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O Espelho (Ayneh, Irã, 1997. Cult)

Divulgação

O Espelho: uso de parábolas para fugir da censura no Irã

Sempre submetido a uma censura rigorosa, o cinema iraniano costuma recorrer a parábolas para telegrafar suas mensagens. Não é difícil, entretanto, decifrar o que o diretor Jafar Panahi (do aterrorizante O Círculo, que mostra a perseguição às mulheres no Islã) quer dizer com O Espelho. A protagonista é uma menina pequena que, esquecida pela mãe na escola, decide voltar para casa sozinha. Ela vai pedindo ajuda a estranhos, mas ninguém lhe dá atenção. É uma maneira de comentar quanto o país, um dos regimes islâmicos mais rigorosos do mundo, está desatento às novas gerações. Mas uma reviravolta metalingüística no meio do filme revela que os jovens iranianos têm opiniões mais fortes do que se acredita e já começaram a escolher um caminho mais independente para suas vidas. Sem que o espectador espere, a menina enfatiza ser apenas uma atriz, que interpreta o papel de uma garotinha perdida. Ela interrompe a filmagem e diz que não mais fará a personagem, porque não quer ser vista pelos amiguinhos como uma tonta. Reclama inclusive do gesso falso que puseram em seu braço: "Não sou uma desastrada e sei me cuidar", declara. O discreto processo de abertura por que passa o Irã mostra que Panahi acertou em cheio no seu diagnóstico.


 
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