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As
Gangues de Nova York,
de Herbert Asbury (tradução de Beatriz Sidou; Globo;
382 páginas; 43 reais) O jornalista Herbert Asbury
(1891-1963) chamou esse livro de "história informal" do submundo
nova-iorquino. Seu objetivo não era teorizar sobre a criminalidade,
mas simplesmente narrar "os feitos mais espetaculares do cidadão
rebelde". Publicado originalmente em 1928, As Gangues de Nova
York traz uma infinidade de dados curiosos sobre a cidade e
os bandidos que a aterrorizaram entre o começo do século
XIX e o começo do século XX.O cineasta Martin Scorsese
inspirou-se na obra para criar seu novo filme, que terá Leonardo
DiCaprio no papel principal. O escritor argentino Jorge Luis Borges
também era fã dela. Mencionou-a num de seus contos,
O Provedor de Iniqüidades Monk Eastman, que serve de
prefácio a essa edição brasileira.
Leia
trechos do livro
O
Berço das Gangues
As
PRIMEIRAS GANGUES que aterrorizaram Nova York a intervalos freqüentes
por quase um século foram produzidas nos lúgubres
cortiços que se escondiam nas cercanias pestilentas da área
do Five Points - o Cinco Pontos do velho e sangrento Sexto Distrito,
que abrangia mais ou menos o território limitado pela Broadway,
a Canal Street, a Bowery e a Park Row, antigamente Catham Street.
A velha área do Cinco Pontos hoje contém três
dos principais departamentos de justiça da cidade: o prédio
chamado "o Mausoléu", o edifício dos Tribunais
do júri e a nova Câmara de Justiça do condado
- mas, no período colonial e nos primeiros anos da República,
o cemitério dos negros na esquina da Broadway com a Chambers
Street estava localizado nos arredores da cidade, o atual distrito
teatral de Times Square era um deserto com ventos uivantes em que
índios selvagens caçavam, e boa parte dessa área
da cidade era brejo ou pântano, circundando um grande lago
que os ingleses chamavam de Fresh Water Pond - lagoa da Água
Potável - e os holandeses, de Ponto das Conchas ou Kalchhook.
Mais tarde essa lagoa passou a ser chamada de Collect - a Coleta
-, o ponto de coleta das águas, e com esse nome aparece nos
mapas antigos. A lagoa enchia a área hoje limitada pelas
ruas White, Leonard, Lafayette e Mulberry, em sua maior parte ocupada
pelo Mausoléu e pelos Tribunais do júri. A primeira
prisão foi erguida em 1838 e, embora seu nome oficial fosse
Câmara de justiça, era popularmente chamada de Tombs
- o Mausoléu -porque o projeto do prédio fora copiado
do de um antigo mausoléu egípcio, ilustrado e descrito
no livro As viagens de Stevens, escrito por John L. Stevens, de
Floboken, depois de uma demorada excursão pela terra dos
faraós.
No
centro da Coleta havia uma ilhota que foi muito usada como local
para execuções e outras penalidades da justiça.
Ali uns vinte negros foram enforcados, quebrados na roda ou queimados
no poste depois da Insurreição dos Escravos de 1741,
quando eles se levantaram contra seus legítimos senhores,
numa tentativa de queimar e saquear a cidade. Mais tarde, a ilha
se tornou local para armazenagem da pólvora e era chamada
de Magazine Island - ilha do Paiol. O principal escoadouro da lagoa
estava localizado em sua ponta norte, mais ou menos onde hoje é
o cruzamento das ruas White e Center. A corrente tomava então
rumo noroeste, fluía ao longo da atual Canal Street e, depois
de atravessar o Lispenard Meadows - o capinzal do Lispenard -, desaguava
no rio Hudson. Muitos anos antes da revolução, quando
ainda estavam de pé as paliçadas erguidas por toda
a extremidade sul de Manhattan até ao norte da atual prefeitura
como proteção contra os índios, foi construída
uma pequena ponte de pedras sobre a corrente, no ponto em que hoje
se cruzam a Broadway e a Canal, para uso das expedições
que penetravam as áreas selvagens, em viagens arrojadas aos
pequenos povoamentos no Harlem e no extremo norte da ilha. Foi na
Coleta, em 1796, que John Fitch navegou num primitivo vapor experimental,
onze anos antes que o Clermont entrasse majestosamente nas águas
do rio Hudson.
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