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O Inocente, de Ian McEwan (tradução de Alexandre Hubner; Companhia das Letras; 326 páginas; 42,50 reais) – O jovem inglês Leonard Marnham faz por merecer o título de "inocente". Funcionário dos Correios realocado para uma missão secreta na Berlim dividida dos anos 50, Leonard nada em águas profundas demais para sua pouca experiência – e é difícil dizer se Maria, a alemã com quem ele se envolve, servirá de bóia ou irá puxá-lo ainda mais para o fundo. Extremamente hábil na condução dessa trama noir, o escritor inglês Ian McEwan a certa altura faz um giro inesperado para o horripilante, e daí para o drama.

Leia trecho do livro

Foi o tenente Lofting quem dominou a reunião. "Ouça uma coisa, Marham. Você acaba de chegar e não poderia mesmo estar a par da situação. O problema aqui não são os alemães nem os russos. E tampouco os franceses. O problema são os americanos. Não entendem de coisa nenhuma. E, o que é pior, não querem aprender, não admitem receber orientações. É assim que eles são."

O funcionário do British Post Office, Leonard Marnham, jamais tivera a oportunidade de conversar com americanos, mas estudara-os em profundidade no Odeon, o bar assiduamente freqüentado por ele e seus vizinhos. Sorriu sem desunir os lábios e concordou com a cabeça. Do bolso interno do paletó tirou uma cigarreira prateada. Lofting antecipou-se à oferta erguendo a mão espalmada, à maneira da saudação índia. Leonard cruzou as pernas, tirou um cigarro e bateu sua extremidade repetidas vezes contra a cigarreira.”


 
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