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Além
da Fé
(tradução de Rubens Figueiredo; Companhia das Letras;
549 páginas; 39,50 reais), de V.S. Naipaul
Filho
de indianos, nascido no Caribe e educado na Inglaterra, o escritor
V.S. Naipaul volta seu olhar, nesses dois livros, para a cultura
muçulmana. Ambos são relatos de suas viagens a países
que professam a religião islâmica, narrados com agudo
senso crítico e a técnica impecável
de sempre. Em Além da Fé, escrito nos anos
90, Naipaul aprofunda sua análise e defende a tese de que
o islamismo seria, em sua essência, uma religião imperialista.
Em decorrência disso, de acordo com ele, as sociedades convertidas
à crença seriam sempre obrigadas a apagar traços
de seu passado "infiel", num processo doloroso e desorientador.
Todas essas idéias são, evidentemente, polêmicas
mas Naipaul as defende com inegável brilhantismo.
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Trecho do livro
Prólogo
Este
é um livro sobre gente. Não é um livro de opinião.
É um livro de histórias. As histórias foram
reunidas durante cinco meses de viagem, em 1995, por quatro países
muçulmanos não-árabes- Indonésia, Irã,
Paquistão e Malásia. Portanto, existe um contexto
e um tema.
O islã, em sua origem, é uma religião árabe.
Toda pessoa que não é árabe e é muçulmana
é um convertido. O islã não é uma mera
questão de consciência ou de crença pessoal.
O islã estabelece exigências imperiais. A visão
do mundo de um convertido se modifica. Ele repudia sua visão
própria; se torna, goste disso ou não, parte da história
árabe. O convertido tem de recusar tudo o que é seu.
A pertubação para as sociedades é imensa e,
após mil ano, pode permanecer sem solução;
a recusa precisa ser repetida várias vezes. As pessoas criam
fantasias sobre quemsão e o que são; no islã
dos países convertidos existe um elemento de neurose e niilismo.
Esses países podem facilmente entrar em ebulição.
Este livro é um seqüência para um livro publicado
dezessete anos atrás, Entre os fiéis, a respeito de
uma viagem aos mesmos quatro países. Quando parti, naquela
viagem em 1979, não sabia quase nada sobre o islã
e aquele primeiro livro era uma investigação sobre
as particularidades da fé e do que parecia sua capacidade
de promover uma revolução.
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