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Russa: filmado em uma hora
e meia, sem nenhum corte |
Arca
Russa (Russkij Kovcheg, Rússia/Alemanha, 2002.
A partir de sexta-feira em São Paulo) O diretor russo
Aleksandr Sokurov realizou um feito sem precedentes: um filme inteiro
rodado em seqüência, sem nenhum corte. Durante uma hora
e meia, a platéia segue o cineasta presente no filme
na forma de uma voz que conversa com o seu guia, um aristocrata
francês do século XIX pelos corredores e salões
do Museu Hermitage, de São Petersburgo, uma das jóias
herdadas do regime czarista. Do tempo de Pedro, o Grande aos dias
de hoje, o passeio emprega cerca de 2 000 atores e atravessa mais
de 200 anos de história russa. Sokurov dispôs do Hermitage
por apenas dois dias, e só acertou essa imensa coreografia
na quarta tentativa algo preocupante para uma filmagem no
inverno, quando não há mais do que quatro horas de
luz ao dia. Esse experimentalismo formal sempre foi uma marca registrada
da arte russa. Mas Sokurov não o utiliza como um fim em si
mesmo, e sim como um modo de fazer com que esses dois séculos
de convulsões sejam vividos num só fôlego. O
resultado nunca é menos do que deslumbrante. Veja
o trailer.
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