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1º de junho de 2005
 
 

Trecho do livro Santo Agostinho – Uma Biografia, de Peter Brown

1. África

Quando Agostinho ali nasceu, em 354, a cidade de Tagaste (moderna Suq Ahras, na Argélia) tinha 300 anos. Era um dos muitos núcleos de flagrante amor-próprio que os romanos haviam espalhado por todo o norte da África: dava a si mesma o nome de "mui resplandecente" conselho de Tagaste.2

Desde o século I a.C., um "milagre econômico" havia transformado a região interiorana da África setentrional.3 Nunca mais a prosperidade voltaria a se estender de maneira tão eficaz por uma área tão vasta. No século III d.C., as campinas e vales do planalto — a antiga Numídia — em que Agostinho nascera tinham sido cultivados com cereais, atravessados por uma rede de estradas e povoados por cidades. Mais ao sul, além das montanhas Aures, uma cadeia de fortes guardava a fronteira entre o cultivo intensivo e a ausência dele, bem na orla do Saara. Nessa época de fartura, os habitantes da área de Thysdrus, a moderna El-Djem, haviam instalado no meio da planície aberta um anfiteatro quase do tamanho do Coliseu de Roma; porém o memorial mais típico desse período de "surto de crescimento" é uma inscrição em Timgad, cidade bem ao sul de Tagaste, no que hoje são as desoladas terras altas do sul da Argélia: "A caça, os banhos, os jogos e o riso: eis a vida para mim!"4

No século IV, a expansão original chegara a uma estagnação sinistra. Os projetos de construção haviam cessado, os velhos monumentos públicos começavam a ruir e "favelas" tão caóticas quanto as ruelas sinuosas dos bazares das cidades árabes haviam começado a se comprimir em torno do xadrez de avenidas das antigas cidades romanas. A riqueza da África mudara-se para longe de seus antigos centros. Florestas de oliveiras passaram a cobrir as encostas das montanhas da Numídia meridional. Na África, Agostinho podia trabalhar a noite inteira, abastecendo sua lamparina com um estoque abundante do tosco óleo africano — um conforto do qual sentiria falta durante sua temporada na Itália.5 Esse óleo vinha de homens humildes, de aldeias que não tinham a presunção das cidades romanas. Esses lavradores vigorosos, desconfiados do mundo externo e vivendo em comunidades muito unidas, cujos hábitos pouco se haviam alterado desde tempos pré-históricos, haviam-se tornado os árbitros da prosperidade da África: "Aqui jaz Dion, um homem devoto; viveu 80 anos e plantou 4.000 árvores."6

A Tagaste de Agostinho empoleirava-se num planalto na orla dessa nova África. Era administrada a partir de Cartago, mas havia pertencido ao antigo reino da Numídia. Nossa imaginação é dominada pela África de Cartago, a África da costa do Mediterrâneo. Agostinho, entretanto, cresceu a mais de 300 quilômetros do mar e 610 metros acima dele, separado do Mediterrâneo por grandes florestas de pinheiros e por vales altos, cobertos de milharais e olivais. Quando menino, só lhe era possível imaginar como seria o mar olhando para o interior de um copo d’água.7

Era um mundo de lavradores. A cidade era um símbolo de civilização; não era uma unidade distinta da zona rural. Apesar de todo o seu orgulho, essas pequenas Romas deviam ter populações de apenas alguns milhares de habitantes, que viviam da terra, exatamente do mesmo modo que os atuais habitantes de um pueblo espanhol ou de um município do sul da Itália. Era na terra que se buscavam os prazeres da vida, quando se dispunha de meios para custeá-los. Nos mosaicos podemos ver as grandes casas de campo dos romanos africanos: mansões de dois andares, cercadas por campos de pasto para os cavalos, lagos para criação de peixes e bosques ornamentais de ciprestes. Seus donos são mostrados, nos mantos esvoaçantes da época, caçando a cavalo e recebendo homenagens de camponeses subservientes. Esses homens eram os patroni, os "protetores" de suas comunidades, tanto na cidade quanto no campo. Quando perambulavam pelo foro com seus grandes séquitos, convinha ao homem pobre erguer-se e curvar-se numa profunda reverência a seu senhor.8

A miséria também fazia parte da terra: a miséria das "costas recurvadas", da quase inanição, de uma brutalidade semelhante à da Rússia czarista. Dez anos antes do nascimento de Agostinho, a Numídia meridional havia assistido a uma revolta de camponeses, matizada, significativamente, por uma forma combativa de cristianismo. Agostinho, como membro respeitável de uma cidade romana, foi protegido dessa miséria. Aliás, como diretor de escola e, mais tarde, na condição de bispo, ele fazia parte de uma pequeníssima classe de homens que não tinham contato direto com a terra: podia até dar-se ao luxo de falar com nostalgia da criação de hortas e de encarar a agricultura como um "exercício revigorante".9 Preso a sua escrivaninha em anos posteriores, pôde abrigar apenas lembranças distantes dos longos dias em que havia perambulado pelo campo, à caça de passarinhos.10

Para ser membro pleno de uma cidade romana, Agostinho tinha que ser livre e civilizado: não precisava ser rico. Seu pai, Patrício, era um homem pobre, um tenuis municeps, cidadão de recursos escassos.11 Agostinho cresceria num mundo duro e competitivo, em meio a membros orgulhosos e empobrecidos da classe alta. A educação clássica era um dos únicos passaportes para o sucesso entre esses homens, e por pouco ele não perdeu até este. Seu começo de vida seria marcado pelos sacrifícios feitos por seu pai para lhe dar essa educação vital: Patrício e sua família andavam malvestidos;12 ele era obrigado a raspar o fundo do tacho para sobreviver; durante um ano desastroso, Agostinho viu-se condenado a abandonar os estudos numa agradável "cidade universitária", Madaura (ou Madauros, a moderna Mdaourouch), e a crescer sem instrução na primitiva Tagaste.13 Seus primos tiveram menos sorte: continuaram sem instrução adequada,14 e devem ter enfrentado a pobreza e o tédio de um mundo tacanho, feito de pequenos proprietários iletrados.

Mas Patrício, talvez na condição de parente, pôde reivindicar a proteção de um poderoso do lugar, Romaniano.15 Romaniano costumava ir com freqüência à Itália para defender sua propriedade na corte imperial. Voltava a Tagaste para exibir seu poder, oferecendo espetáculos com animais selvagens e protegendo rapazes como Agostinho. Ganhava discursos e estátuas de seus concidadãos. E podia esperar títulos e cargos administrativos do imperador.16 No mundo muito flexível do século IV, a sorte e o talento podiam eliminar o abismo entre um Patrício e um Romaniano. Em 385, Agostinho seria professor de retórica em Milão; estaria em condições de acalentar a perspectiva de desposar uma herdeira rica e obter um cargo de governador provincial.17 Nessa época, é bem possível que tenha refletido como outro africano bem-sucedido de sua idade: "Cresci no interior, filho de pai pobre e sem instrução: com o tempo, graças à minha busca de educação, passei a levar a vida de um nobre."18

Pois não era à toa que homens como Patrício e Romaniano pensavam em si mesmos como "romanos". É sumamente improvável que Agostinho falasse qualquer língua que não o latim. Entre a cultura exclusivamente latina em que fora educado com tanto sucesso e qualquer tradição "nativa" preexistente, estendia-se o incomensurável abismo qualitativo que separa a civilização de sua ausência. O que não era romano na África só podia ser concebido por um desses homens em termos romanos. Agostinho usaria a palavra "púnicos" para descrever os dialetos nativos que muitos homens do campo deviam falar, em caráter exclusivo, e que muitos cidadãos urbanos compartilhavam com o latim. Não que esses homens falassem a língua dos antigos cartagineses. Antes, que Agostinho, como homem instruído, aplicava instintivamente esse termo tradicional e indiferenciado a qualquer língua falada no norte da África que não fosse o latim.19

Todavia, até o africano plenamente latinizado do século IV continuava um tanto estrangeiro. A opinião do mundo externo era unânime: a África, em sua visão, era desperdiçada com os africanos.20

Na época de sua opulência, nos séculos II e III, a cultura romana tomara um rumo significativamente diferente. Eles mais nos parecem "barrocos" do que homens da era clássica.21 O africano de talento, por exemplo, comprazia-se com o simples jogo de palavras, com trocadilhos, rimas e charadas: como bispo, Agostinho seria imensamente admirado por sua congregação por ser esplendidamente capaz de proporcionar uma exibição de fogos de artifício verbais.22 Um homem assim precisava da controvérsia. Prosperava na justificação de si mesmo. Almejava impressionar seus companheiros por intermédio de formulações excêntricas, de símiles vívidos e exagerados. Aos 70 anos de idade, essa mesma fogueira africana ainda arderia com vigor em Agostinho: um adversário lhe dera a impressão de admitir algo por puro embaraço, e ele retrucou: "Ora, parece que sua própria tinta transformou-se em carmesim!"23 Os mosaicos encomendados por tais homens eram luminosos, cheios de detalhes minuciosamente observados da vida cotidiana, um tanto grotescos.24 Homens desse tipo eram capazes de escrever romances: o olho infalível para o detalhe, para o picaresco, assim como o interesse pelos alvoroços do coração, fizeram com que os dois únicos livros de literatura latina que o homem moderno é capaz de situar com facilidade ao lado da ficção de hoje fossem escritos por africanos — O asno de ouro, de Apuleio, e... as Confissões de Agostinho. Agostinho fora levado a chorar aos borbotões ao ouvir a história de Dido e Enéias, um interlúdio sumamente africano na vida do honrado fundador de Roma;25 e seria um poeta africano que iria retificar as omissões de Virgílio, escrevendo as cartas de amor da rainha abandonada.26

Os grandes escritores africanos, contudo, foram meteoros repentinos. O africano médio era mais célebre como advogado. Agostinho poderia ter seguido essa carreira: "é esplêndido dispor da eloqüência que exerce grande poder, manter os clientes atados a cada palavra do discurso bem formulado de seu protetor, a lhe fixar na boca as esperanças que alimentam..."27 Como os litigiosos fidalgos rurais da era elisabetana, o "bom fazendeiro" da África também precisava ser "versado na lei dos tribunais";28 e, tal como entre os elisabetanos, o legalismo seco e selvagem, a dedicação apaixonada à manipulação das formas públicas da vida pela argumentação nos tribunais era um complemento eficiente, na maioria desses homens, para a fantasia e a sensibilidade da minoria. Exatamente na mesma época, os líderes da Igreja cristã na África haviam incorporado esse vigor a suas controvérsias. Uma cultura jurídica, obstinada e implacável, havia proliferado em seu novo ambiente clerical. Visto por um bispo italiano que o conhecia bem e era intensamente avesso a sua teologia, Agostinho era meramente o exemplo mais recente de uma figura conhecidíssima — o Poenus orator, "o jurista africano".29

Agostinho, entretanto, decidiu que preferia ser professor. Também nisso os africanos haviam mostrado seu entusiasmo característico. Adoravam a instrução: homens simples cobriam seus túmulos de inscrições em versos precários; o neto de um soldado mouro gabava-se de agora ser "professor de letras romanas"; outro se denominara "o Cícero" de sua cidadezinha. Na África, a educação romana significava status para uma multidão de homens insignificantes. Era uma atmosfera hostil ao talento verdadeiro. Na Aquitânia e no Alto Egito, os séculos IV e V foram marcados por súbitas "explosões" de talento literário.30 Na África, em contraste, a poeira da erudição depositava-se pesadamente em inúmeros livros didáticos clássicos, escritos por professores africanos.31 Esses homens eram capazes de pronunciar "homo" corretamente;32 um deles escreveu um livro sobre "O casamento de Mercúrio com a filologia"; outro provou sua superioridade a Agostinho ao censurá-lo por ter escrito "donatista", quando o homem educado dizia "donaciano".33 De algum modo, a abundância de energia dos séculos II e III tinha sido interrompida: a África do século IV tornara-se um remanso de estagnação e riqueza.34

Em Tagaste, pelo menos, esses filhos de uma pequena aristocracia austera e empobrecida uniam-se, logo no início da vida, numa busca comum de progresso. Por trás da biografia singular de Agostinho podemos também vislumbrar essa "biografia plural" — os destinos de um grupo notável de jovens, decididos a escapar da inércia de uma cidadezinha africana. Muitos desses amigos costumavam ficar juntos vida afora; o grupinho de estudantes sérios iria se tornar, na meia-idade, um impressionante grupo de bispos, que controlavam os destinos da Igreja católica na África. Dulcissimus concivis, "meu dulcíssimo concidadão":35 essa expressão, usada por Agostinho quando bispo, levaria a antiga linguagem da vida pública romana para o novo mundo da hierarquia católica.

No entanto, na geração de Agostinho, esses antigos padrões não estavam conseguindo satisfazer os homens. O rico senhor de terras, o estudante aventureiro e o bispo litigioso ainda tinham que "zarpar" para a Itália de tempos em tempos: navigare é um tema constante nos textos de Agostinho.36 Mas suas ambições não eram satisfeitas com tanta facilidade. Todos os jovens ambiciosos de Tagaste retornariam, passando o resto de suas vidas num ambiente totalmente provinciano, como bispos de pequenas cidades africanas. Pois os imperadores não necessitavam dos serviços desses sulistas. Eles precisavam guardar uma fronteira setentrional ameaçada. Sua corte mudava-se com os exércitos entre a Gália, o norte da Itália e as províncias do Danúbio. Para eles, a África era simplesmente uma fonte confiável de impostos, o celeiro pesadamente administrado de Roma. Os homens de Tagaste, Romaniano e seu grupinho de clientes, viriam a se descobrir indesejados: como os anglo-irlandeses do fim do século XVIII, esses representantes de uma sociedade altamente civilizada e próspera descobriram-se condenados a ver seu país mergulhar na condição de mera "colônia", administrada por estrangeiros do outro lado do oceano.37

Os tempos haviam mudado. No século IV, o Império Romano enfrentava as tensões da guerra perpétua.38 Caía presa de bandos de bárbaros ao norte e era contestado pelo reino bem organizado e militarista da Pérsia, no Leste. Os imperadores patrulhavam suas fronteiras à frente de regimentos de cavalaria pesada. Eram aclamados, com um entusiasmo que aumentava a cada desgraça, como "os Sempre Vitoriosos", "os Restauradores do Mundo". Os impostos haviam duplicado ou até triplicado em tempos ainda vivos na memória. Os pobres eram vitimados por uma inflação insana. Os ricos se defendiam promovendo uma acumulação ímpar de propriedades. O próprio imperador tornou-se uma figura distante que inspirava reverência. Seus editos eram redigidos em papel dourado ou púrpura; eram recebidos com as mãos reverentemente cobertas, "adorados" e, em geral, contornados. Seus servidores só podiam governar pelo terror. Um homem dotado de respeito próprio, como Patrício, vindo de uma classe acostumada a ser líder inconteste de sua localidade, via-se apequenado pelos grandes nouveaux riches e importunado pelos funcionários imperiais. E era ameaçado pelo mais ominoso de todos os sintomas numa sociedade civilizada: um embrutecimento espetacular do código penal. Ele poderia ser açoitado. Uma ofensa ao imperador ou a seus servidores podia acarretar a destruição para toda uma comunidade de aldeães respeitáveis: poderia deixá-los mutilados pela tortura ou reduzidos à condição de mendigos por multas incapacitantes.39

Todavia, como muitas vezes acontece, esse mundo à beira da dissolução acostumara-se a acreditar que duraria para sempre. Os Jeremias do Império Romano em declínio só viriam a surgir na velhice de Agostinho; e não há como não nos impressionarmos com o otimismo dos homens da juventude de Agostinho. As inscrições da África falavam em "tempos dourados por toda parte",40 no "vigor juvenil do nome romano".41 Um bispo cristão encararia o cristianismo e a civilização romana como co-extensivos: como se alguma virtude cristã pudesse existir entre os bárbaros!42 Um administrador poético pôde escrever que Roma, "por ter vivido muito, aprendeu a desdenhar da finalidade".43 Roma, com efeito, ainda era o "Império do Meio". É que, tal como na antiga China, os homens cultos não conheciam nenhum outro Estado civilizado. O Império Romano ainda era sustentado pela lealdade indubitável de uma classe que se assemelhava aos "mandarins" da China imperial, por senadores cultos e por burocratas a cujas fileiras Agostinho tinha a esperança de se ligar.

Mas foi exatamente nesse aspecto da vida romana que se deu a mudança mais profunda de todas. Os antigos padrões da vida civilizada romana já não satisfaziam inteiramente os homens cultos. Eles chegavam até a se vestir de maneira diferente. A impecável toga romana, por exemplo, ainda aparecia nas estátuas de autoridades e de grandes homens. Mas os grandes homens, eles mesmos, usavam um traje tão vistoso quanto qualquer dos usados nas Mil e uma noites: uma túnica justa que chegava aos joelhos, ricamente bordada nas barras; meias brilhantes; uma enorme capa, presa no alto do ombro direito com um broche de origem bárbara, com sua seda ondeante costurada com fios de ouro e decorada com faixas de cor apropriada à categoria do portador, ou com figuras, dragões voadores e, no caso dos cristãos devotos, cenas da Bíblia. Eles tampouco viviam nas casas do passado, construídas num quadrado perfeito em torno de um pátio, mas em palácios intricados, que reluziam com incrustações de mármore e mosaicos nas cores do arco-íris, construídos de dentro para fora, a fim de transmitir, com suas galerias, seus salões em níveis diferentes, seus tetos abobadados e uma proliferação de cortinas pesadas, uma nova idéia de privacidade e de mistério opulento. As expressões dos homens do baixo Império Romano, em suas estátuas, amiúde deixam transparecer a mais profunda de todas as mudanças. Esses já não são retratos realistas: seus olhos erguidos e imóveis e suas feições alongadas mostram uma preocupação com o outro mundo, com a vida interior, que teríamos mais facilidade de associar a um santo romanesco.

Para o jovem Agostinho, a vida tradicional seria apenas um verniz. No auge de sua carreira de professor de retórica clássica, parte dele, pelo menos, daria ouvidos aos ensinamentos de Mani, um visionário persa. Sua vida seria modificada pela leitura das obras de Plotino, um filósofo "(que) parecia envergonhar-se de estar no corpo".44 Um grande senador pagão, Pretextato, falaria de seus títulos romanos tradicionais como "falidos" e de sua iniciação mística como "a verdadeira bênção".45

Ambrósio, enviado a Milão como governador romano, seria ordenado como o bispo católico da cidade. Outro nobre, Paulino, desapareceria subitamente da vida protegida da Aquitânia para se tornar monge, deixando intrigado seu amigo e antigo professor, Ausônio. Esses incidentes foram presságios do futuro de Agostinho; ele seria um professor tradicional durante onze anos de sua vida, e monge e bispo pelos 44 restantes. Como escreveu São Jerônimo sobre uma criança pequena nessa nova era, "Em tal mundo nasceu Pacatula. Os desastres a cercam enquanto ela brinca. Ela conhecerá o choro antes do riso. (...) Esquece-se do passado, foge do presente e espera com ansiedade pela vida que virá".

 

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