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  As dúvidas e incorreções gramaticais de VEJA, apontadas pelos leitores, são explicadas pela chefe da revisão Clara Baldrati
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As dúvidas dos leitores de VEJA e as incorreções gramaticais publicadas na revista são discutidas semanalmente pela chefe da revisão Clara Baldrati*. Leia aqui um apanhado delas, com os temas mais correntes.

* Clara Baldrati (clara.baldrati@abril.com.br) é supervisora da produção editorial de VEJA.

Leia também:  

"A nível de"
Indicativo ou subjuntivo?
Há/Havia
Corão ou Alcorão?
Riponga
Neologismos: heliponto e mesmerizar
Regência de desdenhar
Xucro,grafia correta mas ilegítima
Óculos, substantivo plural
Funções do SE
Quantidade X quantia
Câmara ou câmera
Concordância com milhão
Regência do verbo preferir

Plural distributivo
Colocação pronominal
Concordância verbal
Futuro histórico
Doceria
Gênero de "nécessaire"
"Amigo pessoal"
Crase
Fazer (pessoal ou impessoal)
Milhão, substantivo masculino
Plural de nomes de cor
Flexão do infinitivo

"A VEJA"

"A nível de"

"A nível de", expressão utilizada no título de uma nota da seção Gente (edição 1744), causou arrepios a muitos leitores. Choveram cartas de protesto à utilização da surrada locução.

Na verdade, o redator pretendeu fazer uma brincadeira, explorando outro modismo – o uso de "enquanto" em lugar de "como" –, extraído de uma declaração de Giovanna Antonelli. A nota relata que Jade, a personagem interpretada pela atriz na novela, apareceria, em algumas cenas, com uma jibóia enrolada no corpo. No texto, Giovanna assegura não sentir medo diante da situação e diz: "(...) em cena tenho uma grande segurança, enquanto Jade". A graça do título estava em imitar o linguajar da atriz. Não se quis, de modo algum, avalizar o emprego de "a nível de" em VEJA.

 

Há/Havia

Na capa da edição 1733 de VEJA, deparei com o seguinte texto, logo abaixo do rosto da cantora Cássia Eller:

"A polícia suspeita que um coquetel de droga, álcool e remédios matou a cantora, que havia dois anos lutava para se livrar da dependência de cocaína". Estranhei muito o trecho: "(...) que havia dois anos lutava (...). Aguardo, ansioso, uma explicação.
Felipe Penna

Eis a explicação para a não-flexão do verbo haver no subtítulo da capa.

À semelhança do verbo "fazer", "haver" é impessoal (não tem sujeito) quando designa tempo decorrido. Permanece, portanto, na terceira pessoa do singular.

Assim, o correto é dizer: " três anos não viajo" ou "Faz três anos que não viajo".

Outro aspecto importante a observar é a correspondência entre os tempos verbais. No exemplo citado, se o verbo que acompanha "haver" estivesse no pretérito imperfeito, teríamos a seguinte construção: "Havia (ou Fazia) três anos que não viajava".

Essas considerações justificam a correção do texto da capa da última edição de VEJA, no qual se afirma que Cássia Eller "havia (ou fazia) dois anos lutava para se livrar da dependência de cocaína".

 

Corão ou Alcorão?

Gostaria de saber por que VEJA cita o livro sagrado dos muçulmanos como Corão, enquanto vários livros e o dicionário Aurélio registram Alcorão.
Estanislau Felsky Neto

Corão e Alcorão são formas variantes adotadas em português para designar o livro sagrado do islamismo. O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, o Novo Aurélio - Século XXI e o Michaelis registram ambas as grafias. Em seu dicionário, Antônio Houaiss ressalta que "a forma Corão é moderna, de fonte francesa, usada sob o argumento de que, por ser o al- do étimo o artigo definido árabe, dizer o alcorão seria pleonástico". A redação de VEJA adotou essa linha e grafa a palavra como Corão.

É bom frisar, no entanto, que nada desabona o uso da forma Alcorão. Napoleão Mendes de Almeida, no Dicionário de Questões Vernáculas, afirma que "a forma Corão deixou de ser usada; o artigo árabe faz parte dessa e de muitas outras palavras de igual proveniência". De fato, ninguém consideraria redundante o emprego de artigo junto a palavras de origem árabe de amplo uso como (a) alface, (o) alfaiate, (a) almofada, (o) álcool. Foi significativa a contribuição do árabe para o léxico português, devido aos cinco séculos de dominação muçulmana do território lusitano (711-1249).

 

Leitor atento de VEJA e estudioso de português, o professor Roberto Sarmento Lima, da Universidade Federal de Alagoas, envia-nos importantes considerações sobre deslizes gramaticais encontrados nas páginas da revista.

Regência verbal
Uso errado de se + o
Superlativo
"Sendo que", expressão inútil

 

 
   
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