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Bush em Guerra, de Bob Woodward (tradução de Lúcia Magalhães e Graziella Somaschini; Arx; 454 páginas; 59 reais) – O americano Bob Woodward é uma lenda do jornalismo investigativo. Ao lado do colega Carl Bernstein, ele realizou reportagens sobre o caso Watergate que resultaram na renúncia de Richard Nixon à Presidência dos EUA, em 1974. Nesse novo livro, ele enfoca a Casa Branca nos 100 dias que se seguiram aos atentados de 11 de setembro de 2001. Woodward fez uma longa entrevista com o presidente George W. Bush, falou com seus principais assessores (como Donald Rumsfeld e Colin Powell) e teve acesso a documentos confidenciais. Numa narrativa ágil, ele ilumina o processo de tomada de decisões políticas em Washington na atual administração.

Leia trechos do livro

Capítulo 1

Terça-feira, dia 11 de setembro de 2001 começou como um daqueles dias espetaculares; de início de outono na costa leste dos EUA: ensolarado, com temperaturas em torno de 220C, ventos leves e o céu de um azul claro e límpido. Com o presidente George W Bush viajando para a Flórida naquela manhã para promover seu programa educacional, e o diretor da CIA, chefe do serviço secreto, George J. Tenet, não precisaria manter o ritual das oito da manhã: de encontrar-se com o presidente na Casa Branca para deixá-lo a par das últimas e mais importantes informações secretas obtidas pelo vasto império americano de espionagem.

Em vez disso, o sociável Tenet, 48 anos, filho de imigrantes gregos, estava tomando um prazeroso café-da-manha no St. Regis Hotel, a três quarteirões ao norte da Casa Branca, com um homem que era o maior responsável por sua ascensão no mundo do serviqo secreto de inteligência, o ex-senador democrata por Oklahoma, David L. Boren. Os dois vinham mantendo uma amizade especialmente próxima havia treze anos, que começara quando Tenet era um integrante de nivel intermediário no Comitê de Inteligência do Senado, que Boren presidia. Boren percebeu que Tenet era um funcionário especialmente talentoso para analisar e resumir informações do setor de inteligência e o promoveu a chefe de equipe, acima de outros integrantes mais antigos do comitê, num posto que lhe permitiu, virtualmente, acesso a todos os segredos de espionagem da nação.

Depois, Boren indicou Tenet ao presidente eleito Bill Clinton, em 1992, sugerindo que ele fosse designado para chefiar a equipe de inteligência do serviço secrero na transição da administraqfio. No ano seguinte, Tenet foi nomeado, diretor da equipe de inteligência do Conselho Nacional de Segurança, responsável pela coordenação de todos os assuntos de inteligência para a Casa Branca, incluindo as missões secretas. Em 1995, Clinton o nomeou diretor-adjunto da CIA e, dois anos depois, ele foi designado diretor da inteligência central (DCI), encarregado de liderar a CIA e a vasta comunidade de espionagern dos Estados Unidos.

De temperamento forte, muito tenso e trabalhador obsessivo, Tenet teve um ataque do coraqdo quando era diretor da equipe de inteligência do Conselho Nacional de Segurança. Ele perdia a calma com certa facilidade e frequência. Durante o segundo mandato do presidente Clinton, quando era diretor da CIA, ficou furioso durante um dos principais encontros do conselho, que incluía as secretarias de Estado e de Defesa, mas não o presidente. Ele achou que a reunião, que o estava impedindo de assistir à peça natalina da escola do seu filho, estava se estendendo por demais. "Que se dane, eu estou indo embora", foi seu comentário ao partir. Mas depois disso, Tenet aprendeu a ter mais controle sobre si.


 
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