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Entrevista: Jason Gulbin
Especialista em esportes, o médico Jason Gulbin coordena
o Programa Nacional de Identificação e Desenvolvimento
de Talentos do Instituto Australiano de Esportes, que se baseia
em características genéticas para selecionar e desenvolver
futuros campeões. Nesta entrevista, ele explica a VEJA como
o programa funciona:
VEJA
- Qual é a idéia principal do programa?
Gulbin - Partimos da premissa de que a habilidade esportiva
de cada um vem em grande parte dos genes e um pouco do ambiente.
A partir daí, procuramos identificar prováveis talentos.
VEJA
- Quando começou o programa?
Gulbin - Ele foi criado em 1994, mas em 1989 já fazíamos
os primeiros testes para identificar talentos para a prática
de remo. Em 1996, um dos nossos alunos ganhou uma medalha. Em 1993,
em outro teste inicial, selecionamos 25 ciclistas. Três delas
se tornaram campeãs júnior e uma participou da última
Olimpíada.
VEJA
- Como funciona o programa?
Gulbin - Em cada estado da Austrália há um coordenador,
que convida os professores de educação física
das escolas secundárias locais a testarem seus alunos e mandarem
os dados para eles. Este processo é chamado de fase 1. Na
fase 2, o coordenador convida os alunos colocados entre os 2% melhores
para novos exames, desta vez conduzidos pelos coordenadores. Os
que se saírem melhor são convidados a treinar conosco
um esporte específico, de acordo com seu talento (fase 3).
VEJA
- Uma vez selecionadas, qual a garantia de que os atletas terão
sucesso naquele esporte?
Gulbin - Não há garantia. Não basta encontrar
alguém com as características genéticas perfeitas.
Tem que dar o treinamento certo, a ajuda necessária, a melhor
estratégia de competição, ou ele não
chegará a lugar algum. A parte de desenvolvimento é
importantíssima no programa. Não caçamos só
os talentos, nós os nutrimos também.
VEJA
- Qual a idade mínima que um estudante deve ter para participar
do programa?
GULBIN - Entre 12 e 13 anos. Evitamos pegar garotos muito novos,
para não prejudicar seu desempenho escolar.
VEJA - Quantos já foram testados até hoje?
Gulbin - Mais de 350 mil já passaram pela fase 1. Destes,
35 mil chegaram à fase 2 e 3.500 à fase 3. No total,
tivemos cerca de 500 campeões nacionais, o que é um
resultado muito bom.
VEJA
- Quem financia o programa?
Gulbin - Metade do dinheiro vem do governo federal
e a outra metade, dos estaduais.
VEJA
- Com quantos esportes vocês trabalham hoje?
Gulbin - São trinta modalidades, entre elas
remo, triatlon, canoagem, ciclismo, atletismo, vôlei, futebol
feminino e masculino e hóquei.
VEJA
- Quais as características ideais para quem quer ser levantador
de peso, por exemplo?
Gulbin - Primeiro, ser baixo. Se for muito alto, o
peso terá um caminho longo a percorrer. Para um garoto de
17 anos, a altura ideal é por volta de 1,67 metro. Outra
característica importante é o tamanho do tronco (da
cintura para cima). O ideal é tronco longo e pernas mais
curtas, porque é mais estável e está mais próximo
do chão. Também ajuda se a pessoa tiver braços
curtos. Grande explosão nas pernas é importante -
se, ao pular, aquele garoto de 17 anos alcançar 60 centímetros
de altura, estará bem colocado. Ser rápido e ter força
no abdôme também faz diferença.
VEJA
- E para um maratonista?
Gulbin - A avaliação principal do candidato
a maratonista é o teste de corrida à exaustão.
Outra característica importante é ter pouca massa
corporal. A pessoa tem que ser leve, para não carregar muito
peso enquanto corre.
VEJA
- Natação?
Gulbin - Confesso que não tivemos muito sucesso
com a natação. É um esporte em que as pessoas
desenvolvem sua capacidade desde muito cedo e nós não
costumamos pegar atletas muito jovens. Quem bóia com facilidade
também se move na água mais facilmente, mas os nadadores
velozes são muito musculosos e não flutuam tão
bem. De uma forma geral, o nadador deve ser alto, ter braços
compridos, força na parte superior do corpo, boa resistência
aeróbia e boa técnica.
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