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Seth Weing/Reuters
Lá no Alto das Nuvens: McCartney (à dir.) para crianças

Lá no Alto das Nuvens, de Paul McCartney, Geoff Dunbar e Philip Ardagh (tradução de Ruth Rocha; Planeta; 96 páginas; 35 reais) – Depois da cantora Madonna, o ex-beatle Paul McCartney é a mais nova celebridade da música a lançar-se como autor infantil. E com ótimo resultado: Lá no Alto das Nuvens, sua estréia no gênero, é uma bela fábula sobre ecologia e companheirismo. Sob inspiração das histórias de Walt Disney, McCartney narra as aventuras do esquilo Serelepe. Depois de perder sua mãe por causa da devastação da floresta, ele parte em busca de uma ilha em que todos os bichos vivem em paz. McCartney escreveu o livro em parceria com Philip Ardagh, veterano autor do ramo. As ilustrações de Geoff Dunbar são um atrativo à parte.

Leia trecho

Serelepe, o esquilo, está empoleirado em seu ramo preferido comendo nozes de um saquinho, enquanto escuta sua mãe, Calda de Açúcar, contando histórias. É como comer pipocas e assistir a um bom filme. Ela fala de um lugar que fica numa ilha tropical, onde os animais vivem sem nenhuma preocupação, a Animália.

Serelepe sorri. As coisas por aqui também não são más: um ventinho fresco de verão, uma boa história e nozes bem crocantes. Muito diferente de Megatrópolis. Levanta os olhos para a tenebrosa silhueta da cidade no horizonte, envolvida pela poluição.

Espalhados pelos ramos das árvores, como notas musicais numa pauta, estão os habitantes da Floresta, todos encantados pelas palavras de Calda de Açúcar. Todos, não. Menos Ronca-ronca, a coruja, que está fazendo o que ela faz de melhor durante o dia: ressonando levemente. Não é por nada. É que ela é um pássaro noturno.

De tudo que Serelepe consegue se lembrar, sua mãe tem sido a contadora de histórias da Floresta. E as histórias sobre Animália têm sido suas preferidas.

Ela está chegando ao ponto em que os animais estão preparando uma grande festa por uma ou outra razão (ou razão alguma) quando Serelepe sente o galho vibrar.

No princípio é somente uma vibração, mas logo torna-se um tremor... e o tremor torna-se um teeerreeemottooo!!!

Ancorado como sempre num galho, lá em cima, está um balão e em sua cesta, Ranulfo, o sapo. Ele é um visitante habitual da Floresta, e está sempre indo e voltando aonde o vento o leva. Ele pode ser verde, sem pêlos e sem cauda, mas Serelepe acha um barato ter o amigo por perto.

Nem bem a Floresta começou a tremer, Ranulfo soltou o balão e saiu flutuando sobre a copa das árvores para descobrir o que estava acontecendo. Não consegue acreditar no que seus olhos "sapíferos" estão vendo. Então, tira os óculos e dá uma boa esfregada nas duas lentes, com a ponta de sua echarpe, antes de recolocá-los no lugar, só para ter certeza.

As coisas parecem sérias. Na verdade, seriíssimas.

"Tratores!", berra Ranulfo. "Um monte deles!"

E não está mentindo.

Em seguida o que se passa é um pesadelo de barulho e destruição. O que as enormes rodas não esmagam é jogado para cima ou destruído pelos tratores e seus dentes impiedosos. Serras elétricas ganham vida, rugindo, enquanto seguem em frente, de árvore em árvore, fatiando, dilacerando, assassinando a Floresta.

Os animais fogem em todas as direções, abandonando suas casas e árvores, numa desesperada tentativa de se salvarem. Até Ronca-ronca está agora mais acordada do que nunca e tenta a fuga.

Como somente um esquilo pode fazer, Serelepe desce velozmente da árvore olhando por cima do ombro para ver se sua mãe está logo atrás.

Ela não está.

Subitamente, a enorme árvore começa a se curvar, a desmoronar... e, no instante seguinte, o corpo inerte e branco de Calda de Açúcar surge sob um galho retorcido.

"Não!", exclama Serelepe. "Não!" Com as patinhas, ele luta bravamente até tirá-la de debaixo do tronco.

Ela abre um olho e com esforço sussurra: "Você precisa ir para longe daqui’’. Serelepe tem que se curvar para escutar, no meio de todo aquele barulho e destruição. Sente o suave hálito de castanhas da mãe enquanto ela continua: "Você precisa encontrar Animália. Lá você estará em segurança... é uma ilha de verdade, Serelepe. É de verdade...".


 
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