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Especial
Um golpe da ciência
na raiz da dor
Nove em cada dez pacientes
crônicos
de dor de cabeça já podem obter alívio
para seus males
Foi a melhor notícia
que a imensa tribo de sofredores de um dos mais recorrentes
e atávicos males da humanidade, a dor de cabeça,
poderia ter recebido. Na semana passada, pesquisadores do
laboratório britânico Glaxo anunciaram ter chegado
à formulação final de uma nova droga,
batizada ainda com o número de código GR43175,
que se mostrou capaz em testes com voluntários de dissipar
as mais severas dores de cabeça vinculadas à
enxaqueca, uma torturante reação orgânica
que vitima quase 15 milhões de brasileiros. Os testes
clínicos; com o novo remédio vão tomar
ainda dois anos e, até ele aparecer nas prateleiras
das farmácias, estará raiando o ano de 1991.
Seu anúncio, no entanto, despertou euforia entre os
médicos exatamente porque a sintetização
da droga mostrou que um antigo segredo do funcionamento do
cérebro fora não apenas revelado mas dominado
pela ciência. "O sucesso nos testes com a GR43175
mostra que estamos no caminho certo na luta contra a dor de
cabeça", diz o pesquisador americano Neil Raskin,
professor de Neurologia da Universidade da Califórnia
em San Francisco. "Eis um inimigo que estamos derrotando
antes mesmo de conhecê-lo totalmente."
Os voluntários tratados
com o novo remédio viram sua dor de cabeça dissipar-se
em menos de 20 minutos. Para quem já se viu esmagado
pelo peso dessa dor teimosa, a perspectiva de cura instantânea
é uma bênção. "A luz dói,
andar dói, qualquer ruído dói, falar
dói", descreve a estudante paulista Ester Priscila
Solis Arantes, de 17 anos. "Há cinco anos venho
sofrendo e quando tenho crises mais fortes não consigo
fazer nada o dia inteiro." Ester, que já se consultou
com duas dezenas de médicos, está sendo tratada
com analgésicos e se submete uma vez por semana a uma
sessão de relaxamento pelo método conhecido
como biofeedback - que por meio de sensores e de um sistema
de áudio mostra ao paciente o grau de tensão
de seus músculos. Um fone de ouvido reproduz um zumbido
que é tanto maior quanto mais tenso está o paciente.
O jogo consiste em se concentrar para tentar fazer o ruído
sumir ou ficar reduzido a um tom agradável.
FERROADA - As 15 milhões
de vítimas da enxaqueca são apenas os alvos
mais freqüentes de um mal que se manifesta de muitas
outras maneiras. Quem nunca teve sequer uma dor de cabeça
merece uma menção nos anais da medicina. De
maneira regular ou esporádica, o mal atinge pelo menos
90 milhões de brasileiros. Na clínica diária,
os médicos recolhem testemunhos de pessoas que tiveram
dores de cabeça nas situações mais diversas.
Alguém acaba de degustar um copo de vinho, tomar um
sorvete ou saborear um prato de comida chinesa e, pronto,
lá vem ela devagar, num crescendo irritante que estraga
o dia. Outros têm dor de cabeça depois de uma
noite maldormida - ou porque dormiram 1 hora a mais do que
de costume. Ela pode dar suas ferroadas também em quem
força demais os olhos ou passa uma agradável
manhã tomando caipirinha na praia. Suas vítimas
prediletas, no entanto, são as pessoas tensas no trabalho,
no estudo - ou simplesmente tensas. Depois de um dia cheio,
a dose reconfortante de uísque no final da tarde quase
sempre vem acompanhada de dor de cabeça. Nove em cada
dez casos de dor de cabeça são de origem tensional.
Seja qual for a causa, a dor
de cabeça ocasiona um transtorno que atravessa os milênios
da civilização. "Registros históricos
de pessoas com dor de cabeça são tão
antigos quanto a roda e têm quase 6.000 anos",
diz Raskin. Também remotos são os remédios
sugeridos contra o mal. Os médicos do Egito Antigo
receitavam amarrar um crocodilo vivo sobre a cabeça
do paciente. Para impedir que o anfíbio devorasse seu
paciente, os médicos enchiam-lhe a mandíbula
de ervas sagradas. São também dolorosos os assentamentos
deixados por vítimas ilustres de dor de cabeça.
O general americano Ulysses Grant escreveu em seu diário
que cogitou em adiar em um dia a cerimônia em que aceitaria
a rendição dos exércitos sulistas rebeldes,
em 1965, por ter caído vítima de uma enxaqueca.
Grant passou a noite com os pés mergulhados num barril
de água fervente e com compressas de mostarda apertando-lhe
as têmporas.
Grant dizia que a dor era
paralisante "como se alguém tivesse enfiado um
dedo com toda força" em seus olhos. Tudo em vão.
O general se curou com a notícia de que o comandante
sulista, Robert Lee, aceitava incondicionalmente a rendição.
Vítimas foram também Madame de Pompadour, amante
oficial do rei Luis XV da França, o escritor russo
Leon Tolstoi, o dramaturgo irlandês George Bernard Shaw
e o francês Calvino, pai ideológico do protestantismo.
O general Golbery do Couto e Silva, morto no ano passado,
e o poeta João Cabral de Melo Neto tiveram em comum
o martírio da dor de cabeça. João Cabral
chegou a homenagear sua aliada contra a dor no poema Num Monumento
à Aspirina, que ele chama de "o mais claro de
todos os sóis". Milagrosamente livre das dores
há quatro anos, o poeta livrou-se igualmente da Aspirina,
cujo uso continuado lhe provocou uma úlcera crônica.
"Da mesma forma que a dor veio ela se foi, sem explicações",
diz Cabral.
"FACA EM BRASA"
- "Tenho enxaquecas mensalmente que me deixam as pálpebras
doloridas e mal consigo enxergar", diz a cantora Joana.
"Antes, minha única saída era ficar deitada
imóvel." Com ajuda de técnicas orientais
de massagem, como o do-in e o shiatsu, Joana está conseguindo
conviver melhor com seus assaltos mensais de dor. "A
dor agora está mais tolerável", diz ela.
Sem remédio está o empresário carioca
Renato Caravaglia. Ele sofre de dois tipos de dor de cabeça.
Um, mais antigo, o persegue desde adolescente e manifesta-se
com pontualidade britânica: todos os sábados.
"É o resultado da tensão acumulada ao longo
da semana", interpreta. "A dor começa na
fronte e aos poucos toma toda a cabeça." Há
dez anos, Caravaglia foi acometido de uma dor mais forte,
concentrada. "Era como uma faca em brasa encostando em
meu olho", descreve. "Só tinha um pouco de
tranqüilidade quando ficava sozinho no escuro."
A dor aguda passou e a outra, já familiar ao empresário,
tem sido controlada com Novalgina.
A ex-miss universo Ieda Maria
Vargas também sabe reconhecer quando sua velha inimiga
se aproxima. "Ela começa em um dos lados de leve,
passa para o outro e em pouco tempo está insuportável",
conta Ieda, que põe a culpa em sua tensão. "Os
remédios me dão gastrite e acabam criando um
círculo vicioso, mas continuo tomando mesmo assim e
nunca procurei um médico para cuidar exclusivamente
de dor de cabeça." Se procurasse orientação
profissional, Ieda Maria Vargas teria chances de obter um
tratamento menos invasivo e aleatório. A carioca Neusa
da Rocha Silva, dona de casa de 35 anos, vivia atormentada
por uma dor lancinante que fazia sua cabeça girar e
a impedia de se levantar nos picos de crise. Neusa procurou
a Clínica de Dor do Hospital Pedro Ernesto, no Rio
de Janeiro, e está sendo tratada apenas com compressas
de gelo e acupuntura. Trata-se de um avanço para ela,
que costumava se entupir, sem sucesso, com calmantes.
SONO - A maioria das
pessoas pode se ver livre das dores tomando dois comprimidos
de Aspirina ou ao cabo de uma boa noite de sono. Mesmo para
elas, no entanto, o uso continuado de analgésicos acaba
trazendo transtornos ocasionados pelos efeitos colaterais
adversos dos medicamentos. Para uns e para outros, a ciência
médica trouxe nos últimos anos doses generosas
de soluções, que agora começam a ser
colocadas a serviço dos pacientes. "Por um atraso
e por concepção equivocada dos médicos,
a dor de cabeça foi tratada como um distúrbio
psicossomático por mais de quarenta anos", diz
o americano Raskin. "Agora se sabe que ela é um
mal orgânico, com causas estabelecidas e para as quais
surgem tratamentos novos e eficientes a cada dia. "Nos
grandes centros urbanos do país, corno São Paulo,
Rio de Janeiro e Belo Horizonte, já existem centros
dedicados exclusivamente ao controle da dor de cabeça.
A nova droga da Glaxo, por seu turno, culmina meio século
de estudos sobre a química cerebral e seus males mais
recônditos.
Antes que cientistas se trancassem
em laboratório em busca de drogas eficazes, foi preciso
que outra legião de pesquisadores somasse os resultados
de seus trabalhos no entendimento da química cerebral.
"O mecanismo de ação da nova droga imita
os processos naturais do cérebro no combate à
dor", explica Jorge Raimundo Filho, presidente da Glaxo
no Brasil. Outros laboratórios do mundo trabalham em
compostos semelhantes. Essas drogas podem simular pelo menos
uma das muitas funções que a serotonina, um
mensageiro químico cerebral, cumpre no organismo. Há
pelo menos duas décadas os cientistas sabem que flutuações
nos níveis de serotonina no cérebro tornam as
pessoas mais suscetíveis a sofrer processos dolorosos.
Só recentemente, no entanto, aprenderam como os agentes
químicos podem ter sua ação e concentração
controladas no cérebro. "Foi preciso antes que
se firmasse a teoria dos receptores celulares para que a serotonina
fosse definitivamente vinculada à dor de cabeça
e pudesse ser utilizada para combater o mal", explica
Joel Saper, diretor do Instituto Neurológico de Michigan,
Estados Unidos.
Os receptores, descobertos
há duas décadas mas plenamente entendidos há
apenas alguns anos, são as janelas que as células
abrem para se comunicar com as outras. No caso das células
nervosas do cérebro, os receptores estão envolvidos
em todas as funções de controle do organismo,
especialmente da dor. Quando a serotonina, um neurotransmissor,
atinge os receptores de células de determinadas áreas
do cérebro, elas são estimuladas a cumprir suas
funções com desenvoltura e exatidão.
Assim, para que o sistema límbico, que comanda as emoções,
funcione direito, é preciso que suas células
estejam banhadas de serotonina. Também o córtex,
responsável pelas funções cognitivas,
precisa de serotonina. Quando falta a substância - ou
sua concentração varia muito - na região
do tálamo, surge a dor de cabeça. O remédio
que a Glaxo testa atua no coração desse processo
mantendo sempre estáveis os níveis de serotonina
junto ao tálamo.
ESCASSEZ - Os cientistas
sabem também que as variações nos calibres
dos vasos sangüíneos que irrigam o cérebro
estão vinculadas aos níveis de serotonina -
e, portanto, com as dores de cabeça. Resta descobrir,
ainda, se é o movimento de constricão e dilatação
dos vasos que perturba a produção de serotonina
- ou se esse fenômeno é apenas um efeito da escassez
da substância intracelular. Com uma droga eficaz na
mão, esse detalhe acaba sendo supérfluo. E por
isso os cientistas dizem que conhecem melhor as maneiras de
combater as dores de cabeça do que o mal propriamente
dito. Enquanto a droga que promete operar milagres não
chega, os médicos precisam continuar tratando seus
pacientes. Na primeira linha de tratamento estão drogas
que igualmente agem sobre a serotonina, como os chamados derivados
de ergot, vendidos no Brasil com os nomes comerciais de Ormigrein,
Migrane e Gynergene. Essas drogas, de certa forma, também
imitam o funcionamento da substância natural, mas carregam
alguns efeitos adversos. "O uso prolongado dessas drogas
pode criar deformações internas nos vasos e
tornar crônicas dores de cabeça ocasionais",
diz a médica Suzanmeire Hannuch, da Unidade de Atendimento
de Agudos com Cefaléia da Escola Paulista de Medicina.
"São drogas que não devem ser tomadas sem
acompanhamento médico. " Outros remédios,
como alguns antidepressivos, agem impedindo que a serotonina
seja absorvida inadvertidamente por outras células.
Como sua ação implica perturbação
de outras funções cerebrais, eles só
são aconselhados quando acompanhados de estrita orientação
médica e nunca podem ter seu uso continuado por meses
a fio. Mesmo os remédios que parecem mais inofensivos
acabam sendo contraproducentes quando utilizados para debelar
dores crônicas.
Mas quando procurar o médico?
"Sempre que se fizer uso de analgésicos ou outros
remédios duas ou mais vezes por semana, ou quando as
crises de dor de cabeça, mesmo esporádicas,
são fortes o suficiente para afastar a pessoa de suas
atividades normais", responde o neurologista paulista
Luiz Aristides Manreza. Outra boa razão para se procurar
um médico é uma dor de cabeça muito forte
que acomete alguém que nunca ou apenas raramente teve
dores de cabeça esporádicas e fracas. "A
dor súbita pode levar a outro diagnóstico em
quem nunca teve episódios anteriores", alerta
Manreza.
COQUETEL - A vantagem
de procurar orientação dos médicos é
justamente livrar-se do coquetel de analgésicos, calmantes
e relaxantes musculares. "Só o médico pode
entender a origem correta da dor de cabeça e prescrever
o tratamento menos agressivo", diz Manreza. Tomar aspirina
descontroladamente pode ocasionar sangramento digestivo por
ulceração das mucosas, náuseas e vômitos.
A dipirona, presente em muitos dos mais vendidos analgésicos
nacionais, se usada continuadamente - os médicos aconselham
que a medicação com essa droga nunca exceda
quatro dias seguidos - pode produzir indisposições
gástricas e uma forma rara de anemia conhecida como
agranulocitose. Outros analgésicos de grande vendagem,
como o Acetaminofem e os derivados da ergotamina, também
não podem ser ingeridos de modo continuado sem que
haja acompanhamento médico através de exames
de sangue. Graças ao surgimento dos centros de atendimento
especializado na dor de cabeça, tomou-se mais fácil
conseguir orientação de pessoas familiarizadas
com o problema.
"Criamos o centro baseados
numa estatística americana que mostra que cerca de
10% dos pacientes com crises agudas de cefaléia procuram
socorro médico especializado", diz o neurologista
paulista Eliova Zukerman, chefe da unidade especializada da
Escola Paulista de Medicina. "Nossa maior expectativa
é poder orientar o paciente dando-lhe os esclarecimentos
sobre a causa de sua cefaléia e, eventualmente, encaminhá-lo
à Unidade de apoio ambulatorial do hospital."
Procurar um médico especializado no problema significou
o fim de um calvário que já se arrastava por
anos a fio para o mineiro Elias Haddad, de 58 anos. Haddad
já havia passado por especialistas em olhos, nariz
e garganta e até por dentistas. Cada um encontrou uma
causa provável para seu problema que, uma vez extirpada,
deixava sua dor de cabeça do mesmo tamanho. Um neurologista
chegou a recomendar uma cirurgia para seccionar o nervo trigêmeo.
Haddad achou a operação muito perigosa e desistiu.
Um cardiologista receitou-lhe cardiotônicos, que amenizam
as batidas do coração, o que, em alguns casos,
pode ter reflexos positivos nas dores de cabeça. Finalmente,
Haddad. foi encaminhado por um amigo à Clínica
da Dor em Belo Horizonte.
"Uma radiografia mostrou
que eu tinha uma calcificação entre a sexta
e a sétima vértebras, o que tirava a mobilidade
do meu pescoço", conta ele. Como tratamento, Haddad
fez fisioterapia para recuperar os movimentos normais do pescoço,
passou a tomar vitamina B-6 para fortalecer os terminais nervosos
e tranqüilizantes. "Em menos de quarenta dias estava
livre das dores", diz. "Na passagem de ano pude
tomar champanhe e vinho com um gosto que havia perdido.' No
mês passado, Haddad teve o dissabor de ver o filho sofrer
um acidente grave de automóvel, e suas dores de cabeça
reapareceram. Mas ainda assim voltaram de maneira benigna
e bem mais suportável. "A médica me aconselhou
a retomar os remédios por algum tempo para evitar que
a dor volte", diz Haddad, aliviado.
Pouco se avançou no
estudo das causas externas da dor de cabeça. Sabe-se
aqui e ali como certos alimentos, o cigarro ou o stress podem
desencadear crises dolorosas - mas igualmente não há
garantia de que a abstinência desses fatores elimine
as dores de cabeça. A maior certeza dos médicos
prende-se ao caráter hereditário da mais agonizante
das dores de cabeça, as enxaquecas. Mais de 75% das
vítimas de enxaqueca são filhos de pais que
padecem da mesma aflição. Comparativamente com
outras doenças, a taxa de hereditariedade da enxaqueca
é muito alta. Apenas 50% dos pacientes cardíacos,
por exemplo, herdaram a doença dos pais ou avós.
E apenas quatro em cada dez vítimas do câncer
de pulmão - o mais hereditário dos tipos de
câncer - podem responsabilizar a herança genética
por sua moléstia. Os médicos preferem fazer
outro tipo de contabilidade - a das possibilidades de cura
de pacientes que procuram atendimento especializado.
Segundo as estatísticas
americanas, de 85% a 90% dos pacientes podem ser ajudados.
Mais de 75% podem manter suas dores de cabeça absolutamente
sob controle com a ajuda de drogas, exercícios de relaxamento
e mudanças de alguns hábitos alimentares. Outros
15% vão continuar sentindo dores mas poderão
aprender a conviver de maneira menos traumática com
elas, reduzindo a necessidade de medicação e
melhorando o humor, a convivência familiar e a produção
no trabalho. Quanto aos 10% pelos quais as armas clínicas
pouco podem fazer agora, há ainda a chance de se submeterem
a cirurgias radicais - que são cada vez menos agressivas.
"Em toda dor de cabeça deve se tentar esgotar
os métodos clínicos e só quando eles
se mostram inúteis é que se deve procurar a
cirurgia", diz o neurocirurgião paulista Jorge
Pagura. Entre os procedimentos cirúrgicos aconselhados
em alguns casos está a operação cervicogênica,
que consiste na descompressão do nervo entre a segunda
e a terceira vértebra e que é feita sem riscos
com agulhas muito precisas que funcionam com radiofreqüência
e seccionam com 100% de exatidão a raiz do nervo afetado.
ALTERNATIVAS - "A
maioria dos pacientes que vêm a meu consultório
aparece com histórico de uso abusivo de medicamentos
analgésicos e antiinfiamatórios", diz o
neurologista carioca Eric Sweet. "A primeira providência
é reverter esse quadro, já que essas drogas
são tóxicas e podem levar à insuficiência
renal já que são substâncias de difícil
metabolismo." Segundo as estatísticas particulares
de Sweet os remédios mais usados são os analgésicos
e antiffifiamatórios, seguidos de perto por derivados
diazepínicos, os calmantes da família do Valium,
os derivados da ergotamina e os antidepressivos.
Em vez desses medicamentos
de livre venda nas farmácias, as clínicas especializadas
em dor preferem estudar caso a caso cada paciente e podem
receitar drogas às quais os pacientes jamais teriam
acesso no balcão. Uma que está se tornando muito
comum é a família dos antidepressivos tricíclicos.
Tais drogas aliviam a depressão alterando o trânsito
dos mensageiros químicos dentro do cérebro.
Para dores de cabeça, elas devem funcionar aumentando
a concentração de químicos que suprimem
a dor - não apenas a serotonina mas também as
endorfinas, que são espécies de morfinas naturais
do cérebro.
Alguns médicos recomendam
betabloqueadores, medicamento em geral receitado para tratar
pressão alta e cuja ação na supressão
da dor de cabeça não é totalmente entendida
pelos médicos. Médicos têm publicado trabalhos
dando conta de bons resultados obtidos com aparelhos de estimulação
transcutânea no cérebro, seja através
de ondas de radiofreqüência ou laser. 0 médico
paranaense Jaques Aizental, de Curitiba, estimula a circulação
dos vasos do couro cabeludo com um aparelho de laser de baixa
energia. "Junto com uma dieta pobre em gorduras e doces
e outras técnicas de relaxamento, tenho obtido bons
resultados contra a dor de cabeça", diz Aizental.
Para uma doença que era considerada mania de hipocondríaco
e para a qual só havia um paliativo, na forma de comprimidos
de automedicação, houve enorme progresso. Atualmente,
os médicos podem livrar nove em cada dez pacientes
de seu inferno particular de náusea e martírio.
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