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Menos
de três meses depois de receber o pacotaço salvador
de 40 bilhões de dólares do FMI, a Argentina está
de volta à estaca zero. Não melhorou sua classificação
no índice de risco para investimentos estrangeiros. Não
há sinal de reativação da economia. O fato
de que agora o país tem dinheiro para honrar seus compromissos
de curto prazo não se traduziu em investimentos externos
nem no aumento do consumo interno. A recessão já dura
trinta meses. Os setores da economia mais ligados ao consumo popular,
como supermercados, comércio de carros e shopping centers,
estão estagnados ou encolhendo. Na noite de sexta-feira,
o ministro da Economia, José Luis Machinea, fez o que todos
esperavam dele: pediu demissão. As pesquisas de opinião
pública constatam pessimismo generalizado. De cada dez argentinos,
sete acham que a ajuda do FMI não adiantou nada. Quase 80%
dos empresários dão como certo que o consumo permanecerá
estagnado neste ano.
"Perdemos as oportunidades de reativação, dadas pela redução de juros dos Estados Unidos e pela ajuda do FMI", diz o economista Norberto Sosa, do banco de investimentos Raymond James e consultor do Citibank. "Há um escândalo político a cada 45 dias, não houve um verdadeiro ajuste fiscal ou diminuição de gastos públicos. Numa situação dessas o consumidor não se atreve a pegar um empréstimo nem os empresários fazem novos investimentos." A Argentina também foi prejudicada pela crise financeira na Turquia. Ambas foram beneficiadas por programas similares do FMI. São as chamadas "blindagens", cuja intenção é permitir ao país honrar seus compromissos externos. Como não está dando certo na Turquia, os investidores fugiram também da Argentina e a Bolsa de Buenos Aires caiu 18% em fevereiro. Para completar o péssimo início de ano, a febre aftosa voltou a castigar o rebanho. É um banho de água fria na animação argentina, que contava conquistar novos mercados graças à epidemia da vaca louca nos países da União Européia. A Argentina investiu 1,2 bilhão de dólares durante dez anos para conseguir o certificado internacional de país livre da febre aftosa. O ressurgimento da doença pode fechar-lhe as portas de Estados Unidos e Canadá, que importam 200 milhões de dólares de carne fresca, um terço do que a Argentina exporta do produto. O governo brasileiro já suspendeu a importação de carne com osso e de animais vivos para evitar o risco de transmissão da doença. Fiel ao estilo de sempre culpar a "gestão anterior", o presidente Fernando De la Rúa responsabilizou seu antecessor, Carlos Menem, por ter relaxado na vacinação do gado. A Argentina, uma vez mais, está sem rumo.
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