Libertação
Animal, de Peter Singer (tradução de Marly
Winckler; Lugano; 358 páginas; 45 reais) O filósofo
australiano Peter Singer é uma figura que defende teses polêmicas
sobre a eutanásia e o aborto. Mas ele é também
o mentor teórico de uma causa com a qual é difícil
não simpatizar: a denúncia dos sofrimentos a que são
submetidos animais como frangos, bois, coelhos e ratos em fazendas
de criação e laboratórios. Lançado em
1975, Libertação Animal é um marco.
Baseado na idéia de que o homem exerce uma tirania sobre
os bichos inaceitável do ponto de vista ético, o livro
virou a bíblia do movimento de proteção dos
animais. Como o autor aponta nessa edição atualizada,
seu impacto fez com que vários países, sobretudo da
Europa, adotassem medidas importantes nessa área.
Leia
trecho do livro
Na
mente popular, o termo "animal" reúne seres tão
díspares como ostras e chimpanzés, ao mesmo tempo
em que cria um abismo entre chimpanzés e humanos, embora
nossa relação com esses primatas seja muito mais próxima
do que com as ostras. Como não existe outro termo curto para
designar animais não-humanos, tive de usar, no título
desse livro e outros lugares, a palavra "animal", como
se ela não incluísse o animal humano. É um
lapso lamentável, do ponto de vista da pureza revolucionária,
porém, parece necessário para uma comunicação
eficaz. Ocasionalmente, entretanto, para lembrar o leitor de que
essa questão é tão-somente de conveniência,
usarei expressões mais longas e mais precisas para designar
o que já foi chamado de "criaturas brutas". Em
outros casos, também, tentei evitar uma linguagem que tendesse
a degradar os animais ou disfarçar a natureza dos alimentos
que ingerimos.
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