| Os
ricos e famosos
Quem
são os vinte que mais faturam
no meio artístico no Brasil, quanto eles
ganham e como chegaram ao topo
Neuza
Sanches e Angela Pimenta
No
Brasil, quando se pergunta a uma criança o que vai
ser quando crescer e ela responde artista, os
pais costumam torcer o nariz. Essa ocupação,
com todo o romantismo que a cerca, costuma ser associada a
falta de emprego fixo, a contracheque sem valor definido no
final do mês. Esses problemas que afligem a maior parte
dos atores, escritores ou músicos transformam-se em
vantagens quando um artista é daqueles que hipnotizam
as multidões. São pouquíssimos, mas esses
têm os bolsos estufados por fortunas que o homem comum,
assalariado, tem até dificuldade de imaginar. Não
há limites para seus ganhos, como mostra um levantamento
feito por VEJA dos mais bem pagos do show biz nacional. Campeão
da lista, o apresentador Gugu Liberato, do SBT, embolsa todo
mês, em média, 1,5 milhão de reais. Isso
equivale a 50 000 reais por dia. Um assalariado que ganhe
2 500 reais por mês levará cinqüenta anos
para atingir a renda mensal de Gugu, que ganha umas 35 vezes
mais do que um presidente de multinacional de grande porte
no Brasil. O cantor e compositor Roberto Carlos, o segundo
da lista, embolsa 1,1 milhão por mês. Xuxa, a
medalha de bronze, está na casa de 1 milhão.
Muitos artistas até têm holerite, mas em geral
o valor que vem expresso lá corresponde a uma porção
pequena de seus ganhos. Porque ser artista, nos dias atuais,
é ter como maior capital a própria imagem -
e esta pode render dividendos de várias formas diferentes,
na televisão, nos palcos, em livros, em shows, em comerciais
e em todas essas coisas somadas. Na lista publicada ao lado,
estão estimados os ganhos dos vinte mais no período
entre maio de 1995 e abril de 1996. O critério utilizado
foi inspirado no da revista americana Forbes, que faz todos
os anos uma lista parecida. Foram computados apenas os chamados
ganhos de imagem - ou seja, o que cada artista
fatura em sua especialidade acrescido do que ele ganha em
outros ramos por ser ele mesmo. No caso de Roberto Carlos,
o segundinho da relação, computou-se o que ele
ganha com discos e com shows. Somou-se também o que
ele fatura em comerciais de televisão - um ganho de
imagem, já que ele não seria convidado para
fazer propagandas se não fosse Roberto Carlos.
Deixaram-se
de lado seus investimentos paralelos em imóveis, concessionárias
de automóveis e franquias de fast foods - qualquer
pessoa pode fazer esse tipo de negócio e sair-se bem.
Não prenda o suspiro. É isso mesmo: o rei ganha,
como empresário, outro caminhão de dinheiro,
que por questões de método ficou fora desta
lista. O número que está aí ao lado,
1,1 milhão de reais, é uma estimativa do que
em média ele coloca limpinho no bolso todos os meses
- apenas sendo Roberto Carlos, em shows e discos. E Silvio
Santos, onde está ele? O sorridente do SBT seria o
primeirão, é claro. Embolsa todo mês a
fábula de 3,5 milhões de reais só com
ganhos derivados de sua imagem (veja quadro à pág.
139). Mas, sendo dono de emissora, não vale. Como patrão
de si mesmo, Silvio pode-se dar o salário que bem entender.
E se dá o que jamais pagaria a um funcionário.
MESADA - De um exame preliminar da lista decorrem logo
duas conclusões. A primeira, óbvia, é
de que a televisão é o veículo mais eficiente
para um artista valorizar seu capital - a imagem. Quase metade
dos vinte artistas da lista (Gugu, Roberto Carlos, Xuxa, Jô
Soares, Fausto Silva, Angélica, Tom Cavalcante, Fábio
Júnior, Miguel Falabella) está ligada à
TV por algum tipo de contrato. Mas nenhum deles tem como principal
fonte de rendimentos o salário que recebe da emissora.
Todos ganham mais com atividades paralelas ou com anúncios
comerciais e merchandising. A segunda conclusão é
esta: o que dá mais dinheiro a um artista, no Brasil,
é ir aonde o povo está, ou seja, fazer shows
e espetáculos teatrais. Treze dos vinte nomes da lista
ganharam dinheiro no último ano com essas atividades
(Roberto Carlos, Xuxa, Beto Carrero, Raça Negra, Zezé
di Camargo & Luciano, Leandro e Leonardo, Jô Soares,
Angélica, Tom Cavalcante, Fábio Júnior,
Chitãozinho e Xororó, Miguel Falabella e os
Mamonas Assassinas, tragicamente desaparecidos num acidente
aéreo).
Decorre dessa lucratividade dos shows o fato de que nove dos
vinte integrantes da lista estejam de alguma forma ligados
à música, se computarmos Xuxa e Angélica,
que também lançam discos. Fazer shows no Brasil
é uma atividade fabulosamente lucrativa. Primeiro,
pelo tamanho do país. Uma turnê nacional de um
artista brasileiro chega a 120 shows, número que um
artista europeu só igualaria se percorresse, numa turnê
internacional, a maioria dos quinze países da União
Européia. O segundo motivo que transforma o show em
negócio biliardário é o número
e o tamanho das casas existentes para esses espetáculos.
Há dez com capacidade acima de 1 500 pessoas e mais
uma infinidade de ginásios espalhados pelo país.
No caso dos músicos, as turnês chegam a corresponder
a 80% de seus ganhos. O resto fica quase que exclusivamente
com a vendagem de discos. É irrisória a porção
que vem de direitos autorais, porque a arrecadação
costuma ser baixa no Brasil. Roberto Carlos, que é
autor de centenas de músicas de sucesso, fatura com
isso cerca de 25 000 do 1,1 milhão de reais que embolsa
por mês - cifra destinada à mesada que o rei
paga à sua mãe, Laura.
FILÉ
- Para fazer jus a rendimentos tão bons, os artistas
trabalham como loucos. Uma turnê de shows ou uma excursão
teatral é uma atividade exaustiva, que exige viagens
quase que diárias e envolve um desgaste considerável.
O dinheiro arrecadado com campanhas publicitárias ou
merchandising é igualmente polpudo e vem com um esforço
um pouco menor. É por causa de merchandising que Gugu
Liberato é o primeiro da lista. Ele tem o melhor contrato
da televisão brasileira porque tem direito, ele próprio,
a comercializar 12% do merchandising de seu programa. Por
merchandising entendam-se aquelas propagandas que o artista
faz no meio de seu programa, emprestando a própria
credibilidade ao produto que anuncia. No Domingo Legal, que
apresenta no SBT, Gugu fala de coisas como tempero Sakura,
pomada Minâncora, seguros de saúde Blue Life,
meias Lupo e o leite fermentado Yakult. Seu outro programa,
Sabadão Sertanejo, não tem merchandising. Com
isso, acrescenta ao seu salário básico de 45
000 reais cerca de 1,2 milhão. Só ele, na televisão
brasileira, morde tanto. Os demais artistas ganham porcentagem
sobre o merchandising. Faustão fatura algo em torno
de 160 000 reais por mês com essa atividade. Roberto
Carlos é outro que subiu ao pódio graças
a um contrato publicitário com uma multinacional, a
Nestlé. Com esse contrato, ele embolsou 4 milhões
de reais, praticamente o mesmo que ganhou durante o ano inteiro
fazendo shows (4,26 milhões).
Como se vê, no caso da televisão, o grosso dos
rendimentos vem de participações em merchandising,
que, principalmente no caso dos animadores, são uma
recompensa à fantástica lucratividade de seus
programas. Faustão ganha cerca de 2,4 milhões
de reais por ano, mas, no mesmo período, seu programa
fatura em torno de 60 milhões, o mesmo que o de Silvio
Santos. O de Gugu fatura a metade. São números
expressivos. Para ter uma idéia, estima-se que a Globo
fature, anualmente, cerca de 225 milhões de dólares
com suas telenovelas, consideradas o filé mignon da
emissora. Só que fazer novela é bem mais caro
do que produzir um programa de auditório.
TOMATES
- Outra característica da carreira artística
é que, nela, é possível fazer dinheiro
mais rápido do que praticamente em qualquer outra,
e também ganhar aumentos impensáveis em outras
profissões. Em 1985, os irmãos Luís José
e Emival Etero plantavam tomates no interior de Goiás.
Em 1988, cantavam em churrascarias de beira de estrada. Em
1990, graças à música Entre Tapas e Beijos,
e já com os nomes de Leandro e Leonardo, ficaram milionários
da noite para o dia. Destronados por Zezé di Camargo
& Luciano, formam hoje a segunda dupla sertaneja do país,
mas mesmo assim estão na lista, em oitavo lugar. Não
plantam mais tomates e têm até uma bolacha de
coco com seu nome. No início dos anos 80, Augusto Liberato
era repórter do Programa Silvio Santos e ganhava o
equivalente, hoje, a 1 000 reais por mês. Transformado
em apresentador de uma hora para outra, melhorou de vida.
Mas seu salário, num primeiro momento, era uma brincadeira
perto do 1,5 milhão de hoje. Ganhava o equivalente
a 4 000 reais por mês. De aumento em aumento, continuou
escada acima, mas o degrau gigante só foi transposto
em 1988, época em que a Globo tentou contratá-lo
e Silvio contra-atacou a golpes de dólares.
Na
mesma época em que os irmãos goianos plantavam
tomate, Monica Buonfiglio ganhava a vida jogando búzios
em feiras esotéricas de São Paulo. Há
dois anos, escrevendo livros sobre anjos, virou um fenômeno
do mercado editorial. Hoje ocupa o 12º lugar entre os
mais bem pagos do show business brasileiro, embolsando por
mês, em média, cerca de 200 000 reais.
ROYALTIES - Monica é um fenômeno que merece
ser estudado mais de perto, porque é incrível
que ganhe tanto dinheiro escrevendo livros sobre anjos. Não
há, porém, nenhuma explicação
celeste para tal cifra, a não ser talvez a ingenuidade
do ser humano. No início, seus livros eram recusados
por todas as editoras, pois se considerava que não
tinham espaço nem no mercado esotérico. Sem
escolha, Monica juntou um dinheiro e resolveu editar os próprios
livros. Com o sucesso, hoje é ela quem recusa as propostas
de editores. Melhor de tudo: seus ganhos não ficam
restritos aos royalties, que chegam, no máximo, a 15%
do preço de capa. É por esse motivo que entrou
na lista. Ela fica com o lucro bruto, da ordem de 2,4 milhões
de reais no ano passado, o que dá uma média
de 200 000 reais por mês. Os royalties baixos explicam
por que aparecem apenas três representantes do segmento
livros na lista. Nenhum deles ficou milionário
com os royalties nacionais. Monica Buonfiglio deve sua fortuna
ao fato de ser dona da própria editora. O fenômeno
Paulo Coelho, o sétimo colocado, embolsou 2 milhões
de dólares pelos direitos de vendagem de seus livros
no exterior. Lair Ribeiro, meio em baixa nas livrarias - há
muito tempo seus títulos não aparecem entre
os mais vendidos -, continuou ganhando dinheiro com suas palestras
e com a venda de seus produtos no formato fascículo
ou fita cassete.
A
passagem súbita, no caso dos artistas, do status de
assalariado para o de milionário se deve em parte ao
fato de que, para chegar ao sucesso, talento não é
tudo. A fórmula do sucesso, se existisse, poderia ser
equacionada, de maneira simples, nos termos talento mais oportunidade.
Xuxa iniciou sua carreira como muitas modelos fotográficas:
posando ao lado de gente famosa, fazendo pequenos papéis
em filmes, tirando fotos desinibidas para revistas. Provavelmente
não sairia desse círculo se em 1983 as emissoras
de televisão não estivessem investindo em programas
infantis para atender à demanda de um tipo específico
de telespectador, a criança, e de um gênero também
determinado de anunciante: as fábricas de brinquedos.
Com todo seu talento para trabalhar nesse segmento, Xuxa provavelmente
não seria a Xuxa se tivesse aparecido hoje, quando
a indústria de brinquedos está em crise com
a concorrência dos importados e os programas infantis
estão perdendo terreno na televisão. Tanto que
a maior parte do que Xuxa faturou no ano passado (veja quadro
à pág. 135) não foi com televisão,
mas com contratos de publicidade e merchandising.
Outro fenômeno interessante nesse mercado, no caso do
artista que atua em mais de um meio, é como os ganhos
de imagem crescem em progressão geométrica.
Tom Cavalcante começou na televisão fazendo
o João Canabrava da Escolinha do Professor Raimundo.
Era um ilustre desconhecido. O prestígio ganho com
o personagem, que se tornou o mais popular do programa, serviu
para alavancar a carreira de Tom no teatro. No período
pesquisado, faturou, em média, 150 000 reais por mês
em shows. O sucesso de seu show estabeleceu o prestígio
do comediante, que foi convidado para um papel mais nobre
na Globo, o do mordomo Ribamar em Sai de Baixo. O programa
acabou virando líder de audiência e o faturamento
dos shows de Tom também aumentou. Está hoje
em torno de 300 000 reais por mês. O prestígio
no palco e na tela acabou contribuindo também para
uma elevação enorme do seu salário na
emissora carioca, de 7 000 reais mensais para 40 000.
Na lista dos vinte mais nota-se também que ela é
composta, basicamente, por artistas ditos populares.
Na música, nada de Chico Buarque, Gilberto Gil ou Djavan.
Estão lá Chitãozinho e Xororó,
Zezé di Camargo & Luciano, Raça Negra, Fábio
Júnior. Se se fizesse uma lista dessa todos os anos,
na área musical provavelmente se repetiriam os nomes
de Roberto Carlos e os dos sertanejos. Roberto porque é
Roberto, e os sertanejos porque no mercado de shows - que
é, como já se disse, o que dá sustentação
a um artista - são eles que têm o público
mais fiel. Contam com o mercado fixo das exposições
de gado e dos ginásios do interior. Além desses
nomes, entraram também os grupos da hora,
ou seja, os que fazem a música do momento. No período
pesquisado, foram Raça Negra e Mamonas Assassinas.
No caso do Raça Negra, sucesso em cima do modismo do
sambalanço, nada garante que estarão na lista
do ano que vem, quando o som da moda for outro.
ROUPÕES - Nessa linha popular está também
a grande surpresa da lista: o quarto lugar de Beto Carrero.
Ele é um dos poucos nomes entre os vinte que não
aparece a toda hora na televisão e na imprensa. Aliás,
seu nome verdadeiro não é nem Beto Carrero.
É João Batista Sérgio Murad. Paulista
de São José do Rio Preto, Carrero, que faz o
gênero caubói de rodeio, embolsa cerca de 450
000 reais por mês, aos 52 anos de idade. O grosso de
seus rendimentos veio dos shows circenses com os quais percorre
o Brasil. É dono de quatro circos, dois com o nome
de Montecarlo e outros dois chamados de Circo de Moscou. Também
fatura um bom dinheiro com a venda de uma série televisiva
de números de circo para países como Itália,
Alemanha, Espanha, Portugal e México. Se fossem computados
também ganhos fora da carreira artística é
possível que Beto estivesse mais bem colocado ainda.
Tem uma fortuna pessoal estimada em 50 milhões de reais,
agência de publicidade, estúdio de TV, fazendas
no Mato Grosso que somam 15 000 hectares, 10 000 cabeças
de gado, um frigorífico, uma empresa de promoções
em sociedade com Gugu Liberato e Renato Aragão. Ganha
também royalties sobre uma gama de 480 produtos fabricados,
de roupões de banho a brinquedos, com a marca Beto
Carrero, e vendidos principalmente no seu parque Beto Carrero
World, em Santa Catarina. Somando tudo isso, chegaria à
faixa do milhão mensal que permitiu a Gugu, Roberto
Carlos e Xuxa o acesso ao pódio.
Embora sejam eloqüentes, os números do show biz
brasileiro ainda estão longe do mercado americano.
Para isso, basta comparar os valores da lista nacional com
os apurados pela Forbes. Em 1995, os Rolling Stones ganharam
a fortuna de 71 milhões de dólares. Um artista-solo
como Michael Jackson faturou 45 milhões. É quase
quatro vezes o campeão brasileiro na área, Roberto
Carlos. Claro: o mercado musical americano movimentou, no
ano passado, 12 bilhões de dólares. O brasileiro,
800 milhões. Os contratos publicitários também
são bem melhores. Para ceder uma única música,
Start Me Up, para ser utilizada pela Microsoft em sua nova
versão do programa Windows, os Rolling Stones ganharam
4 milhões de dólares - o mesmo valor que Roberto
Carlos ganhou da Nestlé para fazer publicidade da empresa
durante um ano inteiro. Mas o campeão brasileiro, Gugu
Liberato, tem um salário de nível internacional.
David Letterman, apresentador de um popular programa de entrevistas
diário na NBC americana, transmitido no Brasil pela
TVA, fatura 14 milhões de dólares por ano. Está,
portanto, abaixo dos 18 milhões faturados por Antonio
Augusto Liberato, o ex-repórter que no início
da carreira ganhava 1 000 reais por mês.
Os 20 Mais
A
média estimada de ganhos dos artistas
que mais faturaram entre maio de 1995
e abril de 1996, em reais
1º - Gugu (TV) 1,5 milhão
2º - Roberto Carlos (Música) 1,1 milhão
3º - Xuxa (TV) 1 milhão
4º - Beto Carrero (Show circense) 450 000
5º - Raça Negra (Música) 410 000
6º - Zezé di Camargo & Luciano (Música)
356 000
7º - Paulo Coelho (Literatura Esotérica)
350 000
8º - Leandro & Leonardo (Música) 315
000
9º - Mamonas Assassinas (Música) 275 000
10º - Jô Soares (Teatro, TV, literatura)
228 000
11º - Fausto Silva (TV) 208 000
12º - Monica Buonfiglio (Literatura esotérica)
200 000
13º - Angélica (TV) 196 000
14º - Tom Cavalcante (TV e teatro) 195 000
15º - Fábio Jr. (Música e TV) 194
000
16º - Chitãozinho & Xororó (Música)
190 000
17º - Eli Correa (Rádio) 170 000
18º - Lair Ribeiro (Literatura de auto-ajuda)
160 000
19º - Benedito Ruy Barbosa (TV) 150 000
20º - Miguel Falabella (TV e teatro) 140 000
Liderança absoluta
Em
matéria de salário, Silvio Santos é o
maior
O hors-concours Silvio Santos é dono do maior salário
do show biz brasileiro. Somente para apresentar seu programa
dominical no SBT, ele embolsa, mensalmente, a bolada de 1,5
milhão de dólares - exatamente o que ganha Gugu
Liberato somando-se todos os rendimentos que tem com o uso
de sua imagem. Se fosse incluído na lista de VEJA,
Silvio apareceria com uma média mensal de 3,5 milhões
de dólares. O restante da bolada, 2 milhões,
viria de comerciais que ele faz para empresas do seu próprio
grupo, como o Baú da Felicidade e a TeleSena. Fazendo-se
as contas, para cada minuto de propaganda que faz, Silvio
Santos ganha algo equivalente a um Uno Mille zero-quilômetro,
ou seja, cerca de 10 000.
Silvio ficou fora da lista porque recebe um salário
acima dos valores de mercado, segundo estimativas de executivos
de empresas concorrentes e do mercado publicitário.
Isso significa que, se trabalhasse na Globo ou na Record,
jamais ganharia 1,5 milhão por mês para apresentar
um programa dominical. Esse valor é alto demais para
um apresentador. Até mesmo para um como Silvio Santos,
que fica seis horas em média no ar por domingo, tem
o prestígio que acumulou em 35 anos de televisão
e fatura anualmente com o programa cerca de 60 milhões
de reais. Ele arrecada sozinho cerca de 20% do faturamento
total do SBT, de 322 milhões de reais. Ao todo, o grupo
Silvio Santos, com 26 empresas e 6 000 funcionários,
faturou 1,4 bilhão de reais no ano passado.
FONTES DE RENDA - Além dos ganhos de imagem,
Silvio Santos tem outras três fontes de renda: como
acionista do Grupo SS, em aplicações financeiras
e em rendimentos com imóveis. Tudo isso está
discriminado na declaração de renda do apresentador,
que, depois de uma auditoria feita em 1993, foi considerada
pela Receita Federal um primor de correção.
Em 1994, os brasileiros ficaram surpresos ao descobrir que
Silvio Santos era a pessoa física no país que
pagava mais imposto de renda, apesar de não ser necessariamente
a mais rica. É possível que continue sendo.
Consta em sua declaração do ano passado que
o Silvio Santos pessoa física embolsou, no período,
62,7 milhões de reais. O Leão mordeu cerca de
19 milhões desse total.
Silvio
Santos é do tempo em que carreira na televisão
não era tão meteórica quanto nos dias
de hoje. O apresentador saiu do nada. Foi camelô, radialista,
animador de um programa dominical na Globo, depois ganhou
uma concessão de TV e só a partir daí
construiu seu império. O Silvio Santos empresário
acha que a tendência é que os salários
na televisão subam cada vez mais. A televisão
brasileira cresceu rapidamente e não tem, hoje em dia,
profissionais experientes para suprir a demanda em todas as
áreas, disse o apresentador a VEJA. Com
um mínimo de concorrência na área de novelas,
os artistas conseguiram mudar o patamar de seus cachês.
Ele concorda que, mesmo com a elevação dos ganhos,
dificilmente algum artista irá chegar ao seu próprio
nível de rendimentos, com uma única exceção:
O Gugu caminha nessa direção. Perdi as
rédeas do salário dele.
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