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Laila
& Majnun, de Nizami (tradução de Marissom
Ricardo Roso; Jorge Zahar; 184 páginas; 22,50 reais)
Uma das narrativas mais populares do folclore muçulmano em
todos os tempos, a história de Laila & Majnun nasceu
na tradição oral dos beduínos árabes e
ganhou uma célebre adaptação literária
pelas mãos do poeta persa Nizami, no século XII. Esse
livro é uma bela versão em prosa de seu original de
8.000 versos.Trata-se de uma espécie de Romeu e Julieta
à moda das 1001 noites. O herói Majnun é
um homem que vai à loucura e ao desespero por amor à
formosa Laila, com quem não pode se casar. "Laila espalhou
as sementes do amor; Majnun regou-as com suas lágrimas", escreve
Nizami. Uma curiosidade: foi dessa história que o astro Eric
Clapton retirou o nome de Layla, uma de suas canções
mais conhecidas.
Leia trechos do
livro
Era uma vez, na antiga Arábia, um homem - um grande senhor,
um sayyid, que governava uma tribo conhecida como Banu Amir. Nenhum
outro domínio alcançou mais prosperidade e sucesso que
o dele, e sua coragem como líder de homens era conhecida em
toda a região. Para os pobres, ele era generoso - as portas
de seu vasto tesouro estavam sempre abertas, e as cordas de sua bolsa
estavam sempre desatadas. Era lendária sua hospitalidade para
com os estrangeiros. Embora fosse amado por seu povo e desfrutasse
do tipo de respeito dedicado somente a sultões e califas, ele
percebia sua situação de um modo diferente: via-se como
uma vela que se consome lentamente sem irradiar luz suficiente para
os outros. Uma tristeza enorme e permanente corroía seu coração,
obscurecendo seus dias - o sayyid não tinha filhos.
Que importância há em riqueza e poder quando um homem
não tem filhos: De que adiantam glória e prestígio
se não há alguém para continuar o nome da família?
E que propósito existe numa vida que não conhece a felicidade
proporcionada pelos filhos? O velho ponderava sobre essas questões.
E quanto mais pensava, maior se tornava sua dor. As orações
não produziam resultado, as esmolas quedava eram vãs.
Ele esperava por uma lua cheia que não nasceria, por uma rosa
que não iria florescer. Mesmo assim, nunca deixou de ter esperança.
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