Arquivo VEJA
12 de junho de 1996
 
 
Os ricos e famosos

Quem são os vinte que mais faturam
no meio artístico no Brasil, quanto eles
ganham e como chegaram ao topo

Neuza Sanches e Angela Pimenta

No Brasil, quando se pergunta a uma criança o que vai ser quando crescer e ela responde “artista”, os pais costumam torcer o nariz. Essa ocupação, com todo o romantismo que a cerca, costuma ser associada a falta de emprego fixo, a contracheque sem valor definido no final do mês. Esses problemas que afligem a maior parte dos atores, escritores ou músicos transformam-se em vantagens quando um artista é daqueles que hipnotizam as multidões. São pouquíssimos, mas esses têm os bolsos estufados por fortunas que o homem comum, assalariado, tem até dificuldade de imaginar. Não há limites para seus ganhos, como mostra um levantamento feito por VEJA dos mais bem pagos do show biz nacional. Campeão da lista, o apresentador Gugu Liberato, do SBT, embolsa todo mês, em média, 1,5 milhão de reais. Isso equivale a 50 000 reais por dia. Um assalariado que ganhe 2 500 reais por mês levará cinqüenta anos para atingir a renda mensal de Gugu, que ganha umas 35 vezes mais do que um presidente de multinacional de grande porte no Brasil. O cantor e compositor Roberto Carlos, o segundo da lista, embolsa 1,1 milhão por mês. Xuxa, a medalha de bronze, está na casa de 1 milhão.

Muitos artistas até têm holerite, mas em geral o valor que vem expresso lá corresponde a uma porção pequena de seus ganhos. Porque ser artista, nos dias atuais, é ter como maior capital a própria imagem - e esta pode render dividendos de várias formas diferentes, na televisão, nos palcos, em livros, em shows, em comerciais e em todas essas coisas somadas. Na lista publicada ao lado, estão estimados os ganhos dos vinte mais no período entre maio de 1995 e abril de 1996. O critério utilizado foi inspirado no da revista americana Forbes, que faz todos os anos uma lista parecida. Foram computados apenas os chamados “ganhos de imagem” - ou seja, o que cada artista fatura em sua especialidade acrescido do que ele ganha em outros ramos por ser ele mesmo. No caso de Roberto Carlos, o segundinho da relação, computou-se o que ele ganha com discos e com shows. Somou-se também o que ele fatura em comerciais de televisão - um ganho de imagem, já que ele não seria convidado para fazer propagandas se não fosse Roberto Carlos.

Deixaram-se de lado seus investimentos paralelos em imóveis, concessionárias de automóveis e franquias de fast foods - qualquer pessoa pode fazer esse tipo de negócio e sair-se bem. Não prenda o suspiro. É isso mesmo: o rei ganha, como empresário, outro caminhão de dinheiro, que por questões de método ficou fora desta lista. O número que está aí ao lado, 1,1 milhão de reais, é uma estimativa do que em média ele coloca limpinho no bolso todos os meses - apenas sendo Roberto Carlos, em shows e discos. E Silvio Santos, onde está ele? O sorridente do SBT seria o primeirão, é claro. Embolsa todo mês a fábula de 3,5 milhões de reais só com ganhos derivados de sua imagem (veja quadro à pág. 139). Mas, sendo dono de emissora, não vale. Como patrão de si mesmo, Silvio pode-se dar o salário que bem entender. E se dá o que jamais pagaria a um funcionário.

MESADA - De um exame preliminar da lista decorrem logo duas conclusões. A primeira, óbvia, é de que a televisão é o veículo mais eficiente para um artista valorizar seu capital - a imagem. Quase metade dos vinte artistas da lista (Gugu, Roberto Carlos, Xuxa, Jô Soares, Fausto Silva, Angélica, Tom Cavalcante, Fábio Júnior, Miguel Falabella) está ligada à TV por algum tipo de contrato. Mas nenhum deles tem como principal fonte de rendimentos o salário que recebe da emissora. Todos ganham mais com atividades paralelas ou com anúncios comerciais e merchandising. A segunda conclusão é esta: o que dá mais dinheiro a um artista, no Brasil, é ir aonde o povo está, ou seja, fazer shows e espetáculos teatrais. Treze dos vinte nomes da lista ganharam dinheiro no último ano com essas atividades (Roberto Carlos, Xuxa, Beto Carrero, Raça Negra, Zezé di Camargo & Luciano, Leandro e Leonardo, Jô Soares, Angélica, Tom Cavalcante, Fábio Júnior, Chitãozinho e Xororó, Miguel Falabella e os Mamonas Assassinas, tragicamente desaparecidos num acidente aéreo).

Decorre dessa lucratividade dos shows o fato de que nove dos vinte integrantes da lista estejam de alguma forma ligados à música, se computarmos Xuxa e Angélica, que também lançam discos. Fazer shows no Brasil é uma atividade fabulosamente lucrativa. Primeiro, pelo tamanho do país. Uma turnê nacional de um artista brasileiro chega a 120 shows, número que um artista europeu só igualaria se percorresse, numa turnê internacional, a maioria dos quinze países da União Européia. O segundo motivo que transforma o show em negócio biliardário é o número e o tamanho das casas existentes para esses espetáculos. Há dez com capacidade acima de 1 500 pessoas e mais uma infinidade de ginásios espalhados pelo país. No caso dos músicos, as turnês chegam a corresponder a 80% de seus ganhos. O resto fica quase que exclusivamente com a vendagem de discos. É irrisória a porção que vem de direitos autorais, porque a arrecadação costuma ser baixa no Brasil. Roberto Carlos, que é autor de centenas de músicas de sucesso, fatura com isso cerca de 25 000 do 1,1 milhão de reais que embolsa por mês - cifra destinada à mesada que o rei paga à sua mãe, Laura.

FILÉ - Para fazer jus a rendimentos tão bons, os artistas trabalham como loucos. Uma turnê de shows ou uma excursão teatral é uma atividade exaustiva, que exige viagens quase que diárias e envolve um desgaste considerável. O dinheiro arrecadado com campanhas publicitárias ou merchandising é igualmente polpudo e vem com um esforço um pouco menor. É por causa de merchandising que Gugu Liberato é o primeiro da lista. Ele tem o melhor contrato da televisão brasileira porque tem direito, ele próprio, a comercializar 12% do merchandising de seu programa. Por merchandising entendam-se aquelas propagandas que o artista faz no meio de seu programa, emprestando a própria credibilidade ao produto que anuncia. No Domingo Legal, que apresenta no SBT, Gugu fala de coisas como tempero Sakura, pomada Minâncora, seguros de saúde Blue Life, meias Lupo e o leite fermentado Yakult. Seu outro programa, Sabadão Sertanejo, não tem merchandising. Com isso, acrescenta ao seu salário básico de 45 000 reais cerca de 1,2 milhão. Só ele, na televisão brasileira, morde tanto. Os demais artistas ganham porcentagem sobre o merchandising. Faustão fatura algo em torno de 160 000 reais por mês com essa atividade. Roberto Carlos é outro que subiu ao pódio graças a um contrato publicitário com uma multinacional, a Nestlé. Com esse contrato, ele embolsou 4 milhões de reais, praticamente o mesmo que ganhou durante o ano inteiro fazendo shows (4,26 milhões).

Como se vê, no caso da televisão, o grosso dos rendimentos vem de participações em merchandising, que, principalmente no caso dos animadores, são uma recompensa à fantástica lucratividade de seus programas. Faustão ganha cerca de 2,4 milhões de reais por ano, mas, no mesmo período, seu programa fatura em torno de 60 milhões, o mesmo que o de Silvio Santos. O de Gugu fatura a metade. São números expressivos. Para ter uma idéia, estima-se que a Globo fature, anualmente, cerca de 225 milhões de dólares com suas telenovelas, consideradas o filé mignon da emissora. Só que fazer novela é bem mais caro do que produzir um programa de auditório.

TOMATES - Outra característica da carreira artística é que, nela, é possível fazer dinheiro mais rápido do que praticamente em qualquer outra, e também ganhar aumentos impensáveis em outras profissões. Em 1985, os irmãos Luís José e Emival Etero plantavam tomates no interior de Goiás. Em 1988, cantavam em churrascarias de beira de estrada. Em 1990, graças à música Entre Tapas e Beijos, e já com os nomes de Leandro e Leonardo, ficaram milionários da noite para o dia. Destronados por Zezé di Camargo & Luciano, formam hoje a segunda dupla sertaneja do país, mas mesmo assim estão na lista, em oitavo lugar. Não plantam mais tomates e têm até uma bolacha de coco com seu nome. No início dos anos 80, Augusto Liberato era repórter do Programa Silvio Santos e ganhava o equivalente, hoje, a 1 000 reais por mês. Transformado em apresentador de uma hora para outra, melhorou de vida. Mas seu salário, num primeiro momento, era uma brincadeira perto do 1,5 milhão de hoje. Ganhava o equivalente a 4 000 reais por mês. De aumento em aumento, continuou escada acima, mas o degrau gigante só foi transposto em 1988, época em que a Globo tentou contratá-lo e Silvio contra-atacou a golpes de dólares.

Na mesma época em que os irmãos goianos plantavam tomate, Monica Buonfiglio ganhava a vida jogando búzios em feiras esotéricas de São Paulo. Há dois anos, escrevendo livros sobre anjos, virou um fenômeno do mercado editorial. Hoje ocupa o 12º lugar entre os mais bem pagos do show business brasileiro, embolsando por mês, em média, cerca de 200 000 reais.

ROYALTIES - Monica é um fenômeno que merece ser estudado mais de perto, porque é incrível que ganhe tanto dinheiro escrevendo livros sobre anjos. Não há, porém, nenhuma explicação celeste para tal cifra, a não ser talvez a ingenuidade do ser humano. No início, seus livros eram recusados por todas as editoras, pois se considerava que não tinham espaço nem no mercado esotérico. Sem escolha, Monica juntou um dinheiro e resolveu editar os próprios livros. Com o sucesso, hoje é ela quem recusa as propostas de editores. Melhor de tudo: seus ganhos não ficam restritos aos royalties, que chegam, no máximo, a 15% do preço de capa. É por esse motivo que entrou na lista. Ela fica com o lucro bruto, da ordem de 2,4 milhões de reais no ano passado, o que dá uma média de 200 000 reais por mês. Os royalties baixos explicam por que aparecem apenas três representantes do segmento “livros” na lista. Nenhum deles ficou milionário com os royalties nacionais. Monica Buonfiglio deve sua fortuna ao fato de ser dona da própria editora. O fenômeno Paulo Coelho, o sétimo colocado, embolsou 2 milhões de dólares pelos direitos de vendagem de seus livros no exterior. Lair Ribeiro, meio em baixa nas livrarias - há muito tempo seus títulos não aparecem entre os mais vendidos -, continuou ganhando dinheiro com suas palestras e com a venda de seus produtos no formato fascículo ou fita cassete.

A passagem súbita, no caso dos artistas, do status de assalariado para o de milionário se deve em parte ao fato de que, para chegar ao sucesso, talento não é tudo. A fórmula do sucesso, se existisse, poderia ser equacionada, de maneira simples, nos termos talento mais oportunidade. Xuxa iniciou sua carreira como muitas modelos fotográficas: posando ao lado de gente famosa, fazendo pequenos papéis em filmes, tirando fotos desinibidas para revistas. Provavelmente não sairia desse círculo se em 1983 as emissoras de televisão não estivessem investindo em programas infantis para atender à demanda de um tipo específico de telespectador, a criança, e de um gênero também determinado de anunciante: as fábricas de brinquedos. Com todo seu talento para trabalhar nesse segmento, Xuxa provavelmente não seria a Xuxa se tivesse aparecido hoje, quando a indústria de brinquedos está em crise com a concorrência dos importados e os programas infantis estão perdendo terreno na televisão. Tanto que a maior parte do que Xuxa faturou no ano passado (veja quadro à pág. 135) não foi com televisão, mas com contratos de publicidade e merchandising.

Outro fenômeno interessante nesse mercado, no caso do artista que atua em mais de um meio, é como os ganhos de imagem crescem em progressão geométrica. Tom Cavalcante começou na televisão fazendo o João Canabrava da Escolinha do Professor Raimundo. Era um ilustre desconhecido. O prestígio ganho com o personagem, que se tornou o mais popular do programa, serviu para alavancar a carreira de Tom no teatro. No período pesquisado, faturou, em média, 150 000 reais por mês em shows. O sucesso de seu show estabeleceu o prestígio do comediante, que foi convidado para um papel mais nobre na Globo, o do mordomo Ribamar em Sai de Baixo. O programa acabou virando líder de audiência e o faturamento dos shows de Tom também aumentou. Está hoje em torno de 300 000 reais por mês. O prestígio no palco e na tela acabou contribuindo também para uma elevação enorme do seu salário na emissora carioca, de 7 000 reais mensais para 40 000.

Na lista dos vinte mais nota-se também que ela é composta, basicamente, por artistas ditos “populares”. Na música, nada de Chico Buarque, Gilberto Gil ou Djavan. Estão lá Chitãozinho e Xororó, Zezé di Camargo & Luciano, Raça Negra, Fábio Júnior. Se se fizesse uma lista dessa todos os anos, na área musical provavelmente se repetiriam os nomes de Roberto Carlos e os dos sertanejos. Roberto porque é Roberto, e os sertanejos porque no mercado de shows - que é, como já se disse, o que dá sustentação a um artista - são eles que têm o público mais fiel. Contam com o mercado fixo das exposições de gado e dos ginásios do interior. Além desses nomes, entraram também os grupos “da hora”, ou seja, os que fazem a música do momento. No período pesquisado, foram Raça Negra e Mamonas Assassinas. No caso do Raça Negra, sucesso em cima do modismo do sambalanço, nada garante que estarão na lista do ano que vem, quando o som da moda for outro.

ROUPÕES - Nessa linha popular está também a grande surpresa da lista: o quarto lugar de Beto Carrero. Ele é um dos poucos nomes entre os vinte que não aparece a toda hora na televisão e na imprensa. Aliás, seu nome verdadeiro não é nem Beto Carrero. É João Batista Sérgio Murad. Paulista de São José do Rio Preto, Carrero, que faz o gênero caubói de rodeio, embolsa cerca de 450 000 reais por mês, aos 52 anos de idade. O grosso de seus rendimentos veio dos shows circenses com os quais percorre o Brasil. É dono de quatro circos, dois com o nome de Montecarlo e outros dois chamados de Circo de Moscou. Também fatura um bom dinheiro com a venda de uma série televisiva de números de circo para países como Itália, Alemanha, Espanha, Portugal e México. Se fossem computados também ganhos fora da carreira artística é possível que Beto estivesse mais bem colocado ainda. Tem uma fortuna pessoal estimada em 50 milhões de reais, agência de publicidade, estúdio de TV, fazendas no Mato Grosso que somam 15 000 hectares, 10 000 cabeças de gado, um frigorífico, uma empresa de promoções em sociedade com Gugu Liberato e Renato Aragão. Ganha também royalties sobre uma gama de 480 produtos fabricados, de roupões de banho a brinquedos, com a marca Beto Carrero, e vendidos principalmente no seu parque Beto Carrero World, em Santa Catarina. Somando tudo isso, chegaria à faixa do milhão mensal que permitiu a Gugu, Roberto Carlos e Xuxa o acesso ao pódio.

Embora sejam eloqüentes, os números do show biz brasileiro ainda estão longe do mercado americano. Para isso, basta comparar os valores da lista nacional com os apurados pela Forbes. Em 1995, os Rolling Stones ganharam a fortuna de 71 milhões de dólares. Um artista-solo como Michael Jackson faturou 45 milhões. É quase quatro vezes o campeão brasileiro na área, Roberto Carlos. Claro: o mercado musical americano movimentou, no ano passado, 12 bilhões de dólares. O brasileiro, 800 milhões. Os contratos publicitários também são bem melhores. Para ceder uma única música, Start Me Up, para ser utilizada pela Microsoft em sua nova versão do programa Windows, os Rolling Stones ganharam 4 milhões de dólares - o mesmo valor que Roberto Carlos ganhou da Nestlé para fazer publicidade da empresa durante um ano inteiro. Mas o campeão brasileiro, Gugu Liberato, tem um salário de nível internacional. David Letterman, apresentador de um popular programa de entrevistas diário na NBC americana, transmitido no Brasil pela TVA, fatura 14 milhões de dólares por ano. Está, portanto, abaixo dos 18 milhões faturados por Antonio Augusto Liberato, o ex-repórter que no início da carreira ganhava 1 000 reais por mês.


Os 20 Mais

A média estimada de ganhos dos artistas
que mais faturaram entre maio de 1995
e abril de 1996, em reais

- Gugu (TV) 1,5 milhão
- Roberto Carlos (Música) 1,1 milhão
- Xuxa (TV) 1 milhão
- Beto Carrero (Show circense) 450 000
- Raça Negra (Música) 410 000
- Zezé di Camargo & Luciano (Música) 356 000
- Paulo Coelho (Literatura Esotérica) 350 000
- Leandro & Leonardo (Música) 315 000
- Mamonas Assassinas (Música) 275 000
10º - Jô Soares (Teatro, TV, literatura) 228 000
11º - Fausto Silva (TV) 208 000
12º - Monica Buonfiglio (Literatura esotérica) 200 000
13º - Angélica (TV) 196 000
14º - Tom Cavalcante (TV e teatro) 195 000
15º - Fábio Jr. (Música e TV) 194 000
16º - Chitãozinho & Xororó (Música) 190 000
17º - Eli Correa (Rádio) 170 000
18º - Lair Ribeiro (Literatura de auto-ajuda) 160 000
19º - Benedito Ruy Barbosa (TV) 150 000
20º - Miguel Falabella (TV e teatro) 140 000


Liderança absoluta

Em matéria de salário, Silvio Santos é o maior

O hors-concours Silvio Santos é dono do maior salário do show biz brasileiro. Somente para apresentar seu programa dominical no SBT, ele embolsa, mensalmente, a bolada de 1,5 milhão de dólares - exatamente o que ganha Gugu Liberato somando-se todos os rendimentos que tem com o uso de sua imagem. Se fosse incluído na lista de VEJA, Silvio apareceria com uma média mensal de 3,5 milhões de dólares. O restante da bolada, 2 milhões, viria de comerciais que ele faz para empresas do seu próprio grupo, como o Baú da Felicidade e a TeleSena. Fazendo-se as contas, para cada minuto de propaganda que faz, Silvio Santos ganha algo equivalente a um Uno Mille zero-quilômetro, ou seja, cerca de 10 000.

Silvio ficou fora da lista porque recebe um salário acima dos valores de mercado, segundo estimativas de executivos de empresas concorrentes e do mercado publicitário. Isso significa que, se trabalhasse na Globo ou na Record, jamais ganharia 1,5 milhão por mês para apresentar um programa dominical. Esse valor é alto demais para um apresentador. Até mesmo para um como Silvio Santos, que fica seis horas em média no ar por domingo, tem o prestígio que acumulou em 35 anos de televisão e fatura anualmente com o programa cerca de 60 milhões de reais. Ele arrecada sozinho cerca de 20% do faturamento total do SBT, de 322 milhões de reais. Ao todo, o grupo Silvio Santos, com 26 empresas e 6 000 funcionários, faturou 1,4 bilhão de reais no ano passado.

FONTES DE RENDA - Além dos ganhos de imagem, Silvio Santos tem outras três fontes de renda: como acionista do Grupo SS, em aplicações financeiras e em rendimentos com imóveis. Tudo isso está discriminado na declaração de renda do apresentador, que, depois de uma auditoria feita em 1993, foi considerada pela Receita Federal um primor de correção. Em 1994, os brasileiros ficaram surpresos ao descobrir que Silvio Santos era a pessoa física no país que pagava mais imposto de renda, apesar de não ser necessariamente a mais rica. É possível que continue sendo. Consta em sua declaração do ano passado que o Silvio Santos pessoa física embolsou, no período, 62,7 milhões de reais. O Leão mordeu cerca de 19 milhões desse total.

Silvio Santos é do tempo em que carreira na televisão não era tão meteórica quanto nos dias de hoje. O apresentador saiu do nada. Foi camelô, radialista, animador de um programa dominical na Globo, depois ganhou uma concessão de TV e só a partir daí construiu seu império. O Silvio Santos empresário acha que a tendência é que os salários na televisão subam cada vez mais. “A televisão brasileira cresceu rapidamente e não tem, hoje em dia, profissionais experientes para suprir a demanda em todas as áreas”, disse o apresentador a VEJA. “Com um mínimo de concorrência na área de novelas, os artistas conseguiram mudar o patamar de seus cachês.” Ele concorda que, mesmo com a elevação dos ganhos, dificilmente algum artista irá chegar ao seu próprio nível de rendimentos, com uma única exceção: “O Gugu caminha nessa direção. Perdi as rédeas do salário dele”.

 
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