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Dicionário
Houaiss Ilustrado da Música Popular Brasileira (Instituto Antônio
Houaiss/Instituto Cultural Cravo Albin/Paracatu Editora; 1.176 páginas;
159,90 reais) O livro é uma versão impressa do Dicionário
Cravo Albin da Música Popular Brasileira, cujas 20.000 páginas
fruto de uma década de trabalho do crítico e pesquisador
Ricardo Cravo Albin podem ser acessadas na internet. Adaptado pelo Instituto
Antônio Houaiss, o livro, pelas suas limitações físicas,
representou cortes radicais na versão on-line. Mesmo assim, é uma
fonte abrangente e confiável de dados sobre a MPB. Traz mais de 5.000 verbetes
e inclui quase 2.000 discografias de músicos como Noel Rosa e Tom Jobim.
O texto é acompanhado de 500 ilustrações de 47 caricaturistas
brasileiros. Leia
trecho Dale
(Leonardo
La Ponzina, dito Lennie)
[1934 Nova York E.U.A. — 9/8/1994]. Dançarino, coreógrafo, cantor,
ator. Iniciou a carreira no programa infantil Star Lime
Kids. Deu aulas de balé, atuou em West
Side Story (Broadway) e mudou para Londres, onde foi contratado.
Participou de um programa da TV italiana ao lado de Gene Kelly e realizou as coreografias
do filme Cleópatra. Em 1960,
depois de uma exibição, foi convidado pelo empresário Carlos
Machado a coreografar o espetáculo Elas atacam pelo
telefone (Rio de Janeiro RJ). Em seguida, radicou-se no
Brasil. Fez sucesso (1961) na casa noturna Night and Day (RJ), viajou com o Bossa
Três (1962) para os E.U.A. e esteve no Ed Sullivan
show. Destacou-se no cenário da Bossa Nova, dirigindo
vários shows no Beco das
Garrafas (RJ). Inovou os espetáculos musicais, ressaltando a produção,
ensaio e expressão corporal dos artistas. Em 1964, apresentou-se com o
Sambalanço Trio (RJ), gerando o disco Lennie Dale
& Sambalanço Trio no Zum Zum. Ao lado de Elis
Regina e Pery Ribeiro, entre outros, atuou no show Boa
Bossa. Gravou o LP Lennie Dale
(1965) e o LP A 3ª. dimensão
de Lennie Dale, com o Trio 3D (1967). No início
dos anos 1970, criou, dirigiu e fez parte do grupo andrógino Dzi Croquettes,
realizando o show Gente computada igual a você (1972),
que fez muito sucesso em São Paulo SP e Paris, França. Foi responsável
pela coreografia da novela Baila comigo (Rede
Globo, 1981) e produziu o musical 1.707.839 - Leonardo
Laponzina. Risadinha
(Francisco
Ferraz Neto, dito) [18/3/1921 São Paulo SP — 3/6/1976 Rio de Janeiro RJ].
Cantor, compositor. Em 1937, estreou na Rádio Cruzeiro do Sul e atuou em
seguida nas Rádios Kosmo, Tupi e América (SP). Mudou para o Rio
de Janeiro RJ, onde firmou a carreira de sambista e foi contratado pela Rádio
Globo e depois pela Rádio Nacional. Na Odeon, (1949) gravou o samba "Fara-fan-fan"
(O. Silva e Atanásio Lima) e o choro "Lar vazio" (Wilson Batista
e Nóbrega de Macedo). Em 1950, gravou "Meu primeiro amor" (J.
Piedade, Sebastião Gomes e O. Silva), um de seus primeiros sucessos carnavalescos,
a marcha "Frango indigesto" (Mário Rossi e Carvalhinho) e outras.
Em 1951, gravou mais quatro discos em 78 rpm, interpretando, entre outras, "Babá
de Copacabana", de sua autoria. Em 1953, fez sucesso com o samba "Se
eu errei", (c/Humberto de Carvalho e Edu Rocha), que se tornou sua marca
registrada e foi uma das músicas mais divulgadas no carnaval daquele ano.
Mostrando-se um cantor eclético, gravou em 1954 o rojão "Forró
em Limoeiro" (Edgard Ferreira), o samba-choro "Por baixo do pano"
(Átila Nunes e Altamiro Carrilho), a marcha-rancho "Meu jardim"
(Jarbas Albuquerque e Lourival Faissal) etc. Prosseguiu com os sambas "Se
acaso você chegasse" (Lupicínio Rodrigues e Felisberto Martins),
"Juras" (de sua autoria) e outros. Participou de vários programas
na Rádio Nacional do Rio e gravou o LP
Vote, que mulher bonita!. Lançou (1955) os sambas
"Embrulho que eu carrego" (Djalma Mafra e Osvaldo dos Santos) e "Saco
de papel" (c/Haroldo Lobo), que teve êxito no carnaval do ano seguinte.
Contratado pela Continental, lançou o LP Festival
de samba e gravou o LP Na batida
do samba (1956), com acompanhamento de Vadico e sua orquestra
e participações de vários artistas. Gravou ainda o LP
As ’bombas’ de 1958, no qual regravou músicas que
já haviam sido sucesso, como "Chega de saudade" (Tom Jobim e
Vinicius de Moraes) e "Prece ao sol" (Wilson Batista e Jorge de Castro),
sendo muito elogiado. No carnaval de 1960, fez sucesso com a marcha "Cacareco
é o maior" e lançou o LP De Cabral a
Brasília. Em 1961, lançou os últimos
discos pela Continental, com o sambas "Vinte anos" e a marcha "Sereia
fenomenal" (c/Carlos Bragança), entre outros. Assinou contrato com
a CBS, estreando (1962) com o "Mambo quente nº 1" (Olavo Barros e J.
Guimarães) e "Eu quero um samba" (Janet de Almeida e Haroldo
Barbosa). Em 1963, gravou "Deixa o meu pranto rolar" (c/Ivo Santos),
sucesso no carnaval do ano seguinte. Em 1974, participou da gravação
da "Sinfonia do Rio de Janeiro" (Billy Blanco e Tom Jobim). Em 1975,
lançou compacto simples (RGE/Fermata), com os sambas "Rosa vermelha"
(c/Mário Rossi) e "Até de madrugada" (c/Newton Teixeira),
e Claudete Soares regravou "Se eu errei". MC
Mr. Catra (Wagner
Domingues Costa, dito) [Y 1968 Rio de Janeiro RJ]. Cantor, compositor. Na
década de 1990, criou a empresa Rapsoulfunk (gravadora, griffe
de roupas e organizadora de bailes funk
e shows hip hop no
Rio de Janeiro e São Paulo). Em 2004, a empresa foi responsável
pela contratação de artistas para o Festival Hip Hop Manifesta,
o principal da América do Sul. Entre os nomes internacionais contratados
destacaram-se os rappers norte-americanos
Snoop Dogg e Ja Rule. É considerado um dos expoentes do "funk proibidão"
(subgênero que fala da violência, tráfico de drogas e é
pouco divulgado fora das favelas), e adversário do subgênero "Funk
sensual". Em 1995, lançou o primeiro CD,
O bonde dos justos, do qual se
destacou o sucesso "Vida na cadeia". Em 2001, foi incluído na
coletânea Bonde do tesão, disco
do qual também participaram Gorila e Preto, Cidinho e Doca, Equipe Pipo’s,
Bonde do Tigrão, MC Tati Quebra-Barraco e Lady Lu. Várias de suas
composições foram incluídas nas coletâneas piratas
Proibidão do rap, por suas
músicas enaltecerem facções criminosas do Rio de Janeiro.
Em 2004 apresentou-se em Paris em dupla com o MC Joe Kaps, gravando um disco independente.
Nesse ano, com a banda Os Apóstolos, finalizou o disco Leões
de Judá, que contou com a participação
de Gérson King Combo, e participou da coletânea Proibidão
liberado, na qual interpretou as faixas "O lucro
parte II" e "Aba roedor", em parceria com Beto da Caixa. Entre
suas composições mais divulgadas estão "Cachorro",
referindo-se à polícia militar (PM). Por causa dessa música
foi processado pela PM carioca por apologia ao crime. Para se defender alegou
que "o crime faz parte da cultura da favela. Não sou cúmplice
do crime, sou cúmplice da favela. Não estou fazendo apologia, estou
é relatando uma realidade". Maracatu
Nação Elefante Agremiação
criada em 1800, no bairro da Ribeira da Boa Vista, atual Boa Vista (Recife PE).
Entre os fundadores estava o escravo Manoel Santiago, também instituidor
do já extinto Maracatu Brilhante. A escolha do elefante como nome e símbolo
da agremiação deve-se ao fato de este animal ser protegido por Oxalá,
orixá do candomblé. Uma de suas peculiaridades é o costume
de conduzir três calungas (bonecas): Dona Leopoldina, Dom Luís e
Dona Emília, que representam os orixás Iansã, Xangô
e Oxum, respectivamente. Foi também o primeiro maracatu a ser conduzido
por uma matriarca. Sua principal rainha foi Dona Santa (Maria Júlia do
Nascimento). Em 1964, todo o acervo da agremiação foi doado ao Museu
do Homem do Nordeste, órgão ligado ao então Instituto Joaquim
Nabuco, hoje Fundação Joaquim Nabuco, conforme vontade da ex-rainha.
Em 1985, por iniciativa de Dona Madalena, antiga rainha do Maracatu Leão
Coroado, o Nação Elefante voltou às ruas de Recife PE, tornando-se
um dos mais antigos maracatus do Brasil em atividade. No mesmo ano excursionou
pela Europa. Em 1997, a coroa da agremiação foi entregue à
ialorixá Rosinete, neta de Dona Madalena. Após o assassinato de
Rosinete (2000), Mary Pessoa de Mello assumiu a função de rainha.
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