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Correspondência
de Cabral com Bandeira e Drummond
Organização, apresentação e notas
de Flora Süssekind
Editora Nova Fronteira
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reportagem de VEJA
Confira
algumas correspondências
Meu
caro Manuel,
Eu estava certo de que já havia chegado às suas mãos
o exemplar de Cio sem plumas'. Mas hoje descobri que o idiota do
boy daqui do Consulado o deve ter perdido. Não encontro o
recibo do correio e o idiota não se lembra de nada. Nem ao
menos se o pôs por avião - como eu mandara - ou por
navio, o que é um nunca chegar. Mando-lhe por isso outro
exemplar. Se fica com dois, dê um deles a alguém. Mando,
por isso, este segundo sem dedicatória.
Recebi há dois dias sua carta, com os parabéns pela
remoção para Londres. Muito obrigado. A ver se v.
aparece por lá algum dia. Se chegar a ter prestígio
ali vou perguntar por que nunca fizeram de v. um convidado de honra.
Você, tão amigo da cultura inglesa e - o que é
mais - socialista.
Sua carta me alegrou, por ser carta sua e pelas boas notícias:
sua candidatura a deputado, seu Itinerário de Pasárgada,
etc.
Entristeceu-me enormemente pela coisa do ouvido. E logo a v., tão
melômano, vai acontecer isso. V. não diz se a coisa
cederá ou não. Fio que sim. Afinal de contas, a coisa
foi diagnosticada cedo e não ficará crônica.
0 que é muito pior.
Quanto ao Públio não me fez nenhuma burrada. Mandei
todos os livros que ele pediu e dei o nome e o endereço dele
- conforme ele pediu - a um velho livreiro daqui que pode continuar
fornecendo-lhe Quixotes.
Infelizmente, essa mudança para Londres não me deixa
muito tempo para conversas. Mas quando assentar a cabeça,
ali, direi mais claramente o que disse a respeito de sua poesia.
Petrópolis, 1° de janeiro de 1951
Meu
caro João,
Antes
de mais nada os meus mais afetuosos votos de felicidade no ano que
hoje começa. É a você que escrevo a primeira
carta em 5 1, porque me sinto muito em falta, muito envergonhado
de não lhe ter dito logo a excelente impressão que
me causou a leitura do Cão sem plumas. Nunca me pareceu onanista
o intelectualismo dos seus livros anteriores.
Parecia-me, sim, uma espécie de exercício, mas exercício
que não excluía a categoria altamente poética.
Exercícios, estudos' como são
em música os de Chopin2, Debussy1 e outros, só que
você os fazia para si mesmo, como querendo apurar o ponto
(misturo aqui poesia, música e técnica doceira...
mas não é tudo a mesma coisa?). No Cio sem plumas
você já se sentiu habilitado a fazer a técnica
servir ao seu sentimento e não, como antes, por ao seu sentimento
no aperfeiçoar a técnica. Neste poema, grande poema
de verdade, só me produziu estranheza a concorrência
de duas imagens tão dessemelhantes e até opostas em
relação a rio: cão sem plumas e espada cortante.
Gostaria que você me explicasse isso.
Estou aqui desde o meado de dezembro. A semana passada, descendo
ao Rio, encontrei lá os primeiros exemplares da nova edição
(a 5') das minhas Completas. 0 Arquimedes, da Livraria da Casa do
Estudante, quis fazer uma edição barata (a 35 cruzeiros,
a anterior era de 50) e pediu-me licença para usar a composição
comida, como eu já tinha praticado na ed. de 1940. Anuí.
Ficou bem, com a mesma capa de Leskoschek mas em cores diversas
- cinzento e verde. Nesta edição a última parte
Belo vem acrescida de uma meia dúzia de poemas novos, entre
os quais; o "Bicho", que se sente muito ancho de ter sido
tratado por você com as honras de estrela polar. Pois fique
sabendo que muita gente boa, entre outros o Oswald de Andradel',
esculhambou o bichinho!
Há tempos veio numa de suas cartas uma espécie de
queixa contra o que lhe pareceu ataque do Sérgio Buarque
de Holanda. Não sei se lhe respondi na ocasião alguma
coisa. Para mostrar a você que o Sérgio gosta de sua
poesia mando-lhe um fragmento de uma crítica dele aparecida
ontem no Diário Carioca. Remeto-lhe também uma nuinha
resposta a uma enquete do Correio da Manhã de ontem.
Não sei se você já estará a estas horas
em Londres. É pois com receio de se extraviarem estas notícias
que lhe estou escrevendo. Por isso não serei mais extenso.
Dê um sinal de vida.
Grandes
saudades do amigo velho
Manuel.
' Charies
Rosen define o "estudo", "uma idéia romântica"
convertida em "gênero" no começo do século
XIX, forma musical que une "beleza e técnica",
da seguinte maneira: "peça curta em que o interesse
musical provém quase inteiramente de um mero problema técnico",
"em que a substância musical e a dificuldade técnica
coincidem". (C£ ROSEN,
Charles. A geração romântica. São Paulo:
Edusp, 2000, p. 494.)
' Bandeira
se refere aí aos estudos para piano de Frédéric
Chopin (1810-1845), pianista e compositor romântico polonês.
Sobre eles comenta Rosen (op. cit., p. 496): "Ninguém
compreendeu melhor que Chopin a vantagem de se basear o estudo em
urna simples dificuldade técnica: a técnica pianística
e o pensamento musical estão, no estudo, de tal maneira identificados,
que esse é o único modo de se assegurar a unidade
do estilo."
' Claude
Debussy (1862-1918), compositor francês, autor de En Blanc
et noir (1915) e Douze Études (1915), para piano, além
de diversas outras obras como o Prélude à VAprès-midi
d'unfaune (1894) ou La Mer (1905).
Recife, 23.11.941
Caro
amigo
Carlos Drummond de Andrade,
Mando-lhe
uma cópia dos poemas de Pedra do sono, que o Vicente do Rego
Monteiro2 me pediu para reunir e que vão continuar a série
iniciada com os Poemas de bolsol. Como escrevi seu nome na dedicatória'
pensei ser de minha obrigação lhe mostrar os poemas
antes de publicados. 0 plano de V. R. M. é publicar os livros
da série, por inteiro, em Renovação, tirando-se
depois uma separata. Apesar de todo meu esforço para demover
Vicence de me incluir na coleção, obtive a promessa
de que não se fará a separata e de que a publicação
na revista ficaria subordinada à sua opinião. Esta,
a outra razão de lhe estar mandando esta papelada. Coisa
aliás que faço com pouco constrangimento porque, apesar
de compreender os trabalhos que ainda lhe estão dando as
Conf de Ed. e Saúde, não lhe fica nenhuma obrigação
de me mandar uma resposta imediata: qualquer demora ou mesmo ausência
de resposta sendo motivo para que Vicente inclua outro qualquer
poeta no meu lugar. Além disso, penso que passarei pelo Rio',
nos meados de dezembro, a caminho de Santos onde ficarei algum tempo,
a fim de consultar uns médicos de São Paulo.
Quero que me desculpe ter escrito esta carta apenas para falar em
mim.
É que a perspectiva da publicação desse livro
me tem deixado num estado quase de pânico. Sinto que não
é esta a poesia que eu gostaria de escrever; o que eu gostaria
é de falar numa linguagem mais compreensível desse
mundo de que os jornais nos dão notícia todos os dias,
cujo barulho chega até nossa porta; uma coisa menos "cubista".
Quero também que me desculpe não ter agradecido sua
influência' na nomeação do meu primo Eduardo
Cabral. de Melo'. Uma permanente ignorância do que "se
deve fazer" me leva sempre a isso que minha família
chama "desatenções", e que vi com pesar
ter cometido mais uma vez.
Creia na amizade e admiração do
João
Cabral de Melo Neto'.
Rua do Sol, 165 Olinda, Pernambuco
' Pedra
do sono, contendo poemas escritos de 1939 a 1941, seria publicado
em 1942. Ver nota 1 à correspondência de Bandeira para
Cabral de 24 de julho de 1942, p. 25. 2 Vicente do Rego Monteiro
(1899-1970), pintor (com marcada influência cubista) e poeta
pernambucano, participante, mesmo ausente, em Paris, da Semana de
Arte Moderna em São Paulo, com dez quadros, editor das revistas
Fronteiras (1932) e Renovação (1939-1946) e da coleção
Cadernos de Poesia (1942-1944) em Recife, tipógrafo responsável
pela oficina "La Presse à Bras", mantida por ele,
em Paris, de 1947 a 1956, foi autor, dentre outros, de Poemas de
bolso (1941), A Chacun sa Marotte (1943), Litanie à Ia France
Combattant (1944), Canevas (1946), Le- Petit Cirque (1948), livros
que também imprimiu.
3 É curioso observar o que diz Drummond (sob o pseudônimo
de "0 Observador Literário"), em 1° de abril
de 1941, na revista Eudydes, a respeito do livro recém-publicado
de Vicente do Pego Monteiro: "Vicente do Rego Monteiro - Poemas
de bolso - Recife - 1941. Ou o
cavalheiro que adormeceu em 1922, na batalha modernista, e acordou
em
1941 perguntando por Graça Aranha.. " (C£ ANDR-ADE,
Carlos Drummond
de. Conversa de livraria: 1941 e 1948. Porco Alegre: Age; São
Paulo:
Giordano, 2000.)
' 0
livro seria dedicado por Cabral a seus pais e a Willy Lewin e
Carlos Drummond de Andrade.
5 A
revista Renovação teve duas fases. A primeira, de
1939 a 1942, com formato grande e orientação jornalística;
a segunda, de fins de 1942 a 1946, com foco pequeno e orientação
literária. 0 livro de Cabral acabaria sendo impressa autonomamente,
no intervalo
entre esses dois momentos da revista, ficindo concluído o
trabalho das oficinas gráficas Drechsler & Cia. em 20
de maio de 1942. Sobre a imprensa em Pernambuco, à época,
leia-se "Predecessores de 0 Gráfico Arriador",
em O Gráfico Amador. As origens da moderna tipografia brasileira.
(Ráo de janeiro: Editora UFRJ, 1997), de Guilherme Cunha
Lima. Cabral viajaria para o Ráo em novembro de 1942, por
terra. Drummond foi chefe de gabinete de Gustavo Capanema, ministro
da Educação e Saúde, de 1934 a 1945.
Eduardo Cabral de Melo, primo e contemporâneo de João
Cabral, foi professor da Universidade Federal de Pernambuco e funcionário
da Fundação Joaquim Nabuco.
Assinatura
a mão.
Meu caro João Cabral:
A falta
de resposta deve implicar consentimento, não desaprovação.
Como v. pensa de outro modo, quero manifestar-lhe expressamente
minha opinião sobre a inclusão do seu livro na coletânea
de V.R.M.'. Acho que v. deve publicar. Sou de opinião que
cuido deve ser publicado, uma vez que foi escrito. Escrever para
si mesmo é narcisismo, ou medo disfarçado em timidez.
Sem dúvida, cada sujeito honesto escreve por necessidade,
mas nessa necessidade está latente a idéia de comunicação.
Os outros que gostem ou não gostem. A reação
do público evidentemente interessa, mas não deve impressionar
muito o autor. Daqui a 20, 30 anos que ficará dos nossos
atuais pontos de vista e juízos críticos? As obras
terão que ser examinadas de novo, E então haverá
uma importância maior no julgamento, ao qual, provavelmente,
não estaremos presentes. Como v. vê, eu acho que se
deve publicar cudo, menos pelo valor da experiência do que
pela operação de extravasamento da personalidade,
de outro modo cativa, e pela tomada de contato com o mundo exterior,
que é fértil em sugestões e excitações
para o autor. Se lhe desagradar a opinião dos jornais e revistas,
não publique para eles; publique para o povo. Mas o povo
não lê poesia... Quem disse? Não dão
ao povo poesia. Ele, por sua vez, ignora os poetas. É cerro
que sua poesia tem muito hermetismo para o leitor comum, mas se
v. a faz assim hermética porque não pode fazê-la
de outro jeito, se você é hermético, que se
ofereça assim mesmo ao povo. Ele tem um instinto vigoroso,
quase virgem, e ficará perturbado com as suas associações
de coisas e estados de espírito, que excedem a lógica
rotineira. já medicou na fascinante experiência que
seria fazer livros de custo ínfimo, com páginas sugestivas,
levando a poesia moderna aos operários, aos pequenos funcionários
públicos, a toda essa gente atualmente condenada a absorver
uma literatura de quarta classe porque se convencionou reservar
certos gêneros e tendências para o pessoal dos salões
e das universidades? Eu acredito de certo que sua fase poética
atual é fase de transição que V., com mero
dos, inclusive os mais velhos, está procurando caminho, e
que há muita coisa ainda a fazer antes de chegarmos a uma
poesia integrada ao nosso tempo, que o exprima Limpidamente e que
ao mesmo tempo o supere. Não devemos nos desanimar com isso.
Desde que estejamos vivos, as experiências se realizarão
dentro e fora de nós, e haverá possibilidade de progredir
na aventura poética. 0 essencial mesmo é viver e acreditar
na força formidável da vida, que é nosso alimento
e nosso material de trabalho.
Estou sentindo um prazer tão grande em escrever-lhe esta,
carta. Não a reli e acredito que esteja muito desordenada
e cheia de afirmações insignificantes, mas o prazer
vem da conversa com v., sobre temas que me são caros, e na
certeza de que há em v. bastante simpatia humana para aceitar
este lero-lero. Ainda não escrevi ao O.FJ.'. Que vergonha!
Mas farei isso qualquer desses próximos dias. Afinal v. não
passou pelo Rio. Ou passou e não me procurou. Mande notícias.
Um abraço do
Carlos
Drummond
Rio, 17.1.42
Obrigado
pela dedicatória!' Ia-me esquecendo.
Vicente
do Rego Monteiro. Otávio de Freiras Júnior. A dedicatória
de
Pedra do sono.
Meu
caro João:
Só
mesmo a passagem do ano me permite calçar a cara para aparecer
diante de v. sem lhe ter mandado ao devido tempo um abraço
pelo nascimento do Luiz Cabra11! E outro pela Antologia de poetas
brasileiros! E outros por outros motivos de que já não
me lembro mais, e que devem ter ocorrido durante o ano! Enfim, v.
me perdoará: sabe que em matéria de correspondência
eu sou como a mula velha e incorrigível. A verdade é
que, como sempre, pensei muito em v. esse ano todo de 49, e agora
aqui estou, não para lhe desejar as mofinas boas-festas de
praxe, mas para dizer-lhe que a ausência de palavras escritas
não significa nada, e que os velhos afetos perduram com a
mesma intensidade neste peito itabirano. Aqui estamos nos preparando
para um ano político cheio de mexidas'. Nas Letras, continuamos
todos geniais, sem esperança de piorar. - Maria Julieta é
hoje a senhora Manuel Grafia Etcheverry', e mora em Buenos Airess.
Eu e Dolores, muito borocoxôs, ria casa vazia, mas consolados
com a felicidade dela. V. não pensa em aparecer por aqui
para matar saudades, suas e nossas? Escreva logo que puder. Muitos
abraços e saudades,
do
Carlos.
Rio, 5.1.1950
Luiz,
filho de Cabral, que nascera em 1949.
' Trata-se da Antologia de poetas brasilvios de a hora (Barcelona:
El Libro lnconsúril, s/d.), com seleção e tradução
de Alfonso Pincá, publicado sob a forma de uma pequena caixa
que incluía plaquetes autônomas com as traduções
de Drummond, Murilo Mendes, Cecília
Meireles, Augusto Frederico Schrnidt: e Vinícius de Morais.
' 1950 foi, no Brasil, um ano de eleições presidenciais,
vencidas por Getúlio Vargas.
' Manuel Grafia Etcheverry, advogado e escritor argentino, responsável
por análises (como a do "Poema de sete faces",
em 1968) e traduções de Drummond para o espanhol (de
que são exemplares os volumes Dos poemas, de 1953, e 11undo,
vasto mundo, de 1967).
Maria Julieta casara-se em 1949.
Consulado
Geral do Brasil
Barcelona
Meu
caro Carlos,
Tenho,
há semanas já, sua carta para responder. Desculpe
o meu silêncio. Mas não tenho andado muito epistolar,
principalmente para responder uma carta como a sua, pequena, mas
tão cheia de sugestões.
E, sobretudo, para escrever a você; quando eu estava no Pio,
acostumei-me tanto a discutir com v. certos assuntos que não
me seria possível - apesar dos três anos e meio de
distância - deixar de abordá-los. Pois para abordá-los
é que me falta a disposição "física":
a caneta me pesa, mais do que nunca. E a disposição
espiritual: porque muitas das coisas que eu lhe diria são
coisas que aprendi de você, naquelas nossas conversas, em
que eu me encastelava num racionalismo esquemático e radical
(que hoje compreendo ser onanista inteiramente). Ora, v. hoje está
preocupado por outras coisas, já muito mais adiante, por
exemplo: a "quadratura" do verso. E só poderia
ficar indiferente às minhas preocupações atuais.
Eis o que me gela ainda mais e acentua - infelizmente - aquela indisposição
epistolar de que comecei falando.
Para substituir essa carta que não me sinto com coragem de
fazer, mando-lhe o meu último poema. Vai de avião,
ainda quente do forno.
Pela leitura dele, v. adivinhará em que estou trabalhando,
e da leitura dele saberá imaginar essa tal carta (que, como
a baralha de
Itararé', não haverá).
Vou mandar aos padrinhos um retrato da família que fizemos
há pouco.
Imagino a falta que lhes estará fazendo Maria Julieta. Eu,
que tenho três, fico abafadíssimo com uma separação
de dias.
Scella manda lembranças à dona Dolores. Eu também.
Mais um grande e afetuoso abraço para o arrugo e mestre (que
nunca quis ser).
De
seu João.
Barcelona, 14.8.950.
-Está
aqui no Consulado o J. M. Delgado Rubino ótimo amigo. Para
matar saudades, já o fiz contar muitas vezes os encontros
dele com você aí no Rio.
' Cabral evoca um episódio da "Revolução
de 1930". Os revolucionários vindos do Sul planejavam
um ataque geral às forças militares que apoiavam Washington
Luís a partir de Itararé, cidade paulista próxima
ao Paraná, mas, antes que isso ocorresse, o presidente da
República foi deposto, em 24 de outubro de 1930, e foi constituída
uma junta provisória de governo. Por isso a "batalha
de itararé" ficou conhecida como a "batalha que
não houve".
' Delgado Rubino era, à época, funcionário
contratado do Consulado.
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