Sayonara,
Gangsters, de Genichiro Takahashi (tradução de Jefferson
José Teixeira; Ediouro; 296 páginas; 39,90 reais) Como seu
compatriota Haruki Murakami, o japonês Takahashi não mostra muito
interesse pela decantada tradição de seu país. Ele produz
uma literatura francamente pop, que faz autores ocidentais como Nick Hornby e
Irvine Welsh parecer senhores convencionais. Situado num futuro próximo,
esse seu livro de estréia (lançado nos anos 80 e só agora
traduzido no Brasil) começa com um atentado ao presidente americano e segue
acompanhando as desventuras de um intelectual japonês que se envolve com
um grupo terrorista. Entre outras divertidas esquisitices, a história inclui
um gato que adora leite com vodca e é versado em literatura.
Leia
trecho "Um
a um, os Presidentes dos Estados Unidos da América estão sendo derrubados
como pinos de boliche pelos GANGSTERS." The
New York Times "Prezados
Concidadãos, Neste
exato momento em que aqui estamos reunidos, aqueles odiosos GANGSTERS espalham
morte e terror por toda a parte. Em
Londres, em Paris, em Tóquio, em Leningrado e no Cabo Cook, no estado de
Maryland, os GANGSTERS continuam a destruir, saquear e violar. Povo
de meu país! Os
GANGSTERS são cruéis, ignóbeis, destituídos de toda
e qualquer racionalidade e humanidade, tirando o máximo prazer em imprimir
sua marca de aniquilamento por todo o planeta. Povo
de meu país! Agradeço
pelo privilégio de poder aqui e agora declarar o seguinte: Eu,
John Smith Jr., Presidente dos Estados Unidos da América, declaro a todos
os cidadãos americanos amantes da paz e a todo o mundo: Nós
iremos eliminar rapidamente da face do planeta todos OS GANGSTERS, por completo,
em sua inteireza, sem deixar um sequer. Os
inimigos da paz certamente serão derrotados. Não
hesitaremos em levar adiante nossa nobre missão. Em
nome da lei, da justiça e de Deus. Amém. (Calorosos
aplausos.)" John
Smith Jr. foi o sétimo Presidente dos Estados Unidos da América
este ano, e de todos foi aquele com o segundo mandato mais breve. William
Smith, 66o Presidente dos Estados Unidos da América, morreu durante a cerimônia
de posse, no exato momento em que colocou sua mão sobre a Bíblia
para efetuar o juramento, vitimado pela picada de uma cobra venenosa estrategicamente
colocada dentro das
Sagradas Escrituras. O crime foi perpetrado pelos gangsters. O
69º Presidente dos Estados Unidos da América, John Smith Jr., morreu cercado
por uma centena de agentes de segurança, vítima de um atentado à
bomba, instantes após encerrar seu monumental discurso, no qual prometera
erradicar totalmente os gangsters. Henry
Smith III, um dos agentes de segurança que testemunharam de perto a explosão
do Presidente, relatou o seguinte: "Enquanto
descia do palanque onde havia discursado, o Presidente mantinha a mão direita
enfiada no bolso do paletó do terno, e a movimentava sem parar. —
Alguma coisa errada, Presidente? —
Não, só não consigo encontrar… Logo
me dei conta do que o Presidente procurava. O
Presidente era fanático pelos chicletes da Nabisco. Ele vivia mascando
aquilo e fazendo bolas, exceto por ocasião de aparições na
TV ou ao proferir discursos. —
Que ótimo! Ainda tem! O
Presidente retirou do bolso traseiro da calça dois chicles de bola Nabisco. —
Que tal um, Henry? É ótimo para relaxar — disse ele. —
Não, senhor Presidente. Agentes de segurança estão proibidos
de mascar chicletes durante o exercício de suas funções. O
Presidente tirou o papel de um dos chicles de bola de mascar, colocou-o na boca,
e aí começou a rasgar o papel do segundo. Foi
nesse exato momento. Juraria
ter sido um espirro dado pelo Presidente. Sim, foi esse tipo de som. Um
instante depois de o Presidente ter dado a primeira mordida no chiclete, já
não havia mais nada sobre seus ombros. Eu
gritei ‘Senhor Presidente!!!’ e, ao me agarrar ao corpo do homem cuja cabeça
voara pelos ares, ele ainda se esforçava para rasgar o invólucro
do outro chicle de bola." |