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Divertimento
O novo videopôquer
Jogos de cartas com apostas milionárias viram febre na televisão
americana 
André Fontenelle
Fotos AP  |
| O campeão de um torneio (à dir.) com seu prêmio,
de 1 milhão de dólares: recompensas milionárias | É difícil
acreditar que assistir a uma partida de pôquer pela televisão possa
ser uma atividade empolgante. Uma nova tecnologia transformou, porém, o
velho jogo de cartas em sensação nas emissoras por assinatura dos
Estados Unidos. As transmissões do circuito mundial de pôquer na
ESPN, o mais popular canal americano de esportes, têm dado maior audiência
que os tradicionais beisebol e basquete (no Brasil, a emissora exibe as partidas
nas noites de terça e quarta-feira). Outro torneio de pôquer, no
Travel Channel, chega a atrair 5 milhões de espectadores. O canal Bravo,
especializado em sitcoms e reality shows, criou um programa em que celebridades
de Hollywood, como o ator Ben Affleck, se enfrentam no pano verde.
A tecnologia que fez
do pôquer um campeão de audiência se baseia em dois elementos:
primeiro, minicâmeras identificam as cartas que cada jogador tem na mão.
Assim, o telespectador sabe o tempo todo quem está com a melhor mão,
ou seja, o conjunto de cartas de valor mais alto. Depois, um computador calcula
a chance matemática de cada um, o que permite mesmo a um leigo entender
o que está acontecendo. Os ingredientes finais para o sucesso são
as altas somas de dinheiro em jogo e a arte do blefe: um jogador pode vencer uma
partida mesmo com cartas ruins na mão, desde que faça seu adversário
acreditar no contrário, por meio de gestos, olhares e apostas.
Há centenas
de variedades de pôquer, mas a que se joga nos programas de TV geralmente
é a mesma, chamada Texas Hold'Em. É popular porque não impõe
limites para as apostas. Um jogador pode pôr todo o seu dinheiro na mesa
e sair de mãos abanando ou milionário. Nessa modalidade,
cada participante recebe duas cartas e o banqueiro põe outras três
na mesa. Juntando as próprias cartas com as da mesa, procura-se formar
a combinação de maior valor um par de damas, por exemplo,
vale mais que um par de valetes; uma trinca vale mais que um par; e assim por
diante. Cada um faz sua aposta de acordo com a combinação que tem
e com a que imagina que os outros têm. Vence quem, ao fim de várias
rodadas, toma todas as fichas dos adversários.
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| Sucesso: torneios fazem
a fama de anônimos como Raymer (à esq.) e atraem celebridades
como Affleck (à dir.) |
O sucesso na TV fez a fama de anônimos, como o campeão Greg Raymer,
que joga com óculos cor de laranja para perturbar os rivais, e gerou uma
legião de neófitos, atraídos por prêmios como os 2,5
milhões de dólares (7 milhões de reais) de um torneio recente.
Estima-se que 80 milhões de americanos joguem pôquer eventualmente.
Nos cassinos de Las Vegas, no último ano, aumentou em um terço o
faturamento nas mesas de pôquer, enquanto estagnou o das roletas e caça-níqueis.
Tanto sucesso começa a preocupar educadores. Escolas da Flórida
introduziram no currículo aulas sobre o vício da jogatina, ao perceber
que os alunos estavam jogando a dinheiro na hora do recreio. Nada,
por ora, que ameace o sucesso crescente de uma diversão tradicional nos
Estados Unidos. De origem obscura, o pôquer tornou-se popular no século
XIX, quando era jogado nos navios a vapor do Rio Mississippi e nos saloons do
Velho Oeste. "É o grande jogo americano", diz o produtor de TV Steve Lipscomb,
responsável pela introdução do carteado na telinha.
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