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Canções da Inocência e da Experiência, de William Blake (tradução de Mário Alves Coutinho e Leonardo Gonçalves; Crisálida; 152 páginas; 23 reais) – A obra de Blake (1757-1827) é uma das mais belas da poesia inglesa. E também uma das mais estranhas: Blake, que dizia ter enxergado Deus com 4 anos de idade, criava versos cheios de imagens visionárias e referências religiosas. Traduzidos integralmente pela primeira vez no Brasil, Canções da Inocência e da Experiência incluem alguns dos poemas mais conhecidos do autor, como O Tygre e O Limpador de Chaminés. Uma pena que a tradução, embora correta, nem sempre se aproxime do brilho e da fluência dos versos originais. A edição, pelo menos, é bilíngüe.

Leia trecho

Infant Joy

I have no name
I am but two days old. –
What shall I call thee?
I happy am
Joy is my name, –
Sweet joy befall thee!

Pretty joy!
Sweet joy but two days old.
Sweet joy I call thee:
Thou dost smile.
I sing the while
Sweet joy befall thee.

Alegria Infantil

Não tenho nome
Nasci há dois dias. –
Te chamo como?
Eu sou feliz
Alegria é meu nome, –
Doce alegria te sorria!

Linda alegria!
Doce alegria, mas de dois dias.
Doce alegria, te chamo:
Você sorri.
Enquanto canto
Doce alegria te sorria.

 

A POISON TREE.

I was angry with my friend:
I told my wrath, my wrath did end.
I was angry with my foe:
I told it not, my wrath did grow.

And I waterd it in fears,
Night & morning with my tears:
And I sunned it with smiles,
And with soft deceitful wiles.

And it grew both day and night,
Till it bore an apple bright.
And my foe beheld it shine,
And he knew that it was mine.

And into my garden stole,
When the night had veild the pole;
In the morning glad I see,
My foe outstretchd beneath the tree.

 

UMA PLANTA VENENOSA.

Tenho raiva de um amigo:
Falo da ira, e não mais brigo.
Do inimigo tenho raiva:
A ira cresce, não digo palavra.

E com medo irriguei-lhe os cantos,
Noite & dia com meus prantos:
E a ilumino com meus sorrisos,
E falsos artifícios.

E crescendo noite e dia,
Deu uma maçã que reluzia.
Vê seu brilho meu inimigo,
Sendo minha, não vê perigo.

E em meu jardim ele a esfola,
Quando a noite cobre o pólo;
De manhã, alegre, acho caído,
Sob essa planta o meu inimigo.


 
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