especial


No dia do ataque ao World Trade Center uma bolsa de viagem foi encontrada no aeroporto Logan; dentro havia um pacote do piloto terrorista Mohammed Atta, que atingiu a torre norte do WTC com o Boeing do vôo 11 da American Airline. Entre vários papéis estava seu testamento, escrito em abril de 1996.


Leia a íntegra:

Em nome de Deus todo-poderoso
Atestado de óbito (Death certificate)

Isso é que eu gostaria que acontecesse após minha morte. Eu sou Mohammed, filho de Mohammed al-Amir Awad al-Sajjid, creio que Maomé é o mensageiro de Alá e em tempo não haverá mais dúvida a respeito e Alá ressuscitará aqueles que estão em seus túmulos. Eu gostaria que a minha família, e quem mais vier a ler este testamento, tema a Alá todo-poderoso, não se deixe enganar pela vida e siga a Alá e a seus profetas, se tiver fé. Em minha memória, gostaria que eles fizessem o que o profeta Ibrahim disse a seu filho para fazer, de modo a morrer como um bom muçulmano. Quando eu morrer, quero que as pessoas que herdarem minhas posses façam o seguinte:
1 - Aqueles que me sepultarem devem ser bons muçulmanos, já que eles vão me recomendar a Alá e a Sua Misericórdia.
2 - Aqueles que me sepultarem devem fechar meus olhos e rezar para que eu me eleve aos céus. E devem me vestir em roupas novas, não me deixando nas roupas em que morri.
3 - Por mim ninguém deve chorar, gritar ou rasgar suas roupas e bater em seu rosto - esses são gestos insensatos.
4 - Ninguém que no passado não tenha se dado bem comigo deve me visitar depois de morto, beijar-me ou se despedir de mim.
5 - Mulheres grávidas ou pessoas impuras não devem se despedir de mim - eu rejeito isso.
6 - Mulheres não devem rezar para que eu alcance o perdão. Eu não sou responsável por sacrifícios de animais após o meu sepultamento - isso vai contra os ensinamentos do Islã.
7- Quem velar por mim deve pensar em Alá e rezar para que eu esteja com os anjos.
8- Quem lavar meu corpo deve ser um bom muçulmano. Não deve haver muitas pessoas presentes, a não ser que seja necessário.
9 - Quem lavar meus genitais deve usar luvas, para que eu não seja tocado nessa região.
10 - Minhas roupas devem ser de três peças de tecido branco, mas não seda ou outro material caro.
11- Mulheres não devem estar presentes no meu enterro nem virem ao meu túmulo mais tarde.
12 - O enterro deve realizar-se em clima de calma. Alá avalia e dá o descanso com base em três aspectos: a leitura do Corão, o funeral e se o morto foi conduzido ao solo com devoção. O enterro deve ser conduzido rapidamente, em uma reunião com muitas pessoas para rezarem por mim.
13- Quero ser enterrado com outros bons muçulmanos, com o rosto virado para Meca.
14- Ficarei deitado do meu lado direito. Deve-se jogar terra no meu corpo três vezes, com as palavras: “Você veio do pó, , você é pó e retornará ao pó. E do pó nascerá um novo homem.” Depois disso todos devem chamar o nome de Alá e testemunhar que morri como um muçulmano crente na religião de Alá. Todos que tomarem parte no meu enterro devem pedir pelo meu perdão.
15- Os presentes ao meu enterro devem passar uma hora perto do meu túmulo, para que eu possa gozar de sua companhia; um sacrifício animal deve ser feito, e a carne distribuída aos necessitados.
16- Há o costume de a cada quarenta dias ou anualmente se pensar nos mortos. Não gostaria disso, já que não corresponte aos ritos islâmicos.
17- No enterro ninguém deve escrever provérbios para levar no bolso como talismãs. Esta é uma superstição. Melhor usar o tempo orando a Alá.
18- Os bens que deixo para trás devem ser divididos como mandam as regras islâmicas - como Alá os distribuiu a nós: um terço para os pobres e necessitados. Meus livros devem ir para uma mesquita. O executor do meu testamento deve ser um líder sunita. Ele também deve vir da região em que cresci. O que se alguém que siga as mesmas tradições. Caso a cerimônia não corresponda à fé islâmica, que os culpados sejam punidos. Aqueles que eu deixo para trás devem temer a Alá e não acreditar nas coisas que a vida oferece - devem pedir a Alá e ser bons crentes. Quem não seguir as instruções desse testamento ou contrariar as regras da religião, no final responderá por isso.
Redigido no dia 11 de abril de 1996, segundo o calendário islâmico em Dhu al-Kada ano de 1416.

Assinado:
Mohammed al-Amir Awad al-Sajjid
(assinatura)

Testemunha: Abd al-Ghani Muswadi
(assinatura)

Testemunha: al-Mutasadik Munir
(assinatura)


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