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23/11/1994
Biblioteca
nacional
A pedido
de VEJA, quinze intelectuais
escolhem os melhores livros do Brasil

Rinaldo
Gama
Lançado
há três meses nos Estados Unidos, o livro Cânone
Ocidental, do intelectual americano Harold Bloom, tem
uma proposta ambiciosa: listar os livros mais importantes
da história da cultura deste lado do mundo. 0 livro
de Bloom aponta 26 autores que, segundo ele, seriam o supra-sumo
literário. Apenas um nome de língua portuguesa
conseguiu seu lugar entre os 26, o poeta Fernando Pessoa,
que faz companhia a William Shakespeare e Marcel Proust. No
fim do livro, Bloom aponta outros 824 escritores que, mesmo
abaixo do primeiro escalão, também produziram
obras cujo valor considera eterno. Um brasileiro conseguiu
ingressar nessa segunda seleção, Carlos Drummond
de Andrade. Não é pouca coisa. Bloom colocou
Drummond na mesma faixa que o alemão Thomas Mann e
o russo Fyodor Dostoievsky. 0 Cânone Ocidental
já vendeu 10000 exemplares nos Estados Unidos e deve
sair no Brasil no ano que vem, pela editora Objetiva.
Discutível
como todas as listas de melhores em qualquer atividade humana,
tanto na escolha dos melhores filmes de todos os tempos como
na escalação da melhor seleção
de futebol, o esforço de Bloom tem uma utilidade indiscutível.
Abre uma polêmica sobre obras e autores, entre o que
tem valor e aquilo que é fútil, o descartável
e o duradouro. "Pode ser uma arte em extinção
a de ler atentamente, com amor, com a emoção
de ver como o texto se desdobra", diz Bloom. "Mas
todo mundo tem ou deveria ter uma lista de obras que lhe serviriam
de companhia numa ilha deserta."
Com
esse mesmo espírito, VEJA montou um cânone brasileiro.
Para tanto, solicitou a quinze dentre os intelectuais de porte
do país que fizessem uma lista das vinte obras mais
representativas da cultura brasileira, em todos os setores
e em todas as épocas. Dessa forma, chegou-se a um cânone
de 22 obras. (Veja
quadro.) Além dos intelectuais cuja
lista de vinte obras é publicada na íntegra,
VEJA também ouviu o antropólogo e senador Darcy
Ribeim, o historiador José Murilo de Carvalho; o cientista
político Wanderley Guilherme dos Santos: e o crítico
literário Fábio Lucas.
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| Os
Sertões |
15 |
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| Casa-Grande
& Senzala |
14 |
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| Grande
Sertão: Veredas |
13 |
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| Macunaíma |
11 |
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| Dom
Casmurro |
8 |
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| Raízes
do Brasil |
8 |
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| Memórias
Póstumas de Brás Cubas |
7 |
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| Vidas
Secas |
6 |
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| Um
Estadista do Império |
6 |
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| Formação
da Literatura Brasileira |
5 |
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O Tempo e o Vento |
5 |
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| Fogo
Morto |
5 |
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| Formação
Econômica do Brasil |
5 |
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| Gregório
de Matos |
5 |
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| Os
Donos do Poder |
4 |
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| Triste
Fim de Policarpo Quaresma |
4 |
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| Formação
do Brasil Contemporâneo |
4 |
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| O
Ateneu |
4 |
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| Iracema |
4 |
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| Gabriela,
Cravo e Canela |
4 |
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| Carlos
Drummond de Andrade |
4 |
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| Manuel
Bandeira |
4 |
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ADULTÉRIO
E CANUDOS - O cânone brasileiro consagra um autor,
Machado de Assis, lembrado por todos os ouvidos. Ele é
o único a figurar na lista com duas obras: Dom Casmurro
(1899) e Memórias Póstumas de Brás
Cubas (1881). Seus livros só não chegaram
em primeiro lugar porque os votantes discordam sobre qual
seria o melhor. Além dos que entraram no cânone,
Machado também recebeu votos por Quincas Borba
e O Alienista. 0 reconhecimento de Machado não
chega a ser uma surpresa. Basta ler ou reler uma de suas obras
principais. 0 que dizer de Dom Casmurro? Que é
a maior história de um adultério jamais escrita
em qualquer época? Que ali se reúnem os personagens
mais bem definidos psicologicamente de toda a literatura nacional?
Memórias Póstumas também desafia
a coleção de adjetivos do idioma. 0 que pode
haver de mais desconcertante do que um morto contando sua
própria vida, começando pela descrição
de seu próprio enterro? Ou do que um capítulo
onde uma conversa entre Brás Cubas e sua paixão,
Virgília, se resume a pontinhos, exclamações
e interrogações?
Como
obra isolada, o campeão de indicações
foi Os Sertões, de Euclides da Cunha, com quinze
votos. Repórter, Euclides da Cunha seguiu para Canudos
em 1897, impressionado com as seguidas derrotas das forças
do governo frente aos jagunços liderados pelo místico
Antonio Conselheiro. Organizado bem de acordo com a filosofia
positivista, em voga na época, Os Sertões
é um livro rico em informações científicas,
imagens bem construídas e narrativa eficaz. Até
hoje os leitores de Euclides não esquecem alguns trechos,
como a constatação definitiva: "Canudos
não se rendeu. Exemplo único em toda a História,
resistiu até ao esgotamento completo".
Entre
os 22 do cânone, há onze romances, três
livros de poesia e oito obras de não-ficção.
Cento e cinqüenta e dois livros foram lembrados, dos
quais 112 tiveram apenas uma indicação. 0 cânone
não é jovem. Desconsiderando as Poesias Completas
de Carlos Drummond de Andrade, que incluem obras de 1930 até
1987. o livro mais novo da lista é Formação
Econômica do Brasil, de Celso Furtado, o único
entre os votantes a figurar no cânone. Foi lançado
em 1960, ou seja, há 34 anos. 0 autor mais antigo é
Gregório de Matos, que viveu no século XVII.
0 cânone também tem apenas quatro autores vivos.
Além de Furtado, de 74 anos estão nele o jurista
Raymundo Faoro, 69 anos, autor de Os Donos do Poder,
Antonio Candido, que escreveu Formação da
Literatura Brasileira e tem 76 anos; e Jorge Amado, de
82, que figura na lista com Gabriela. A idade média
dos intelectuais consultados beira os 66 anos. 0 mais jovem
é João Ubaldo Ribeiro, de 53 anos. Os mais velhos,
Josué: Montello e Roberto Campos, já completaram
77.
Com
treze indicações, mais do que qualquer obra
de Machado tomada de forma isolada, as 538 páginas
de Grande Sertão: Veredas, de Guimarães
Rosa, apresentam aquela que talvez seja a criação
mais original que a literatura brasileira já produziu.
Lançado em 1956. o livro conta, num texto caudaloso,
que despreza o recurso da narração em capítulos,
a fabulosa história de Riobaldo, um ex-jagunço
do norte de Minas Gerais. Fazendeiro pacato, vivendo às
margens do São Francisco, Riobaldo narra histórias
de perseguição, violência e vingança,
mas sobretudo a desventura de seu amor por Diadorim - que
ele conhecera como Reinaldo e só com sua morte fica
sabendo que se tratava de uma mulher.
ALEGORIA
E VERSOS - As maiores qualidades de Macunaíma
(1928), de Mário de Andrade, e Triste Fim de Policarpo
Quaresma (1915), de Lima Barreto, são outras. Ambos
se batem na questão da nacionalidade. Macunaíma,
o "herói sem nenhum caráter", retrata,
nas palavras do próprio Mário, "uma alegoria
dos destinos do Brasil". Já o major Quaresma,
senhor das riquezas do país, é tido como louco
ao propor que o tupi seja adotado como idioma oficial em lugar
do português. A ironia é evidente. Estruturado
a partir de contos independentes e harmônicos, que encadeados
formam um dos melhores romances já escritos no idioma,
Vidas Secas é uma lição de como
se deve contar urna história. É econômico,
contundente e, como poucos, impecável na combinação
entre o que narra e a forma de narrar à secura da vida
de Fabiano e os seus se acopla a linguagem depurada de Graciliano.
Fogo
Morto é uma síntese da obra de Lins do Rego,
o mais acabado testemunho literário sobre a agonia
do Brasil dos engenhos do Nordeste. Gabriela romance
de costumes ambientado em Ilhéus e narrado numa linguagem
que prima pela agilidade, desenvolve-se em dois planos: o
das disputas políticas e o do amor, em especial do
sírio Nacib pela fogosa personagem-titulo. Já
O Tempo e o Vento é uma ambiciosa trilogia
do escritor gaúcho Érico Veríssimo, iniciada
em 1949 e concluída em 1962. Através da saga
da família Terra-Cambará, Veríssimo conta
a História do Rio Grande do Sul. Como ciclo romanesco
é insuperável no Brasil e produziu pelo menos
um personagem inesquecível, o capitão Rodrigo.
Iracema
(1865) de José de Alencar, é, no fundo, um poema
em prosa, como já observara Machado de Assis. O livro,
composto de capítulos curtos, em linguagem trabalhadíssima.
com vocabulário rico e imagens românticas, conta
de forma lírica a história da personagem-título
e de seu amor pelo branco Martim. O Ateneu (1888),
de Raul Pompéia, é uma espécie de "romance
de formação" de um adolescente. O jovem
é Sérgio, que vive num internato e tem traços
autobiográficos. A poesia aparece no cânone em
três volumes de obras completas: de Carlos Drummond
de Andrade, Manuel Bandeira e Gregório de Matos. No
caso dos dois primeiros, que publicaram livros em vida, a
indicação das Poesias Completas foi justificada
pelos votantes com o argumento de que temiam privilegiar apenas
urna fase dos autores em detrimento de outra.

Celso Furtado
Economista e ex-ministro
do Planejamento
. Dom Casmurro
Machado de Assis
. O Guarani
José de Alencar
. Vidas Secas
Graciliano Ramos
. Grande Sertão: Veredas
Guimarães Rosa
. Gabriela, Cravo e Canela
Jorge Amado
. Meninos de Engenho
José Lins do Rego
. Macunaíma
Mário de Andrade
. O Ateneu
Raul Pompéia
. Quarup
Antonio Callado
. O Lustre
Clarice Lispector
. Casa-Grande & Senzala
Gilberto Freyre
. Os Sertões
Euclides da Cunha
. Minha Formação
Joaquim Nabuco
. Raízes do Brasil
Sérgio Buarque de Holanda
. Formação do Brasil Contemporâneo
Caio Prado Júnior
. Formação da Literatura Brasileira
Antonio Candido
. Aves do Brasil
Augusto Ruschi
. Oscar Niemeyer
Oscar Niemeyer
. Exposição aos Credores
Visconde de Mauá
. Fluxo e Refluxo
Pierre Vergé |
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Wilson Martins
Crítico literário
. A Cultura Brasileira
Fernando de Azevedo
. Quincas Borba
Machado de Assis
. Formação da Literatura Brasileira
Antonio Candido
. O Guarani
José de Alencar
. Os Sertões
Euclides da Cunha
. Casa-Grande & Senzala
Gilberto Freyre
. Dom João VI no Brasil
Manuel de Oliveira Lima
. Primeiros Cantos
Gonçalves Dias
. Contribuição à História
das Idéias no Brasil
Cruz Costa
. A Literatura no Brasil
Afrânio Coutinho
. Rio Branco
Álvaro Lins
. História do Positivismo no Brasil
Ivan Lins
. História da Inteligência Brasileira
Wilson Martins
. Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro
Andrade Murici
. Um Estadista do Império
Joaquim Nabuco
. O Livro, o Jonrla e Tipografia no Brasil
Carlos Rizzini
. História da Literatura Brasileira
Sílvio Romero
. A Rosa do Povo
Carlos Drummond de Andrade
. Grande Sertão: Veredas
Guimarães Rosa
. Populações Meridionais do Brasil
Oliveira Vianna
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Alfredo Bosi
Professor de literatura, ensaísta e crítico literário
.
Poesias Completas
Gregório de Matos
. O Uruguai
Basílio da Gama
. Poesias Completas
Gonçalves Dias
. Iracema
José de Alencar
. Dom Casmurro
Machado de Assis
. O Abolicionismo
Joaquim Nabuco
. O Ateneu
Raul Pompéia
. Os Sertões
Euclides da Cunha
. Triste Fim de Policarpo Quaresma
Machado de Assis
. Macunaíma
Mário de Andrade
. Vidas Secas
Graciliano Ramos
. Fogo Morto
José Lins do Rego
. Formação do Brasil Contemporâneo
Caio Prado Júnior
. Formação da Literatura Brasileira
Antonio Candido
. Casa-Grande & Senzala
Gilberto Freyre
. Grande Sertão: Veredas
Guimarães Rosa
. Poesias Completas
Carlos Drummond de Andrade
. Poesias Completas
Manuel Bandeira
. Laços de Família
Clarice Lispector
. O Escravismo Colonial
Jacob Gorender
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"HOMEM
CORDIAL" - Entre os ensaios, o cânone publicado
por VEJA apresenta obras-chave, três delas publicadas
num espaço inferior a dez anos que, verifica-se agora,
concentrou um príodo riquíssimo da cultura brasileira:
Casa-Grande & Senzala, de Gilberto Freyre. de 1933;
Raízes do Brasil. de Sérgio Buarque de Holanda,
de 1936; e Formação do Brasil Contemporâneo,
de Caio Prado Júnior, de 1942. Mais bem-sucedido arquiteto
daquela visão do Brasil como um país diferente
dos demais, onde as diferenças de cor e classe social
sempre se harmonizaram com benefícios para ambas as
partes, Gilberto Freyre fez uma obra que é, acima de
tudo, muito agradável de ler.
Partindo
da idéia de que "somos ainda hoje uns desterrados,
em nossa terra", uma vez que as instituições
brasileiras nasceram de sementes trazidas "de países
distantes de nossas formas de convívio", Sérgio
Buarque de Holanda, em Raízes do Brasil, explora
o conceito de "homem cordial", a síntese
do perfil do caráter do brasileiro. "A lhaneza
no trato, a hospitalidade, a generosidade representa, com
efeito, um traço definido do caráter brasileiro
na medida ao menos em que permanece ativa e fecunda a influência
ancestral dos padrões de convívio humano, informados
no meio rural e patriarcal", escreve Buarque de Holanda.
DIDATISMO
- Ler Formação do Brasil Contemporâneo,
de Caio Prado Júnior, é entrar em contato com
a obra mais importante de um dos raros intelectuais marxistas;
de porte do país. No livro, Prado Júnior expõe
uma visão pioneira, a época, do peso da colonização
na constituição da nação e mostra,
com brilho que permanece atual em vários momentos,
que "os problemas brasileiros de hoje, os fundamentais,
pode-se dizer que já estavam definidos e postos em
equação há 150 anos".
Escrito
com o propósito de ser "tão-somente um
esboço do processo histórico de formação
da economia brasileira", o livro Formação
Econômica do Brasil, de Celso Furtado, tem uma qualidade
rara em obras dessa área: a clareza. Em menos de 250
páginas, Furtado traz à tona mais de quatro
séculos de história econômica do país.
É de longe, a introdução mais didática
e influente que se escreveu sobre o tema. Num espírito
semelhante, Raymundo Faoro publicou em 1958 os dois volumes
de Os Donos do Poder. Neles, repassa a formação
sociopolítica do país, das origens do Estado
Português até Getúlio Vargas. A prosa
é difícil, tortuosa, mas o resultado final é
um insuperável retrato do comportamento daqueles que,
ao longo dos século se tomaram e reproduziram como,
justamente, "os donos do poder".
Em
Formação da Literatura Brasileira, de
Antonio Candido, há um esforço notável
em harmonizar duas visões dispares que em geral caracterizam
ensaios desse tipo: a que se apóia na evolução
histórica e aquela que privilegia os experimentos formais.
Encerra o cânone uma biografia Um Estadista do Império,
livro que Joaquim Nabuco escreveu sobre seu pai, senador José
Thomaz Nabuco de Araujo. De todas as obras do cânone,
é a única que saiu de catálogo e não
se encontra disponível nas livrarias.

João Ubaldo Ribeiro
Escritor, membro da
Academia Brasileira de Letras
.
Sermões
Antônio Vieira
. Formação do Brasil Contemporâneo
Caio Prado
. Espumas Flutuantes
Castro Alves
. Romanceiro da Inconfidência
Cecília Meireles
. O Tempo e o Vento
Érico Veríssimo
. Os Sertões
Euclides da Cunha
. Casa-Grande & Senzala
Gilberto Freyre
. Vidas Secas
Graciliano Ramos
. Poesias Completas
Gregório de Matos
. Grande Sertão: Veredas
Guimarães Rosa
. Terceira Feira
João Cabral de Melo Neto
. Ensaios
João Ribeiro
. Mar Morto
Jorge Amado
. Invenção de Orfeu
Jorge de Lima
. Iracema
José de Alencar
. Triste Fim de Policarpo Quaresma
Lima Barreto
. Dom Casmurro
Machado de Assis
. Macunaíma
Mário de Andrade
. Obra Infantil
Monteiro Lobato
. Raízes do Brasil
Sérgio Buarque de Holanda |
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Roberto Campos
Economista e ex-ministro do Planejamento (1964-1967)
.
Casa-Grande & Senzala
Gilberto Freyre
. Os Sertões
Euclides da Cunha
. Memórias Póstumas de Brás Cubas
Machado de Assis
. Grande Sertão: Veredas
Guimarães Rosa
. Ensaios Analíticos
Mario Henrique Simonsen
. Formação Econômica do Brasil
Celso Furtado
. Liberalismo Antigo e Moderno
José Guilherme Merquior
. Um Estadista do Império
Joaquim Nabuco
. Instituições Políticas Brasileiras
Oliveira Vianna
. História da Literatura Brasileira
Sílvio Romero
. História da Inteligência Brasileira
Wilson Martins
. Raízes do Brasil
Sérgio Buarque de Holanda
. Os Donos do Poder
Raymundo Faoro
. Filosofia do Direito
Miguel Reale
. Princípios de Economia Monetária
Eugênio Gudin
. Comentários ao Código Civil
Pontes de Miranda
. Poesias Completas
Gregório de Matos
. Cartas da Inglaterra
Rui Barbosa
. O Índio Brasileiro e a Revolução
Francesa
Afonso Arinos
. Poesias Completas
Carlos Drummond de Andrade
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José Paulo Paes
Poeta e tradutor
.
Poesias Completas
Gregório
de Matos
.
Marília de Dirceu
Tomás
Antônio Gonzaga
.
Memórias de um Sargento de Milícias
Manuel
Antônio de Almeida
.
Os Escravos
Castro
Alves
.
O Cortiço
Áluísio Azevedo
.
Memórias Póstumas de Brás Cubas
Machado
de Assis
.
Dom Casmurro
Machado
de Assis
.
Os Sertões
Euclides
da Cunha
.
Eu
Augusto
dos Anjos
.
Triste Fim de Policarpo Quaresma
Lima
Barreto
.
Macunaíma
Mário
de Andrade
.
A Saga do Sítio do Picapau Amarelo
Monteiro
Lobato
.
Fogo Morto
José
Lins do Rego
.
Vidas Secas
Graciliano
Ramos
.
Poesias Completas
Manuel
Bandeira
.
Poesias Completas
Carlos
Drummond de Andrade
.
Casa-Grande & Senzala
Gilberto
Freyre
.
Grande Sertão: Veredas
Guimarães
Rosa
.
O Tempo e o Vento
Érico
Veríssimo
.
Gabriela, Cravo e Canela
Jorge
Amado |
RURAL X URBANO - Um primeiro exame da lista mostra que
ali está representado apenas um pedaço do Brasil.
Isso porque o Brasil do cânone é muito mais rural
do que urbano. Lá está o grande sertão,
os sertões, as vidas secas. Mas não há
grandes espaços para o Brasil urbano. Uma explicação
é histórica. O Brasil de hoje é um país
urbano, mas foi no campo que se forjaram os veios mais ricos
e permanentes de sua cultura. "O Brasil passou quatro
séculos voltado para o campo. Nosso processo de urbanização
e industrialização teve início há
apenas cinqüenta anos. É natural que a reflexão
sobre esse passado domine as preocupações dos
intelectuais e tivesse gerado, por exemplo, o mundo de um
Guimarães Rosa", explica Alfredo Bosi, professor
da Universidade de São Paulo. A explicação
faz nexo. mas também envolve uma questão de
opinião. Clarice Lispector recebeu apenas três
votos. insuficientes para colocá-la na lista. Será
que sua obra não é superior à de José
Lins do Rego?
O
Brasil que a lista revela tem um aspecto semelhante ao país
de todos os dias. que trouxe à teoria, mais uma vez,
o debate em tomo da questão de sua identidade como
nação. Dos 22 livros destacados, essa preocupação
aparece em nove obras: Os Sertões, Casa Grande &
Senzala. Raízes do Brasil, Formação do
Brasil Contemporâneo, Formação Econômica
do Brasil, Formação da Literatura Brasileira,
Os Donos do Poder, Macunaíma e Triste Fim de
Policarpo Quaresma. "Se uma pesquisa como essa fosse
feita num país de identidade cultural solidificada,
como a França, por exemplo, ninguém incluiria
no cânone nenhum livro do tipo Formação
da Literatura Francesa , a não ser que ele tivesse
sido escrito por Charles Baudelaire - e aí entraria
pela força do autor, e nunca por seu caráter
canônico", raciocina o professor da PUC, de São
Paulo, e editor Arthur Nestrovskí. "No fundo,
se eu tivesse de definir o caráter do homem brasileiro,
eu diria que se trata não do 'homem cordial', mas do
'homem inseguro' uma insegurança que nasce justamente
dessa incerteza quanto ao que ele é-, diz o poeta Ferreira
Gullar.
Lembrando
que apenas um dos 22 livros não se encontra em livrarias,
irias apenas em sebos, é lícito afirmar que
o cânone está composto de obras que têm
sido lida pelos brasileiros com tempo e gosto para isso. Como
catorze dos 22 livros do cânone são obras de
ficção ou poesia, é certo que boa parte
de sua popularidade esteia relacionada. à escola ou
aos exames vestibulares. É verdade que nenhuma das
treze obras de literatura brasileira que integram a lista
do vestibular da Fuvest, o principal do país, neste
ano, aparece no cânone. Ocorre, porém, que a
Fuvest estabelecem agora uma lista de 131 livros, de literatura
portuguesa e brasileira, dos quais se escolherá a cada
ano de oito a doze obras, que cairão no exame vestibular.
De um ano para outro, de quatro a seis livros serão
trocados.
A
idéia da comissão que escolhe as obras é
estimular a leitura de um maior número de livros. Naturalmente,
da lista primária de 131 obras fazem parte os catorze
livros de ficção ou poesia que aparecem no cânone.
Já a lista de livros que cairão no vestibular
deste ano da PUC de São Paulo contempla sete obras,
de um total de onze, que se encontram no cânoine. As
listas de vestibular refletem, em certa medida. o que o aluno
lê no 2º grau. O currículo do colegial da
rede pública carioca privilegia várias das obras
do cânone. Neste ano, os alunos do Colégio Estadual
André Maurois, por exemplo, do Leblon, Zona Sul do
Rio, leram Vidas Secas e trechos de Os Sertões,
além de entrar em contato com a obra de Guimarães
Rosa e Lima Barreto através de contos. Já os
alunos do 2' grau do Centro Educacional Anísio Teixeira
Ceat, uma escola particular do centro do Rio, leram três
obras do cânone: Memórias Póstumas
de Brás Cubas, Macunaíma e Triste Fim
de Policarpo Quaresma.

Ferreira Gullar
Poeta
.
Memórias Póstumas de Brás Cubas
Machado
de Assis
.
Iracema
José
de Alencar
.
Os Sertões
Euclides
da Cunha
.
Últimos Cantos
Gonçalves
Dias
.
Eu
Augusto
dos Anjos
.
Macunaíma
Mário
de Andrade
.
Vidas Secas
Graciliano
Ramos
.
Fogo Morto
José
Lins do Rego
.
Gabriela, Cravo e Canela
Jorge
Amado
.
Grande Sertão: Veredas
Guimarães
Rosa
.
Laços de Família
Clarice
Lispector
.
Libertinagem
Manuel
Bandeira
.
A Rosa do Povo
Carlos
Drummond de Andrade
.
Poesia Liberdade
Murilo
Mendes
.
Duas Águas
João
Cabral de Melo Neto
.
Vestido de Noiva
Nelson
Rodrigues
.
O Pagador de Promessas
Dias
Gomes
.
Formação Histórica do Brasil
Nelson
Werneck Sodré
.
Raízes do Brasil
Sérgio
Buarque de Holanda
.
O Cobrador
Rubem
Fonseca |
|

Francisco Iglésias
Historiador
.
O Brasil na História
Manuel Bonfim
. História Concisa da Literatura Brasileira
Alfredo Bosi
. Formação da Literatura Brasileira
Antonio Candido
. Os Sertões
Euclides da Cunha
. Os Donos do Poder
Raymundo Faoro
. A Revolução Burguesa no Brasil
Florestan Fernandes
. Casa-Grande & Senzala
Gilberto Freyre
. Formação Econômica do Brasil
Celso Furtado
. Raízes do Brasil
Sérgio Buarque de Holanda
. Coronelismo, Enxada e Voto
Vitor Nunes Leal
. Macunaíma
Mário de Andrade
. Grande Sertão: Veredas
Guimarães Rosa
. Um Estadista do Império
Joaquim Nabuco
. Consciência e Realidade Nacional
Álvaro Vieira Pinto
. Formação do Brasil Contemporâneo
Caio Prado Jr.
. Aspirações Nacionais
José Honório Rodrigues
. Memórias Póstumas de Brás Cubas
Machado de Assis
. A Política Geral do Brasil
José Maria dos Santos
. Introdução à Revolução
Brasileira
Nelson Werneck Sodré
. O Tempo e o Vento
Érico Verísssimo
|
|

Roberto Damatta
Antropólogo
.
O Alienista
Machado de Assis
. Os bruzundangas
Lima Barreto
. Gabriela, Cravo e Canela
Jorge Amado
. Sagarana
Guimarães Rosa
. Gato Preto em Campo de Neve
Érico Veríssimo
. Formação Econômica do Brasil
Celso Furtado
. Os Sertões
Euclides da Cunha
. Casa-Grande & Senzala
Gilberto Freyre
. Raízes do Brasil
Sérgio Buarque de Holanda
. Bandeirantes e Pioneiros
Viana Moog
. Dialética da Malandragem
Antonio Candido
. O Messianismo no Brasil e no Mundo
Maria Isaura de Queiroz
. O Negro no Mundo dos Brancos
Florestan Fernandes
. Tanto Preto Quanto Branco
Oracy Nogueira
. Da Monarquia a República
Emília Viotti da Costa
. Capitalismo Autoritário e Campesinato
Otávio Velho
. Quarto de Despejo
Carolina de Jesus
. Brasil aos Trancos e Barrancos
Darcy Ribeiro
. A Vida como Ela É
Nelson Rodrigues
. Macunaíma
Mário de Andrade
|
AVES - A compreensão do que seria importante para
a cultura do país variou muito de um para outro intelectual.
Com isso, as listas individuais estão repletas de obras
desconhecidas da imensa maioria do público e de outras
que chamam a atenção pelo inusitado da escolha.
Na seleção de Celso Furtado, por exemplo, aparece
o livro Aves do Brasil, de Augusto Ruschi - o naturalista
que, ironicamente, morreu envenenado por um sapo em 1986.
Na lógica de Furtado, a inclusão de Aves
do Brasil faz todo o sentido. "Não é
possível que alguém que queira conhecer o país
através de livros não leia nada sobre fauna
ou flora brasileira, que são tão importantes
em nossa cultura". ele explica. 0 mesmo critério
levou Furtado a incluir em sua lista a autobiografia de Oscar
Niemeyer. Ele foi o único a votar nessa obra. Roberto
Campos votou em Comentários ao Código Penal,
de Pontes de Miranda. um clássico dos estudos de Direito,
"que marcou diversas gerações".
Quem
se dispuser a comprar os livros do cânone disponíveis
em livrarias irá desembolsar 530 reais. Obedecendo
a um ritmo razoável, de 25 páginas por dia,
levará cerca de um ano e meio para desincumbir-se da
tarefa de ler as 22 obras da lista. Há várias
formas para se enfrentar a empreitada. A exemplo do que recomendam
os professores de cursinho, uma das maneiras possíveis
é começar pelas leituras ficcionais mais leves,
como Gabriela Cravo e Canela. Nesse método,
ensaios densos e caudalosos, como Casa-Grande & Senzala,
seriam deixados para o final da leitura.
Outra
maneira de se empreender a leitura é seguir justamente
o contrário, ou seja, começar pelos ensaios
para depois se dedicar à ficção. "O
leitor deve começar por Formação do
Brasil Contemporâneo, que fornece um primeiro panorama
da cultura brasileira num estilo claro e nada personalista",
recomenda Antonio Medina Rodrigues, professor de Literatura
da Universidade de São Paulo. Por último, Mediria
recomenda a leitura de Drummond, que considera "a síntese
mais fina e profunda da cultura brasileira".

Josué Montello
Escritor, presidente da Academia Brasileira
.
Poesias Completas
Gregório de Matos
. Marília de Dirceu
Tomás Antônio Gonzaga
. Cantos
Gonçalves Dias
. Espumas Flutuantes
Castro Alves
. Os Sertões
Euclides da Cunha
. Memórias de um Sargento de Milícias
Manuel Antônio de Almeida
. Broquéis
Cruz e Sousa
. Um Estadista do Império
Joaquim Nabuco
. Jornal de Timon
João Francisco Lisboa
. Dom Casmurro
Machado de Assis
. Casa-Grande & Senzala
Gilberto Freyre
. Lira dos Cinquet'Anos
Manuel Bandeira
. Fogo Morto
José Lins do Rego
. O Tempo e o Vento
Érico Veríssimo
. Segredos da Infância
Augusto Meyer
. Os Velhos Marinheiros
Jorge Amado
. Macunaíma
Mário de Andrade
. Morte e Vida Severina
João Cabral de Melo Neto
. Grande Sertão: Veredas
Guimarães Rosa
. Os Donos do Poder
Raymundo Faoro |
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Luís Costa Lima
Professor de literatura e ensaísta
.
Iracema
José de Alencar
. Memórias Póstumas de Brás Cubas
Machado de Assis
. Quincas Borba
Machado de Assis
. Um Estadista do Império
Joaquim Nabuco
. Os Sertões
Euclides da Cunha
. Casa-Grande & Senzala
Gilberto Freyre
. Instituições Políticas Brasileiras
Oliveira Vianna
. A América Latina
Manoel Bonfim
. Macunaíma
Mário de Andrade
. Memórias Sentimentais de João Miramar
Oswald de Andrade
. Serafim Ponte Grande
Oswald de Andrade
. Libertinagem
Manuel Bandeira
. Sentimento do Mundo
Carlos Drummond de Andrade
. Poesia Liberdade
Murilo Mendes
. A Educação pela Pedra
João Cabral de Melo Neto
. Grande Sertão: Veredas
Guimarães Rosa
. Angústia
Graciliano Ramos
. Menina Morta
Cornélio Pena
. Visão do Paraíso
Sérgio Buarque de Holanda
. Triste Fim de Policarpo Quaresma
Lima Barreto
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