O veneno das águas

A toxina que contaminou os doentes renais
veio de uma alga azul e bela

Angélica Santa Cruz

A barragem do Rio Tabocas fica a quarenta minutos de Caruaru. Lugar aprazível, todos os domingos ela se enche de visitantes. Eles estacionam Fusca, Brasília e velhos Opala perto da represa e, sob um sol inclemente, instalam seus apetrechos para piqueniques com sucos de frutas, sanduíches de goiabada e bolachas de maisena. É uma cena movimentada, colorida. Da barragem do Tabocas é que sai a água de Caruaru. Bombeada através de um cano subterrâneo, a água percorre cerca de 20 quilômetros até chegar à estação de tratamento, já na cidade. Ali é tratada e distribuída à população. Entre os dias 7 e 13 de fevereiro, os caminhões-pipa faziam o de sempre. Encostavam num dos tanques da estação e pegavam 7 000 litros de água. Abastecidos, andavam 2 quilômetros e paravam em frente a um prédio amarelo, em cuja fachada se lia Instituto de Doenças Renais, IDR. Em dez minutos, a água era despejada no tanque da clínica. Dali, passava por quatro filtros, num ritmo de 2 000 litros por hora. Dos filtros, entrava em 25 máquinas de hemodiálise. Das máquinas, caía na corrente sanguínea dos doentes que ali se tratavam. Não se sabe quantas vezes isso aconteceu naquela semana de 7 a 13. O certo é que os 126 pacientes do IDR passaram a carregar no corpo uma explosão orgânica. Estavam todos envenenados.

Uma das atrações do Rio Tabocas é a tonalidade azulada de sua água. É um fenômeno bonito, e só acontece porque ali vivem microalgas azuis. Chamam-se cianobactérias. Sozinhas, são invisíveis a olho nu. Mas reunidas a milhares de outras, formam um tipo de lodo azulado sobre a água. Vistas num microscópio, as cianobactérias são belíssimas. Podem ter formato de filamentos, bastonetes ou de bolinhas sobrepostas, como se fossem um colar de pérolas azuis. As condições ideais para o seu crescimento e sua proliferação são as mesmas que encantam a gente no domingo. Elas adoram a brisa, gostam de muita luz e se sentem muito bem sob uma temperatura entre 15 e 30 graus. Nessas circunstâncias podem viver meses e são quase inofensivas para quem se banhar no meio delas. Mas, na escuridão, as microalgas morrem. E ao morrer soltam uma toxina arrasadora para o organismo. É a fatal Microsystina LR.

O SEGUNDO TANQUE – Quem beber um copo de água com a toxina provavelmente terá diarréia, e nada mais, porque será uma quantidade pequena. Mas deixá-la em contato com a corrente sanguínea, em grande volume, é mortífero. É um contato tão raro, tão improvável, que não se tem notícia de que tenha acontecido em nenhum lugar do mundo. Só em Caruaru. E tudo começou quando os caminhões-pipa da Compesa, a estatal que distribui água em 170 municípios de Pernambuco, iam à estação de tratamento encher os seus tanques para levar água ao povo de Caruaru. Como ensinam os livros de ciências do primário, o tratamento de água tem quatro etapas: floculação, decantação, filtragem e cloração. A água do Rio Tabocas, passando pelos quatro processos, fica limpa da toxina que a alga libera ao morrer. Se houver toxina na água, será um volume pequeno que provoca apenas mal-estar. Mas os caminhões da Compesa, em vez de pegar a água do último tanque – da cloração –, cortavam caminho para ganhar tempo. Abasteciam-se no segundo tanque – o da decantação. Ali a água ainda não estava recomendável para o consumo.

Como forma de compensar o atalho, os motoristas dos caminhões-pipa eram orientados a adicionar uma caneca de cloro à água. Como ainda não estava potável, a água entrou no caminhão repleta de microalgas vivas. Colocadas no ambiente fechado do tanque, sem luz e expostas ao cloro, as algas morreram e liberaram a Microsystina LR. Mas se os caminhões se abastecessem no tanque certo, a tragédia de Caruaru não teria acontecido? Especialistas no assunto acham que, mesmo assim, a Microsystina LR não seria contida. O volume de algas na água do Rio Tabocas era tão grande que é difícil dizer se os tanques da Compesa poderiam eliminar o risco. Talvez a água não ficasse tão envenenada. Talvez contaminasse com menor intensidade. Talvez menos gente morresse. Ou talvez morressem todos os que morreram, só que mais lentamente.

CONVULSÕES, VÔMITOS – Com a carga de veneno, os caminhões-pipa seguiam para o único lugar de Caruaru onde a toxina iria produzir uma calamidade – o IDR. Só ali a água que chega de caminhão-pipa acaba em contato com o sangue. No hospital público da cidade, o São Sebastião, não se faz hemodiálise. A outra clínica renal de Caruaru, o Inuc, fica num ponto baixo da cidade. Por isso, recebia água encanada com regularidade e muito raramente pedia caminhões-pipa. Já o instituto, instalado num dos pontos mais altos da cidade, aonde a água tinha dificuldade para chegar, vivia solicitando caminhões-pipa. Chegava a comprar, no auge de um período de seca, 350 000 litros de água por mês, fornecidos pelos caminhões-pipa. No instituto, a Microsystina LR passou pelos quatro filtros e chegou às máquinas de hemodiálise. Misturada aos 120 litros de água que deveriam limpar o sangue dos pacientes renais, incapazes de expelir as impurezas do corpo pela urina, a Microsystina LR entrou no organismo deles. Foi para o fígado e ali alterou a composição de algumas proteínas de suas células. Conforme a quantidade de toxina no organismo, as células desmoronam.

Os quatro filtros das máquinas de hemodiálise do Instituto de Doenças Renais não estavam em bom estado. A água que chegava à clínica deveria ser analisada de três em três meses, e havia um ano que os donos da clínica não faziam um único exame. Mas nem isso resolveria o problema. Não há filtro de máquina de hemodiálise, por mais moderna que seja, capaz de barrar a trajetória da toxina. As análises trimestrais da água também não seriam suficientes para apontar a presença da toxina. Os pacientes do instituto começaram a morrer de hepatite tóxica. Em meados de fevereiro, ninguém sabia o nome da toxina que os aniquilava. Eram mortes silenciosas. Eles sentiam pouca dor, mas muito mal-estar. Sem poder de coagulação, o fígado sangrava e comprometia todos os órgãos. Era como se todo o sangue de seus corpos fosse puxado para dentro do fígado, que inflava, dobrava de volume. Um fígado normal pesa entre 800 gramas e 1,2 quilo. Os de alguns doentes chegaram a 2,5 quilos. Eles tinham convulsões, vômitos, tonturas, problemas de visão. Adquiriam uma cor amarelada.

Atônitos, especialistas de todo o país reuniam-se no 8º andar do Hospital Barão de Lucena, no Recife, e esquadrinhavam o organismo dos doentes para barrar o passeio do veneno em suas veias. Munidos de malas 007 com plaquetas de coleta de sangue, três médicos ligados ao Centro de Controle de Doenças, o CDC americano, famoso por sua luta contra o Ebola, o vírus que apareceu no Zaire, desembarcaram no Recife quando já havia dezenove mortos. Eram 22 as vítimas quando chegou um grupo de infectologistas e biólogos ingleses e americanos. Na sua primeira providência para investigar o caso, a Secretaria de Saúde meteu-se na Internet pedindo ajuda. Recebeu cinqüenta respostas, sem utilidade. Um professor belga informou que uma vez cuidara de dois pacientes com sintomas parecidos. Um químico mineiro dizia que o problema era o cloro. O governo da Austrália informava que conhecia a toxina, mas até hoje o máximo que conseguiu foi cravar placas de alerta nos rios para a população não mergulhar. Uma bruxa de Santa Catarina mandou dizer que era só enviar a passagem que ela curava todo mundo com um chá milagroso.

MORTICÍNIO – No Rio de Janeiro, surgiu uma luz. A professora Sandra Azevedo, do núcleo de pesquisas de produtos naturais da UFRJ, acompanhou o morticínio pelos jornais e lembrou-se de um caso parecido relatado por amigos na cidade de Évora, em Portugal. Telefonou para a Secretaria de Saúde e disse que as mortes poderiam estar relacionadas a algas venenosas. No dia 28, a convite da secretaria, a bióloga estava no Recife. Havia trinta mortos. Nesse final de março, a estrada de barro vermelho que leva à barragem de Tabocas tornou-se movimentada. Ali perto, paravam agora peruas Besta com vidro fumê e Parati brancas, das quais desembarcavam especialistas com tubos de vidro. Era a caça à toxina misteriosa. No dia 2 de abril, Sandra Azevedo concluiu a primeira análise da água e dos filtros da clínica. Teve certeza daquilo que suspeitara desde o início: a causa das mortes estava no velho Rio Tabocas. Eram as cianobactérias.

A Microsystina LR só entrou para a literatura médica em 1980, mas até hoje só se conhecia o efeito que causava em animais. Também não se sabe como fazer para impedir sua ação letal. Não há transplante, remédio ou vacina. Os contaminados só recebem uma medicação de apoio, contra febre ou enjôo. Em contato com o veneno, uns morrem, outros não. Tudo depende da dose que entra no sangue e também do estado geral do organismo. No Recife, os médicos tentaram trocar o plasma de seis pacientes, na tentativa de purificá-lo. Não houve melhoras e um deles, Edelson Pereira, morreu. Há ainda uma agravante. As toxinas são cancerígenas, e quem escapar da morte agora corre o risco de ter câncer mais tarde.

"A tragédia pode se repetir no próximo verão, quando as microalgas terão mais condições de reprodução. As toxinas podem voltar", avisa Sandra Azevedo. E Caruaru precisa muito do Rio Tabocas. Há quatro anos a cidade sofre um sistema duro de racionamento e chega a alternar dois dias com água e quatro sem uma gota. Daí porque os caminhões-pipa são tão comuns pelas ruas da cidade. E daí porque os motoristas dos caminhões pegam água do segundo – e não do quarto – tanque. A cidade tem pressa de água. E a água que sai do último tanque tem pressão para encher apenas um caminhão por vez. Já no segundo tanque, enchem-se cinco caminhões de uma vez só.

Sem culpados notórios, Pernambuco desencadeou uma guerra de acusações. No fundo, tratava-se de um debate para saber se a toxina é particular ou pública. "Paguei por água potável e recebi contaminada. Não posso ser culpado por isso, ainda mais sabendo que o agente era incontrolável", defende-se Bráulio Coelho, um dos donos do IDR. "Quando a água entrou na clínica, virou responsabilidade dos donos, que deveriam tê-la examinado antes de mandá-la para o sangue dos pacientes", retruca o gerente da Compesa em Caruaru, Judas Tadeu. Ambos foram denunciados pelo Ministério Público, junto com outros dois médicos da clínica e mais duas diretoras da Secretaria de Saúde. São acusados de homicídio culposo e lesão corporal. Os juízes de Caruaru já aceitaram a denúncia. As audiências começam em julho.

A tragédia passo a passo

Nesta e nas páginas seguintes, a cronologia do que acontecia no mundo, no Brasil e em Caruaru enquanto morriam os pacientes do Instituto de Doenças Renais

20 de fevereiro
- Terça-feira de carnaval
- Arnaldo Luiz Gomes 1957-1996

21 de fevereiro
- A Mocidade ganha o Carnaval do Rio

22 de fevereiro
- O médico Antonio Bezerra, um dos donos da clínica de Caruarum é avisado de que os pacientes estão passando mal e reclamam de problemas na visão. Ele os manda ao oculista

23 de fevereiro
- Vinte e cinco anos depois de ser assassinado, Rubens Paiva finalmente é dado como morto. O BC avisa que a dívida pública aumentou 107,7%. Em um ano.

24 de fevereiro
- O jornal Vanguarda de Caruaru trata das chuvas na cidade. Uma nota diz: "Enterraram de vez o Carnaval. Na página 7, o primeiro sinal: a família de Arnaldo Gomes convida para a missa de sétimo dia

25 de fevereiro
- O Brasil quer saber por que o jogador Arilson fugiu da concentração da seleção olímpica de futebol
- Cícero da Silva Amorim 1950-1996

26 de fevereiro
- O presidente do Peru, Alberto Fujimori, vem ao Brasil e não é recebido pelo Congresso nem pelo Senado

27 de fevereiro
- Sofia Maria da Silva 1959-1996

28 de fevereiro
- A inflação de fevereiro é de 0,38%

29 de fevereiro
- Maria Cândida Nunes 1945-1996
- Terezinha R. de Lima 1951-1996 - Abilio J. da Silva 1926-1996
- Os bispos acham que ajudar os bancos é injusto

01 de março
- Warren Christopher, secretário de Estado dos EUA, vai à Brasília

03 de março
- A banca de jornais Terceiro Mundo, de Caruaru, vende em poucas horas 300 broches do Mamonas Assassinas
- Morre o Mamonas Assassinas, em um desastre de avião em São Paulo. Choque nacional

04 de março
- Helena N. dos Santos 1938-1996
- José A. da Paz Lima 1966-1996 - FHC se irrita com a oposição de José Sarney e reclama: "Algumas abelhas me picam, às vezes até marimbondos". Cem mil vão ao enterro dos Mamonas

05 de março
- Inaldo de Souza Leão 1948-1996
- Cícero F. de Brito 1963-1996 - ACM e Ney Suassuna trocam tapas no Senado

06 de março
- Angelita S. de Araújo 1959-1996 - Paulo B. de Moura 1972-1996
- O Brasil ganha o pré-olímpico de futebol

07 de março
- A clínica envia um fax para a Secretaria de Saúde comunicando a suspeita de problemas na água. Um dos médicos diz que "algo fugiu do nosso controle"

08 de março
- José F. da Silva 1955-1996
- Técnicos da Secretaria de Saúde fazem a primeira inspeção na clínica e não apontam nada de grave

09 de março
- Fernando Henrique vai ao Japão, via Estados Unidos

10 de março
- João Manuel da Silva 1952-1996 - O país vibra ao descobrir que Tom Cruise socorreu uma brasileira em Los Angeles

11 de março
- Pedro Vieira Neto 1937-1996
- Os lixeiros fazem greve em São Paulo: 4 000 toneladas de lixo nas ruas
- O governador Miguel Arraes é informado do que está ocorrendo em Caruaru. Diz que mandará interditar a clínica

12 de março
- José Rodrigues Irmão 1962-1996
- A fábrica francesa Renault avisa que vai gastar 1 bilhão de dólares para montar carros no Paraná

13 de março
- Maria Pinheiro Macial 1940-1996 - Um louco mata dezesseis criancinhas numa escola escocesa
- No Recife,Arraes lança um programa esportivo junto com o ministro Edsom Arantes do nascimento, o Pelé
- A clínica é interditada - Vanguarda da sua primeira manchete sobre o IDR

15 de março
- Na Escócia, o primeiro-ministro John Major vai aos enterros das vítimas do desequilibrado

16 de março
- José Andrade Silva 1946-1996 - O escritor Paulo Coelho vira cavaleiro das artes da França
- Maria A. dos Santos 1971-1996

18 de março
- O médico Idelfonso Rodrigues dos Santos, que trabalhava na clínica, recebe um telefonema da irmã de um paciente recomendando que deixe a cidade

19 de março
- O Tribunal Eleitoral anula a segunda eleição carioca de 1994; volta tudo como estava na primeira eleição, anulada por causa das fraudes
- Maria Feitosa Freire 1944-1996
- Adib Jatene recebe no seu gabinete o senador Ronaldo Cunha Lima e discute a venda de café misturado com açúcar
- Paulo Jorge Silva 1933-1996

20 de março
- Antônio Gomes Pontes 1943-1996
- O IBGE diz que entre 1983-1993, os pobres ficaram mais pobres e os ricos, mais ricos - Ricardo Borges Vieira 1975-1996

21 de março
- Rochael Araújo 1971-1996
- O médico Bráulio Coelho, um dos donos do IDR, depõe na CPI pernambucana
- A Comissão de Justiça da Câmara arquiva a proposta de uma CPI dos bancos

22 de março
- Maria Soares de Araújo 1936-1996

23 de março
- Em Caruaru, Sérgio Reis dá um show na inauguração do "Maracanã das vaquejadas" - Amaro M. dos Santos 1936-1996

25 de março
- José P. da Silva Neto 1953-1996
- Na noite do Oscar um concorrente brasileiro: "O Quatrilho", vitorioso só por competir
- Janete opera duas crinças carentes em São Paulo. Á noite, dá entrevista no programa de Clodovil, na Rede Mulher

26 de março
- A Assembléia de Pernambuco istala uma CPI para investigar as mortes de Caruaru

27 de março
- Heleno Fortunato 1936-1996
- Severina Celina da Silva 1947-1996

28 de março
- Presos se rebelam em Goiás, liberados pelo assaltante Leonardo Pareja
- Nerivânia Xavier 1971-1996

29 de março
- 150 pessoas protestam contra as mortes em frente da Catedral de Caruaru. Em Serra Talhada, a 300 quilômetros dali, o presidente Fernando Henrique inaugura uma barragem

31 de março
- João Francisco de Melo 1923-1996
- Damon Hill, da williams, vence em São Paulo o GP do Brasil

01 de abril
- A banda Nova Euterpe de Caruaru recebe instrumentos novos, presente do Banco do Brasil
- O governo reduz impostos de importação de 107 produtos. Revela-se que 81 senadores compraram 87 carros por quase 2 milhões de reais
- Os americanos do CDC, especialistas em epidemias, chegam a Caruaru

02 de abril
- João Almeida 1938-1996
- A gasolina é liberada, e os preços sobem um pouco. O secretário de Saúde de Pernambuco anuncia que o IDR deixou de lado normas elementares de higiene

03 de abril
- José Pequeno da Silva 1970-1996
- Dulcinéia Alves da Silva 1934-1996
- Termina a rebelião do presídio de Goiânia. Pareja vira herói da mídia

04 de abril
- Antonina Júlia da Silva 1946-1996
- Maria A. Bezerra Castor 1952-1996
- O filho do prefeito de Caruaru vai parar no hospital, por causa de uma apendite mal curada
- Sai o acordo entre Excel e Econômico; a fatura custa 3 bilhões de reais aos cofres públicos

06 de abril
- Maria S. da Silva 1931-1996
- Divulga-se venda recorde de ovos de Páscoa

08 de abril
- Fernando Henrique, na Argentina, diz que vai prender os banqueiros corruptos e, com um empurrãozinho de Menem, lança a idéia da própria reeleição
- A Justiça militar absolve dois oficiais acusados de tortura; o juiz acha que os militares empregaram o "rigor necessário"

09 de abril
- Sai do Recife o "vôo do forró", levando sessenta personalidades para duas semanas na Europa. A bordo, o secretário de Saúde de Caruaru, José Abílio Neto

10 de abril
- Janete vai ao Recife visitar os doentes e ouve "Queremos justiça" dos parentes; pede calma

11 de abril
- Marinete de Andrade 1955-1996
- O governo federal indulta 13 000 presos
- A Secretária de Saúde de PE informa: uma toxina produzida por algas matou no IDR

12 de abril
- Janete visita uma unidade do corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro
- Severino C. de Lima 1948-1996 - Antônio da Silva Leite 1950-1996

13 de abril
- Arraes faz primeiro pronunciamento público sobre as mortes de Caruaru. Diz que mandará prender os donos da clínica

15 de abril
- O médico Antonio Bezerra é avisado da decretação de sua prisão. Fica seis horas escondido. Era alarme falso
- Roberto Carlos casa-se pela terceira vez, com Maria Rita Simões

16 de abril
- Josefa Amara Ferreira 1946-1996

17 de abril
- Dezenove trabalhadores rurais são mortos em um conflito com a Polícia Militar do Pára, em Eldorado dos Carajás
- Edelson Soares Pereira 1967-1996 - Severino T. de Andrade 1949-1996

18 de abril
- O BC avisa que a dívida pública atingiu 220 bilhões de reais, 33% do PIB
- Arraes manda fechar o Inuc, outra clínica de hemodiálise em Caruaru. Os doentes passam a viajar para se tratar

20 de abril
- Mário Covas desiste do acordo do Banespa com o governo federal, mas depois tenta voltar atrás

22 de abril
- Termina o "vôo do forro. Foram duas semanas visitando cinco cidades na Inglaterra, França,Itália e Suíça

23 de abril
- O secretário de Saúde de PE, Jarbas Barbosa, convoca uma comissão de familiares ao Recife. O secretário viaja para Brasília na hora, e a comissão é recebida por um assessor

24 de abril
- FHC promove reforma no governo, nomeando quatro novos ministros
- Familiares das vítimas de Caruaru são recebidos na Câmara dos Deputados, em Brasília

25 de abril
- Janete dá palestra na Associação Comercial da Bahia para defender a aprovação do CPMF
- Ananias Lira dos Santos 1922-1996

26 de abril
- Um ex-soldado se apresenta á Justiça como um dos matadores da Candelária; será condenado a 309 anos de cadeia

27 de abril
- Edmilsom F. da Silva 1957-1996 - Segunda a Justiça do Rio, mais de 6000 menores foram mortos no Estado nos últimos dez anos
- Jornais revelam que comerciantes de Caruaru temem que a tragédia atrapalhe os negócios nos festejos juninos

30 de abril
- Os donos do IDR são iniciados por homicídio culposo; o relatório do delegado, um calhamaço de 700 páginas, é resultado de 58 depoimentos, vinte exumações e 24 necrópsias

01 de maio
- O salário mínimo vai a 112 reais

02 de maio
- O Flamengo compra o passe de Bebeto, por 2,5 milhões de dólares. Enquanto isso, Romário faz lobby para jogar nas Olimpíadas

03 de maio
- Sai o resultado da CPI estadual da hemodiálise, culpando os médicos

05 de maio
- A chuva no Recife matou mais de cinquenta pessoas

07 de maio
- Caruaru cada vez mais preocupado com sua imagem, diz o Vanguarda

08 de maio
- Linause P. do Carmo 1943-1996
- Wayne Charmicael, pesquisador americano, colhe água do reservatório de Tabocas, que abastece Caruaru

09 de maio
- José A. de Araújo 1961-1996

10 de maio
- Alice P. de França 1930-1996
- Janete opera duas pessoas no Hospital do Coração e dá consultas particulares, em São Paulo

11 de maio
- Domingos de Oliveira 1956-1996
- Em Caruaru, o assunto é uma exposição de automóveis

12 de maio
- Dias das Mães

13 de maio
- Uma pesquisa encomendada pela Confederação Nacional da Indústria revela que 68% dos brasileiros maiores de 18 são contra o imposto sobre o cheque. Jatene diz que Lobby contra ele é poderoso

15 de maio
- A Secretária Estadual de Saúde faz a entrega de 32 certidões de óbito para um grupo de familiares

16 de maio
- O Senado aprova um empréstimo de 7,5 bilhões de reais ao Banespa

17 de maio
- A Polícia Federal decide queimar a maconha de baixos teores importado por Fernando Gabeira, que jura que a erva é bom negócio

18 de maio
- Caruaru comemora 139 anos

20 de maio
- Uma apostadora de Madureira, subúrbio do Rio, leva sozinha os 15,6 milhões de reais da MegaSena

21 de maio
- No Rio, a Light é privatizada por 2,2 bilhões de reais, e, em Londres, Sérgio Motta aproveita para dizer que a saúde pública brasileira "é uma droga"

22 de maio
- João Inô da Silva 1938-1996
- A Primeira Dama Magdalena Arrais recebe os familiares das vítimas de Caruaru, a quem promete dar cesta básica e pagar os enterros
- Enquanto 2 800 empresários invadem Brasília para sua passeata contra os juros, o Congresso derruba a reforma da Previdência

24 de maio
- O Brasil repete de ano: o MEC divulga os resultados de um megateste para conhecer o estado da educação. A média nacional é de 4,3. A melhor escola é a brasiliense, a pior, a maranhese
- José Soares Batista 1958-1996

25 de maio
- A intelectual pop Camille Paglia vem dos Estados Unidos para elogiar tudo o que é politicamente incorreto

26 de maio
- Severino M. da Silva 1941-1996

28 de maio
- O ministro do Planejamento, José Serra, larga o cargo para entrar na campanha para prefeito de São Paulo

29 de maio
- De Paris, Fernando Henrique acha os juros brasileiros "escorchante", mas avisa que só baixam com reformas

30 de maio
- A Justiça aceita denúncia do Ministério Público indiciando sete pessoas pelas mortes, entre elas os donos da clínica e o gerente da companhia estadual de água