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Hans Christian Andersen (tradução de Antonio Carlos Vilela; Melhoramentos; 128 páginas; 69 reais) – O dinamarquês Hans Christian Andersen (1805-1875) foi o criador de alguns dos maiores clássicos dos contos de fadas. Por meio de personagens como o Patinho Feio e o Soldadinho de Chumbo, ele encontrou uma forma singela de transmitir noções morais às crianças, como o valor da perseverança e da amizade. Essa edição reúne quatro textos infantis consagrados de Andersen, e lhes dispensa um tratamento de primeira. Traz, além das duas já citadas, as histórias O Sapo e O Criador de Porcos, todas em versões integrais e acompanhadas de ilustrações vistosas. Um CD com narrações em áudio dos contos acompanha o livro.

Leia trechos

O Criador de Porcos

Era uma vez um príncipe pobre. Ele tinha um reino muito pequeno, mas que era grande o suficiente para permitir que se casasse. E ele queria se casar.

Mas ele cometeu essa ousadia porque seu nome era famoso em toda parte. Havia centenas de princesas que teriam respondido "Sim, por favor". Porém, vamos ver se esta princesa especialmente disse sim ou não.

Na sepultura do pai do príncipe havia uma roseira, e como era linda! Ela só florescia a cada cinco anos, e, mesmo assim, só dava uma flor. Mas essa flor tinha um perfume tão doce que aquele que o sentisse imediatamente se esquecia de todos os seus problemas e preocupações.

O príncipe possuía também um rouxinol, que cantava como se todas as mais belas melodias do mundo vivessem em sua garganta.

A princesa seria presenteada com a rosa e o pássaro, que foram colocados em duas grandes malas de prata e enviados para ela.

O imperador ordenou que trouxessem os presentes para diante dele, no grande salão onde a princesa jogava cartas com suas damas de companhia. Isso era tudo o que elas sempre faziam. Então, quando a moça viu aquelas malas grandes trazendo presentes, bateu palmas de alegria.

– Ah, espero que seja um gatinho! ela disse. Em seguida, a rosa, belíssima, foi mostrada.

– Aaah! Vejam como é bem-feita! - disseram todas as damas de companhia.

– É mais do que bem-feita! - disse o Imperador. – É perfeita!

Mas então a princesa tocou-a e se derramou em lágrimas.

– Argh! Papai! - ela disse. – Não é falsa. É de verdade!

– Argh! - ecoaram todas as pessoas da corte. – É de verdade!

– Primeiro vamos ver o que há na outra caixa, antes de ficarmos bravos! - sugeriu o Imperador.

O rouxinol foi retirado e cantou de forma tão bela que, por um instante, ninguém conseguiu dizer nada de mal.

Superbe! Charmant! - disseram as damas de companhia, pois todas falavam francês, uma pior que a outra.

– Como esse pássaro me faz lembrar da caixinha de música da nossa falecida e pranteada imperatriz! - disse um velho cavaleiro. – Ah, sim, são as mesmas notas, a mesma harmonia!

– É mesmo, você tem razão! - exclamou o imperador, e desatou a chorar como um bebezinho.

– Por favor, não me digam que é um pássaro de verdade! - pediu a princesa.

– Mas é um pássaro de verdade – disseram os criados que haviam levado as caixas.

– Então deixem o pobrezinho ir embora! – disse a princesa, que se recusou a ver o príncipe.

Mas ele não desistiu tão facilmente. Ele cobriu seu rosto de sujeira, vestiu roupas surradas, cobriu a cabeça com um boné e bateu no portão.

– Bom dia, imperador! ele disse. – Que tal me dar um emprego no seu castelo?

– Ora, não sei. Existe tanta gente que gostaria de trabalhar aqui! - respondeu o imperador. – Mas... deixe-me ver... preciso de alguém para cuidar dos porcos, pois temos tantos!

Assim, o príncipe tornou-se criador de porcos real. Deram-lhe um quartinho escuro junto ao chiqueiro, onde ele tinha que ficar.

Durante todo o dia ele ficou sentado trabalhando e, quando a noite caiu, tinha feito uma bela panelinha com sinos à sua volta. Quando se fervia algo dentro da panela, os sinos badalavam docemente, tocando a velha música:

Ah, minha doce Margot,

Tudo se acabou, acabou!

O mais curioso de tudo, na verdade, era que ao se colocar o dedo sobre o vapor que saía da panela, podia-se sentir o aroma de todas as comidas sendo preparadas em todos os fornos e fogões da cidade. Era algo bem diferente de uma rosa.

Quando a princesa, junto com suas damas de companhia, passou perto do chiqueiro, ouviu a melodia. Ela parou e ficou muito contente, pois aquela era a única música que sabia tocar, e com apenas um dedo.

– Ora, essa eu sei tocar! ela disse. – Ele deve ser um porqueiro muito instruído! Escutem, vão lá dentro e perguntem-lhe quanto ele quer pelo instrumento.

Uma das damas de companhia teve que entrar no chiqueiro, mas antes, calçou seus tamancos.

– Quanto você quer pela panela? - ela perguntou.

– Quero dez beijos da princesa! - ele respondeu.

– Deus nos livre! - exclamou a dama de companhia.

– Não aceito menos que isso! - insistiu o criador de porcos.

– Bem, o que ele disse? - perguntou a princesa.

– Não posso dizer-lhe – respondeu a dama –, pois foi terrível.

  • Então sussurre no meu ouvido!

Então, a dama sussurrou no ouvido da princesa.

– Que jovem grosseiro! - exclamou a princesa, afastando-se imediatamente.

Mas ela tinha dado apenas alguns passos quando ouviu os sinos tocando alegremente:

Ah, minha doce Margot,

Tudo se acabou, acabou!

– Ouça – disse a princesa –, pergunte-lhe se não aceitaria dez beijos de uma das minhas damas de companhia.

– Não, obrigado! - ele respondeu. – Dez beijos da princesa ou fico com a panela.

– Ah, isto é tão constrangedor! - disse a princesa. – Mas vocês todas têm que ficar à nossa volta, para que ninguém veja!

Assim, as damas de companhia fizeram um círculo ao redor da princesa, esticando os vestidos. Então, o criador de porcos recebeu seus dez beijos e a princesa, sua panela.

Como era divertido! A panela ficou no fogo toda a noite e todo o dia.

Não havia forno ou fogão que elas não soubessem o que estava preparando, fosse de nobres ou sapateiros. As damas de companhia dançaram e bateram palmas de pura satisfação.

– Nós sabemos quem vai comer panquecas e geléia! Sabemos quem vai comer costeleta de porco e cozido! Não é interessante?

– Muito interessante! - disse a principal dama da corte.

– É, mas não digam nada a ninguém, pois eu sou filha do imperador!

– Nós prometemos! - todas disseram.

O criador de porcos, ou melhor, o príncipe, pois elas não sabiam que ele não era um porqueiro de verdade, fez então um chocalho. Quando agitado, ele tocava todas as valsas, polcas e danças conhecidas desde que o mundo começou!

– Mas isso é maravilhoso! - exclamou a princesa, ao passar por ali. – Nunca ouvi composição mais bela! Ouçam! Alguém entre lá e pergunte o que ele quer por esse instrumento, mas sem beijos desta vez.

– Ele quer cem beijos da princesa! - disse a dama de companhia que tinha ido perguntar.

– Acho que ele deve estar louco! - disse a princesa, partindo. Mas não tinha ido muito longe quando parou. – Tenho que encorajar a arte! - ela disse. – Afinal, sou filha do imperador! Diga-lhe que lhe dou dez beijos, como ontem, e que minhas damas de companhia lhe dão o resto.

– Nós preferiríamos que não! - disseram todas elas.

– Bobagem! - disse a princesa. – Se eu posso beijá-lo, vocês também podem. Lembrem-se que sou eu quem as paga e lhes dá comida!

Assim, a dama de companhia teve que entrar no quartinho do criador de porcos outra vez.

– Cem beijos da princesa – ele insistiu –, ou o chocalho continua meu!

– Fiquem ao meu redor!!! - exclamou a princesa. Assim, todas as damas de companhia fizeram um círculo ao redor da princesa. Então, ele a beijou e a beijou e a beijou.

– O que aquela multidão está fazendo lá no chiqueiro? - perguntou-se o imperador, que saíra na varanda. Ele esfregou os olhos e colocou os óculos. – São aquelas damas de companhia aprontando outra vez! É melhor eu descer e ver o que estão fazendo!

Ele calçou seus chinelos e correu para o chiqueiro o mais rápido que suas pernas conseguiam ir.

Assim que chegou ao pátio, aproximou-se o mais silenciosamente que pôde. As damas de companhia estavam tão ocupadas contando os beijos, para se certificar que tudo fosse feito de forma justa, que o porqueiro não recebesse beijos de mais ou de menos, que nem repararam no imperador. Este ficou nas pontas dos pés para espiar por sobre as damas de companhia.

– O que é isto! - ele disse. Quando viu que estavam se beijando, ele atirou seu chinelo, que atingiu o príncipe e a princesa em suas cabeças. Isso aconteceu quando o criador de porcos recebia seu octogésimo sexto beijo.

– Vão embora! - disse o imperador, perdendo a cabeça. E, assim, tanto a princesa quanto o porqueiro foram banidos do reino.

Lá ficou ela, chorando e se lamentando. Enquanto isso, o criador de porcos dizia-lhe para se acalmar. E a chuva começou a cair.

– Ah, que pessoa infeliz eu sou! - disse a princesa. – Se ao menos eu tivesse aceitado aquele belo príncipe! Ah, estou tão infeliz!

Então, o criador de porcos foi para trás de uma árvore, limpou o rosto, tirou suas roupas esfarrapadas e apareceu usando seus trajes reais. E estava tão belo que a princesa não conseguiu evitar de lhe fazer uma reverência.

O príncipe olhou para ela e balançou a cabeça.

– Eu vi o tipo de pessoa que é e realmente não gosto de você! - ele disse. – Você não quis um príncipe honesto! Você não soube apreciar a beleza da rosa e do rouxinol, mas não se importou em beijar o homem dos porcos para conquistar um mero brinquedo. Agora vai ter que se virar!

E retornou ao seu reino, fechou a porta e passou-lhe a tranca. Então, tudo o que a princesa podia fazer era se sentar do lado de fora e cantar:

Ah, minha doce Margot,

Tudo se acabou, acabou!

 

O Soldadinho de Chumbo

Era uma vez vinte e cinco soldadinhos de chumbo. Todos irmãos, pois nasceram da mesma colher velha de chumbo. Eles carregavam mosquetes nos ombros, olhavam sempre para a frente e vestiam belos uniformes vermelhos e azuis.

Quando a tampa da caixa foi levantada, as primeiras palavras que ouviram foram "Soldadinhos de chumbo!", gritadas por um garoto, que bateu palmas de satisfação. Ele ganhara os soldadinhos como presente de aniversário e os colocara em formação sobre a mesa.

Todos eram iguais, a não ser um, que parecia ligeiramente diferente. Ele tinha apenas uma perna, porque fora o último a ser moldado e não havia chumbo suficiente para completar o molde. Ainda assim, ele ficava tão ereto e firme em sua única perna quanto os outros em duas. E será ele mesmo que se mostrará notável.

Muitos outros brinquedos estavam dispostos sobre a mesa, mas o que chamava realmente a atenção era um lindo castelo de papel. Através das janelinhas, era possível espiar dentro dos aposentos. Do lado de fora havia árvores rodeando um espelho, que devia se parecer com um lago. Cisnes de cera nadavam na superfície, fitando seus próprios reflexos. Tudo era muito bonito, mas o mais lindo de tudo era a mocinha que estava de pé na soleira da porta aberta do castelo. Ela também era de papel, mas vestia uma saia feita do linho e uma fita azul passada sobre os ombros. No meio da fita reluzia um broche. A mocinha tinha os dois braços estendidos, pois era uma bailarina. Uma de suas pernas estava tão erguida que o soldadinho de chumbo não conseguia vê-la, e então pensou que ela também tinha só uma perna, como ele.

– Ela daria uma boa esposa para mim – ele raciocinou. – Mas é tão nobre e vive num castelo, enquanto eu tenho apenas uma caixa, que divido com vinte e quatro camaradas. Isto não é lugar para ela. Mas, ainda assim, preciso conhecê-la!

Então, ele se escondeu atrás de uma caixa de rapé que havia sobre a mesa. Dali podia observar muito bem aquela senhorita.

Quando a noite chegou, todos os outros soldadinhos de chumbo foram guardados na caixa e as pessoas da casa foram para a cama. Então, os brinquedos começaram a brincar. Era nessa hora que eles faziam suas visitas, lutavam guerras e iam para festanças. Os soldados de chumbo remexiam-se na caixa, mas não conseguiam mover a tampa. O quebrador de nozes dava cambalhotas e o giz fazia cálculos na lousa. O barulho era tamanho que o papagaio acordou e começou a falar, e em verso! Os únicos que não se mexiam eram o soldadinho de chumbo e a bailarina. Ela continuava firme em uma única perna, parada na ponta do pé com os braços estendidos. Ele também continuou firme em sua perna, sem tirar os olhos dela por um instante sequer.

Então, o relógio bateu meia-noite e... surpresa! A tampa da caixa de rapé se abriu. Só que não havia rapé dentro dela, mas um mago de mola. Ele era muito bem-feito.

– Soldadinho de chumbo! – disse o mago. – Mantenha seus olhos em si mesmo!

Mas o soldadinho fingiu não ter ouvido.

– Tudo bem, espere até amanhã – disse o mago.

Quando amanheceu e as crianças levantaram, o soldadinho de chumbo foi posto na janela e, se foi obra do mago ou do vento, de repente a janela se fechou e o soldado caiu, de cabeça para baixo, lá do quarto andar. Tudo aconteceu muito rápido. Ele ficou de perna para cima, apoiado no quepe, com a baioneta enfiada entre dois paralelepípedos.

A empregada e o garotinho desceram imediatamente para procurá-lo e, muito embora quase tenham pisado nele, não conseguiram encontrá-lo. Se o soldadinho tivesse gritado "Estou aqui!", eles o teriam encontrado, mas ele achou que não era apropriado gritar assim, já que estava de uniforme.

Então, começou a chover. E logo a chuva se transformou num aguaceiro. Quando a chuva parou, dois garotos se aproximaram.

– Ei, olhe! - disse um deles. – É um soldadinho de chumbo. Ele vai navegar.

Os dois fizeram um barco de jornal, puseram o soldadinho a bordo e o enviaram navegando pela sarjeta. Eles correram ao lado do barco batendo palmas. As ondas estavam altas e a enxurrada era forte, pois chovera muito. O barco de papel subia, descia e às vezes rodopiava, e o soldadinho era sacudido lá dentro. Mas ele permanecia ereto e nem sequer piscava. Mantinha o olhar fixo para a frente e o mosquete sobre o ombro.

De repente, o barco foi levado para dentro de uma boca-de-lobo e tudo ficou escuro como era na caixa dos soldados.

– Para onde será que estou sendo levado? - ele pensou. – Tudo isto é culpa do mago! Ah, mas se a bailarina estivesse comigo neste barco poderia escurecer ainda mais que eu não ligaria.

Foi então que aparece um rato de esgoto, que vivia por ali.

– Você tem passaporte? - o rato perguntou. – Mostre-me o seu passaporte! Mas o soldadinho manteve-se em silêncio e segurou o mosquete com mais firmeza. O barco passou em disparada, com o rato perseguindo-o de perto. Ah, como ele rangia os dentes e chamava os galhos e plantas.

– Detenham-no! Detenham-no! Ele não pagou o imposto. Ele não mostrou o passaporte!

Mas a corrente ficava cada vez mais forte. O soldadinho já conseguia ver a luz no fim do esgoto, mas também ouviu uma troada que teria assustado o mais corajoso dos homens. No final daquela galeria a água era despejada dentro de um grande canal. Para ele, isso era tão perigoso como seria para nós descer uma enorme cachoeira.

Agora estava tão perto que já não podia parar. O barco passou em disparada com o soldado mantendo-se o mais ereto que conseguia. Ninguém podia acusá-lo nem sequer de pestanejar. O barco rodopiou três ou quatro vezes, encheu-se de água e ia afundar. O papel se soltou mais e mais. A água cobriu sua cabeça. Então, ele pensou na bela bailarina, que nunca mais veria. Em seus ouvidos soou a marcha:

Soldado valente, está em perigo! Perigo!

Você deve, agora, descer ao jazigo!

Então, o papel se rasgou e o soldado afundou. Imediatamente, contudo, ele foi engolido por um grande peixe.

E como estava escuro lá dentro! Era pior do que no esgoto e, além disso, era apertado! Mas o soldadinho de chumbo continuou firme, com o mosquete no ombro. O peixe nadava para cá e para lá, fazendo os mais terríveis movimentos.

Afinal, ele ficou totalmente parado. Um raio de luz entrou e, quando iluminou tudo, alguém gritou:

– Um soldadinho de chumbo!

O peixe tinha sido pescado, levado ao mercado, vendido e levado para a cozinha, onde a moça o abriu com uma faca muito grande. Com dois dedos ela segurou o soldado pela cintura e o carregou para a sala de estar, onde todos queriam ver aquele homem notável, que viajara na barriga de um peixe.

Mas o soldado de chumbo não se sentia orgulhoso. Ele foi colocado na mesa e... é estranho como as coisas acontecem no mundo. O soldadinho de chumbo estava na mesma sala de antes. Ele viu as mesmas crianças, os mesmos brinquedos sobre a mesa, o belo castelo com a linda bailarina. Ela continuava se equilibrando numa só perna, com a outra apontando para o céu. Ela também mantinha sua postura ereta. Isso comoveu tanto o soldadinho de chumbo que ele poderia ter chorado lágrimas de chumbo, mas isso não seria muito adequado para um soldado corajoso. Ele olhou para ela, que olhou para ele, mas nenhum dos dois falou qualquer coisa.

Naquele momento, um dos garotinhos pegou o soldado de chumbo e o jogou na lareira. A criança não soube explicar porque fizera aquilo. Certamente o mago da caixa estava por trás disso.

O soldadinho de chumbo ficou todo iluminado e sentiu um calor terrível, mas ele não sabia se era por causa do fogo ou do amor. Ele perdera todas as cores, mas ninguém sabia dizer se isso aconteceu durante sua jornada ou se era por causa da tristeza. Ele olhou para a bailarina, que olhou para ele, que se sentia derretendo. Mas ainda assim manteve-se ereto com o mosquete no ombro.

Foi então que alguém abriu a porta e o vento soprou a bailarina e, como uma pena, ela voou até a lareira, junto do soldadinho de chumbo. Ela pegou fogo e sumiu. O soldadinho de chumbo derreteu, formando um monte. No dia seguinte, quando a arrumadeira tirava as cinzas, encontrou-o no formato de um coração. Da bailarina, contudo, só tinha sobrado o broche, que estava preto como carvão.

 


 
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