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O
Amigo de Infância, de Donna Tartt (tradução
de Celso Nogueira; Companhia das Letras; 592 páginas; 49,50
reais) Donna Tartt tornou-se uma figura cultuada da literatura
americana na condição de autora de um livro só.
Em 1992, ela obteve sucesso de crítica e de vendas com seu
primeiro romance, A História Secreta, um thriller
envolvente sobre um grupo de estudantes criminosos. Lançado
uma década depois, seu segundo livro também tem um
assassinato como mote: a morte de um garoto de 9 anos, encontrado
enforcado numa árvore quando a família preparava um
almoço para comemorar o Dia das Mães. Obcecada por
vingança, a irmã mais nova do garoto tentará,
doze anos depois, descobrir quem o matou.
Leia
trecho do livro
Morte
do gato
Transcorridos
doze anos desde a morte de Robin, não se sabia nada mais
a respeito de como ele terminara enforcado numa árvore em
seu próprio quintal do que no dia em que ocorrera a tragédia.
Os
moradores da cidade ainda discutiam a morte. Costumava se referir
ao caso como "o acidente", embora os fatos (debatidos
nos encontros de bridge, no barbeiro, nos ranchos de pesca, nas
salas de espera dos médicos e no salão de banquete
do Country Club) insinuassem outra coisa. Sem dúvida era
difícil imaginar que um menino de nove anos pudesse se enforcar
por acaso ou azar. Todos conheciam os detalhes que ensejavam tanta
especulação e debate. Robin fora enforcado com um
fio - incomum - que alguns eletricistas usavam, e não se
conhecia sua origem, nem como Robin o conseguira. Era um fio grosso,
resistente, e o investigador de Memphis dissera ao delegado da cidade
(atualmente aposentado) que, em sua opinião, um menino como
Robin seria incapaz de dar aqueles nós sozinho. O cabo fora
amarrado na árvore com nós simples, amadores, mas
se isso indicava inexperiência ou pressa do assassino ninguém
sabia.
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