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Claudio Rossi
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A didática tem de
ser envolvente
Para
melhor educar, o professor deve
aproximar-se do
universo do aluno
Por
Gabriel Chalita
O
que está acontecendo com a escola hoje? Pode parecer
estranho, mas, para responder, vamos ver o que ocorreu com
ela há mais de 2 000 anos. Sócrates, um gênio
da história do pensamento, resolveu inventar um método
diferente de ensinar partiu do conceito de que cada
um tem o conhecimento dentro de si e que o mestre é
tão-somente um instigador desse conhecimento. Trata-se
de fazer o parto das idéias. Como a velha parteira
ou o novo médico fazem. Sem forçar. Pacientemente.
Sócrates ainda está na moda, posto que a educação
continua um processo de gestação, nutrido pelo
conhecimento, consciência crítica e liberdade
de escolha. Os desafios de hoje, no entanto, são imensos.
Os mestres deste século 21 encontram gigantescas dificuldades
para educar, pois os adolescentes, cada um a seu modo, desfilam
comportamentos às vezes inconvenientes
próprios do processo de crescimento. Alguns professores
apenas criticam os alunos e cruzam os braços. Outros
preferem conhecer suas histórias e ficam fascinados
com a genialidade, o carisma, o afeto que descobrem. Porque
por trás dessa rebeldia demonstrada na apatia ou no
afrontamento estão belíssimos seres em formação.
Ilustração Paladino
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O
adolescente é um estopim não é
criança nem adulto. Alguns são sufocados por
mimos desmedidos, outros estão à deriva, carentes
de amor e de atenção. Na escola, o desfile de
autoridades, acompanhado de uma boa dose de busca neurótica
de disciplina, contribui pouco para que tenham referenciais
e encontrem alento nessa fase tumultuada da vida.
Urge que não apenas pais, mas também pedagogos,
descubram uma nova forma de lidar com a questão. Em
vez de um professor rigoroso do ponto de vista comportamental,
talvez seja melhor investir no professor como parceiro mais
experiente, entusiasta de conquistas. O olhar de quem enxerga
cada jovem individualmente, de quem conhece a história
de cada um. Se o conhecimento e os bons modos são fundamentais,
a forma de transmiti-los precisa ser sedutora. A sedução
começa com a valorização, e a relação
frutifica no respeito. Assim, o professor se torna amigo,
sem deixar de ser referencial, sem banalizar sua missão
de educar.
A didática também pode ser envolvente. Em vez
de longas fórmulas para decorar, problemas que envolvam
áreas distintas do conhecimento e fontes diversas como
livros, internet, colegas. Em vez do mecânico, o lúdico.
Em vez do teórico, o prático contido numa música
de Chico Buarque de Holanda, num poema de Drummond, em textos
de jornais e revistas, em filmes. O aluno, estimulado, se
transformará em um pesquisador ávido. São
maiores as chances de que venha a ler Machado de Assis, por
sentir-se seduzido pelo prazer da leitura, e não porque
foi obrigado.
No reverso de toda a agressividade que grassa em tempos hodiernos,
que tal o professor discutir com os alunos mitos e lendas
sobre amor? e como adolescente gosta de falar de amor!
O professor é o líder capaz de resgatar essa
essência extraordinária do adolescente, a grandeza
do vôo. Só percebam que adolescente não
gosta de conselho, gosta de amizade partilhada, de compreensão,
de ternura. Isso não significa que o professor não
possa ter um script. Pode. Mas ele deve portar-se como se
estivesse no teatro, onde o andamento da peça sofre
influência do espectador. Não como no cinema,
que despreza a audiência.
Com todo o potencial tecnológico desenvolvido para
informar, a solução ainda está no humano.
É o mestre que, ao conhecer e buscar compreender o
aluno, poderá auxiliá-lo a encontrar meios de
ser feliz. E esse tem de ser o maior dos objetivos da educação.
Gabriel
Chalita é
professor universitário e escritor
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