Arquivo VEJA
2 de outubro de 1985
 
 

Televisão
Um dia em Asa Branca

Da máquina de escrever à
gravação, a história de como é feita
Roque Santeiro a mais bem-sucedida
novela já aparecida no vídeo

Mesmo as melhores novelas, aquelas que acertam em cheio na preferência do público, não têm como se desvencilhar do desagradável fenômeno da "barriga". Os especialistas em televisão chamam de barriga a curva descendente nos índices de audiência que costuma manifestar-se no meio da novela, quando o público já conhece os personagens e a trama básica e se permite perder alguns capítulos. Somente no final da novela, quando os capítulos são realmente decisivos, a audiência torna a subir. Essa lei da lógica televisiva valeu até Roque Santeiro, a novela da Rede Globo que já na primeira semana chegou a 67% da audiência nacional, no primeiro mês de exibição passou para 72%, no segundo saltou para 75% e, no mês passado, segundo dados do lbope, rondava o patamar recorde de 80% da audiência, somando 60 milhões de espectadores em todo o país.

O espantoso é que esses índices crescentes - que garantem à novela a audiência média de 74% - aconteceram antes da saraivada de aventuras, encontros e desencontros que o atual autor de Roque Santeiro, Aguinaldo Silva, 41 anos, imaginou para enfrentar a temível barriga. Essas aventuras irão ao ar nesta semana, no capítulo 87, de quarta-feira. Em primeiro lugar, padre Albano (Cláudio Cavalcanti) fará soar o sino da igreja para reunir o povo de Asa Branca na praça principal, com o objetivo de contar que Roque (José Wilker) está vivo e que o mito não passa de uma farsa. Depois, quando Albano está prestes a fazer a revelação, o Beato Salu (Nélson Dantas) ressuscita e o povo atribui o milagre a Roque Santeiro. "O mito é mais forte que a verdade", constata padre Hipólito (Paulo Gracindo). As aventuras não param aí: até o sábado, a bela Ninon (Cláudia Raia) irá descobrir que o delegado Feijó (Maurício do Valle) é o Lobisomem e Mocinha (Lucinha Lins) terá seu primeiro encontro com Roque.

Gravidez misteriosa - "Nosso problema é imaginar tramas paralelas, que contribuam para o desenvolvimento do enredo central, que envolve Roque, a viúva Porcina, Sinhozinho Malta e a cidade de Asa Branca", diz Aguinaldo Silva, que substituiu o autor da novela, o veterano Dias Gomes, a partir do capítulo 41. É da máquina de escrever de Aguinaldo Silva, instalada no escritório de uma ampla casa no bairro de São Conrado, no Rio de Janeiro, que brotam os ingredientes que fazem o sucesso de Roque Santeiro. Agora, por exemplo, o escritor está às voltas com o capítulo 119, burilando o romance entre a mulher de Zé das Medalhas (Armando Bogus), Lulu (Cássia Kiss), e o escroque Ronaldo (Othon Bastos) e cuidando da misteriosa gravidez de Marilda Mathias (Elisângela). Correrão muitos capítulos até que se descubra se Sinhozinho Malta (Lima Duarte) ou Roberto Mathias (Fábio Júnior) é o pai da criança.

A notável eficácia de Roque Santeiro, no entanto, não pode ser atribuída apenas à criatividade de Aguinaldo Silva ou Dias Gomes, ainda que sejam eles os responsáveis por um enredo enxuto, em que todas as ações são imprescindíveis para o andamento da novela. Roque é, antes de mais nada, a conjugação meio mágica do acaso com a máquina de produções da Rede Globo e o talento de uma série de artistas e técnicos que aparecem na frente e atrás das câmaras. Desde a autoria, a novela é um produto híbrido, que passa por centenas de mãos antes de chegar ao vídeo. Só no capítulo 87, o desta quarta-feira, por exemplo, 800 pessoas estiveram envolvidas, formando uma cadeia que ia da estudante Zailda Menezes, 19 anos, uma figurante anônima, à superestrela Regina Duarte, num dos melhores desempenhos de sua carreira.

A autoria de Roque Santeiro é coletiva em dois aspectos. No primeiro, por ter sido Dias Gomes, 62 anos, quem a concebeu há uma década, adaptando para o vídeo a sua peça O Berço do Herói. Em 1975, o então ministro Armando Falcão, da Justiça, proibiu que a novela fosse ao ar - para hoje acompanhá-la assiduamente. Com a Nova República, Roque Santeiro foi ressuscitada pela Globo, mas Dias Gomes, alegando cansaço, se recusou a completá-la. Partindo do argumento criado pelo dramaturgo, Aguinaldo Silva recebeu a incumbência de escrever as partes central e final da história. No começo do trabalho de Aguinaldo Silva, Dias Gomes ainda acompanhava o destino dos personagens, através de reuniões quinzenais com o autor. Gradativamente, porém, Gomes foi se afastando: passou um mês de férias no exterior e não se interessou mais pelo enredo.

Advogado do diabo - Mesmo com o poder de vida e morte sobre os personagens, Silva também não escreve a novela sozinho. Ele conta com a ajuda de três auxiliares. O dramaturgo Marcílio Morais, 41 anos, e o roteirista Joaquim de Assis, 42, lêem e discutem todos os capítulos que Silva escreve, enquanto a pesquisadora Lilian Garcia, 26 anos, fornece os elementos da realidade que dão carne à ficção que a trinca de autores imagina. "Funcionamos com advogados do diabo, fazendo críticas e sugestões sobre cenas que o Aguinaldo escreve", conta Marcílio Morais. Silva pode acatar ou não as críticas, mas as considera proveitosas. "O autor de novelas ficava muito isolado, sem contar com opiniões diferentes na hora em que escrevia", diz.

Foi de Morais e Joaquim de Assis a idéia de ressuscitar o Beato Salu nesta quarta-feira, cabendo a Silva desenvolver a situação. O autor então concentrou no mesmo capítulo a vontade de padre Albano revelar que Roque está vivo e a exibição de algumas cenas do filme sobre Roque Santeiro num cinema de Asa Branca. Durante a exibição do filme, o cinema pega fogo e convergem para a praça da cidadezinha três multidões: a que ouve o sino tocado pelo padre, a que foge do cinema e a que carrega o Beato Salu ressuscitado. O Beato ressuscita pelas artes de um capanga de Sinhozinho Malta, Terêncio (Waldir Santana), que tenta matá-lo com um choque elétrico. Lílian Garcia fez pesquisas para averiguar como se comporta um paciente em coma, como o Beato. Descobriu que jamais alguém sai do estado de coma com um choque elétrico, mas Aguinaldo Silva achou o truque tão bom que o manteve.

O capítulo 87 saiu pronto da casa de Aguinaldo Silva para a de Eduardo Figueira, um carioca de 28 anos encarregado da produção executiva de Roque Santeiro. Ali, no 1º andar do edifício da Globo no bairro carioca do Jardim Botânico, Figueira constatou que o capítulo iria exigir uma produção trabalhosa: 500 figurantes, gravações noturnas, um cinema e roupas de gala para os personagens que compareceriam à projeção do filme sobre a vida de Roque Santeiro em Asa Branca. "Quanto mais confusão, melhor", entusiasmou-se o produtor. Na medida em que recebe os capítulos, a um ritmo de seis por semana, Figueira divide as cenas segundo as locações, cenários, figurinos e atores que deverão estar presentes em cada gravação. Com esses dados, ele alimenta um computador, que fornece listagens; ordenando as gravações. Não se grava um capítulo depois do outro, mas em bloco de seis, aproveitando os estúdios e cenários.

Fachada pomposa - Figueira faz com que sejam tiradas 150 cópias de cada capítulo e de cada listagem de gravações fornecida pelo computador, de modo que todos os setores da emissora saibam exatamente o que fazer. Com vinte dias de antecedência, o cenógrafo Mário Monteiro, 48 anos, começou a planejar a fachada de cinema de Asa Branca, a cidade que ele construiu em Guaratiba. "Fiz uma fachada meio hollywoodiana e pomposa, com bandeirinhas, tapete vermelho e até uma arquibancada de dois, degraus para o povo ver as autoridades e os artistas entrarem", diz Monteiro. "A construção dessa fachada atrasou até o inicio da semana passada. Na segunda-feira, quando as cenas que nela se passam iam ser gravadas, choveu copiosamente em Guaratiba, obrigando a um novo adiamento das gravações para quinta-feira.

Monteiro ao menos teve possibilidade de construir o cinema de Asa Branca, adicionando mais um elemento à cidade cenográfica. Já Raul Travassos, 35 anos, o cenógrafo responsável pelos interiores da novela, pensou em construir a platéia de um cinema e chegou até a comprar, 100 metros de tecido para fazer a cortina que cobriria a tela. No final, a coordenadora de produção Maria Alice Miranda, 34 anos, descobriu e alugou um velho cinema de Botafogo que ainda mantém o aspecto de uma sala de exibição de cidade do interior. Ainda que no capitulo desta quarta-feira não apareça nada de novo criado por Travassos, ele é o responsável por alguns dos melhores achados cenográficos de Roque Santeiro. No gabinete do prefeito Flô (Ary Fontoura) ele colocou um quadro mostrando Dom Pedro I e um porta-livro que são imitações dos que existem na sala do presidente José Sarney no Palácio do Planalto. A comparação entre o prefeito de Asa Branca e o presidente do Brasil é apenas insinuada, mas aperta os laços cômicos da ficção com a realidade.

Para fazer a cidade cenográfica de Asa Branca, Mário Monteiro também utilizou o mesmo esquema de alusão à realidade. Em Guaratiba, ele havia construído a cidade de Santa Fé, usada como cenário da minissérie O Tempo e o Vento. Monteiro então aproveitou a estrutura montada para criar uma cidadezinha que fosse parecida com Juazeiro do Norte, no Ceará, Porto das Caixas, no Rio de Janeiro, e Aparecida, em São Paulo - todas cidades que vivem em função da religiosidade popular. Asa Branca se parece com as três, mas tem sua identidade própria e não se confunde com elas.

Prova de resistência - Se Asa Branca funciona perfeitamente no vídeo, em certos momentos das gravações, ela se assemelha mais a uma antecâmera do inferno. Em primeiro lugar, porque Guaratiba fica a quase 1 hora de viagem do centro do rio de Janeiro. Em segundo, porque durante o dia o clima na região varia do muito ao muitíssimo quente. Finalmente ao entardecer, alguns milhares de insetos descem sobre Asa Branca, picando desde a bela anatomia de uma Ioná Magalhães até os músculos, do iluminador Francisco Carvalho, 36 anos, que passa horas e horas carregando e instalando pesados holofotes durante as gravações noturnas. Às 6 da tarde, um funcionário da Globo percorre Asa Branca com um lança-inseticida elétrico, mas os insetos são resistentes e só abandonam a região quando o sol desaparece definitivamente do horizonte.

Para a gravação do capítulo 87, feita na terça-feira dia 17, houve quase uma prova de resistência, envolvendo 500 figurantes, trinta técnicos, vinte atores e atrizes, seis guardas e quinze motoristas - todos eles comandados pelo diretor Gonzaga Blota. Não é fácil liderar tanta gente, e Blota, 48 anos e cinco pontes de safena no coração, só consegue manter um mínimo de ordem com muitos gritos, palavrões e uma certeza absoluta daquilo que faz. "Sem o Blota, não teríamos coragem de gravar uma seqüência de cenas tão complicada", explica o produtor Figueira, que também compareceu à gravação para dar uma ajuda. "Só ele consegue encarar a confusão de frente."

A confusão começou às 2 da tarde, quando centenas de figurantes se reuniram na frente da Globo, na Rua Von Martius, e deram seus nomes para participar das gravações. Eram pessoas contratadas pela agência Five Stars, dirigida por Virginia Marinho e Janete Mocho, ambas de 32 anos. "A maior parte das pessoas quer aparecer no vídeo por curtição", explica Virginia. De fato, o cachê (10 000 cruzeiros e um lanche para cada figurante) é pouco atraente para quem pensa em retirar seu sustento da figuração. Às 3 da tarde, quinze ônibus saíram a frente da Globo levando os figurantes, que só retornaram à base à 1 da manhã. "É difícil, mas vale a penas ver os artistas de perto", diz Zailda Menezes, que mora na Ilha do Governador.

Sério cambada - O consolo dos figurantes é que também os atores e atrizes são obrigados a permanecer horas de pé, na cidade cenográfica, aguardando a hora de entrar em cena. Othon Bastos, por exemplo, ficou 3 horas em Asa Branca durante a gravação noturna e gravou exatamente 15 segundos. "Blota, você não está se esquecendo de mim?", perguntou ele ao diretor quando este terminou de gravar uma cena com Ioná Magalhães. "É, esqueci, vamos gravar", respondeu Blota. Mesmo com as dificuldades, nenhum dos integrantes do elenco de Roquie Santeiro reclama. "Desde o início da novela, dobrou a minha participação no enredo", diz Regina Duarte, 38 anos. "Estou muito cansada, mas o trabalho é gratificante, pois a Porcina é um personagem fortíssimo, que deu uma mexida na minha carreira."

Com o elenco, Gonzaga Blota não tem qualquer problema. Todos o consideram um diretor de mão firme, que aceita improvisações e diz claramente o que pretende dos atores em cada cena. O grande problema são os figurantes que demoram a assimilar as ordens, costumar olhar para as câmeras e sorriem quando devem estar sérios. À medida que as horas corriam, naquela terça-feira dia 17, Blota ia se exasperando. "É para ficar sério, cambada! berrava ele num cone formado pelas páginas do roteiro de gravações, fazendo as vezes de um auto-falante. "O cabeção, não olha pra câmera." O tempo passava e agora era a vez de os figurantes, com os estômagos roncando, ficarem irritados. "Cadê o rango?", perguntavam algumas dezenas de pessoas ao diretor. "Não sei, não sou cozinheiro", respondeu Blota, que ouviu de volta alguns palavrões. Blota não pensou duas vezes antes de partir, aos safanões, sobre o figurante, imediatamente expulso de Asa Branca.

"Deixa disso, Blota", interveio Lima Duarte, 55 anos, um entusiasta do estilo de comando do diretor. É comum que, no final de uma cena, Lima puxe aplausos para Blota, dizendo: "Senti firmeza, diretor". De fato, depois da gravação das cenas noturnas do capítulo 87, ficou a impressão de que o roteiro só foi cumprido porque o diretor, habitualmente pacato, comportou-se como um tigre. "Se a gente facilita a gravação não acaba nunca", explica Blota. Faz parte do seu estilo dirigir apenas uma câmara e sem olhar sequer uma vez para as imagens que ele está gravando.

Gole de champanhe - Se numa gravação com centenas de figurantes o que vale é a autoridade do diretor, nos estúdios o que conta é o talento dos atores captados de perto e quase sozinhos. Na quarta-feira, dia 18, depois de uma noite de atribulações na cidade cenográfica, Lima e Regina Duarte se apresentaram às 8 horas da manhã ao diretor e ator Marcos Paulo, que divide com Jayme Monjardini a direção dos capítulos gravados em estúdio. Uma cena difícil esperava os atores: um diálogo de onze páginas em que Porcina perguntava se Sinbozinho Malta iria realmente casar com ela, os dois discutiam e no fim a viúva o obrigava a dizer que não podia viver sem ela. Lima e Regina ensaiaram o longo diálogo apenas uma vez, sem esquecer sequer uma frase e criando outras na hora.

"Silêncio!", gritou o assistente de estúdio Nilton Canavezes, 48 anos, responsável pela ordem no recinto. Todos ficaram quietos e a gravação começou, com alguns técnicos apostando qual dos dois atores iria errar primeiro. Lima e Regina não erraram e foram além, compondo uma cena hilariante. "A festa do casamento vai começar agora", dizia a sorridente Porcina saltando sobre a cama, enquanto o coronel ficava de quatro como um cachorro. A gravação terminou com os dois abraçados e a, equipe técnica aplaudindo os atores. "É muito raro gravar uma cena dessas de uma tacada só", atesta Nilton Canavezes, que convive com atores e novelas globais há catorze anos. Regina Duarte saiu da cama e bebericou um gole da champanhe que deveria aparecer na próxima cena, a ser gravada depois que ela trocasse de roupa.

Até o final desta semana, Regina terá usado 420 roupas diferentes em Roque Santeiro, a maioria delas criada pelo figurinista Marco Aurélio, 30 anos. Para o capítulo 87, Marco Aurélio fez um minivestido de paetês prateados. "No começo, o vestido seria comprido, mas ficou muito careta", diz Marco Aurélio, que, trabalhando ao lado do estúdio, sempre faz questão de dar os retoques finais no vestuário de Regina. Por mais que o figurinista capriche nas indumentárias, jamais Regina, ou qualquer outro integrante do elenco, entra para uma gravação sem antes passar pelo crivo da continuísta Carmem Ubilla, uma chilena de 54 anos, na Globo desde a fundação da emissora. E ela quem controla penteados, adereços, jóias e todos os objetos que entram em cena, de modo a que os atores, por exemplo, não apareçam numa cena com uma gravata verde e, na seguinte, na mesma ação, com uma vermelha. Na semana passada, ela interrompeu uma cena para trocar uma gravata de Ary Fontoura, o prefeito Flô.

"Vão ficar doidinhos" - "Roque Santeiro é a novela mais difícil que já fiz até hoje", diz a continuísta Carmem. Só Sinhozinho Malta tem cinco jaquetas verdes, que diferem apenas nos detalhes, mas que os espectadores mais atenciosos notam implacavelmente. Quando há erros de continuidade, chovem as cartas de protesto para a Globo. Para evitar os erros, a continuísta fotografa todos os atores antes que eles entrem em cena e, na próxima gravação, confere se eles estão iguais. "Um diretor pode ser trocado e quase não se nota a diferença", diz Carmem Ubilla. "Mas, se eu sumir, todos vão ficar doidinhos." Em Roque Santeiro, ao menos a afirmação é verdadeira: a novela começou a ser dirigida por Paulo Ubiratan, que teve de se submeter-se a uma cirurgia cardíaca, e poucos notaram as diferenças no vídeo.

Nas gravações para o capítulo 87, uma nova doença provocou uma baixa no elenco da novela. A atriz Cláudia Raia, 18 anos, que faz o papel da vedete Ninon, alegou uma febre persistente para não comparecer às gravações da manhã de quinta-feira no cinema de Botafogo. Na noite anterior, porém, Cláudia esteve exuberante numa festa na boate Calígula, na Zona Sul. carioca. Cláudia garante que não estava de ressaca e, na tarde do mesmo dia, estudava com afinco as falas de suas próximas gravações. "Não sei como vamos fazer para disfarçar a ausência da Cláudia Raia em algumas cenas do capítulo", diz Antonio Carlos Marques, 39 anos, auxiliar de Gonzaga Blota nas gravações externas.

Problemas desse tipo, no entanto, são facilmente solucionados na mesa de edição de Roque Santeiro, pilotada por Sérgio Louzada, 30 anos, e Célio Fonseca, 32, que gastam cerca de 10 horas para montar um capítulo de 40 minutos. Depois de editado, o capítulo passa pela sonorização, responsável por desde o som do sino até o chacoalhar das pulseiras de Sinhozinho Malta - e está pronto para ir ao ar. Fato raro em novelas, Roque Santeiro é comumente vista por quase todos que dela tomam parte. "Quando não posso assistir a um capítulo, gravo no videocassete para poder ver depois", diz José Wilker, o intérprete de Roque.

Na direção da Globo, o poder de atração da novela gerou na semana passada dois fatos novos, um previsível e outro não. O previsível é a intenção da direção da rede em prolongar a vida de Roque Santeiro por mais um mês. Marcada para acabar em 15 de janeiro, a novela irá terminar, se os autores concordarem, em 15 de fevereiro. O fato imprevisto, surgido de um acordo entre a Globo e produtores americanos, é a ida de Lima Duarte e Regina Duarte para os Estados Unidos, onde deverão contracenar com atores do seriado Dallas. Essa oportunidade impôs a inclusão, na história de Roque, de uma viagem do Sinhozinho e da viúva ao Texas para participarem de uma exposição de animais. Com surpresas como essa, é realmente difícil que a novela perca o pique nas pesquisas de audiência. Sem barrigas à vista, Roque Santeiro marcha célere rumo à unanimidade nacional.

 
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