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livros
A Sistina: história tumultuada  

Michelangelo e o Teto do Papa, de Ross King (tradução de Alexandre Martins; Record; 392 páginas; 54,90 reais) – Os afrescos de Michelangelo Buonarroti (1475-1564) na Capela Sistina são universalmente reconhecidos como um dos momentos máximos da arte. O escritor e historiador canadense Ross King reconstitui a complicada história dessa obra-prima. Michelangelo foi comissionado para o trabalho pelo papa Júlio II, um pontífice guerreiro que tinha visões grandiosas para Roma. King narra como foi a relação tumultuada entre o papa e seu protegido. Também fala da rivalidade entre Michelangelo e outros artistas, como Rafael. Mais importante, o livro esmiúça os complicados conflitos religiosos que dividiam a Itália no século XVI – e que tiveram sua influência na arte renascentista.

Leia trecho

1. A convocação

A PIAZZA RUSTICUCCI não era um dos endereços de maior prestígio de Roma. Embora estivesse a apenas uma rápida caminhada de distância do Vaticano, a praça era simples e nada marcante, parte de um labirinto de ruas e lojas densamente concentradas que se estendia do oeste a partir do ponto em que a ponte Sant'Angelo cruzava o rio Tibre. Tinha no centro um cocho para gado, junto a uma fonte, e no lado leste havia uma igreja modesta com um pequeno campanário. Santa Caterina delle Cavallerotte era nova demais para ser famosa. Ela não abrigava nenhuma das relíquias - ossos de santos, fragmentos da Cruz Sagrada - que todos os anos levavam a Roma milhares de peregrinos de toda a Cristandade. Contudo, atrás dessa igreja, em uma rua estreita à sombra do muro da cidade, estava instalado o ateliê de um dos mais requisitados artistas da Itália: um escultor atarracado, de nariz chato, malvestido e mal-humorado nascido em Florença.

Michelangelo Buonarroti voltou a ocupar esse ateliê atrás de Santa Caterina em abril de 1508. Ele obedeceu ao chamado com grande relutância, após ter prometido nunca mais retornar a Roma. Ao deixar a cidade dois anos antes, ele ordenara a seus assistentes que limpassem o ateliê e vendessem tudo o que havia nele, incluindo seus instrumentos de trabalho, aos judeus. Naquela primavera ele retornou para encontrar o imóvel vazio e, ali perto, na Praça de São Pedro, expostas aos elementos, cem toneladas de mármore ainda no mesmo lugar onde ele as abandonara. Aqueles blocos de um branco lunar tinham sido extraídos na preparação para o que deveria ser um dos maiores conjuntos escultóricos que o mundo já vira: o túmulo do papa de então, Júlio II. Mas Michelangelo não tinha sido levado de volta a Roma para retomar seu trabalho naquele colosso.

Michelangelo tinha então 33 anos de idade. Ele nasceu no dia 6 de março de 1475, no momento, como disse a um de seus ajudantes, em que Mercúrio e Vênus estavam na casa de Júpiter. Essa disposição planetária tão favorável previa para ele "sucesso nas artes que encantam os sentidos, como pintura, escultura e arquitetura".1 Esse sucesso não demorou a chegar. Aos quinze anos de idade o precoce Michelangelo já estava estudando a arte da escultura no Jardim de San Marco, uma escola de artes criada por Lourenço de Medici, governante de Florença. Aos dezenove anos, estava esculpindo estátuas em Bolonha e dois anos depois, em 1496, fez sua primeira viagem a Roma, onde logo recebeu a encomenda da Pietà. O contrato para essa estátua estabelecia claramente que deveria ser "o mais belo trabalho em mármore que Roma já vira"2 - condição que ele parece ter cumprido alguns anos mais tarde, quando o trabalho foi apresentado a um público estupefato. Esculpida para ornamentar o túmulo de um cardeal francês, a Pietà recebera elogios não apenas por superar as esculturas de todos os contemporâneos de Michelangelo, mas mesmo aquelas dos próprios- gregos e romanos antigos - o padrão segundo o qual a arte era avaliada.

O sucesso seguinte de Michelangelo foi outra estátua de mármore, o Davi, instalado em frente ao Palazzo della Signoria, em Florença, em setembro de 1504, após três anos de trabalho. Se a Pietà tinha uma graça delicada e beleza feminina, o Davi revelava o talento de Michelangelo para expressar o poder monumental por intermédio do nu masculino. Com quase cinco metros de altura, o trabalho passou a ser conhecido pelos impressionados cidadãos de Florença como Il Gigante, O Gigante. Foram necessários quatro dias e muita en-genhosidade do arquiteto Giuliano da Sangallo, amigo de Michelangelo, para transportar a enorme estátua por quatrocentos metros, do ateliê atrás da catedral para seu pedestal na Piazza della Signoria.

No início de 1505, alguns meses após ter concluído o Davi, Michelangelo recebeu do papa Júlio II uma convocação que interrompeu seu trabalho em Florença. O papa ficara tão impressionado com a Pietà, que conhecera em uma capela da Basílica de São Pedro, que desejou que o jovem escultor também fizesse o seu túmulo. No final de fevereiro, o tesoureiro papal, cardeal Francesco Alidosi, pagou a Michelangelo um adiantamento de cem florins de ouro, o equivalente a um ano de salário de um artesão. O escultor então retornou a Roma e começou a trabalhar para o papa.3 Começava naquele momento o que ele mais tarde chamaria de "a tragédia do túmulo".

Túmulos de papas geralmente eram grandes encomendas. O de Sisto IV, que morreu em 1484, era um belo sarcófago de bronze que demorou nove anos para ficar pronto. Mas Júlio, que não conhecia a modéstia, imaginou para si algo em uma escala inteiramente nova. Ele começou a fazer planos para o sepulcro logo após sua eleição para o papado, em 1503, terminando por conceber um memorial que deveria ser o maior desde os mausoléus construídos para imperadores romanos como Adriano e Augusto. O projeto de Michelangelo buscava atender a essa impressionante ambição, com uma estrutura livre de aproximadamente 10 metros de largura e 15 metros de altura. Haveria mais de quarenta estátuas de mármore em tamanho natural, instaladas em uma grande e altamente detalhada disposição arquitetônica de pilares, arcos e nichos. Na fila inferior, uma série de esculturas de nus representaria as artes liberais, enquanto o topo do monumento seria coroado por uma estátua de três metros de altura de Júlio usando a mitra papal. Além de um salário anual de 1.200 ducados - aproximadamente dez vezes mais do que um escultor ou um ourives médios- poderiam esperar receber em um único ano - Michelangelo receberia um pagamento final de mais 10 mil.*

3. Reprodução de um dos projetos de Michelangelo para o túmulo de Júlio II.

Michelangelo começou seu assustador projeto com energia e entusiasmo, passando oito meses em Carrara, 104 quilômetros a noroeste de Florença, supervisionando a retirada e o transporte do mármore branco pelo qual a cidade era famosa e no qual tanto a Pietà quanto o Davi tinham sido esculpidos. Apesar de vários contratempos no transporte - um de seus barcos de carga encalhou no Tibre e vários outros atolaram quando o rio transbordou - no início de 1506 ele tinha transportado para a praça em frente à Basílica de São Pedro mais de noventa carregamentos de mármore, depois transferidos para o ateliê atrás de Santa Caterina. Os habitantes de Roma ficaram excitados com a visão daquela montanha de pedras brancas se erguendo em frente à velha basílica. Ninguém estava mais excitado que o papa, que chegou mesmo a construir uma passagem especial para ligar o ateliê de Michelangelo ao Vaticano e assim facilitar suas visitas à Piazza Rusticucci, onde discutia o grandioso projeto com o artista.

Porém, antes mesmo que o mármore chegasse a Roma, as atenções do papa já se voltavam para uma empreitada ainda maior. Tendo originalmente planejado que seu sepulcro ficaria em uma igreja perto do Coliseu, San Pietro in Vincoli, mudou de idéia e decidiu que ele deveria ser instalado no conjunto grandioso de São Pedro. Mas logo se deu conta de que a velha basílica não estava em condições de abrigar um monumento tão impressionante. Dois séculos e meio após sua morte, em 67 d.C., os ossos de São Pedro tinham sido transferidos das catacumbas para aquele local ao lado do Tibre - o ponto onde se acreditava que ele tinha sido crucificado - e a basílica que leva seu nome foi construída sobre eles. Por uma triste ironia, o grande prédio que abriga a tumba de São Pedro, a fundação sobre a qual a Igreja Cristã foi estabelecida, acabou ocupando um trecho baixo de terreno pantanoso no qual, dizia-se, viviam cobras grandes o suficiente para devorar bebês inteiros.

As fundações inadequadas fizeram com que, em 1505, as paredes da basílica já estivessem quase dois metros fora do prumo. Embora tivessem sido feitos diversos esforços isolados para reparar a situação perigosa, Júlio, de modo característico, decidiu tomar uma providência mais drástica: demolir São Pedro e construir em seu lugar uma nova basílica. Assim, a destruição da mais antiga e sagrada igreja da cristandade tinha começado na época em que Michelangelo voltou de Carrara. Dezenas de antigos túmulos de santos e papas anteriores - inspiração para visões, curas e outros milagres - acabaram transformados em pó, e enormes covas com 7,5 metros de profundidade foram cavadas para as fundações. Toneladas de material de construção ocupavam as ruas e piazzas próximas, enquanto um exército de dois mil carpinteiros e pedreiros se preparava para o maior projeto de construção visto em toda a Itália desde os dias da antiga Roma.

O projeto dessa grandiosa nova basílica tinha sido feito pelo arquiteto oficial do papa, Giuliano da Sangallo, amigo e mentor de Michelangelo. Aos 63 anos de idade, Sangallo ostentava um impressionante currículo de encomendas, tendo projetado igrejas e palácios em grande parte da Itália, entre eles o Palazzo Rovere, uma esplêndida residência construída para Júlio II em Savona, perto de Gênova. Sangallo também tinha sido o arquiteto favorito de Lourenço de Medici, para quem projetou uma vila em Poggio a Caiano, perto de Florença. Em Roma, tinha sido responsável por reparos no Castelo Sant'Angelo, a fortaleza da cidade. Também reformou a Santa Maria Maggiore, uma das mais antigas igrejas de Roma, tendo coberto seu teto com o que teria sido o primeiro ouro trazido do Novo Mundo.



Sangallo estava tão certo de receber a encomenda para reconstruir a Basílica de São Pedro que transferiu sua família de Florença para Roma. Contudo, ele foi obrigado a enfrentar uma concorrência pelo projeto. Donato d'Angelo Lazzari, mais conhecido como Bramante, também tinha a seu crédito um conjunto de trabalhos igualmente importantes. Considerado por seus admiradores o maior arquiteto desde Filippo Brunelleschi, ele construíra igrejas e domos em Milão e, após se transferir para Roma em 1500, vários conventos, mosteiros e palácios. Na época, sua construção mais elogiada era o Tempietto de San Pietro in Montorio, um pequeno templo em estilo clássico no Janiculum, um monte ao sul do Vaticano. A palavra bramante significa "voraz", um apelido adequado para alguém com as enormes ambições e o grande apetite sexual daquele arquiteto de 62 anos de idade. E o voraz Bramante viu na Basílica de São Pedro a oportunidade de exercer suas grandes habilidades em uma escala muito maior que nunca.

A competição entre Sangallo e Bramante teve conseqüências para virtualmente todos os pintores e escultores de Roma. Florentino que viveu e trabalhou muitos anos em Roma, Sangallo era o líder de um grupo de artistas - entre eles seu irmão e sobrinhos - que migraram de Florença para o sul para disputar encomendas do papa e de seus ricos cardeais. Bramante, natural de Urbino, tinha ido para Roma havia menos tempo, embora desde sua chegada tenha feito amizade com artistas que tinham vindo de várias outras cidades italianas, dando apoio a eles como contraponto aos florentinos cujas carreiras Sangallo tentava estimular.4 Havia muito em jogo na disputa para projetar a catedral de São Pedro, já que o vitorioso iria conquistar grande poder de patrocínio, assim como uma invejável influência na corte papal. E, no final de 1505, a facção de Bramante conseguiu uma enorme vantagem quando seu projeto - de uma ampla estrutura em forma de cruz grega coberta por uma cúpula - foi escolhido pelo papa em detrimento daquele apresentado por Sangallo.

Se Michelangelo ficou desapontado com o fracasso de seu amigo em assegurar a encomenda, a reconstrução da catedral de São Pedro teve um efeito quase imediato em seu próprio trabalho. As enormes despesas determinadas por ela fizeram com que o papa suspendesse abruptamente o projeto de seu túmulo - uma mudança de idéia de que Michelangelo se deu conta da pior forma possível. Após embarcar suas toneladas de mármore para Roma, ele foi deixado com custos de transporte de 140 ducados, uma quantia substancial que só pôde ser paga com um empréstimo bancário. Não tendo recebido nenhuma quantia desde os cem florins pagos havia mais de um ano, ele decidiu pedir o reembolso ao papa, com quem jantou no Vaticano uma semana antes da Páscoa. Para sua preocupação, durante o jantar ele ouviu o papa informar a dois outros convidados que não pretendia gastar mais nenhum ducado em mármore para o túmulo - uma mudança chocante, dado seu interesse anterior pelo projeto. Ainda assim, antes de deixar a mesa o escultor reuniu coragem suficiente para abordar a questão dos 140 ducados, apenas para ser enrolado por Júlio, que o instruiu a retornar ao Vaticano na segunda-feira seguinte. Naquele dia, porém, ele foi pela segunda vez tratado com desdém quando o papa recusou-se a recebê-lo em audiência.

"Eu retornei na segunda-feira", disse depois Michelangelo em carta a um amigo, "e na terça, e depois na quarta e na quinta. (...) Finalmente, na manhã de sexta-feira eu fui expulso; em outras palavras, demitido sumariamente."5 Um bispo, vendo aquele procedimento com surpresa, perguntou ao funcionário que expulsara Michelangelo se ele se dava conta de com quem estava falando. "Eu o conheço", respondeu o funcionário, "mas sou obrigado a obedecer às ordens de meus superiores sem fazer perguntas."6

6. O papa Júlio II.

Tal tratamento era demais para um homem desacostumado a ver portas batendo em sua cara. Conhecido tanto por seu temperamento dócil e sua natureza arredia e desconfiada quanto por sua impressionante habilidade com o martelo e o cinzel, Michelangelo também podia ser arrogante, insolente e impulsivo. "Pode dizer ao papa", disse ele, com arrogância, ao funcionário, "que de agora em diante se ele me quiser, pode me procurar em outro lugar."7 Ele então retornou a seu ateliê - "esmagado pelo desespero", como disse algum tempo depois8 - e instruiu seus empregados a vender aos judeus tudo o que havia nele. Mais tarde, naquele mesmo dia, 17 de abril de 1506 - véspera do lançamento da pedra fundamental da nova basílica - ele abandonou Roma, jurando nunca mais voltar.

O papa Júlio II não era um homem que se devesse ofender. Nenhum outro papa antes ou depois teve reputação tão temível. Com 63 anos de idade, constituição vigorosa, cabelos brancos e rosto corado, ele era conhecido como il papa terribile, o papa terrível. E as pessoas tinham bons motivos para temer Júlio. Eram lendários seus ataques de fúria, durante os quais ele socava subalternos ou os agredia com sua bengala. Segundo testemunhas estupefatas, ele tinha o poder quase sobre-humano de fazer o mundo se curvar a seus propósitos. "É virtualmente impossível", escreveu um estarrecido embaixador veneziano, "descrever como ele é forte, violento e difícil de lidar. Ele tem a natureza de um gigante em corpo e alma. Tudo nele é em grande escala, tanto as empreitadas a que se dedica quanto suas paixões."9 Em seu leito de morte, o assediado embaixador disse que a perspectiva do fim era doce, pois significava que já não precisaria lidar com Júlio. Um embaixador espanhol foi ainda menos caridoso. "No sanatório em Valência há centenas de pessoas acorrentadas que são menos loucas que Sua Santidade", disse.10

O papa provavelmente soube da fuga de Michelangelo quase que imediatamente, já que tinha espiões não apenas nos portões da cidade, mas também no campo. E assim que Michelangelo deixou seu ateliê em um cavalo alugado, cinco cavaleiros saíram em seu encalço. Eles seguiram o escultor fugitivo enquanto seu cavalo o levava para o norte ao longo da via Cassia, passando por aldeias com estações de posta onde depois de algumas horas ele trocava de montaria. Após uma longa cavalgada em meio à escuridão, às duas horas da madrugada ele finalmente entrou em território florentino, onde o papa não tinha jurisdição. Cansado, mas acreditando estar fora do alcance do papa, ele apeou em uma hospedaria em Poggibonsi, cidade fortificada ainda a 32 quilômetros de Florença. Ele mal tinha chegado à hospedaria, porém, quando os cavaleiros surgiram. Michelangelo recusou-se obstinadamente a retornar com eles, destacando o fato de que estava em território florentino e ameaçando matar todos os cinco - um grande blefe - caso eles tentassem levá-lo à força.

Mas os mensageiros insistiram, mostrando a ele uma carta com o selo papal que ordenava que retornasse imediatamente a Roma "sob pena de cair em desgraça". Michelangelo continuou recusando-se a obedecer, mas a pedido deles escreveu uma resposta ao papa, uma carta desafiadora informando a Júlio que não pretendia retornar a Roma nunca mais; que não merecia ser tão maltratado em troca de seu trabalho leal e que já que o papa não pretendia dar continuidade ao túmulo, considerava encerradas suas obrigações para com Sua Santidade. A carta foi assinada, datada e entregue aos mensageiros, que se viram sem escolha a não ser montar em seus cavalos e voltar para enfrentar a fúria de seu mestre.

O papa provavelmente recebeu essa carta quando se preparava para colocar a pedra fundamental da basílica, que, ironicamente, era de mármore de Carrara. Entre aqueles reunidos para a cerimônia à beira da imensa cratera estava o homem que Michelangelo considerava o responsável pela sua desgraça: Donato Bramante. Michelangelo não imaginava que simples considerações financeiras podiam explicar por que o papa tinha perdido interesse em ter seu túmulo esculpido; ele estava convencido de que estava em curso um complô infame, uma conspiração na qual Bramante procurava sabotar suas ambições e destruir sua reputação. O complô do arquiteto consistiria em persuadir o papa a abandonar o projeto alertando-o para o fato de que dava azar ter sua tumba esculpida enquanto vivo, para então propor ao escultor uma encomenda diferente, uma tarefa na qual ele sabia que Michelangelo dificilmente seria bem-sucedido: pintar afrescos na abóbada da Capela Sistina.



 
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