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Internato na roça
Sistema em que estudante dorme no colégio
ajuda a reduzir evasão escolar na zona rural
Eduardo Nunomura, de Turmalina
Moreira Mariz
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Trabalho escolar em Turmalina:
2 600 pães vitaminados por dia |
Turmalina é uma daquelas cidades que só viram notícia nacional se
surge um escândalo público de arrepiar os cabelos. Foi assim em
1995, quando a prefeitura pagou 65.000
reais por dois ônibus caindo aos pedaços, que seriam destinados
ao transporte escolar. O dinheiro gasto à toa veio do Programa Comunidade
Solidária, que ofereceu 11 milhões de reais para que as prefeituras
do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, resolvessem o problema
da evasão escolar na zona rural. Agora é diferente. Nos últimos
três anos, mesmo sem poder recorrer aos ônibus, Turmalina reduziu
a evasão escolar de 17,44% para 2,6%, praticamente colocando todos
os alunos em sala de aula. A vedete da nova fase é um modelo de
ensino em que o estudante passa quinze dias seguidos na escola e
quinze em casa. Com isso se reduzem as cansativas viagens diárias
e se permite que os jovens ajudem os pais na roça. Inspirada num
programa francês dos anos 30, a Escola Família Agroindustrial, EFA,
já existe em dezoito Estados brasileiros, com 13.000
estudantes e resultados animadores.
Quase metade dos 400 alunos da zona rural de Turmalina estuda na
EFA. "Antes, eu saía às 8 horas, mas só chegava à escola às
11 horas", diz a estudante Adelina Luiz de Azevedo, de 16 anos.
"À noite, só voltava para casa às 8 horas, depois de caminhar
6 quilômetros." Uma vantagem da permanência prolongada na escola
é a possibilidade de aprender a ganhar a vida na própria zona rural.
"O maior problema do Jequitinhonha é não saber utilizar técnicas
agrícolas corretas", diz o secretário de Educação municipal,
Mário Sebastião Cordeiro Alves. Nos 20 hectares da escola, os estudantes
colaboram no cultivo de 120.000 mudas
de frutas e flores. Com a ajuda de técnicos, eles aprendem ainda
a criar porcos, cabras, abelhas e sistemas modernos de plantio.
Diariamente, fabricam 2.600 pães fortificados
com vitaminas, que são distribuídos em 22 escolas da rede municipal.
O Vale do Jequitinhonha é uma região pobre, com renda média per
capita de pouco mais de 100 reais mensais. A cidade só gasta 7.500
reais por mês para manter a escola. Significa em torno de 44 reais
mensais por aluno. Baratíssimo e sem possibilidade de escândalo.
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