|
As
Lágrimas da Girafa, de Alexander McCall Smith (tradução
de Carlos Sussekind; Companhia das Letras; 224 páginas; 30,50
reais) Advogado nascido na antiga Rodésia do Sul e
hoje radicado na Escócia, McCall Smith é especialista
em legislação médica e ocupa cargos como a
vice-presidência da Comissão de Genética Humana
da Inglaterra. Em 1998, estreou na literatura policial e
leva jeito para o ramo. Ele criou uma detetive exótica, a
africana Preciosa Ramotswe, que atua em Botsuana, num escritório
em que galinhas ciscam pelo chão. Nesse segundo livro da
série, Preciosa resolve um caso de desaparecimento enquanto
acerta detalhes de seu casamento.
Leia
trecho do livro
Capítulo
1
A casa do Sr. J. L. B. Matekoni
O Sr.
J. L. B. Matekoni, proprietário da Tlokweng Road Speedy Motors,
achou difícil acreditar que Mma Ramotswe, a bem sucedida
fundadora da Agência nº 1 de Mulheres Detetives, houvesse
concordado em se casar com ele. Isso aconteceu na segunda vez em
que fez o pedido; a primeira proposta, que havia exigido uma imensa
coragem de sua parte, resultara numa recusa. A partir de então,
ele presumiu que Mma Ramotswe jamais voltaria a se casar; que o
seu breve e desastroso casamento com Note Mokotoi, trompetista entusiasta
de jazz, a havia convencido de que o matrimônio era uma fórmula
segura para se obter tristeza e sofrimento, e nada mais. Afinal
de contas, ela era uma mulher de espírito independente, com
um negócio para gerir, e uma confortável casa própria
em Zebra Drive. Por que, especulava ele, uma mulher assim haveria
de optar por ter um homem a seu lado, quando lidar com um homem
poderia envolver dificuldades depois de selado o compromisso e depois
que ele se instalasse na casa dela?
|