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Presa,
de Michael Crichton (tradução de Geni Hirata; Rocco;
469 páginas; 47,50 reais) O americano Michael Crichton
domina como poucos a arte do "tecno-thriller" gênero
em que a paranóia em relação aos avanços
da tecnologia serve de mote para tramas tão assustadoras
quanto eletrizantes. Foi o que ele fez no sucesso Parque dos
Dinossauros, que mostra as conseqüências do mau uso
da biotecnologia. Em Presa, seu novo romance, Crichton aborda
outra área da ciência: a nanotecnologia, na qual se
estuda como criar máquinas de dimensões tão
pequenas que são invisíveis a olho nu. Cabe a um programador
de computador tentar deter a ameaça surgida numa experiência
que fugiu ao controle: um enxame de microrrobôs capazes de
se reproduzir e programados para ser predadores.
Leia
o primeiro capítulo
É
meia-noíte. A casa está às escuras. Não
sei como tudo isso vai terminar. As crianças estão
desesperadamente doentes, vomitando. Posso ouvir minha filha e meu
filho tendo ânsias de vômito, cada qual em um banheiro.
Estive com eles há alguns minutos, para ver o que estavam
pondo para fora. Estou preocupado com o bebê, mas tive que
fazê-lo vomitar também. Era sua única esperança.
Acho
que estou bem, ao menos por enquanto. Mas, é claro, as perspectivas
não são boas: a maioria das pessoas envolvidas neste
negócio já está morta. E há tantas coisas
que não sei ao certo.
As
instalações foram destruídas, mas não
sei se conseguimos destruí-las a tempo.
Estou
à espera de Mãe. Ela foi ao laboratório em
Palo Alto há doze horas. Espero que tenha conseguido. Espero
que os tenha feito compreender o quanto a situação
é desesperadora. Eu esperava receber notícias do laboratório,
mas até agora nem uma palavra.
Estou
com um zumbido nos ouvidos, o que é mau sinal E sinto uma
vibração no peito e no abdome. 0 bebê está
cuspindo, não está realmente vomitando. Estou me sentindo
zonzo. Espero não perder a consciência. As crianças
precisam de mim, especialmente a pequenina. Estão com medo.
Não os culpo.
Eu
também estou.
Sentado
aqui no escuro, é difícil acreditar que há
uma semana meu maior probiema era encontrar um emprego. Parece até
ridículo agora.
Mas,
por outro lado, as coisas nunca saem do jeito que a gente espera.
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