, é preciso
outro bandido.
A frase consta do depoimento
do chefe do aparato de espionagem da Telecom Italia, Giuliano Tavaroli, ao juiz
Giuseppe Gennari, do Tribunal de Milão. Giuliano Tavaroli atribuiu-a a
Marco Tronchetti Provera, o maior acionista da empresa. O primeiro bandido, de
acordo com o homem da Telecom Italia, seria Daniel Dantas, que infernizava os
italianos com seus métodos de faroeste. O segundo bandido seria Naji Nahas,
contratado por Marco Tronchetti Provera para dar um metafórico tiro no
peito de Daniel Dantas.
O Brasil é
um lugar sem lei. A Itália, pelo menos nesse ponto, é melhorzinha.
A magistratura milanesa continua a escarafunchar os negócios da Telecom
Italia no Brasil e a prender os membros de seu bando. Quem é preso costuma
falar. Alguns dias atrás, revelou-se que Naji Nahas recebeu 25,4 milhões
de euros da Telecom Italia. Até agora ninguém informou de onde saiu
o dinheiro nem para onde ele foi. O que se sabe é que a empresa pagou propina
no Brasil, conforme confessaram seus próprios diretores. O que se sabe
também é que a maior parte dos pagamentos a Naji Nahas foi realizada
entre 2002 e 2003. No detalhe: 7,26 milhões de euros em 2002 e 11,28 milhões
de euros em 2003. Lembre-se de que, na época, o euro estava cotado acima
de 3 reais. Mas o que realmente importa muito mais do que o valor
é a data. Em 2002, houve a campanha eleitoral mais cara da história
do Brasil. Em 2003, os petistas passaram a correr atabalhoadamente atrás
de dinheiro para sustentar os mensaleiros. Pelo que declarou Giuliano Tavaroli
ao juiz Giuseppe Gennari, a principal área de influência de Naji
Nahas era o Ministério da Fazenda. Eu acrescento dois dados. Primeiro:
em 2002, o coordenador da campanha de Lula era Antonio Palocci. Segundo: em 2003,
ele assumiu a pasta da Fazenda, podendo contar com os conselhos desinteressados
de Delfim Netto, amigo íntimo de quem? de Naji Nahas. Talvez
Antonio Palocci possa ajudar a esclarecer o elo entre Naji Nahas e o Ministério
da Fazenda. Tem algum procurador aí? Apresente-se! Tem algum tucano aí?
Xô!
Um dos homens de Giuliano Tavaroli,
Marco Bernardini, em depoimento prestado no fim de outubro ao Ministério
Público italiano, declarou que, de acordo com seu chefe, alguém
conhecido como "Chinês" teria embolsado dinheiro da Telecom Italia. Marco
Bernardini chegou até a dizer quem poderia ser o tal "Chinês". Tem
algum procurador aí? Ainda estou esperando. O que posso afirmar com certeza
é que, nesse interminável spaghetti western trotskista, em que os
italianos viram um bandido em duelo com o outro, um bandido comprando o outro,
o lulismo entrou com todos os seus pistoleiros. E o melhor de tudo é que
eles deixaram um rastro.