Arquivo VEJA
19 de outubro de 1988
 
 

Especial
Um golpe da ciência
na raiz da dor

Nove em cada dez pacientes crônicos
de dor de cabeça já podem obter alívio
para seus males

Foi a melhor notícia que a imensa tribo de sofredores de um dos mais recorrentes e atávicos males da humanidade, a dor de cabeça, poderia ter recebido. Na semana passada, pesquisadores do laboratório britânico Glaxo anunciaram ter chegado à formulação final de uma nova droga, batizada ainda com o número de código GR43175, que se mostrou capaz em testes com voluntários de dissipar as mais severas dores de cabeça vinculadas à enxaqueca, uma torturante reação orgânica que vitima quase 15 milhões de brasileiros. Os testes clínicos; com o novo remédio vão tomar ainda dois anos e, até ele aparecer nas prateleiras das farmácias, estará raiando o ano de 1991. Seu anúncio, no entanto, despertou euforia entre os médicos exatamente porque a sintetização da droga mostrou que um antigo segredo do funcionamento do cérebro fora não apenas revelado mas dominado pela ciência. "O sucesso nos testes com a GR43175 mostra que estamos no caminho certo na luta contra a dor de cabeça", diz o pesquisador americano Neil Raskin, professor de Neurologia da Universidade da Califórnia em San Francisco. "Eis um inimigo que estamos derrotando antes mesmo de conhecê-lo totalmente."

Os voluntários tratados com o novo remédio viram sua dor de cabeça dissipar-se em menos de 20 minutos. Para quem já se viu esmagado pelo peso dessa dor teimosa, a perspectiva de cura instantânea é uma bênção. "A luz dói, andar dói, qualquer ruído dói, falar dói", descreve a estudante paulista Ester Priscila Solis Arantes, de 17 anos. "Há cinco anos venho sofrendo e quando tenho crises mais fortes não consigo fazer nada o dia inteiro." Ester, que já se consultou com duas dezenas de médicos, está sendo tratada com analgésicos e se submete uma vez por semana a uma sessão de relaxamento pelo método conhecido como biofeedback - que por meio de sensores e de um sistema de áudio mostra ao paciente o grau de tensão de seus músculos. Um fone de ouvido reproduz um zumbido que é tanto maior quanto mais tenso está o paciente. O jogo consiste em se concentrar para tentar fazer o ruído sumir ou ficar reduzido a um tom agradável.

FERROADA - As 15 milhões de vítimas da enxaqueca são apenas os alvos mais freqüentes de um mal que se manifesta de muitas outras maneiras. Quem nunca teve sequer uma dor de cabeça merece uma menção nos anais da medicina. De maneira regular ou esporádica, o mal atinge pelo menos 90 milhões de brasileiros. Na clínica diária, os médicos recolhem testemunhos de pessoas que tiveram dores de cabeça nas situações mais diversas. Alguém acaba de degustar um copo de vinho, tomar um sorvete ou saborear um prato de comida chinesa e, pronto, lá vem ela devagar, num crescendo irritante que estraga o dia. Outros têm dor de cabeça depois de uma noite maldormida - ou porque dormiram 1 hora a mais do que de costume. Ela pode dar suas ferroadas também em quem força demais os olhos ou passa uma agradável manhã tomando caipirinha na praia. Suas vítimas prediletas, no entanto, são as pessoas tensas no trabalho, no estudo - ou simplesmente tensas. Depois de um dia cheio, a dose reconfortante de uísque no final da tarde quase sempre vem acompanhada de dor de cabeça. Nove em cada dez casos de dor de cabeça são de origem tensional.

Seja qual for a causa, a dor de cabeça ocasiona um transtorno que atravessa os milênios da civilização. "Registros históricos de pessoas com dor de cabeça são tão antigos quanto a roda e têm quase 6.000 anos", diz Raskin. Também remotos são os remédios sugeridos contra o mal. Os médicos do Egito Antigo receitavam amarrar um crocodilo vivo sobre a cabeça do paciente. Para impedir que o anfíbio devorasse seu paciente, os médicos enchiam-lhe a mandíbula de ervas sagradas. São também dolorosos os assentamentos deixados por vítimas ilustres de dor de cabeça. O general americano Ulysses Grant escreveu em seu diário que cogitou em adiar em um dia a cerimônia em que aceitaria a rendição dos exércitos sulistas rebeldes, em 1965, por ter caído vítima de uma enxaqueca. Grant passou a noite com os pés mergulhados num barril de água fervente e com compressas de mostarda apertando-lhe as têmporas.

Grant dizia que a dor era paralisante "como se alguém tivesse enfiado um dedo com toda força" em seus olhos. Tudo em vão. O general se curou com a notícia de que o comandante sulista, Robert Lee, aceitava incondicionalmente a rendição. Vítimas foram também Madame de Pompadour, amante oficial do rei Luis XV da França, o escritor russo Leon Tolstoi, o dramaturgo irlandês George Bernard Shaw e o francês Calvino, pai ideológico do protestantismo. O general Golbery do Couto e Silva, morto no ano passado, e o poeta João Cabral de Melo Neto tiveram em comum o martírio da dor de cabeça. João Cabral chegou a homenagear sua aliada contra a dor no poema Num Monumento à Aspirina, que ele chama de "o mais claro de todos os sóis". Milagrosamente livre das dores há quatro anos, o poeta livrou-se igualmente da Aspirina, cujo uso continuado lhe provocou uma úlcera crônica. "Da mesma forma que a dor veio ela se foi, sem explicações", diz Cabral.

"FACA EM BRASA" - "Tenho enxaquecas mensalmente que me deixam as pálpebras doloridas e mal consigo enxergar", diz a cantora Joana. "Antes, minha única saída era ficar deitada imóvel." Com ajuda de técnicas orientais de massagem, como o do-in e o shiatsu, Joana está conseguindo conviver melhor com seus assaltos mensais de dor. "A dor agora está mais tolerável", diz ela. Sem remédio está o empresário carioca Renato Caravaglia. Ele sofre de dois tipos de dor de cabeça. Um, mais antigo, o persegue desde adolescente e manifesta-se com pontualidade britânica: todos os sábados. "É o resultado da tensão acumulada ao longo da semana", interpreta. "A dor começa na fronte e aos poucos toma toda a cabeça." Há dez anos, Caravaglia foi acometido de uma dor mais forte, concentrada. "Era como uma faca em brasa encostando em meu olho", descreve. "Só tinha um pouco de tranqüilidade quando ficava sozinho no escuro." A dor aguda passou e a outra, já familiar ao empresário, tem sido controlada com Novalgina.

A ex-miss universo Ieda Maria Vargas também sabe reconhecer quando sua velha inimiga se aproxima. "Ela começa em um dos lados de leve, passa para o outro e em pouco tempo está insuportável", conta Ieda, que põe a culpa em sua tensão. "Os remédios me dão gastrite e acabam criando um círculo vicioso, mas continuo tomando mesmo assim e nunca procurei um médico para cuidar exclusivamente de dor de cabeça." Se procurasse orientação profissional, Ieda Maria Vargas teria chances de obter um tratamento menos invasivo e aleatório. A carioca Neusa da Rocha Silva, dona de casa de 35 anos, vivia atormentada por uma dor lancinante que fazia sua cabeça girar e a impedia de se levantar nos picos de crise. Neusa procurou a Clínica de Dor do Hospital Pedro Ernesto, no Rio de Janeiro, e está sendo tratada apenas com compressas de gelo e acupuntura. Trata-se de um avanço para ela, que costumava se entupir, sem sucesso, com calmantes.

SONO - A maioria das pessoas pode se ver livre das dores tomando dois comprimidos de Aspirina ou ao cabo de uma boa noite de sono. Mesmo para elas, no entanto, o uso continuado de analgésicos acaba trazendo transtornos ocasionados pelos efeitos colaterais adversos dos medicamentos. Para uns e para outros, a ciência médica trouxe nos últimos anos doses generosas de soluções, que agora começam a ser colocadas a serviço dos pacientes. "Por um atraso e por concepção equivocada dos médicos, a dor de cabeça foi tratada como um distúrbio psicossomático por mais de quarenta anos", diz o americano Raskin. "Agora se sabe que ela é um mal orgânico, com causas estabelecidas e para as quais surgem tratamentos novos e eficientes a cada dia. "Nos grandes centros urbanos do país, corno São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, já existem centros dedicados exclusivamente ao controle da dor de cabeça. A nova droga da Glaxo, por seu turno, culmina meio século de estudos sobre a química cerebral e seus males mais recônditos.

Antes que cientistas se trancassem em laboratório em busca de drogas eficazes, foi preciso que outra legião de pesquisadores somasse os resultados de seus trabalhos no entendimento da química cerebral. "O mecanismo de ação da nova droga imita os processos naturais do cérebro no combate à dor", explica Jorge Raimundo Filho, presidente da Glaxo no Brasil. Outros laboratórios do mundo trabalham em compostos semelhantes. Essas drogas podem simular pelo menos uma das muitas funções que a serotonina, um mensageiro químico cerebral, cumpre no organismo. Há pelo menos duas décadas os cientistas sabem que flutuações nos níveis de serotonina no cérebro tornam as pessoas mais suscetíveis a sofrer processos dolorosos. Só recentemente, no entanto, aprenderam como os agentes químicos podem ter sua ação e concentração controladas no cérebro. "Foi preciso antes que se firmasse a teoria dos receptores celulares para que a serotonina fosse definitivamente vinculada à dor de cabeça e pudesse ser utilizada para combater o mal", explica Joel Saper, diretor do Instituto Neurológico de Michigan, Estados Unidos.

Os receptores, descobertos há duas décadas mas plenamente entendidos há apenas alguns anos, são as janelas que as células abrem para se comunicar com as outras. No caso das células nervosas do cérebro, os receptores estão envolvidos em todas as funções de controle do organismo, especialmente da dor. Quando a serotonina, um neurotransmissor, atinge os receptores de células de determinadas áreas do cérebro, elas são estimuladas a cumprir suas funções com desenvoltura e exatidão. Assim, para que o sistema límbico, que comanda as emoções, funcione direito, é preciso que suas células estejam banhadas de serotonina. Também o córtex, responsável pelas funções cognitivas, precisa de serotonina. Quando falta a substância - ou sua concentração varia muito - na região do tálamo, surge a dor de cabeça. O remédio que a Glaxo testa atua no coração desse processo mantendo sempre estáveis os níveis de serotonina junto ao tálamo.

ESCASSEZ - Os cientistas sabem também que as variações nos calibres dos vasos sangüíneos que irrigam o cérebro estão vinculadas aos níveis de serotonina - e, portanto, com as dores de cabeça. Resta descobrir, ainda, se é o movimento de constricão e dilatação dos vasos que perturba a produção de serotonina - ou se esse fenômeno é apenas um efeito da escassez da substância intracelular. Com uma droga eficaz na mão, esse detalhe acaba sendo supérfluo. E por isso os cientistas dizem que conhecem melhor as maneiras de combater as dores de cabeça do que o mal propriamente dito. Enquanto a droga que promete operar milagres não chega, os médicos precisam continuar tratando seus pacientes. Na primeira linha de tratamento estão drogas que igualmente agem sobre a serotonina, como os chamados derivados de ergot, vendidos no Brasil com os nomes comerciais de Ormigrein, Migrane e Gynergene. Essas drogas, de certa forma, também imitam o funcionamento da substância natural, mas carregam alguns efeitos adversos. "O uso prolongado dessas drogas pode criar deformações internas nos vasos e tornar crônicas dores de cabeça ocasionais", diz a médica Suzanmeire Hannuch, da Unidade de Atendimento de Agudos com Cefaléia da Escola Paulista de Medicina. "São drogas que não devem ser tomadas sem acompanhamento médico. " Outros remédios, como alguns antidepressivos, agem impedindo que a serotonina seja absorvida inadvertidamente por outras células. Como sua ação implica perturbação de outras funções cerebrais, eles só são aconselhados quando acompanhados de estrita orientação médica e nunca podem ter seu uso continuado por meses a fio. Mesmo os remédios que parecem mais inofensivos acabam sendo contraproducentes quando utilizados para debelar dores crônicas.

Mas quando procurar o médico? "Sempre que se fizer uso de analgésicos ou outros remédios duas ou mais vezes por semana, ou quando as crises de dor de cabeça, mesmo esporádicas, são fortes o suficiente para afastar a pessoa de suas atividades normais", responde o neurologista paulista Luiz Aristides Manreza. Outra boa razão para se procurar um médico é uma dor de cabeça muito forte que acomete alguém que nunca ou apenas raramente teve dores de cabeça esporádicas e fracas. "A dor súbita pode levar a outro diagnóstico em quem nunca teve episódios anteriores", alerta Manreza.

COQUETEL - A vantagem de procurar orientação dos médicos é justamente livrar-se do coquetel de analgésicos, calmantes e relaxantes musculares. "Só o médico pode entender a origem correta da dor de cabeça e prescrever o tratamento menos agressivo", diz Manreza. Tomar aspirina descontroladamente pode ocasionar sangramento digestivo por ulceração das mucosas, náuseas e vômitos. A dipirona, presente em muitos dos mais vendidos analgésicos nacionais, se usada continuadamente - os médicos aconselham que a medicação com essa droga nunca exceda quatro dias seguidos - pode produzir indisposições gástricas e uma forma rara de anemia conhecida como agranulocitose. Outros analgésicos de grande vendagem, como o Acetaminofem e os derivados da ergotamina, também não podem ser ingeridos de modo continuado sem que haja acompanhamento médico através de exames de sangue. Graças ao surgimento dos centros de atendimento especializado na dor de cabeça, tomou-se mais fácil conseguir orientação de pessoas familiarizadas com o problema.

"Criamos o centro baseados numa estatística americana que mostra que cerca de 10% dos pacientes com crises agudas de cefaléia procuram socorro médico especializado", diz o neurologista paulista Eliova Zukerman, chefe da unidade especializada da Escola Paulista de Medicina. "Nossa maior expectativa é poder orientar o paciente dando-lhe os esclarecimentos sobre a causa de sua cefaléia e, eventualmente, encaminhá-lo à Unidade de apoio ambulatorial do hospital." Procurar um médico especializado no problema significou o fim de um calvário que já se arrastava por anos a fio para o mineiro Elias Haddad, de 58 anos. Haddad já havia passado por especialistas em olhos, nariz e garganta e até por dentistas. Cada um encontrou uma causa provável para seu problema que, uma vez extirpada, deixava sua dor de cabeça do mesmo tamanho. Um neurologista chegou a recomendar uma cirurgia para seccionar o nervo trigêmeo. Haddad achou a operação muito perigosa e desistiu. Um cardiologista receitou-lhe cardiotônicos, que amenizam as batidas do coração, o que, em alguns casos, pode ter reflexos positivos nas dores de cabeça. Finalmente, Haddad. foi encaminhado por um amigo à Clínica da Dor em Belo Horizonte.

"Uma radiografia mostrou que eu tinha uma calcificação entre a sexta e a sétima vértebras, o que tirava a mobilidade do meu pescoço", conta ele. Como tratamento, Haddad fez fisioterapia para recuperar os movimentos normais do pescoço, passou a tomar vitamina B-6 para fortalecer os terminais nervosos e tranqüilizantes. "Em menos de quarenta dias estava livre das dores", diz. "Na passagem de ano pude tomar champanhe e vinho com um gosto que havia perdido.' No mês passado, Haddad teve o dissabor de ver o filho sofrer um acidente grave de automóvel, e suas dores de cabeça reapareceram. Mas ainda assim voltaram de maneira benigna e bem mais suportável. "A médica me aconselhou a retomar os remédios por algum tempo para evitar que a dor volte", diz Haddad, aliviado.

Pouco se avançou no estudo das causas externas da dor de cabeça. Sabe-se aqui e ali como certos alimentos, o cigarro ou o stress podem desencadear crises dolorosas - mas igualmente não há garantia de que a abstinência desses fatores elimine as dores de cabeça. A maior certeza dos médicos prende-se ao caráter hereditário da mais agonizante das dores de cabeça, as enxaquecas. Mais de 75% das vítimas de enxaqueca são filhos de pais que padecem da mesma aflição. Comparativamente com outras doenças, a taxa de hereditariedade da enxaqueca é muito alta. Apenas 50% dos pacientes cardíacos, por exemplo, herdaram a doença dos pais ou avós. E apenas quatro em cada dez vítimas do câncer de pulmão - o mais hereditário dos tipos de câncer - podem responsabilizar a herança genética por sua moléstia. Os médicos preferem fazer outro tipo de contabilidade - a das possibilidades de cura de pacientes que procuram atendimento especializado.

Segundo as estatísticas americanas, de 85% a 90% dos pacientes podem ser ajudados. Mais de 75% podem manter suas dores de cabeça absolutamente sob controle com a ajuda de drogas, exercícios de relaxamento e mudanças de alguns hábitos alimentares. Outros 15% vão continuar sentindo dores mas poderão aprender a conviver de maneira menos traumática com elas, reduzindo a necessidade de medicação e melhorando o humor, a convivência familiar e a produção no trabalho. Quanto aos 10% pelos quais as armas clínicas pouco podem fazer agora, há ainda a chance de se submeterem a cirurgias radicais - que são cada vez menos agressivas. "Em toda dor de cabeça deve se tentar esgotar os métodos clínicos e só quando eles se mostram inúteis é que se deve procurar a cirurgia", diz o neurocirurgião paulista Jorge Pagura. Entre os procedimentos cirúrgicos aconselhados em alguns casos está a operação cervicogênica, que consiste na descompressão do nervo entre a segunda e a terceira vértebra e que é feita sem riscos com agulhas muito precisas que funcionam com radiofreqüência e seccionam com 100% de exatidão a raiz do nervo afetado.

ALTERNATIVAS - "A maioria dos pacientes que vêm a meu consultório aparece com histórico de uso abusivo de medicamentos analgésicos e antiinfiamatórios", diz o neurologista carioca Eric Sweet. "A primeira providência é reverter esse quadro, já que essas drogas são tóxicas e podem levar à insuficiência renal já que são substâncias de difícil metabolismo." Segundo as estatísticas particulares de Sweet os remédios mais usados são os analgésicos e antiffifiamatórios, seguidos de perto por derivados diazepínicos, os calmantes da família do Valium, os derivados da ergotamina e os antidepressivos.

Em vez desses medicamentos de livre venda nas farmácias, as clínicas especializadas em dor preferem estudar caso a caso cada paciente e podem receitar drogas às quais os pacientes jamais teriam acesso no balcão. Uma que está se tornando muito comum é a família dos antidepressivos tricíclicos. Tais drogas aliviam a depressão alterando o trânsito dos mensageiros químicos dentro do cérebro. Para dores de cabeça, elas devem funcionar aumentando a concentração de químicos que suprimem a dor - não apenas a serotonina mas também as endorfinas, que são espécies de morfinas naturais do cérebro.

Alguns médicos recomendam betabloqueadores, medicamento em geral receitado para tratar pressão alta e cuja ação na supressão da dor de cabeça não é totalmente entendida pelos médicos. Médicos têm publicado trabalhos dando conta de bons resultados obtidos com aparelhos de estimulação transcutânea no cérebro, seja através de ondas de radiofreqüência ou laser. 0 médico paranaense Jaques Aizental, de Curitiba, estimula a circulação dos vasos do couro cabeludo com um aparelho de laser de baixa energia. "Junto com uma dieta pobre em gorduras e doces e outras técnicas de relaxamento, tenho obtido bons resultados contra a dor de cabeça", diz Aizental. Para uma doença que era considerada mania de hipocondríaco e para a qual só havia um paliativo, na forma de comprimidos de automedicação, houve enorme progresso. Atualmente, os médicos podem livrar nove em cada dez pacientes de seu inferno particular de náusea e martírio.

 
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