|
Napoleão,
de Paul Johnson (tradução
de Sérgio Duarte; Objetiva; 210 páginas; 31,90 reais)
Uma das figuras centrais da história moderna, o imperador
francês Napoleão Bonaparte (1769-1821) já foi
tema de inúmeras biografias enaltecedoras. O jornalista e
historiador Paul Johnson propõe uma visão alternativa
e bem inglesa do personagem. Para Johnson, o antigo
inimigo de seu país influenciou de maneira negativa os rumos
da história. Segundo ele, a escalada militar promovida por
Napoleão, em vez de engrandecer a França, prejudicou
o desenvolvimento do país e o fez perder seu lugar de vanguarda
entre as potências européias. Para Johnson, o estilo
napoleônico também está na raiz dos regimes
totalitários que surgiram no século XX.
Leia
trechos do livro
ANTECEDENTES
NA CÓRSEGA
Napoleão
Bonaparte nasceu em 15 de agosto de 1769, em Ajaccio , na ilha da
Córsega. Paradoxalmente, a vida desse homem, que pensava
em termos de conquista de continentes inteiros, acabou limitada
poi três ilhas: A Córsega, menor do que metade do País
de Gales e do que o estado americano de Vermont; a ilha de Elba,
onde se representou uma paródia de sua glória; e Santa
Helena, simples grão de areia no oceano, sua prisão
até a morte.
Seu
nascimento deu-se numa época de ouro: 1769 foi o ano em que
nasceram o duque de Wellington, carrasco de Bonaparte, e o político
que o apoiou, o visconde de Castlereagh. Nessa data, ou próximo
a ela, vieram ao mundo muitos dos espíritos da era que se
aproximava: Chateaubriand e madame de Stäel, outros dois ferrenhos
inimigos ferrenhos de Bonaparte; Wordsworth e Coleridge, que o amaldiçoaram
em prosa e verso; Beethoven, que dedicou a sinfonia Eroica ao primeiro-cônsul
e mais tarde rasgou raivosamente, quarido ele se fez imperador.
Houve muitos mais: Hegel e Schlegel, Andrew Jackson e John Quincy
Adams, George Canning, Metternich e sir Walter Scott.
Foi
também um ano excepcional em outros aspectos. A Revolução
Industrial começava a tomar forma na Inglaterra, com os produtos
têxteis na vanguarda; e o capitão Clook, ao desembarcar
na baía Botany, trouxe para a égide do Ocidente a
Australásia, o último continente. A Córsega,
porém, era muito remota em relação a esses
e outros grandes acontecimentos. Era pobre, selvagem, desprezada,
explorada, insiginificante política e economicamente. Exatamente
100 anos mais tarde, o artista inglês Edward Lear desembarcou
na ilha com seu material de desenho e produziu um brilhante resumo
visual de sua aparência, que não mudara ao longo de
um século: montanhas dorsais vertiginosas, quase impenetráveis
florestas de pinheiros, amplos campos rochosos e raras quedas dágua,
além de infinitas savanas pouco férteis , conhecidas
localmente pelo termo le maquis, palavra que se tornaria sinônimo
de guerra.
|