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Histórias
para contar
Educadora
ensina técnicas
para cativar
a atenção das crianças
com a leitura de livros infantis

Cláudia
Granadeiro
Renato Cirone
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Um momento precioso
para ficar com os filhos: sessão de leitura |
Para
muitos pais, contar aos filhos histórias clássicas,
como Chapeuzinho Vermelho, Cinderela ou Aladim e a Lâmpada
Maravilhosa, virou, definitivamente, coisa do passado diante
dos atrativos da era da diversão eletrônica. No entanto,
o público infantil nunca vai deixar de se interessar por
esses personagens e enredos, desde que os adultos se empenhem em
melhorar sua capacidade como bons contadores de histórias
é o que defende a educadora Vania Dohme, de São
Paulo, que deu aulas para mais de 4.000 interessados nos últimos
três anos. Ela reuniu essa experiência no livro Técnicas
de Contar Histórias, recém-lançado pela
Editora Informal. Pode parecer muito óbvio, mas a primeira
tarefa é escolher o texto adequado de acordo com a faixa
etária (confira
no quadro).
Nos primeiros anos da infância, a garotada assimila mais facilmente
enredos que tenham crianças como personagens ou animais com
características humanas, como fala e sentimentos. Dos 3 aos
6 anos, as histórias devem abusar da fantasia com reviravoltas
freqüentes na trama. A partir dos 7, valem as aventuras e fábulas
mais elaboradas.
Os pais não precisam converter-se em atores amadores para
ser bem-sucedidos, mas é preciso exercitar a criatividade
com a entonação da voz, os gestos e a expressão
facial. "O ideal é deixar de lado a leitura sisuda e abusar
da espontaneidade, para criar vínculos com a criança",
diz Vania Dohme, uma advogada que mudou de área e se especializou
em ludoeducação, com mestrado pela Universidade Mackenzie,
de São Paulo. Algumas recomendações são
de fácil aplicação: pronunciar bem as palavras,
fazer pausas para dar a sensação de suspense, aumentar
a velocidade da voz para passar emoção e diminuí-la
para transmitir serenidade ou alterar sons agudos e graves para
personagens diferentes.
O advogado Ronaldo Engracia, 51 anos, de São Paulo, adotou
a velha prática com seus filhos Renata, de 12, e Ruda, de
6. Costuma narrar histórias em capítulos, para manter
o suspense. Entusiasmado com o resultado, relatou a experiência
a outros pais que moram em seu prédio e, nos fins de semana,
chega a contar histórias para uma dezena de crianças.
"Mal tenho tempo de ficar com meus filhos. Com as historinhas, estou
mais próximo deles", afirma Engracia. A estudante de publicidade
Fabiana Barboni, 21 anos, aprendeu a modular a voz durante a narração
para que o filho João Antônio, de 2 anos, não
se distraia nem perca os detalhes. Além disso, usa truques
como fazer fantoches simples para colocar nos dedos.
Além de estreitar a relação entre pais e filhos,
o esforço pode ajudar no desempenho escolar. É um
consenso entre educadores que a criança que ouve as histórias
tem um bom estímulo para lê-las. Nesse caso, o primeiro
impacto é sempre o visual. Segundo a bibliotecária
Marilúcia Bernardi, do Colégio Santa Maria, da capital
paulista, o colorido pode servir de alavanca para a leitura. Hoje,
quem percorre as seções infantis das grandes livrarias
fica surpreso com a rica variedade de obras à disposição
de meninos e meninas. A interferência dos pais deve ser mínima.
Nesse primeiro contato, vale a escolha da criança
se ela não gostar de determinado livro, pode mergulhar nas
páginas de outro de sua preferência.
Com
reportagem de Fábio de Oliveira
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