Big
Bang, de Simon Singh (tradução de Jorge Luiz Calife; Record;
504 páginas; 62,90 reais) Doutor em física pela Universidade
Cambridge e produtor de séries científicas para a rede inglesa BBC,
Simon Singh sabe seduzir o público leigo sem comprometer o rigor. Autor
de uma obra fascinante sobre matemática O Último Teorema
de Fermat , ele agora revisa as idéias sobre a origem do universo.
O livro vai dos filósofos da Grécia antiga às descobertas
recentes feitas por satélites no espaço para explicar por que a
idéia de que tudo começou em uma grande explosão cósmica
o Big Bang se tornou consenso entre os astrofísicos. Leia
trecho Capítulo
1 NO
PRINCÍPIO A
ciência deve começar com os mitos, e com a crítica dos mitos. Karl
Popper Não
me sinto obrigado a acreditar que o mesmo Deus que nos dotou de sentidos, de razão
e de intelecto possa desejar que deixemos de usá-los. Galileu Galilei Viver
na Terra pode ser dispendioso, mas inclui uma viagem anual gratuita em torno
do Sol. Anônimo A
física não é uma religião. Se fosse, seria muito
mais fácil conseguir verbas para ela. Leon Lederman Nosso
universo é pontilhado com mais de 100 bilhões de galáxias
e cada uma contém aproximadamente 100 bilhões de estrelas. Não
está claro quantos planetas orbitam essas estrelas, mas é certo
que, em pelo menos um deles, a vida evoluiu. E, em especial, existe uma forma
de vida que tem a capacidade e a audácia de especular sobre a origem deste
vasto universo. Os
seres humanos vêm observando o espaço há milhares de gerações,
mas nós temos o privilégio de fazer parte da primeira geração
que alega ter uma descrição coerente, racional e respeitável
para a criação e a evolução do universo. O modelo
do Big Bang (Grande Explosão) oferece uma explicação elegante
para a origem de tudo o que vemos no céu noturno, o que o transforma numa
das maiores realizações do espírito e do intelecto humanos.
Trata-se do resultado de uma curiosidade insaciável, de uma imaginação
fabulosa, da observação aguçada e de uma lógica implacável. E,
o que é ainda mais maravilhoso, o modelo do Big Bang pode ser entendido
por todos. Quando tomei conhecimento do Big Bang, ainda adolescente, fiquei admirado
com sua beleza e simplicidade, e pelo fato de ser baseado em princípios
que, em sua maior parte, não iam além da física que eu já
aprendia no colégio. Exatamente como a teoria da seleção
natural de Charles Darwin é ao mesmo tempo fundamental e compreensível
para a maioria das pessoas inteligentes, o modelo do Big Bang pode ser explicado
em termos que farão sentido para não-especialistas sem que precisem
mergulhar nos conceitos-chave dos meandros da teoria. Mas,
antes de abordarmos os primeiros indícios do modelo do Big Bang, é
necessário estabelecer alguns fundamentos. O modelo do Big Bang para o
universo foi desenvolvido nos últimos cem anos, e isso só foi possível
porque as descobertas do século XX se ergueram sobre os alicerces de uma
astronomia desenvolvida nos séculos anteriores. Por sua vez, essas teorias
e observações do céu foram realizadas em uma estrutura científica
montada continuamente durante dois milênios. Recuando ainda mais, o método
científico, como um caminho em direção a uma verdade objetiva
a respeito do mundo natural, só pôde surgir quando o papel dos mitos
e do folclore começou a declinar. Em resumo, as raízes do modelo
do Big Bang e a busca de uma teoria científica para o universo têm
suas origens no declínio da visão mitológica ancestral do
mundo. De
criadores gigantes aos filósofos gregos De
acordo com um mito chinês da criação datado de 600 a.C., Phan
Ku, o Criador Gigante, saiu de um ovo e começou a criar o mundo usando
um cinzel para esculpir os vales e montanhas da paisagem. Em seguida ele colocou
o Sol, a Lua e as estrelas no céu e morreu assim que essas tarefas tinham
terminado. A morte do Criador Gigante era uma parte essencial do processo de criação,
porque os fragmentos de seu próprio corpo ajudaram a completar o mundo.
O crânio de Phan Ku formou a abóbada celeste, sua carne deu origem
ao solo, seus ossos se transformaram nas rochas e seu sangue criou os rios e mares.
Seu último suspiro produziu o vento e as nuvens, enquanto seu suor transformava-se
na chuva. Seu cabelo caiu na Terra, criando a vida vegetal, e os piolhos escondidos
em seus cabelos forneceram a base para a raça humana. E, como o nosso nascimento
exigiu a morte de nosso criador, fomos amaldiçoados com a tristeza eterna. Em
contraste, no mito épico Prose Edda, da Islândia, a criação
começou não com um ovo e sim com a Fenda Aberta. Esse vazio separou
os reinos contrastantes de Muspell e Niflheim, até que um dia o calor brilhante
e intenso de Muspell derreteu a neve congelante e o gelo de Niflheim, e a umidade
caiu na Fenda Aberta, produzindo a vida na forma do gigante Imir. Só então
a criação do mundo pôde começar. O
povo krachi, de Togo, no oeste da África, fala de outro gigante, o imenso
deus azul Wulbari, mais conhecido entre nós como o céu. Houve um
tempo em que ele se deitava logo acima da Terra, mas uma mulher socando grãos
com um longo pau o cutucava e espetava de modo que ele se ergueu acima deste incômodo.
Contudo, Wulbari permanecia ao alcance dos humanos, que usavam sua barriga como
uma toalha e arrancavam fragmentos de seu corpo azul para temperarem a sopa. Gradualmente,
Wulbari subiu cada vez mais alto, até que o céu azul ficou fora
do alcance, e lá permaneceu desde então. Para
os iorubá, também da África ocidental, Olorum era o Dono
do Céu. Quando ele olhou para baixo, para o pântano sem vida, pediu
a outro ser divino que levasse uma concha de caramujo até a Terra primordial.
A concha continha um pombo, uma galinha e uma pequena quantidade de solo. O solo
foi salpicado sobre os pântanos da Terra e então o pombo e a galinha
começaram a ciscar até que o pântano virou um terreno sólido.
Para testar o mundo, Olorum enviou o Camaleão, que mudou da cor azul para
o marrom enquanto ia do céu até a terra, sinalizando que a galinha
e o pombo tinham completado com sucesso a sua tarefa. No
mundo inteiro, cada cultura desenvolveu seus próprios mitos sobre a origem
do universo e como ele foi formado. Esses mitos da criação diferem
bastante, cada um refletindo o ambiente e a sociedade onde se originou. Na Islândia,
são as forças vulcânicas e meteorológicas que formam
o cenário para o nascimento do Imir. Mas, de acordo com os iorubás,
do oeste africano, são a galinha e o pombo familiares que dão origem
à terra sólida. Não obstante, todos esses mitos da criação
têm algumas características comuns. Seja Wulbari, grande, azul e
machucado, ou o gigante moribundo da China, esses mitos inevitavelmente invocam
pelo menos um ser sobrenatural para desempenhar um papel crucial na explicação
da criação do universo. Da mesma forma, cada mito representa a verdade
absoluta dentro de sua sociedade. A palavra "mito" vem do grego mythos,
que pode significar "estória", mas também significa "palavra"
no sentido de "palavra final". De fato, qualquer um que se atrevesse
a questionar essas explicações estaria sujeito a acusações
de heresia. Nada
mudou muito até o século VI a.C., quando houve um súbito
surto de tolerância nos meios intelectuais. Pela primeira vez os filósofos
ficaram livres para abandonar as explicações mitológicas
aceitas para o universo e desenvolverem suas próprias teorias. Anaximandro,
de Mileto, por exemplo, argumentava que o Sol era um buraco num anel cheio de
fogo que circundava a Terra e girava em torno dela. De modo semelhante, ele acreditava
que a Lua e as estrelas nada mais eram do que buracos no firmamento, revelando
fogos de outro modo escondidos. De modo contrário, Xenófanes de
Colofon acreditava que a Terra liberava gases combustíveis que se acumulavam
durante a noite até atingirem uma massa crítica, quando então
se incendiavam produzindo o Sol. A noite caía novamente quando a bola de
gás queimara todo o seu combustível, deixando para trás apenas
as poucas centelhas que chamamos de estrelas. Ele explicava a Lua de modo semelhante,
com gases se acumulando e queimando num ciclo de 28 dias. O
fato de Xenófanes e Anaximandro não estarem perto da verdade não
tem importância, porque o principal é que eles desenvolviam teorias
que explicavam o mundo natural sem recorrer a deuses ou artefatos sobrenaturais.
Teorias dizendo que o Sol é um fogo celeste visto através de um
buraco no firmamento ou uma bola de gás se queimando eram qualitativamente
diferentes do mito grego que explicava o Sol invocando uma carruagem dirigida
através do céu pelo deus Hélio. Isso não quer dizer
que a nova geração de filósofos quisesse necessariamente
negar a existência dos deuses. Eles apenas se recusavam a acreditar que
a interferência divina fosse responsável pelos fenômenos naturais. Esses
filósofos foram os primeiros cosmólogos, na medida em que
estavam interessados no estudo científico do universo físico e de
suas origens. A palavra "cosmologia" deriva da antiga palavra grega
kosmeo, que significa "ordenar" ou "organizar", refletindo
a crença de que o universo pode ser entendido e merece um estudo analítico.
O cosmos apresentava padrões, e era ambição dos gregos reconhecer
esses padrões, esmiuçá-los e compreender o que havia por
trás deles. Seria
um grande exagero chamar Xenófanes e Anaximandro de cientistas no sentido
moderno do termo, e seria lisonjeiro considerar suas idéias como teorias
científicas plenamente desenvolvidas. Não obstante, eles certamente
contribuíram para o nascimento do pensamento científico, e seu ethos
tinha muito em comum com a ciência moderna. Tal como as idéias na
ciência moderna, por exemplo, as idéias dos cosmólogos gregos
podiam ser criticadas e comparadas, melhoradas ou abandonadas. Os gregos adoravam
uma boa discussão e assim a comunidade dos filósofos examinava as
teorias, questionava o raciocínio subjacente e finalmente escolhia a mais
convincente. Em contraste, os indivíduos de muitas outras culturas não
se atreviam a questionar a própria mitologia. Cada mitologia era um ato
de fé dentro de sua própria sociedade. Pitágoras
de Samos ajudou a consolidar os fundamentos desse novo racionalismo por volta
do ano 540 a.C. Como parte de sua filosofia ele desenvolveu uma paixão
pela matemática e demonstrou como os números e as equações
podiam ser usados para ajudar a formular teorias científicas. Uma de suas
primeiras conquistas foi explicar a harmonia da música através da
harmonia dos números. O instrumento mais importante na música helênica
antiga era o tetracórdio ou lira de quatro cordas, mas Pitágoras
desenvolveu sua teoria fazendo experiências com um monocórdio. A
corda era mantida sob tensão constante, mas seu comprimento podia ser alterado.
Um certo comprimento da corda produzia uma determinada nota, e Pitágoras
percebeu que dividindo pela metade o comprimento da mesma corda, ela produzia
uma nota que era uma oitava mais alta e em harmonia com a nota da corda original.
De fato, mudando o comprimento da corda por qualquer fração simples
ou proporção, criava-se uma nota harmoniosa com a primeira. (Por
exemplo, uma proporção de 3:2, agora chamada de quinta musical).
Mas, se o comprimento fosse mudado numa proporção aleatória
(por exemplo 15:37), o resultado seria a desarmonia. Já
que Pitágoras tinha mostrado que a matemática podia ser usada para
ajudar a explicar e descrever a música, gerações subseqüentes
de cientistas usaram os números para explorar todo tipo de coisas, da trajetória
de uma bala de canhão aos padrões caóticos do clima. Wilhelm
Röntgen, que descobriu os raios X em 1895, era um fiel adepto da filosofia
pitagórica da ciência matemática e certa vez declarou: "Ao
se preparar para o seu trabalho, o físico precisa de três coisas:
matemática, matemática e matemática". O
mantra de Pitágoras era "tudo é número". Alimentado
por essa crença, ele tentou descobrir as regras matemáticas que
regeriam os corpos celestes. Ele afirmava que os movimentos do Sol, da Lua e dos
planetas através do céu geravam notas musicais especiais, que seriam
determinadas pelo comprimento de suas órbitas. E a partir daí Pitágoras
concluiu que essas órbitas e notas teriam proporções numéricas
específicas para que o universo permanecesse em harmonia. Isso se tornou
uma teoria popular em sua época. Podemos reexaminá-la a partir de
uma perspectiva moderna e ver como ela enfrenta os rigores do método científico
atual. Do lado positivo, a afirmação de Pitágoras de que
o universo estava repleto de música não depende de nenhuma força
sobrenatural. Sua teoria também é bem simples e muito concisa, duas
qualidades muito valorizadas na ciência. De modo geral, uma teoria apoiada
em uma única equação, curta e bonita, é preferível
a outra teoria que depende de várias equações feias e imprecisas,
cheias de parênteses complicados e espúrios. Como disse o físico
Berndt Matthias: "Se você vir uma fórmula na revista Physical
Review que ocupe um quarto de página, pode esquecê-la. Está
errada. A Natureza não é tão complicada". Entretanto,
a simplicidade e a concisão são secundárias diante da característica
mais importante de qualquer teoria científica: ela deve corresponder à
realidade e estar aberta à verificação. E é aí
que a teoria da música celeste fracassa completamente. De acordo com Pitágoras,
somos constantemente envolvidos por essa música celestial, mas não
podemos percebê-la porque a ouvimos desde que nascemos e ficamos acostumados
com ela. Para concluir, qualquer teoria que prevê uma música que
nunca pode ser ouvida ou qualquer coisa que jamais poderá ser detectada
é uma teoria científica muito pobre. Toda
teoria científica verdadeira precisa fazer uma previsão sobre o
universo que possa ser observada ou medida. Se os resultados de uma experiência
ou observação corresponderem à previsão teórica,
teremos um bom motivo para que a teoria se torne aceita e seja incorporada à
estrutura maior da ciência. Por outro lado, se a previsão teórica
for imprecisa e entrar em conflito com a experiência ou a observação,
então a teoria deve ser rejeitada, ou pelo menos modificada, a despeito
de suas qualidades no que se refere à beleza ou à simplicidade.
Esse é o desafio supremo, um desafio brutal, mas toda teoria científica
deve poder ser testada e ser compatível com a realidade. No século
XIX, o naturalista Thomas Huxley disse que "a grande tragédia da ciência
é a morte de uma bela hipótese diante de uma feia realidade". Felizmente
os seguidores de Pitágoras ampliaram suas idéias e aperfeiçoaram
sua metodologia. Aos poucos, a ciência foi se tornando uma disciplina sofisticada
e poderosa, capaz de realizações impressionantes, como a medida
dos verdadeiros diâmetros do Sol, da Lua e da Terra e das distâncias
que os separam. Essas medições foram marcos na história da
astronomia, representando os primeiros passos vacilantes na estrada para a compreensão
de todo o universo. Por isso tais medidas merecem ser descritas em detalhes. Antes
que qualquer distância celeste ou tamanho pudessem ser calculados, os antigos
gregos já tinham determinado que a Terra é uma esfera. Tal noção
ganhou ampla aceitação na antiga Grécia à medida que
os filósofos se familiarizavam com a noção de que os navios
desaparecem gradualmente no horizonte até que apenas a ponta do mastro
pode ser vista. E isso só fazia sentido se a superfície do mar se
curvasse, mergulhando atrás do horizonte. Se o mar tinha uma superfície
curva, então, presumivelmente, a Terra também a teria, o que significava
que talvez fosse uma esfera. Essa visão era reforçada pela observação
dos eclipses da Lua, quando a Terra projeta uma sombra em forma de disco sobre
a Lua, na forma exata que se esperaria de um objeto esférico. De significado
semelhante era o fato de que todos podiam ver que a própria Lua era redonda,
sugerindo que a esfera era a forma natural, o que acrescentava mais munição
à hipótese de uma Terra redonda. Tudo começava a fazer sentido,
incluindo os escritos do viajante e historiador grego Heródoto, que falava
de pessoas no extremo norte que dormiam durante metade de um ano. Se a Terra fosse
esférica, então partes diferentes do globo seriam iluminadas de
modo diferente, de acordo com suas latitudes, o que naturalmente dava origem ao
inverno polar e às noites que duravam seis meses. Mas
uma Terra esférica dava origem a uma pergunta que ainda incomoda as crianças
hoje em dia. O que impede que as pessoas no hemisfério Sul "se desprendam"
e caiam? A solução grega para esse enigma baseava-se na crença
de que o universo tinha um centro e tudo seria atraído para este centro.
O centro da Terra supostamente coincidiria com o centro universal hipotético,
assim a Terra era estática e tudo sobre sua superfície seria puxado
em direção ao centro. Portanto, os gregos ficariam presos ao chão
por essa força, assim como tudo o mais no mundo, mesmo se vivesse lá
embaixo. A
façanha de medir o tamanho da Terra foi realizada em primeiro lugar por
Eratóstenes, que nasceu em 276 a.C., em Cirene, na atual Líbia.
Mesmo quando ainda era um menino parecia evidente que Eratóstenes tinha
uma mente brilhante, que podia se voltar para qualquer disciplina, da poesia à
geografia. Ele até mesmo recebeu o apelido de Pentatlos, o que significa
um atleta que participa das cinco competições do pentatlo, numa
sugestão da amplitude de seus talentos. Eratóstenes passou muito
tempo como bibliotecário-chefe em Alexandria, o posto acadêmico de
maior prestígio no mundo antigo. A cosmopolita Alexandria tinha tomado
o lugar de Atenas como centro intelectual do Mediterrâneo, e a biblioteca
da cidade era a instituição de ensino mais respeitada no mundo.
Esqueça qualquer imagem de bibliotecários burocráticos, carimbando
livros e sussurrando uns com os outros, porque aquele era um lugar vibrante e
excitante, cheio de estudiosos inspiradores e estudantes empolgados. Na
biblioteca, Eratóstenes ficou sabendo da existência de um poço
com notáveis propriedades, situado perto da cidade de Siena, no sul do
Egito, perto da atual Assuã. A cada ano, ao meio-dia de 21 de junho, o
dia do solstício de verão, o Sol brilhava diretamente dentro do
poço e iluminava tudo até o fundo. Eratóstenes percebeu que,
naquele dia em especial, o Sol deveria estar diretamente acima, algo que nunca
acontecia em Alexandria, que ficava a várias centenas de quilômetros
ao norte de Siena. Hoje sabemos que Siena fica perto do Trópico de Câncer,
a latitude mais ao norte em que o Sol pode aparecer bem no zênite. Ciente
de que a curvatura da Terra era o motivo de o Sol não brilhar do mesmo
modo acima de Siena e Alexandria ao mesmo tempo, Eratóstenes imaginou se
não poderia usar isso para medir a circunferência da Terra. Ele não
pensou no problema do mesmo modo como pensaríamos, já que sua interpretação
da geometria e sua notação eram diferentes, mas aqui está
uma explicação moderna de sua abordagem. A figura 1 mostra como
os raios paralelos da luz do Sol atingiam a Terra ao meio-dia de 21 de junho.
No mesmo momento em que a luz do Sol mergulhava verticalmente no fundo do poço
em Siena, Eratóstenes fincou uma vareta verticalmente no solo de Alexandria
e mediu o ângulo entre a vareta e os raios do Sol. E o que é crucial
para o problema é que este ângulo equivale ao ângulo entre
duas linhas radiais traçadas de Alexandria e Siena até o centro
da Terra. Ele mediu o ângulo como sendo de 7,2o. |