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Gustavo
Poloni [e-mail:
hipertexto@abril.com.br]
Assim é fácil ser líder
A
Microsoft se livrou de um fantasma que rondava o seu quartel general em
Redmond, nos Estados Unidos. No começo de setembro, o Departamento de
Justiça americano desistiu de dividir a fabricante de software em duas
empresas. A ordem de divisão quase foi dada como sentença em um processo
que acusa Bill Gates de práticas desleais contra concorrentes. O processo
continua tramitando na Justiça, mas sem risco de resultar em um veredicto
mais duro. Com a decisão, a Microsoft voltou a despejar força total no
novo sistema operacional Windows XP, que será oficialmente lançado em
25 de outubro.
Mas parece
que Gates não aprendeu a lição. Ele embutiu no novo XP o programa Windows
Media Player (WMP), que toca música e roda vídeos digitalizados. Ao fazer
isso, praticamente obriga os usuários do Windows a usar o WMP. A "venda
casada" é uma garantia de liderança de mercado para o Media Player, já
que o Windows equipa nove entre dez micros do planeta.
Quem não
gostou nada da novidade foi a RealNetworks. Fabricante do Real Player,
o maior concorrente do WMP, a empresa entrou na Justiça contra a Microsoft,
acusando-a de concorrência desleal e monopólio. Para alguns, pode estar
começando uma nova batalha que coloca em risco a hegemonia da Microsoft.
Mas muita gente acha que o processo não vai dar em nada. Afinal, a Justiça
já deu sinais de que não vê nada de muito grave no
métodos de Gates. Assim, ele poderá continuar usando as
mesmas práticas para se manter na liderança.
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Hiperpapo
Problemas à vista
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O
mercado de tecnologia vai sentir os efeitos dos atentados terroristas
que atingiram os Estados Unidos no último dia 11 de setembro. A
opinião é de John Gantz, analista da IDC, uma das maiores consultorias
do mundo, que estará em outubro no Brasil para o evento de tecnologia
Directions, 2001. Em entrevista a VEJA, ele falou sobre o futuro
do mercado.
VEJA O sucesso como fonte de informação
depois dos atentados pode dar um fôlego para a internet?
Gantz Os atentados ressaltaram o valor da rede e dos
telefones celulares. Mas é pouco provável que isso
faça com que as empresas pontocom consigam uma nova rodada
de investimentos. Por outro lado, o comércio eletrônico
deve continuar crescendo mesmo depois dos ataques.
VEJA
Quais empresas podem se dar bem e quais se complicam num
momento de crise como o atual?
Gantz Obviamente, as companhias aéreas e a
indústria de turismo terão problemas. Se a economia
continuar desaquecida, outros negócios também sofrerão.
No mercado de tecnologia, o setor de serviços é o
que pode sai ganhando. PCs e outros componentes de computadores
podem afundar.
VEJA
As empresas terão dinheiro para investir em tecnologia?
Gantz Se falarmos dos equipamentos e da estrutura
que foram destruídos nos atentados, a resposta é sim.
Elas serão obrigadas a fazer isso, uma vez que eram empresas
para as quais a tecnologia é essencial. Mas a falta de confiança
no futuro da economia pode fazer com que os gastos em tecnologia
caiam 2% neste ano e em 2002. Isso representa perda de 16 bilhões
de dólares para as fabricantes de computadores.
VEJA
A impressão do mercado e dos consumidores em relação
à internet após este episódio é mais
de utilidade ou de temor?
Gantz Acredito que a internet ainda é vista
como uma ferramenta positiva. Ela foi uma importante fonte de informação
durante os ataques. Claro que há preocupações
com segurança, mas nada que não existisse antes dos
atentados.
VEJA
O mercado de tecnologia, particularmente o de internet, pode
sucumbir ou pelo menos sair muito arranhado deste momento de poucos
recursos no mercado?
Gantz As empresas pontocom enfrentarão problemas
para levantar dinheiro - mas é um problema que já
enfrentam há mais de um ano.
VEJA
O exemplo de grandes empresas que perderam muito nos atentados
vai servir para o mercado se desestimular ou para, ao contrário,
investir mais ainda em tecnologia de informação?
Gantz As empresas farão investimentos adicionais
em tecnologia. Segurança, backup, controle de desastre, videoconferência
serão as áreas beneficiadas.
VEJA
Quando a internet surgiu, falou-se em menos viagens aéreas
e em executivos tomando mais decisões remotas. Essa febre
pode voltar?
Gantz Num primeiro momento, sim. Mas as viagens voltarão
ao normal com o passar do tempo.

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| Notas
Privacidade,
mas nem tanto
Desde
que a polícia americana descobriu que os terroristas podem ter usado
recursos como e-mails e grupos de discussão para acertar os ponteiros
dos atentados terroristas que atingiram os Estados Unidos, algumas
tecnologias estão sob suspeita e começam a ser rediscutidas. A principal
delas é a criptografia de mensagem, mecanismo que garante a privacidade
de um e-mail. O governo americano quer que as empresas de criptografia
entreguem a senha das mensagens suspeitas. A iniciativa é apoiada
pela população americana. Uma pesquisa mostra que, em nome da segurança,
54% dos cidadãos apoiariam a redução do sigilo de e-mails e telefonemas.
Os especialistas, no entanto, são contra as mudanças. Para Phil
Zimmermann, criador da ferramenta de criptografia mais usada nos
Estados Unidos, a sociedade americana decidiu que a tecnologia tinha
mais prós do que contras. "Mudá-la sob forte pressão emocional será
um grande erro", alerta.

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A Nasdaq emagreceu uma Bovespa.
Mas houve quem saiu ganhando
Desde
que o pregão eletrônico da Nasdaq voltou a funcionar após alguns
dias sem abrir as portas, as ações de algumas empresas não param
de cair. Ao todo, o índice já perdeu quase 160 bilhões de dólares
depois dos atentados terroristas que atingiram os Estados Unidos.
A perda é maior que o valor de todas as empresas listadas na Bolsa
de Valores de São Paulo, a Bovespa. Mas nem tudo é terra arrasada
na bolsa americana de empresas de alta tecnologia. Entre as 50 maiores
companhias cotadas na Nasdaq, algumas poucas tiveram suas ações
valorizadas depois dos atentados. Confira quais são elas na tabela
abaixo.


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Presidente durão e em forma
O
presidente americano George W. Bush assumiu uma postura firme, desde
que o país foi atingido por uma onda de ataques terroristas. Mas
nem todo mundo o está levando a sério. Bush é alvo de uma brincadeirinha
divertida num endereço de internet. O homem mais poderoso do mundo
aparece travestido de esportista, com camisa regata eshort, fazendo
exercícios físicos. Ao som de uma música de academia, é possível
vê-lo realizando alongamentos e exercícios para os glúteos. Alguns
movimentos, como aquele em que Bush rebola de um lado para o outro,
podem constranger o líder do país mais forte do mundo.

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Agora ou nunca
Depois
de algumas tentativas frustradas, parece que desta vez o serviço
pago do Napster, o programa de troca de música digitalizada, vai
sair do papel. A empresa fechou na semana passada um acordo de 26
milhões de dólares que prevê o pagamento dos direitos autorais dos
autores e compositores americanos. Mas a decisão pode ter chegado
tarde demais. Outros serviços de venda de música pela internet já
estão funcionando a pleno vapor. É o caso do da Microsoft, que vende
arquivos digitalizados por 1 real. Há cerca de 10.000 títulos de
canções brasileiras. Para estimular a venda, o programa oferece
downloads gratuitos de cantores como Frejat e Vinny. Na mesma linha,
a MusicNet desenvolveu um programa de venda de música com a concordância
da RealNetworks e de quatro grandes gravadoras. O cantor Peter Gabriel
anunciou que também está entrando no ramo de venda de música digitalizada
usando o programa OD2.

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Geléia geral
O
site Morango terá a sua própria modelo virtual até o final do ano.
E, já que ela é virtual e fabricada, terá as medidas preferidas
dos internautas. Quem visitar o site poderá acessar uma galeria
de fotos de musas como Adriane Galisteu, Sabrina Parlatore, Suzana
Werner, Luciana Gimenez entre tantas outras que posaram para
o site. Depois dessa inspiradora viagem, o internauta poderá juntar
o melhor de cada moça na modelo virtual dos seus sonhos. As partes
mais votadas serão uma espécie de molde para a modelo virtual do
Morango. A conferir, já que nem sempre o melhor de Galisteu, somado
ao melhor de Luciana, com o melhor de... resulta em uma criação
superior ao que cada uma delas é naturalmente.

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À prova de piratas
A
luta travada pela indústria fonográfica e os piratas de música digitalizada
acaba de ganhar um novo round. A Sony Music distribuiu na Inglaterra
um CD promocional do novo álbum do cantor Michael Jackson que a
gravadora garante ser à prova de cópias ilegais. A mágica do disco
You Rock My World é conseguida com a ajuda de um mecanismo
chamado key2audio, que impede que o disco seja reproduzido em CD-ROM
de computadores. A novidade ainda não tem prazo para ser usada em
discos comerciais. Mas é mais uma aposta da indústria para evitar
que as músicas sejam transformadas em arquivos digitalizados e trocadas
de forma impune pela internet.

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Nome e vida novos
O
mercado de publicações especializadas no mundo da tecnologia continua
agitado. Na semana passada, a AOL Time Warner e a editora IDG compraram
o título da versão americana da revista The Industry Standard
por 1,4 milhão de dólares. Retirada recentemente do mercado,
ela pode ganhar vida nova nas mãos dos novos donos. Já a revista
Ponto-com decidiu mudar de nome. A partir de agora, ela será
encontrada nas bancas com o título Poder. A explicação oficial
para a mudança: a revista quer cobrir toda a economia da América
Latina. O.k., mas com certeza a decisão de sepultar o antigo nome
é uma tentativa de desvincular a publicação da cambaleante economia
de internet.

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