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Tosca
(Tosca, Inglaterra/França/Itália/Alemanha,
2001) Raramente a transposição de óperas
para o cinema dá certo. Uma exceção é
a ótima Tosca que acaba de entrar em cartaz no Brasil.
Ela não padece dos problemas comuns a filmes do gênero,
como a canastrice dos cantores líricos. Essa Tosca
conta em seu elenco com o melhor ator do mundo da ópera,
o italiano Ruggero Raimondi. Ele dá um show na pele do barão
Scarpia, provavelmente o pior vilão das tramas líricas.
Scarpia é um virtuose em vários estilos de maldade.
Estupro, tortura, chantagem e assassinato fazem parte de seu repertório.
O papel é um prêmio para Raimondi, que esculpe a complicada
psicologia do personagem com sutis trejeitos e inflexões
de voz. Tosca e Cavaradossi, que formam o par romântico, são
interpretados respectivamente pela soprano Angela Gheorgiu e pelo
tenor Roberto Alagna, casados na vida real, que têm boa voz
e não comprometem como atores. O enredo de Tosca é
mirabolante como costumam ser as tramas de ópera. Tramas
sem pé nem cabeça não combinam com a linguagem
realista do cinema e é esta a razão do fiasco
da La Traviata de Franco Zeffirelli ou da Carmen de
Francesco Rosi. O diretor Benoît Jacquot evita a armadilha,
optando por uma mistura entre cenários teatrais, imagens
oníricas e trechos de making of. Dessa forma, não
é o horrendo libreto de Illica e Giacosa que fica em evidência,
mas a sublime música de Giacomo Puccini a qual, bem
tocada e bem cantada, é por si só uma excelente razão
para ir ao cinema.
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