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Uma História dos Povos Árabes, de Albert Hourani (tradução de Marcos Santarrita; Companhia das Letras; 523 páginas; 39,50 reais)

Professor da Universidade de Oxford, o inglês Albert Hourani concluiu esse livro um ano antes de morrer, em 1992. A obra tece um painel revelador de treze séculos de história dos povos islâmicos de língua árabe, de Maomé até o presente. Ocupa um lugar de honra na biblioteca dos orientalistas, mas é uma leitura igualmente prazerosa para os leigos. Hourani escreve história à moda clássica. Narra e interpreta os principais eventos e traça perfis dos personagens célebres. Manipula um impressionante volume de informações, dos manuscritos antigos às estatísticas modernas. Apesar da ênfase nas questões políticas e econômicas, contudo, Hourani reserva espaço para incursões freqüentes em campos como o da poesia, da arquitetura, da filosofia e da música. Alentado, rico em detalhes, o livro pede para ser lido devagar e proporciona uma verdadeira imersão no universo árabe muçulmano.

. Trecho do livro

No início do século VII, surgiu às margens dos grandes impérios, o Bizantino e o Sassânida, um movimento religioso que dominou a metade ocidental do mundo. Em Meca, cidade da Arábia Ocidental, Maomé começou a convocar homens e mulheres à reforma e à submissão à vontade de Deus, expressa no que ele e seus seguidores aceitavam como mensagens divinas a ele reveladas e mais tarde incorporadas num livro, o Corão. Em nome da nova religião- o Islã-, exércitos recrutados entre os habitantes da Arábia conquistaram países vizinhos e fundaram um novo império, o Califado, que incluiu grande parte do território do Império Bizantino e todo o Sassânida, e estendeu-se da Ásia Central até a Espanha. O centro do poder passou da Arábia para Damasco, na Síria, sob os califas omíadads, e depois para Bagdá, no Iraque, sob os abácidas.

No século X, o Califado desmoronou, e surgiram califados rivais no Egito e na Espanha, mas a unidade social e cultural que se desenvolvera em seu interior continuou. Grande parte da população tornara-se muçulmana (ou seja, seguidores da religião do Islã), embora continuasse havendo comunidades judaicas e cristãs; a língua árabe difundira-se e tornara-se o veículo de uma cultura que incorporava elementos das tradições dos povos absorvidos no mundo muçulmano, e manifestava-se na literatura e em sistemas de lei, teologia e espiritualidade. Dentro dos diferentes ambientes físicos, as sociedades muçulmanas desenvolveram instituições e formas distintas; as ligações estabelecidas entre países da bacia do Mediterrâneo e do oceano Índico criaram um sistema de comércio único, trazendo mudanças na agricultura e nos ofícios, proporcionando a base para o surgimento de grandes cidades, com uma civilização urbana expressa em edificações de um característico estilo islâmico.




 
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