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13 de junho de 2007
  

JUCÁ VERSUS POMPEU

Em resposta ao artigo de Roberto Pompeu de Toledo publicado na VEJA de 6 de junho, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) enviou ao articulista a seguinte carta:

 

A respeito da coluna assinada pelo senhor na última edição de Veja - 2011, no. 22, de 6 de junho de 2007 -, escrevo para corrigir erros de informação e esclarecer inverdades publicadas como se fossem fatos da minha vida. Mas antes de me ater às incorreções é preciso informar-lhe que sou senador eleito pelo Estado de Roraima há 12 anos. Comecei minha vida pública em Pernambuco, na década de 70, e no Governo José Sarney estive a frente do Projeto Rondon e da Funai. Depois fui governador do Território de Roraima. Desde esse tempo, mantenho minha conduta sempre pautada pelo trabalho incansável de buscar soluções para os problemas nacionais.

Foi assim, através do meu trabalho como senador, que me foi permitido figurar durante todos estes anos, segundo levantamentos do DIAP sobre o desempenho parlamentar, como um dos mais atuantes membros do Congresso Nacional. Sobre a minha passagem pelo Ministério da Previdência, informo que apesar de curta foi considerada uma gestão pró-ativa reconhecida por dirigentes do órgão e representantes de setores classistas. Portanto, não fui "derrubado" do ministério e sim cumpri uma determinação do Presidente Lula. Ele definiu que os ministros candidatos às eleições de 2006 deveriam sair do governo para disputar as eleições. Foi o que fiz, assim como outros ministros da época. Após a derrota para o governo do estado, contestada na Justiça, o Presidente Lula me fez seu líder no Senado. Demonstração de confiança que muito me honra e fala por si.

Gostaria ainda de informar-lhe que nunca "pulei" de regimes, governos e partidos como um "macaco de um galho para o outro". O que fiz foi servir ao meu país, ora convocado pelo então Presidente Sarney ora eleito legitimamente por dois mandatos consecutivos pelo povo de Roraima. Sobre as filiações partidárias, informo-lhe que nunca estive em partidos políticos que divergiam doutrinariamente entre si. Pelo contrário, tenho sido fiel aos meus conceitos e convicções. Passei por legendas como PFL, PSDB e atualmente o PMDB, partidos de dimensão nacional e que apóiam governos democraticamente eleitos.

Mesmo fazendo oposição há 20 anos ao Governo do Estado de Roraima, que teve uma sucessão de governos que usaram métodos escusos de armações para tentar me atingir, não carrego escândalos nas minhas costas. Todas as "denúncias" deflagradas por meus adversários políticos foram exaustivamente averiguadas por todos os setores e órgãos competentes. Reitero que sempre fui e continuo sendo o maior interessado para que qualquer denúncia seja esclarecida.

Dou-lhe essas informações por saber da sua atenção ao meu mandato e da sua "especial predileção" por mim depois da confissão publicada. Passarei agora aos esclarecimentos que se fazem necessários para que não publique inverdades:

1 - Sobre o meu patrimônio pessoal, esclareço que a relação dos meus bens está declarada ao Imposto de Renda e, pela função que exerço, é pública e está à disposição dos meus eleitores e de quem mais solicitar. Pelas declarações é possível perceber que não houve enriquecimento incompatível com meus ganhos;

2 - Sobre trazer parentes para me fazer parceria, imagino referir-se a minha esposa Maria Teresa Jucá. Esclareço que ela foi eleita deputada federal mais votada, em 1990, e depois eleita três vezes prefeita de Boa Vista (RR), quando consolidou uma gestão modelo e premiada nacionalmente, que a fez ganhar o respeito do povo de Roraima;

3 - Sobre as tais "relações perigosas com garimpeiros e madeireiros", afirmo serem inverídicas. Se o senhor examinar minha trajetória no Congresso, poderá verificar que é de minha autoria um projeto, hoje incorporado como tese do governo, de regulamentar a mineração em terras indígenas, proibindo o garimpo. Com os madeireiros, tenho também um projeto que proíbe a exportação de madeira da Amazônia. Portanto, também nesse caso as acusações são levianas;

4 - Sobre desvio de dinheiro para emissora de TV, esclareço primeiro que não tenho concessão de TV e, em segundo, que todas as denúncias sobre desvios partiram de ataques regionais e que nenhuma delas é verdadeira. Nesse caso, há inclusive acórdão do Tribunal de Contas da União (TCU) comprovando a falsidade da denúncia;

5 - Sobre a acusação de "manipular verbas do orçamento", esclareço que fui relator da Lei de Diretrizes Orçamentárias e depois relator geral do Orçamento de 2005, além de ser membro integrante da Comissão Mista do Orçamento, por determinação partidária, desde que fui eleito senador. Esclareço ainda que todas as emendas de minha autoria assim como as destinações feitas são públicas. Ainda sobre o tema, a notícia "denúncia" do Jornal do Brasil de 24/05 deste ano não prosperou devido às minhas explicações e a constatação do erro por parte do jornal, e não "relegada ao esquecimento" como o senhor disse. Fato constatado pela edição do dia seguinte (25/05/07) com o desmentido do JB;

6 - Sobre a acusação de envolvimento com "duvidosas obras públicas", esclareço que apesar do Congresso ter-se debruçado em diversas investigações sobre o tema, assim como o Ministério Público e o TCU, não foi constatado nenhum tipo de envolvimento meu com irregularidades em obras;

7 - Sobre o absurdo das tais torneiras de ouro, esclareço que a maledicência foi ainda maior. Lembro-me de uma edição de Veja, que acusava o então governador do Amazonas, Amazonino Mendes, de possuir uma casa com torneiras de ouro. Portanto, a acusação não se refere a mim. Diante de tamanha desinformação, aproveito para convidá-lo a conhecer o meu estado não só para verificar as distâncias entre o Amazonas e Roraima, mas para constatar as realizações da Administração da Prefeita Teresa Jucá, as melhorias realizadas por mim quando fui governador e, principalmente, para perceber que mesmo num estado, segundo o senhor, "desimportante", adjetivo que repudio, pode se tornar um excelente lugar para se viver com potencialidades ainda não exploradas e uma população orgulhosa de ser brasileira e que, apesar do seu desdém, é leitora de Veja;

8 - E sobre a acusação de eu ter contraído empréstimo do BASA utilizando como garantia fazendas inexistentes, esclareço que a denúncia está no Judiciário em fase de inquérito - não existe denúncia ou ação penal -, e que nunca fui gerente ou gestor do tal frigorífico, tendo sido sócio-cotista por dois anos. Quanto as tais fazendas dadas como garantia, esclareço que foi um terceiro, que assumiu a empresa, que as deu e o BASA aceitou. Por isso, estou tranqüilo e seguro que a Justiça comprovará a verdade dos fatos. Reafirmo minha indignação por ser essa mais uma acusação leviana produzida por meus adversários em Roraima e que ganha notoriedade em Veja, apesar de não mais repercutir na mídia por ser maliciosa e inverídica.

Por fim, esclareço que não fui o "arquiteto da fila" de cumprimentos. Naquele momento, procedi como minha conduta parlamentar exigia ao ver que o Presidente do Congresso havia dado as explicações à nação, e ao Senado, e que muitos dos presentes queriam cumprimentá-lo. A suspensão foi sugerida por isso e lembro-lhe que não houve senador que a contestou. Esclareço que não tenho a pretensão de achar que a "fila" foi reação a minha atitude em uma Casa formada por senadores e senadoras com experiência de ex-ministros, ex-governadores, ex-prefeitos de capitais e até de ex-presidentes da República. Uma "fila" formada por integrantes de partidos governistas e oposicionistas para cumprimentar o senador Renan Calheiros não seria minha atribuição. Foi, na verdade, a resposta do plenário ao próprio Renan Calheiros diante do que foi relatado. Apesar do seu apreço por mim, peço que não me julgue possuidor de tanto poder a fim de arquitetar uma estratégia que colocou em uma fila de cumprimentos homens e mulheres inteligentes e de personalidades tão marcantes na história política nacional.

Certo em ter-lhe esclarecido os pontos que agridem a verdade, a mim e a meus "parentes", solicito a publicação das correções e esclarecimentos feitos para manter em consonância a conduta do bom jornalismo perpetuado por Veja nas décadas de serviços prestados ao Brasil, a constante busca pela isenção da notícia e o compromisso de levar informação de qualidade aos leitores, marcas da ABRIL.

Atenciosamente,
Senador Romero Jucá

 

Resposta de Roberto Pompeu de Toledo

O senador contesta, de modo convincente, a denúncia de que tem torneiras de ouro no banheiro de casa e a de que foi o campeão de emendas em favor de obras da empreiteira Gautama. O colunista se retrata, em relação a esses itens. As demais denúncias citadas, a despeito da defesa do missivista, compõem um repertório que continua a rondar-lhe os passos. No mais, o colunista agradece, mas descarta, o convite para visitar Roraima (tem outras prioridades de viagem) e faz votos de que o Brasil um dia seja igualmente grato a um senador empenhado "no trabalho incansável de buscar soluções para os problemas nacionais", e que, ao pular de partido em partido e bandear-se de fidelidade em fidelidade, não faz mais do que "servir ao seu país". Jucá não decepciona. Continua sendo, como defendia o artigo em questão, um político muito típico do Brasil.


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