|
Televisão
Um dia em Asa
Branca
Da máquina de escrever à
gravação, a história de como é feita
Roque Santeiro a mais bem-sucedida
novela já aparecida no vídeo
Mesmo as melhores novelas,
aquelas que acertam em cheio na preferência do público,
não têm como se desvencilhar do desagradável
fenômeno da "barriga". Os especialistas em
televisão chamam de barriga a curva descendente nos
índices de audiência que costuma manifestar-se
no meio da novela, quando o público já conhece
os personagens e a trama básica e se permite perder
alguns capítulos. Somente no final da novela, quando
os capítulos são realmente decisivos, a audiência
torna a subir. Essa lei da lógica televisiva valeu
até Roque Santeiro, a novela da Rede Globo que já
na primeira semana chegou a 67% da audiência nacional,
no primeiro mês de exibição passou para
72%, no segundo saltou para 75% e, no mês passado, segundo
dados do lbope, rondava o patamar recorde de 80% da audiência,
somando 60 milhões de espectadores em todo o país.
O espantoso é que esses
índices crescentes - que garantem à novela a
audiência média de 74% - aconteceram antes da
saraivada de aventuras, encontros e desencontros que o atual
autor de Roque Santeiro, Aguinaldo Silva, 41 anos, imaginou
para enfrentar a temível barriga. Essas aventuras irão
ao ar nesta semana, no capítulo 87, de quarta-feira.
Em primeiro lugar, padre Albano (Cláudio Cavalcanti)
fará soar o sino da igreja para reunir o povo de Asa
Branca na praça principal, com o objetivo de contar
que Roque (José Wilker) está vivo e que o mito
não passa de uma farsa. Depois, quando Albano está
prestes a fazer a revelação, o Beato Salu (Nélson
Dantas) ressuscita e o povo atribui o milagre a Roque Santeiro.
"O mito é mais forte que a verdade", constata
padre Hipólito (Paulo Gracindo). As aventuras não
param aí: até o sábado, a bela Ninon
(Cláudia Raia) irá descobrir que o delegado
Feijó (Maurício do Valle) é o Lobisomem
e Mocinha (Lucinha Lins) terá seu primeiro encontro
com Roque.
Gravidez misteriosa
- "Nosso problema é imaginar tramas paralelas,
que contribuam para o desenvolvimento do enredo central, que
envolve Roque, a viúva Porcina, Sinhozinho Malta e
a cidade de Asa Branca", diz Aguinaldo Silva, que substituiu
o autor da novela, o veterano Dias Gomes, a partir do capítulo
41. É da máquina de escrever de Aguinaldo Silva,
instalada no escritório de uma ampla casa no bairro
de São Conrado, no Rio de Janeiro, que brotam os ingredientes
que fazem o sucesso de Roque Santeiro. Agora, por exemplo,
o escritor está às voltas com o capítulo
119, burilando o romance entre a mulher de Zé das Medalhas
(Armando Bogus), Lulu (Cássia Kiss), e o escroque Ronaldo
(Othon Bastos) e cuidando da misteriosa gravidez de Marilda
Mathias (Elisângela). Correrão muitos capítulos
até que se descubra se Sinhozinho Malta (Lima Duarte)
ou Roberto Mathias (Fábio Júnior) é o
pai da criança.
A notável eficácia
de Roque Santeiro, no entanto, não pode ser atribuída
apenas à criatividade de Aguinaldo Silva ou Dias Gomes,
ainda que sejam eles os responsáveis por um enredo
enxuto, em que todas as ações são imprescindíveis
para o andamento da novela. Roque é, antes de mais
nada, a conjugação meio mágica do acaso
com a máquina de produções da Rede Globo
e o talento de uma série de artistas e técnicos
que aparecem na frente e atrás das câmaras. Desde
a autoria, a novela é um produto híbrido, que
passa por centenas de mãos antes de chegar ao vídeo.
Só no capítulo 87, o desta quarta-feira, por
exemplo, 800 pessoas estiveram envolvidas, formando uma cadeia
que ia da estudante Zailda Menezes, 19 anos, uma figurante
anônima, à superestrela Regina Duarte, num dos
melhores desempenhos de sua carreira.
A autoria de Roque Santeiro
é coletiva em dois aspectos. No primeiro, por ter sido
Dias Gomes, 62 anos, quem a concebeu há uma década,
adaptando para o vídeo a sua peça O Berço do Herói. Em 1975, o então ministro Armando
Falcão, da Justiça, proibiu que a novela fosse
ao ar - para hoje acompanhá-la assiduamente. Com a
Nova República, Roque Santeiro foi ressuscitada pela
Globo, mas Dias Gomes, alegando cansaço, se recusou
a completá-la. Partindo do argumento criado pelo dramaturgo,
Aguinaldo Silva recebeu a incumbência de escrever as
partes central e final da história. No começo
do trabalho de Aguinaldo Silva, Dias Gomes ainda acompanhava
o destino dos personagens, através de reuniões
quinzenais com o autor. Gradativamente, porém, Gomes
foi se afastando: passou um mês de férias no
exterior e não se interessou mais pelo enredo.
Advogado do diabo -
Mesmo com o poder de vida e morte sobre os personagens, Silva
também não escreve a novela sozinho. Ele conta
com a ajuda de três auxiliares. O dramaturgo Marcílio
Morais, 41 anos, e o roteirista Joaquim de Assis, 42, lêem
e discutem todos os capítulos que Silva escreve, enquanto
a pesquisadora Lilian Garcia, 26 anos, fornece os elementos
da realidade que dão carne à ficção
que a trinca de autores imagina. "Funcionamos com advogados
do diabo, fazendo críticas e sugestões sobre
cenas que o Aguinaldo escreve", conta Marcílio
Morais. Silva pode acatar ou não as críticas,
mas as considera proveitosas. "O autor de novelas ficava
muito isolado, sem contar com opiniões diferentes na
hora em que escrevia", diz.
Foi de Morais e Joaquim de
Assis a idéia de ressuscitar o Beato Salu nesta quarta-feira,
cabendo a Silva desenvolver a situação. O autor
então concentrou no mesmo capítulo a vontade
de padre Albano revelar que Roque está vivo e a exibição
de algumas cenas do filme sobre Roque Santeiro num cinema
de Asa Branca. Durante a exibição do filme,
o cinema pega fogo e convergem para a praça da cidadezinha
três multidões: a que ouve o sino tocado pelo
padre, a que foge do cinema e a que carrega o Beato Salu ressuscitado.
O Beato ressuscita pelas artes de um capanga de Sinhozinho
Malta, Terêncio (Waldir Santana), que tenta matá-lo
com um choque elétrico. Lílian Garcia fez pesquisas
para averiguar como se comporta um paciente em coma, como
o Beato. Descobriu que jamais alguém sai do estado
de coma com um choque elétrico, mas Aguinaldo Silva
achou o truque tão bom que o manteve.
O capítulo 87 saiu pronto
da casa de Aguinaldo Silva para a de Eduardo Figueira, um
carioca de 28 anos encarregado da produção executiva
de Roque Santeiro. Ali, no 1º andar do edifício
da Globo no bairro carioca do Jardim Botânico, Figueira
constatou que o capítulo iria exigir uma produção
trabalhosa: 500 figurantes, gravações noturnas,
um cinema e roupas de gala para os personagens que compareceriam
à projeção do filme sobre a vida de Roque Santeiro em Asa Branca. "Quanto mais confusão,
melhor", entusiasmou-se o produtor. Na medida em que
recebe os capítulos, a um ritmo de seis por semana,
Figueira divide as cenas segundo as locações,
cenários, figurinos e atores que deverão estar
presentes em cada gravação. Com esses dados,
ele alimenta um computador, que fornece listagens; ordenando
as gravações. Não se grava um capítulo
depois do outro, mas em bloco de seis, aproveitando os estúdios
e cenários.
Fachada pomposa - Figueira
faz com que sejam tiradas 150 cópias de cada capítulo
e de cada listagem de gravações fornecida pelo
computador, de modo que todos os setores da emissora saibam
exatamente o que fazer. Com vinte dias de antecedência,
o cenógrafo Mário Monteiro, 48 anos, começou
a planejar a fachada de cinema de Asa Branca, a cidade que
ele construiu em Guaratiba. "Fiz uma fachada meio hollywoodiana
e pomposa, com bandeirinhas, tapete vermelho e até
uma arquibancada de dois, degraus para o povo ver as autoridades
e os artistas entrarem", diz Monteiro. "A construção
dessa fachada atrasou até o inicio da semana passada.
Na segunda-feira, quando as cenas que nela se passam iam ser
gravadas, choveu copiosamente em Guaratiba, obrigando a um
novo adiamento das gravações para quinta-feira.
Monteiro ao menos teve possibilidade
de construir o cinema de Asa Branca, adicionando mais um elemento
à cidade cenográfica. Já Raul Travassos,
35 anos, o cenógrafo responsável pelos interiores
da novela, pensou em construir a platéia de um cinema
e chegou até a comprar, 100 metros de tecido para fazer
a cortina que cobriria a tela. No final, a coordenadora de
produção Maria Alice Miranda, 34 anos, descobriu
e alugou um velho cinema de Botafogo que ainda mantém
o aspecto de uma sala de exibição de cidade
do interior. Ainda que no capitulo desta quarta-feira não
apareça nada de novo criado por Travassos, ele é
o responsável por alguns dos melhores achados cenográficos
de Roque Santeiro. No gabinete do prefeito Flô (Ary
Fontoura) ele colocou um quadro mostrando Dom Pedro I e um
porta-livro que são imitações dos que
existem na sala do presidente José Sarney no Palácio
do Planalto. A comparação entre o prefeito de
Asa Branca e o presidente do Brasil é apenas insinuada,
mas aperta os laços cômicos da ficção
com a realidade.
Para fazer a cidade cenográfica
de Asa Branca, Mário Monteiro também utilizou
o mesmo esquema de alusão à realidade. Em Guaratiba,
ele havia construído a cidade de Santa Fé, usada
como cenário da minissérie O Tempo e o Vento.
Monteiro então aproveitou a estrutura montada para
criar uma cidadezinha que fosse parecida com Juazeiro do Norte,
no Ceará, Porto das Caixas, no Rio de Janeiro, e Aparecida,
em São Paulo - todas cidades que vivem em função
da religiosidade popular. Asa Branca se parece com as três,
mas tem sua identidade própria e não se confunde
com elas.
Prova de resistência
- Se Asa Branca funciona perfeitamente no vídeo,
em certos momentos das gravações, ela se assemelha
mais a uma antecâmera do inferno. Em primeiro lugar,
porque Guaratiba fica a quase 1 hora de viagem do centro do
rio de Janeiro. Em segundo, porque durante o dia o clima na
região varia do muito ao muitíssimo quente.
Finalmente ao entardecer, alguns milhares de insetos descem
sobre Asa Branca, picando desde a bela anatomia de uma Ioná
Magalhães até os músculos, do iluminador
Francisco Carvalho, 36 anos, que passa horas e horas carregando
e instalando pesados holofotes durante as gravações
noturnas. Às 6 da tarde, um funcionário da Globo
percorre Asa Branca com um lança-inseticida elétrico,
mas os insetos são resistentes e só abandonam
a região quando o sol desaparece definitivamente do
horizonte.
Para a gravação
do capítulo 87, feita na terça-feira dia 17,
houve quase uma prova de resistência, envolvendo 500
figurantes, trinta técnicos, vinte atores e atrizes,
seis guardas e quinze motoristas - todos eles comandados pelo
diretor Gonzaga Blota. Não é fácil liderar
tanta gente, e Blota, 48 anos e cinco pontes de safena no
coração, só consegue manter um mínimo
de ordem com muitos gritos, palavrões e uma certeza
absoluta daquilo que faz. "Sem o Blota, não teríamos
coragem de gravar uma seqüência de cenas tão
complicada", explica o produtor Figueira, que também
compareceu à gravação para dar uma ajuda.
"Só ele consegue encarar a confusão de
frente."
A confusão começou
às 2 da tarde, quando centenas de figurantes se reuniram
na frente da Globo, na Rua Von Martius, e deram seus nomes
para participar das gravações. Eram pessoas
contratadas pela agência Five Stars, dirigida por Virginia
Marinho e Janete Mocho, ambas de 32 anos. "A maior parte
das pessoas quer aparecer no vídeo por curtição",
explica Virginia. De fato, o cachê (10 000 cruzeiros
e um lanche para cada figurante) é pouco atraente para
quem pensa em retirar seu sustento da figuração.
Às 3 da tarde, quinze ônibus saíram a
frente da Globo levando os figurantes, que só retornaram
à base à 1 da manhã. "É difícil,
mas vale a penas ver os artistas de perto", diz Zailda
Menezes, que mora na Ilha do Governador.
Sério cambada -
O consolo dos figurantes é que também os atores
e atrizes são obrigados a permanecer horas de pé,
na cidade cenográfica, aguardando a hora de entrar
em cena. Othon Bastos, por exemplo, ficou 3 horas em Asa Branca
durante a gravação noturna e gravou exatamente
15 segundos. "Blota, você não está
se esquecendo de mim?", perguntou ele ao diretor quando
este terminou de gravar uma cena com Ioná Magalhães.
"É, esqueci, vamos gravar", respondeu Blota.
Mesmo com as dificuldades, nenhum dos integrantes do elenco
de Roquie Santeiro reclama. "Desde o início da
novela, dobrou a minha participação no enredo",
diz Regina Duarte, 38 anos. "Estou muito cansada, mas
o trabalho é gratificante, pois a Porcina é
um personagem fortíssimo, que deu uma mexida na minha
carreira."
Com o elenco, Gonzaga Blota
não tem qualquer problema. Todos o consideram um diretor
de mão firme, que aceita improvisações
e diz claramente o que pretende dos atores em cada cena. O
grande problema são os figurantes que demoram a assimilar
as ordens, costumar olhar para as câmeras e sorriem
quando devem estar sérios. À medida que as horas
corriam, naquela terça-feira dia 17, Blota ia se exasperando.
"É para ficar sério, cambada! berrava ele
num cone formado pelas páginas do roteiro de gravações,
fazendo as vezes de um auto-falante. "O cabeção,
não olha pra câmera." O tempo passava e
agora era a vez de os figurantes, com os estômagos roncando,
ficarem irritados. "Cadê o rango?", perguntavam
algumas dezenas de pessoas ao diretor. "Não sei,
não sou cozinheiro", respondeu Blota, que ouviu
de volta alguns palavrões. Blota não pensou
duas vezes antes de partir, aos safanões, sobre o figurante,
imediatamente expulso de Asa Branca.
"Deixa disso, Blota",
interveio Lima Duarte, 55 anos, um entusiasta do estilo de
comando do diretor. É comum que, no final de uma cena,
Lima puxe aplausos para Blota, dizendo: "Senti firmeza,
diretor". De fato, depois da gravação das
cenas noturnas do capítulo 87, ficou a impressão
de que o roteiro só foi cumprido porque o diretor,
habitualmente pacato, comportou-se como um tigre. "Se
a gente facilita a gravação não acaba
nunca", explica Blota. Faz parte do seu estilo dirigir
apenas uma câmara e sem olhar sequer uma vez para as
imagens que ele está gravando.
Gole de champanhe -
Se numa gravação com centenas de figurantes
o que vale é a autoridade do diretor, nos estúdios
o que conta é o talento dos atores captados de perto
e quase sozinhos. Na quarta-feira, dia 18, depois de uma noite
de atribulações na cidade cenográfica,
Lima e Regina Duarte se apresentaram às 8 horas da
manhã ao diretor e ator Marcos Paulo, que divide com
Jayme Monjardini a direção dos capítulos
gravados em estúdio. Uma cena difícil esperava
os atores: um diálogo de onze páginas em que
Porcina perguntava se Sinbozinho Malta iria realmente casar
com ela, os dois discutiam e no fim a viúva o obrigava
a dizer que não podia viver sem ela. Lima e Regina
ensaiaram o longo diálogo apenas uma vez, sem esquecer
sequer uma frase e criando outras na hora.
"Silêncio!",
gritou o assistente de estúdio Nilton Canavezes, 48
anos, responsável pela ordem no recinto. Todos ficaram
quietos e a gravação começou, com alguns
técnicos apostando qual dos dois atores iria errar
primeiro. Lima e Regina não erraram e foram além,
compondo uma cena hilariante. "A festa do casamento vai
começar agora", dizia a sorridente Porcina saltando
sobre a cama, enquanto o coronel ficava de quatro como um
cachorro. A gravação terminou com os dois abraçados
e a, equipe técnica aplaudindo os atores. "É
muito raro gravar uma cena dessas de uma tacada só",
atesta Nilton Canavezes, que convive com atores e novelas
globais há catorze anos. Regina Duarte saiu da cama
e bebericou um gole da champanhe que deveria aparecer na próxima
cena, a ser gravada depois que ela trocasse de roupa.
Até o final desta semana,
Regina terá usado 420 roupas diferentes em Roque Santeiro,
a maioria delas criada pelo figurinista Marco Aurélio,
30 anos. Para o capítulo 87, Marco Aurélio fez
um minivestido de paetês prateados. "No começo,
o vestido seria comprido, mas ficou muito careta", diz
Marco Aurélio, que, trabalhando ao lado do estúdio,
sempre faz questão de dar os retoques finais no vestuário
de Regina. Por mais que o figurinista capriche nas indumentárias,
jamais Regina, ou qualquer outro integrante do elenco, entra
para uma gravação sem antes passar pelo crivo
da continuísta Carmem Ubilla, uma chilena de 54 anos,
na Globo desde a fundação da emissora. E ela
quem controla penteados, adereços, jóias e todos
os objetos que entram em cena, de modo a que os atores, por
exemplo, não apareçam numa cena com uma gravata
verde e, na seguinte, na mesma ação, com uma
vermelha. Na semana passada, ela interrompeu uma cena para
trocar uma gravata de Ary Fontoura, o prefeito Flô.
"Vão ficar doidinhos"
- "Roque Santeiro é a novela mais difícil
que já fiz até hoje", diz a continuísta
Carmem. Só Sinhozinho Malta tem cinco jaquetas verdes,
que diferem apenas nos detalhes, mas que os espectadores mais
atenciosos notam implacavelmente. Quando há erros de
continuidade, chovem as cartas de protesto para a Globo. Para
evitar os erros, a continuísta fotografa todos os atores
antes que eles entrem em cena e, na próxima gravação,
confere se eles estão iguais. "Um diretor pode
ser trocado e quase não se nota a diferença",
diz Carmem Ubilla. "Mas, se eu sumir, todos vão
ficar doidinhos." Em Roque Santeiro, ao menos a afirmação
é verdadeira: a novela começou a ser dirigida
por Paulo Ubiratan, que teve de se submeter-se a uma cirurgia
cardíaca, e poucos notaram as diferenças no
vídeo.
Nas gravações
para o capítulo 87, uma nova doença provocou
uma baixa no elenco da novela. A atriz Cláudia Raia,
18 anos, que faz o papel da vedete Ninon, alegou uma febre
persistente para não comparecer às gravações
da manhã de quinta-feira no cinema de Botafogo. Na
noite anterior, porém, Cláudia esteve exuberante
numa festa na boate Calígula, na Zona Sul. carioca.
Cláudia garante que não estava de ressaca e,
na tarde do mesmo dia, estudava com afinco as falas de suas
próximas gravações. "Não
sei como vamos fazer para disfarçar a ausência
da Cláudia Raia em algumas cenas do capítulo",
diz Antonio Carlos Marques, 39 anos, auxiliar de Gonzaga Blota
nas gravações externas.
Problemas desse tipo, no entanto,
são facilmente solucionados na mesa de edição
de Roque Santeiro, pilotada por Sérgio Louzada, 30
anos, e Célio Fonseca, 32, que gastam cerca de 10 horas
para montar um capítulo de 40 minutos. Depois de editado,
o capítulo passa pela sonorização, responsável
por desde o som do sino até o chacoalhar das pulseiras
de Sinhozinho Malta - e está pronto para ir ao ar.
Fato raro em novelas, Roque Santeiro é comumente vista
por quase todos que dela tomam parte. "Quando não
posso assistir a um capítulo, gravo no videocassete
para poder ver depois", diz José Wilker, o intérprete
de Roque.
Na direção da
Globo, o poder de atração da novela gerou na
semana passada dois fatos novos, um previsível e outro
não. O previsível é a intenção
da direção da rede em prolongar a vida de Roque Santeiro por mais um mês. Marcada para acabar em 15
de janeiro, a novela irá terminar, se os autores concordarem,
em 15 de fevereiro. O fato imprevisto, surgido de um acordo
entre a Globo e produtores americanos, é a ida de Lima
Duarte e Regina Duarte para os Estados Unidos, onde deverão
contracenar com atores do seriado Dallas. Essa oportunidade
impôs a inclusão, na história de Roque,
de uma viagem do Sinhozinho e da viúva ao Texas para
participarem de uma exposição de animais. Com
surpresas como essa, é realmente difícil que
a novela perca o pique nas pesquisas de audiência. Sem
barrigas à vista, Roque Santeiro marcha célere
rumo à unanimidade nacional.
|