"A posse do ministro
da Defesa, na última quarta-
feira, foi o espetáculo mais indecoroso da história
política brasileira. Lula ria. Nelson Jobim ria. Tarso
Genro ria. Guido Mantega ria. Celso Amorim ria.
Juniti Saito ria. Marco Aurélio Garcia ria. Por algum
motivo, até mesmo o demitido Waldir Pires ria. Lula
provavelmente se regozijava por ter se safado,
segundo seus cálculos, de mais uma fria"
Quando é
que derrubaremos Lula?
A posse do ministro
da Defesa, na última quarta-feira, foi o espetáculo
mais indecoroso da história política brasileira.
Lula ria. Nelson Jobim ria. Tarso Genro ria. Guido Mantega
ria. Celso Amorim ria. Juniti Saito ria. Marco Aurélio
Garcia ria. Por algum motivo, até mesmo o demitido
Waldir Pires ria. Lula provavelmente se regozijava por ter
se safado, segundo seus cálculos, de mais uma fria.
No caso, os 200 mortos da tragédia da TAM. Ele repetiu
despudoradamente, com sua risada, o gesto de escárnio
feito por Marco Aurélio Garcia em seu gabinete, no
Palácio do Planalto. Que espécie de gente tripudia
sobre 200 mortos? Como alguém pode atingir esse grau
de pusilanimidade? Se um dos militares presentes naquela sala
batesse vigorosamente as botas, Lula e seus ministros com
certeza sairiam em disparada, aos gritos, acotovelando-se
e pisoteando-se no carpete verde. Eles só sabem cuidar
da própria pele e do próprio bolso. Dane-se
todo o resto.
Ninguém
derrubará Lula. O que vai acontecer conosco é
muito pior: um progressivo desmoronamento da sociedade. É
sempre complicado tentar apontar o momento em que um país
se perde irremediavelmente. Mas, se eu fosse apostar, apostaria
todas as fichas que ele ocorreu na posse de Nelson Jobim,
na quarta-feira passada. Entre uma tirada de bar e outra,
Lula profanou os 200 corpos dando a entender que o desastre
poderia servir pelo menos para diminuir as filas da ponte
aérea. Uma sociedade resiste a um governo corrupto.
Ela resiste também a um presidente incapaz. O que elimina
qualquer possibilidade de convívio é o triunfo
dessa boçalidade predatória que caracteriza
Lula e sua gente. Eles cercaram a cidadela e ficaram esperando
que nossas reservas de civilidade acabassem. Elas acabaram.
Estamos desarmados e rendidos.
O Brasil é
um buraco. Nunca fizemos algo que prestasse. Mas até
outro dia ainda tínhamos uma vaga idéia de como
nos comportar. E era essa vaga idéia que mantinha o
país andando. Andando de lado, mas andando. Uma das
regras de comportamento que a gente seguia era manter certa
dose de compostura diante da dor pela morte de alguém.
Lula violou essa regra. Depois de violá-la, tripudiou
mais uma vez, ensinando aos familiares dos mortos do desastre
da TAM que "é preciso que a gente tenha momentos de
descontração para tornar a vida menos sofrível".
Um dia Lula morrerá. Mas nós já teremos
morrido antes dele.